quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Quando os filhos têm vergonha dos pais


 



Depois de algumas horas fechados na sala de aula, chega finalmente a hora do recreio!




Os rapazes vão jogar à bola, enquanto as raparigas se juntam em grupinhos, a conversar ou a brincar com aquelas coisas que trouxeram de casa.




Observo com mais atenção, e descubro uma menina sentada num banquinho, afastada das outras crianças, a comer o seu lanche que a mãe, carinhosamente, lhe preparou.




Vejo no seu olhar, e na sua expressão, que está triste. Ela gostava de estar com as outras meninas. Mas as outras meninas não querem estar com ela.




Afinal, porque haveriam de a incluir naquele grupo de amizades? Quem é ela?




Ela é, apenas, a filha daquele homem que trabalha todos os dias para poder alimentar e dar o que pode à sua família, daquela mulher que, quando não está a trabalhar, fica em casa com os seus filhos, e vai levá-los e buscá-los à escola naquele velho Renault Clio que, provavelmente, não se importariam de trocar por outro mais novo, houvesse dinheiro para tal. Mas não há, e afinal de contas, é preferível ter aquele do que não ter nenhum.




Ela é, apenas, uma menina que não veste roupa de marcas famosas. Certamente, muitas das suas roupas nem novas são – foram dadas por outras pessoas a cujos filhos já não serviam. Embora os pais lhe possam comprar uma ou outra peça naquelas lojas mais baratinhas, ou numa qualquer feira.




Num meio onde vivem, em maioria, crianças filhas de pais ricos, com dinheiro, donos disto e daquilo, não é fácil ser pobre, não usar roupas de marca, andar num carro velho, e não ter brinquedos de última geração!




Aquela menina, é uma menina a quem os colegas põem de parte, por todos esses motivos Uma menina que todos os dias ouve os colegas chamarem-lhe as mais variadas coisas, que todos os dias é insultada e enxovalhada.




É uma menina triste e solitária, que só desejava ter amigas como qualquer outra criança, que só desejava brincar e ser aceite pelos colegas, que só desejava não ser discriminada pelas condições de vida que os pais lhe podem proporcionar…




Uma menina que, como qualquer ser humano, tem sentimentos…




E pergunto-me? Será a pobreza motivo para ter vergonha dos pais? Será uma justificação válida para tal?




Ou deve, pelo contrário, ser um motivo de orgulho para os filhos, saber que tudo o que têm, nem sempre muito, foi conseguido com muitos sacrifícios, esforço e dedicação dos seus pais, para que nunca lhes faltasse o essencial?




Não nos devemos sentir gratos quando, por exemplo, uma mãe abandonada pelo companheiro ainda grávida, cria a seu filho sozinha, trabalhando de sol a sol, muitas vezes passando fome para que não falte alimento ao filho, juntando todo o pouco dinheiro que conseguiu na sua vida para pagar os estudos ao filho e vê-lo formado em medicina?




É triste quando esse filho não reconhece tudo o que foi feito por ele, quando esse filho tem vergonha da própria mãe, quando finge não a conhecer e mente a todos sobre a sua família, quando esse filho só pensa no seu próprio bem-estar e comodidade, quando esse filho tem nojo da comida que a mãe, dentro das suas possibilidades, lhe pode pôr no prato, quando esse filho tem vergonha da casa pobre onde vive, não percebendo que ter um tecto para o acolher e abrigar, já é uma bênção.




Esse sim, é um bom motivo para se ter vergonha – não da pobreza material dos pais, mas da pobreza de valores morais de filhos!


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

TOU...de volta!


Tou sonolenta,


Tou arrepiada,


Tou esfomeada,


Tou no blog,


Tou inspirada,


Tou...de volta!


E não, não estou com um bolicao na mão!


Pois é, estou de volta para mais uma semana de trabalho e de publicações, tal como os famosos Tou's estão de volta aos bolicaos!


E vocês, tão?!

domingo, 27 de novembro de 2011

Noite Calma

  


 


Está uma noite tão calma - no céu nem uma nuvem, apenas uma infinidade de estrelas e, algures, a lua!


Não há vento e, embora esteja frio, dá vontade de vestir aquele casaco quentinho, e sair à rua para passear, na tua companhia, apreciando toda a luz e cor da cidade!


Imagino que estamos, por exemplo, na romântica capital francesa.


De cabelo solto, aconchegada pelo meu casaco branco e botas castanhas sem saltos, até quase aos joelhos, que me fazem parecer uma menina, e sentir-me pequenina (mas são tão confortáveis), caminho de mãos dadas ou abraçada a ti!


São horas de jantar, num restaurante simples e acolhedor...


Sempre alegres e sorridentes, saímos então para uma última volta antes do regresso ao hotel.


Talvez contagiada pelo romantismo que caracteriza Paris, ou simplesmente porque estou apaixonada, grito para todos ouvirem, que te amo!


E tu, um pouco sem jeito com a inesperada e pública declaração, tentando calar-me mas, ao mesmo tempo, retribuir o gesto, envolves-me nos teus braços e beijas-me, com todo o amor que sentes!...


Chegados ao quarto, continuamos a trocar beijos e carícias, cada vez mais envolvidos naquele clima. Aos poucos, vamo-nos despindo um ao outro, até que os nossos corpos, já sem roupa mas quentes, se unem e se tornam um só...


Fazemos amor como só quem ama sabe...e acabamos por adormecer, aninhados um no outro, até de manhã!

sábado, 26 de novembro de 2011

Sonho de uma Tarde de Outono


 


 


Apetecia-me passear contigo ao longo da praia...


Parar, puxar-te para mim, enquanto tu me seguras daquela forma que só tu sabes, e beijar-te!


Beijarmo-nos e perdermo-nos, no tempo e no espaço, como se, naquele instante, tivéssemos sido transportados para outra dimensão!


Beijarmo-nos, como duas pessoas que se amam!


Aquela praia, ainda movimentada, começa a parecer inapropriada para consumar esse amor.


Por isso, mesmo cheios de desejo, paramos!


Ainda com a sensação de que acabámos de acordar, de regressar à terra quando já vislumbrávamos o universo, de voltar à realidade...


Mas, no fundo, felizes!


Estamos juntos, e temos todo o tempo do mundo!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Poesia Caseira!

Estou, certamente, sob o efeito da picada de um qualquer bicho das rimas. É a única explicação para estes versos que saíram desta cabecinha pensadora!


 


(à noite, quando me deitei)


 


Deitar tarde,


 e cedo erguer,


não dá saúde,


mas que se pode fazer!


 


O trabalho tem que ser feito,


e tudo depende de mim.


Não me resta outro jeito,


mas cheguei à cama, por fim!


 


Por vezes falta-me tempo,


para mandar uma mensagem.


Espero então um momento,


em que faça uma paragem!


 


 


(de manhã, ao acordar)


 


Bom dia meu fofinho,


aqui estou eu a acordar.


Mesmo cheia de soninho,


na cama não posso ficar!


 


Encho-me então de coragem,


para tudo despachar.


Seguindo-se uma viagem,


para, na escola, a Inês deixar!


 


Depois chega a nossa vez,


de contar as novidades.


Sempre com tal rapidez,


que não dá para matar as saudades!


 


(já no trabalho)


 


Agora que estou aqui,


chega a tua vez de deitar.


Bom descanso para ti,


que comigo possas sonhar!


 


 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Para quem gosta de bons filmes...

TAKEN - BUSCA IMPLACÁVEL


 



 


 


Kim, uma jovem com dezassete anos, é o orgulho do pai, o ex-agente secreto Bryan Mills, que se reformou para estar junto da filha na Califórnia, onde esta vive com a mãe e o abastado padrasto. Decidida em fazer uma viagem a Paris na companhia da sua amiga Amanda, Kim convence o pai a assinar a autorização. À chegada, as duas raparigas partilham um táxi com o desconhecido Peter e Amanda revela-lhe que estão sozinhas em Paris. Quando, Bryan telefona para saber como estão as coisas, Kim diz-lhe que foram raptadas por um bando de albaneses dedicado ao tráfico de jovens mulheres. Bryan promete matar os responsáveis e parte imediatamente para Paris na senda dos criminosos para libertar a filha.


 


(a não perder a sequela - Taken 2 - em 2013)


 


 


ABDUCTION - IDENTIDADE SECRETA


 



 


Desde que se conhece que Nathan Harper tem a desconfortável sensação de estar a viver a vida de outra pessoa. Quando se depara com uma fotografia de si mesmo em criança numa página da internet sobre pessoas desaparecidas, os seus mais obscuros receios tornam-se realidade, descobrindo que os seus pais não o são de verdade e que a sua vida é uma mentira, cuidadosamente fabricada para esconder algo mais misterioso e perigoso do que alguma vez pudera imaginar. Quando começa a reconstituir aos poucos a sua verdadeira identidade, Nathan vê-se alvo de um grupo de assassinos bem treinados, forçando-o a fugir com a única pessoa em quem pode confiar, a sua vizinha Karen. Cada segundo conta, mas à medida que os seus inimigos se aproximam, Nathan percebe que a única maneira de sobreviver – e desvendar o mistério sobre o seu desaparecido pai biológico – é deixar de fugir e tomar conta do assunto com as suas próprias mãos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Corrupio das Manhãs

Crianças - Para a escola 3  


 



Todos os dias a história se repete: acordo ao som do meu querido despertador, levanto-me (ao fim de alguns minutos a mentalizar-me para tal), e começo a minha rotina matinal!




Com algumas tarefas já adiantadas, espreito para o relógio de parede, por cima da mesa da cozinha - são 7h30m! Está na hora de acordar a minha filhota!




Tal como eu, ainda cheia de sono e tão bem aconchegada, na cama quentinha, que a última coisa que lhe apetecia era de lá sair!




Sempre com o tempo contado ao segundo, saímos finalmente de casa, iniciando a nossa caminhada até à escola.




E como sabem bem esses 20 minutos, em que efectivamente disponho de tempo para conversar com a minha filha!




É certo que preferia uma escola mais próxima de casa, pelo menos naqueles dias em que está frio ou chuva, já que não tenho carro, e autocarros àquela hora não existem. A própria escola só oferece transporte para quem more a mais de 4 quilómetros (não é o caso), e para pagar a uma carrinha, sai dispendioso.




Mas é com imenso prazer e satisfação que a acompanho até ao portão da escola, naquele a que já apelidei de “nosso momento do dia”!




Por entre mães (e pais) que, tal como eu, levam os filhos pela mão, a enorme quantidade de carros que por nós passam e, a muito custo, param nas passadeiras para que possamos atravessar para o outro lado da estrada, outros tantos que tentam estacionar, sair ou entrar do café, ou das empresas e fábricas pelas quais temos que, obrigatoriamente, passar, chegamos finalmente ao destino!




Tentamos visualizar algumas colegas dela no ponto de encontro e, entregando-lhe a mochila, despeço-me com um beijinho e o desejo de que o dia lhe corra da melhor forma!




Ainda fico, por breves instantes, a observá-la do lado de fora do gradeamento, tentando certificar-me de que ficou “bem entregue”!




Sigo então, no sentido inverso, cruzando-me com outras pessoas que ainda vão a caminho da escola, aventurando-me no que mais me parece um “labirinto”, tais são as voltas e manobras que tenho que dar e fazer, no meio de toda aquela confusão, que se gera devido à proximidade de quase todas as escolas da vila!




Até que, já longe daquele corrupio, chego ao meu trabalho, já cansada, confesso, mas feliz e agradecida por aquele pequeno momento que, com a mudança de horário neste ano lectivo, a escola me proporcionou!




Amanhã há mais!


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Bullying - Uma Dura Realidade


 


Tenho uma filha! A menina que sempre desejei!


E como qualquer mãe galinha, tenho um desejo enorme de a proteger de tudo e de todos os que a possam magoar, seja de que maneira for.


Claro que só quero o melhor para ela, mas nem sempre protegê-la do mundo, criando uma redoma à sua volta, é a melhor forma de o demonstrar.


Há que deixá-la viver, experimentar, enfrentar as dificuldades e prepará-la para que, sozinha, sem estar na sombra de outros, consiga sobreviver nesta selva em que vivemos – desenvolvendo a sua autonomia, as suas capacidades, o seu poder de luta, aprendendo a se defender, se necessário for, e a resolver os seus problemas.


Com algumas reservas minhas, mas ao mesmo tempo ciente de que seria benéfico para ela, começou a frequentar o Jardim de Infância com 4 anos e hoje, com 7, está no 2º ano, numa escola pública onde, juntamente com ela, se encontram mais de 600 crianças.


Tal como neste vídeo, todos os dias ela se levanta, veste aquela roupa que tão carinhosamente escolhi para ela, toma o pequeno-almoço e vai para a escola.


Pelo que me apercebo, não tem muitas amigas, embora para ela todas as colegas sejam amigas. Até mesmo aquelas que a rebaixam, ou só a querem por perto por interesse.


Mas não me preocupa o facto de ter poucas amigas. Eu também não tive muitas. Na verdade, apenas duas, que me acompanharam durante os vários anos em que estudei.


Preocupa-me sim, que ela venha a ter inimigas! Não por algo que ela tenha feito de mal, até porque para quem pratica o “bullying”, não existe uma motivação aparente e, muitas vezes, quando a há, nem sempre está directamente relacionada com a vítima.


Outras, como foi o meu caso, surgiram na sequência de uma resposta que, provavelmente, aquelas pessoas não esperavam ouvir.


Ia para o 10º ano, tal como uma das minhas amigas que era da mesma turma que eu – éramos “caloiras” e não conhecíamos ninguém naquela escola.


Ao contrário daquelas três raparigas, que frequentavam o 11º ano e já conheciam meio mundo.


Sempre muito tímidas e não gostando de confusões, guerras ou discussões, tivemos um ano bastante complicado, em que a violência psicológica foi presença constante.


Cada vez que as avistávamos, ainda que bem longe, já os nervos davam sinal, e só queríamos que aquele instante que se aproximava passasse depressa.


Desde insultos, a comentários depreciativos, e até mesmo uma vez em que entraram na nossa sala de aula para nos danificarem o material escolar, os sentimentos que mais habitavam dentro de nós eram pavor, medo, ansiedade…


Dia após dia, éramos “empurradas” para aquele ambiente hostil, que muitas vezes nos levava ao desespero, e a pensar em desistir de estudar, só para o pesadelo acabar.


Felizmente, esta violência caracterizada pela prática de actos intencionais e repetidos, neste caso em grupo, foi apenas psicológica. Nunca houve agressões físicas.   


Mas não são poucos os casos em que somos vítimas de vários tipos de práticas, não só físicas (agredir, bater), mas também verbais (gozar, insultar, apelidar), materiais (roubar, destruir pertences ou danificando objectos pessoais), psicológicas (intimidar, ameaçar, perseguir, aterrorizar), e até mesmo, mais recentemente, virtuais!


Praticados em grupo, ou por uma só pessoa, estas situações ocorrem com maior frequência nas escolas, sempre fora da visão dos adultos, e normalmente as vítimas não reagem, nem tão pouco falam sobre as agressões de que foram vítimas.


Os agressores têm, geralmente, personalidades autoritárias, uma absurda necessidade de controlar ou dominar e são, algumas vezes simultaneamente, agressores e vítimas.


Contudo, não é um problema exclusivo das escolas, podendo acontecer em qualquer meio, como no local de trabalho ou entre vizinhos.


E as consequências não se fazem esperar – dor, angústia, irritação, ansiedade, stress, nervosismo e tristeza anormais, podendo, nos casos mais graves, levar à depressão, problemas psíquicos e até mesmo ao suicídio.


É importante não ignorar, não nos convencermos que tudo isto faz parte da vida e que há-de passar, mais cedo ou mais tarde.


Mais grave ainda que ser uma vítima de “bullying”, é vermo-nos sozinhos, é não sabermos a quem recorrer, a quem pedir ajuda, com quem conversar. É vermos as pessoas esconderem a cabeça na areia como avestruzes, ou virarem costas, como se de um perfeito disparate, inventado por alguém que apenas pretende chamar a atenção, se tratasse.


Lembro-me de não querer continuar a estudar, de pensar em desistir. A minha amiga fez apenas o 10º ano e ficou por aí. Já eu, fui “obrigada” pelos meus pais a continuar – passei para o 11º ano, o que significava ter que enfrentar durante um ano inteiro, e completamente sozinha, aquele inferno.


Muito embora o meu pai sempre me tenha dito que a melhor forma de lidar com esse tipo de pessoas é ignorando, não mostrando medo, nessa altura eram as últimas coisas que eu conseguia fazer.


Mas ter o 11º ano ou ter o 9º, ia dar no mesmo. E os meus pais queriam o melhor para mim, queriam que eu estudasse, para no futuro ter melhores oportunidades. Para isso era necessário ter, pelo menos, o 12º ano! Como hoje lhes agradeço essa imposição!


Felizmente, aquele ano passou-se, tal como passou o seguinte (muito melhor porque nessa altura já as ditas raparigas tinham deixado a escola secundária).


Hoje, olhando para trás, quando as vejo casadas e com filhos, penso se de facto teriam consciência daquilo que tanto gostavam de fazer, ou se seria uma rebeldia da adolescência.


Hoje, não procuro detectar uma situação semelhante em cada esquina, mas tento ficar atenta, para que a minha filha não venha a passar pelo mesmo que eu.


Para que, se um dia isso acontecer, eu possa compreendê-la, ajudá-la, e dar-lhe todo o meu apoio, na luta contra esta dura realidade!



 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Momentos

 


Desviei o olhar por uns segundos, do texto que estava a escrever, e apercebi-me que, por entre telefonemas, recepção de clientes e minutas informáticas, tinham passado quatro horas!


Um som vindo lá de fora chamou-me a atenção. Olhei para a janela - é noite!


Ainda há pouco era dia e caía uma chuva miudinha. Em tão pouco tempo, escureceu. A chuva miudinha deu lugar a um forte aguaceiro, e uma rajada de vento fez-se sentir. Agora, tudo voltou a estar calmo.


E continuo o meu trabalho... 


 


 

domingo, 20 de novembro de 2011

Haja Paciência

 



 


Marcava o relógio 17h11m, quando me dirigi ao atendimento do SAP (Serviço de Atendimento Permanente), a fim de marcar uma consulta para a minha pessoa.


Tendo perfeita consciência de que uma mera dor de ouvidos, embora muito incomodativa, não era um caso urgente, não deixei por isso de tentar “adiantar o serviço”!


Era domingo, tinha tempo disponível, e poderia muito bem esperar para ser atendida, evitando assim perder tempo e faltar umas horas ao trabalho hoje, para ir à Unidade de Saúde Familiar a que pertenço.


E mesmo já calculando que, provavelmente, nenhuma das farmácias da vila estaria ontem disponível (porque infelizmente aqui no concelho, temos uma espécie de sorteio, e cada dia do fim de semana calha a farmácias diferentes, o que quer dizer que talvez num fim de semana por mês tenhamos sorte), pelo menos já saía de lá com uma receita pronta a “aviar” hoje às 09 horas!


Ora, já sabemos que quando vamos aos hospitais e serviços afins, convém irmos preparados para esperar, e guarnecidos com uma boa dose de paciência.


Posso dizer que já estou física e psicologicamente treinada para isso, não só pelas inúmeras vezes que o tenho que fazer no meu trabalho, como muitas outras em que me dirigi ao referido serviço.


Ontem talvez tenha batido o meu recorde de tempo de espera – mais de 3 horas!


Como é óbvio, algumas pessoas já cansadas e desesperadas, começaram a reclamar. É que aqui, não existe triagem, nem grandes prioridades.


À excepção daqueles que vêm, trazidos por ambulâncias (que têm prioridade sobre quaisquer outros) só entra, sem esperar pela sua vez, quem estiver perto de desfalecer, ou a sangrar, e mesmo assim, não é garantia de saída rápida. Muitas vezes entram, mas ficam deitados em macas, ou sentados, à espera que alguma enfermeira os venha tratar ou medicar. E depois disso, continuam a aguardar, por um intervalo entre consultas, para o médico o examinar.


Claro que, como em tudo na vida, mais vale “cair em graça do que ser engraçado”, e não se percebendo muito bem porquê, lá ouve dois ou três casos bem sucedidos, em que chegaram depois e foram atendidos primeiro.


Isso revolta quem ali aguarda, naquela minúscula sala apinhada de doentes, durante horas, ouvir o médico finalmente chamar o seu nome!


E como demora, sermos chamados! É que existem apenas duas salas para dois médicos, mas não sabemos o que se passa lá dentro, porque se é certo que se vêem os doentes a sair das mesmas, já para os seguintes entrarem chega-se a esperar quase 20 minutos! Mistério…


Por entre protestos, ânimos exaltados e reclamações (em grande parte dos acompanhantes e não propriamente dos doentes), foi-se passando o tempo, sem nada mais com que nos ocuparmos.    


Eram 20 horas. Continuava sentada na mesma cadeira, e começava a incomodar-me ver duas ou três pessoas que mal se aguentavam, não serem chamadas sequer por uma enfermeira.


Mas enfim, estava na hora do jantar, e da troca de médicos, o que atrasa sempre um bocadinho o serviço (como se não estivesse já suficientemente atrasado)!


Finalmente fui chamada! Entrei, despacharam-me em menos de 10 minutos e lá saí eu, já perto das 20h30m, com a tão desejada receita na mão!


Deixando no meu lugar outras tantas pessoas que, possivelmente, passariam lá boa parte da noite.   

sábado, 19 de novembro de 2011

Saturday Night


 


"Saturday night, dance, I like
The way you move
Pretty baby
It's party time and not one
Minute we can lose..."


  


Conhecem esta música? Saturday Night, da Whigfield!


Já tem uns bons aninhos e, muito provavelmente, será difícil ouvi-la, nos dias que correm, numa discoteca.


Os tempos mudam e com ele, mudam-se estilos musicais, atitudes e comportamentos.


Sempre gostei de sair, de dançar, de ir ao cinema, de me divertir com as minhas amigas, ou com o namorado.


E lembro-me que quando tinha os meus 15 ou 16 anos, sempre que havia uma festa de aniversário, ou nas passagens de ano, era obrigatório comemorar! E comemorar com vinho branco ao jantar e espumante!


Não bebia para me embebedar, mas gostava de ficar naquele meio-termo a que usualmente apelidamos “estar quentinha”.


Pensava eu que, bebendo, me divertiria muito mais. Que o álcool transformaria aquela menina tímida e calada, numa outra, mais desinibida e extrovertida.


Só mais tarde percebi que não precisava de nada disso, porque esse meu lado extrovertido estava dentro de mim, e saía cá para fora independentemente do facto de beber.


Tenho porém constatado que, de há uns anos para cá, cada vez mais os adolescentes dependem de algo para se sentirem bem na sua pele, ou melhor, fora dela.


É certo que tabaco, álcool e drogas sempre existiram. E é, normalmente, na adolescência que se tem o primeiro contacto com eles.


Talvez como forma de quebrar laços da infância, como sintoma de emancipação, como necessidade de ser aceite num determinado grupo, pelo gosto de correr riscos, ou simplesmente para fazer aparecer aquele outro eu que se diverte muito mais quando está sob o efeito destas substâncias, a verdade é que o consumo das mesmas tem aumentado, é excessivo, e ocorre em idades cada vez menores.


Hoje, se eu for a uma discoteca, por exemplo, encontro miúdas a beber repetidamente, shots, enquanto eu me delicio com uma simples garrafa de água ou um sumo de laranja.


E pergunto-me eu? Será que elas gostam, será que lhes dá prazer? Qual será a sensação de fumar um cigarro atrás do outro? Como será que se sentem depois de passado o efeito da droga? Valerá a pena?


Os primeiros cigarros, as primeiras bebidas, as primeiras drogas, podem até ser, e acredito que sejam, experimentadas por curiosidade, e normalmente em grupo.


Mas daí à dependência vai uma curta distância, e começa a ser um grave problema, quando o motivo e o nosso principal objectivo de vida, é o consumo.


O que é curioso é que, se há uns anos, esta era uma situação que se verificava maioritariamente, no universo masculino, actualmente, talvez devido à luta por direitos iguais, encontram-se cada vez mais mulheres que, não só conseguiram com sucesso igualar-se neste campo, aos homens, como os ultrapassaram em grande escala!


Esperemos que esta febre, não apenas de sábado à noite mas regular, dê lugar a outras tendências e modas mais saudáveis e naturais!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Retalhos do meu dia

Por aqui nada de novo.


Apenas dois textos, um sobre uma certa hipocrisia natalícia, e outro sobre encontros de ocasião (à falta de melhor título)!


O sol escondeu-se, o frio regressou, e a chuva ultima os preparativos para a sua entrada em cena!


É um dia em tons cinza, embora eu ainda tente visualizar as inúmeras cores que marcaram o dia de ontem.


Tal como o almoço no prato, aquele que não fiz (como que à espera de um truque de magia)! Vamos ver o que se arranja à pressa...


 


 


...Aqui vou eu para cima, de regresso ao trabalho.


No chão, uma dança de folhas em alegre rodopio!


Levanto a gola do meu casaco, para me aconchegar, e sigo viagem. As ruas estão desertas.


Sinto o cheiro que vem, trazido pelo vento, a castanhas assadas! Do assador que, desde Setembro, se instalou no centro da vila.


E cá estou eu, de novo enclausurada neste escritório, para mais 5 horas de serviço!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Encontros de Ocasião

         


 


Caminhamos pela rua, absorvidos pelos mais variados pensamentos, ou simplesmente a desfrutar da paisagem quando, sem esperarmos, damos de caras com aquela "velha" amiga, ou aquele familiar que há séculos não víamos! 


Por diversas vezes assisti a encontros ocasionais deste género e fiquei sempre com a mesma sensação em relação aos mesmos - que não passam disso mesmo, de encontros de ocasião!


Salvo algumas excepções, que as há, como em tudo na vida, em que os intervenientes se sentem satisfeitos com o reencontro e tentam, efectivamente, retomar a amizade e os laços perdidos, não permitindo que as circunstâncias de outrora os impeçam de manter, daí em diante, o contacto regular, o que acontece é, normalmente,  um pouco diferente.


Depois do primeiro impacto, e já refeitos da surpresa, fazemos uma grande "festa" como se, de um momento para o outro, aquela pessoa que há muito estava esquecida fosse, naquele momento, o nosso melhor amigo!


Falamos da nossa vida actual, das nossas aventuras, recordamos velhos tempos e, entre beijos e abraços, trocamos contactos, prometendo não mais deixar de dar notícias!


O que acontece é que, embora muitas vezes a intenção seja sincera e verdadeira, depois da despedida, cada um segue a sua vida, e o tempo encarrega-se de nos devolver ao baú do esquecimento, até que um próximo reencontro volte a avivar a memória.


E a história torna a repetir-se!  

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Emoções de Adolescentes

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“Sinto que estou a perder as minhas forças. A cada dia que passa estou a deixar-me vencer…vencer pela tristeza, tristeza por não te ter ao pé de mim…pela incerteza, incerteza por não saber definir ao certo que sentimento é este…pela insegurança, por não saber se sou correspondida da mesma maneira…



Sinto-me frustrada, desanimada, apática…nada faz sentido…quero levar a minha vida para um lado, e tudo a empurra para outro…




Neste momento, parei. Não tenho mais vontade de andar, não tenho mais forças para me mover…




Já não consigo disfarçar, preciso de estar ocupada, distraída…sozinha, a única coisa que consigo fazer é chorar…




Sinto que é uma luta perdida…Se é que se pode chamar de luta…




Quero culpar alguma coisa, quero culpar alguém…




Culpo-me a mim porque não sou forte, não sou corajosa, não arrisco, não luto…sou conformista, sou comodista, prefiro o mais fácil, o mais confortável, sou cobarde…




Culpo-te a ti, porque não me vens salvar, porque não me vens tirar deste pesadelo em que eu própria me meti…




Culpo a distância, que nos afasta, que me faz sentir saudades, que não nos permite viver o que tanto desejo….




Tento encontrar algo ou alguém a quem possa responsabilizar, mas simplesmente não existe!




Quanto muito poderei culpar o meu coração, por sentir o que não deveria sentir…




Tudo o que me dás é tudo aquilo a que me posso agarrar…




Todas as tuas palavras, todos os teus gestos, são alguns dos poucos momentos em que consigo sorrir…




Queria tanto acreditar que o sonho se iria tornar real…mas cada vez mais me convenço que não passa disso mesmo…de um sonho.




A realidade é bem diferente, mais dura…




Não há lugar para fantasias, não há lugar para sonhos que, por circunstâncias da vida, nunca vão passar disso.




E essa é a parte mais difícil…perder a esperança…encarar a realidade…




De que me serve ter a capacidade de amar, se não posso amar quem eu quero…se não consigo dar amor a quem me ama…"



 


 


Na adolescência, encaramos as primeiras paixões como se de verdadeiros amores se tratassem!


Somos protagonistas das mais belas histórias, com tudo aquilo a que temos direito - amores proíbidos, amores desencontrados, amores distantes, sempre à espera do Happy Ending, mas não sem antes passar pelo típico sofrimento do desenrolar da trama.


Ao fim de tantos anos cheguei a uma simples conclusão - somos mais fortes do que pensamos, e não morremos por amor, ou melhor, pela falta dele!


Não quer dizer que os nossos sentimentos não sejam verdadeiros (porque geralmente até o são), mas temos uma capacidade de ver tudo de forma mais simples, mais prática, e sem aquele romantismo e dramatismo de outrora.


Não significa que não tenhamos saudades daqueles que amamos, quando estão longe de nós, mas não paramos no tempo à espera do regresso.


Não quer dizer que não nos sintamos tristes muitas vezes, que não tenhamos vontade de chorar, que não nos afecte minimamente, mas temos a força necessária para reagir, para para nos recompormos e seguir em frente com a nossa vida.


Afinal, o amor não mata, mas mói!


Mas, se puder ser correspondido e vivido plenamente, pode ser muito compensador. Por muito que sejamos fortes, decididos e independentes, não há nada melhor do que termos alguém na nossa vida com quem partilhar as nossas tristezas e as nossas alegrias, as nossas derrotas e as nossas vitórias, os nossos pesadelos e os nossos sonhos, tudo o que faz de nós aquilo que somos!


É importante viver cada dia, e saber aproveitar o melhor que temos e com quem estamos - a nossa vida está em constante mudança, e a nossa história deve ser feita de pequenos finais ao longo do tempo. Quem sabe se na vida real não será ainda melhor do que o que idealizámos?!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Farta de Chuva


O dia hoje começou cinzento e chuvoso...




 




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Fui levar a minha filha à escola, e depois ainda tive que caminhar à chuva até ao meu trabalho. Fiquei ensopada, não só pela chuva intensa que caía, mas pelos simpáticos carros que se sentem tão satisfeitos a passar por nós e dar-nos um banho! E pensei cá para mim - será que isto ainda pode piorar?




 




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A resposta veio logo em seguida: Claro que pode! Nada é assim tão mau, que não possa ficar pior!




 


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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Não acontece só aos outros...

Cada vez que lia uma notícia sobre violência doméstica, o meu pensamento era sempre o mesmo: "Como é que uma pessoa se sujeita a isto?", "Porque é que não faz nada", ou ainda "Eu nunca iria permitir uma situação destas".


Como o nosso pensamento muda, quando estamos no meio da situação, como protagonista, e não apenas do lado de fora como mero espectador!


Desengane-se quem pensa que este é um problema típico de pessoas sem estudos e de classe baixa, que afecta apenas as mulheres. Cada vez mais, percebemos que é um crime que não escolhe sexo, classe social ou formação.


E pode acontecer mesmo aqueles que um dia disseram que nunca iriam admitir que tal lhes acontecesse.


Numa situação dessas, o que fazer? Apresentar queixa, afastar-se do agressor e pôr logo ali um ponto final ao nosso papel de vítima.


Mas, se é assim tão simples, porque é que muitas vezes não agimos para evitar que se repita? A explicação é simples - gostamos mais de quem nos agride do que de nós próprios!


Quando assim é, ficamos cegos, surdos e mudos! Inventamos mil e uma desculpas para nos convencer, a nós e aos outros, que foi uma coisa que aconteceu uma vez e não voltará a acontecer.


Perdoamos quem nos agride porque foi uma questão de descontrolo, porque não havia intenção de o fazer.


Pior, chegamos ao ponto de muitas vezes nos culpabilizarmos pela agressão de que fomos vítimas, como se o outro tivesse alguma razão para cometer tal acto!


Outras vezes, não agimos por medo - medo de mais violência, medo de ver concretizadas as ameaças, medo do que nos possa acontecer.


Afinal, sabemos bem como funciona a justiça, e o que acontece aos criminosos e agressores quando são acusados pelas vítimas. Quantas vezes são detidos e saem logo em seguida? Quantas vezes se tentam vingar por terem sido denunciados? Quantas vezes o pior não acontece, sem que ninguém faça nada, apesar das várias acusações já apresentadas nos serviços competentes?


A verdade é que as vítimas não conseguem confiar em ninguém, não acreditam que as consigam proteger do que mais receiam.


E algumas vezes também, por medo de serem julgadas. Por medo do que possam vir a dizer sobre elas, por vergonha...


Quando assim é, sujeitam-se e acomodam-se sem reclamar. É o pior que podemos fazer - quem faz uma vez faz duas, e quem faz duas faz três. Os agressores acham que têm esse direito, porque afinal nós permitimos que eles pensassem assim, e não param.


Em qualquer caso de violência doméstica, não falamos apenas de agressões físicas. Há agressões psicológicas que, muitas vezes, nos marcam mais que meia dúzia de nódoas negras.


Não condeno as vítimas que não conseguem sair desse pesadelo. Por outro lado, admiro todas aquelas que têm a coragem de agir e reagir.


Acima de tudo, são um exemplo de quem soube e conseguiu dar a volta e lutar por si próprio, pela sua dignidade, pela sua saúde física e mental, pela sua vida. São um exemplo de quem venceu em vez de se deixar vencer! E nada é mais compensador do que essa sensação!

domingo, 13 de novembro de 2011

A propósito do Natal

                           Imagens Animadas: Imagens.de Natal


 


A noite de Natal que sempre imaginei foi aquela em que toda a família pudesse estar junta - filhos, marido, mãe, pai, irmão, cunhada e sobrinhos. Com muito amor, alegria, brincadeiras e presentes para as crianças!


Até agora, ainda não tive essa noite, e duvido muito que algum dia a venha a ter. Não é que me dê mal com a minha família, porque até nos damos todos bem, mas porque quando estão uns, não estão outros. Uns não podem, outros não querem, e quando assim é, não há nada a fazer.


Pelo menos vamo-nos vendo e falando ao longo do ano, convivendo quando o tempo e a disponibilidade nos permite. Não deixamos de manter o contacto. Fazemo-lo porque temos esse gosto e essa vontade. Porque, como disse, nos damos todos bem.


Antes assim, do que nos servirmos do Natal como desculpa para reunir todos aqueles familiares com quem raramente falamos, e de quem só nos lembramos por ocasião de festas e funerais!


Pode parecer exagerado, mas não é. A verdade é que muitas vezes esquecemos e somos esquecidos. Depois dá-nos um daqueles "clicks" - é Natal, vamos lá reunir toda a família, nem que seja só neste dia!


É um pouco como as mais diversas campanhas que se começam a despoletar com o aproximar da época natalícia!


Festas de solidariedade, angariação de fundos, apelo aos donativos para uma infinidade de causas sociais...Acho bem que elas existam e são muito bem vindas, concordo, mas fica a sensação que bondade, generosidade, união, amor e outros sentimentos tão nobres, só saem cá para fora porque é Natal. Depois volta-se a guardá-los na gaveta até ao próximo ano.


Por outro lado, as crianças parecem viver essa noite com o único objectivo e a ansiedade de abrir os presentes, na esperança de ver a sua lista de Natal satisfeita. Acho engraçado a facilidade e a rapidez com que rasgam o papel do embrulho, olham para o que de lá saiu, e põem para o lado logo em seguida, dando a vez ao próximo, e assim sucessivamente, até não haver mais presentes. Acabam-se os presentes, acaba-se a euforia - muitas vezes felizes, outras mais tristes porque não eram do seu agrado.


Que venha o próximo Natal!

sábado, 12 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Verão de S. Martinho...ou será Inverno?


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Hoje é dia 11 do mês 11 do ano 2011!

Talvez por isso, ou para contrariar aquilo que ainda muitos tentam explicar - porque é que nesta altura está sempre bom tempo (daí esta época ser chamada de Verão de São Martinho), hoje não temos sol.

Pelo contrário, depois do vento que se fez sentir de madrugada, foi a vez da chuva cair sem parar, estragando os planos daqueles que pretendiam assar as castanhas ao ar livre!

Sim, porque hoje é dia de festa: é dia de S. Martinho, e por todo lado se fazem magustos para celebrar: assam-se as castanhas e prova-se o vinho, como manda a tradição!

Na escola, já está tudo programado - castanhas para assar, brincadeiras, e jogos divertidos, que provavelmente vão ser transferidos do recreio para o interior da escola.

Que tal entrarmos no espírito?

Feliz Inverno de S. Martinho!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Perdida no Tempo

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"Qualquer instante perdido, é-o para sempre. O tempo é o único bem irreparável, por isso mesmo, é preciso aproveitar todas as horas do dia. Amanhã já não temos o hoje."


 


É uma grande verdade!


E o pior é que, de há uns tempos para cá, é isso mesmo que eu sinto. Que o tempo está a passar, que não espera por mim, que não volta atrás, e eu não estou a conseguir acompanhá-lo. Pelo contrário, estou a ser ultrapassada por ele a alta velocidade!


Todos os dias ando numa correria, a tentar aproveitar todos os minutos e distribuir tudo aquilo que tenho para fazer, na esperança de que, no fim, sobre algum tempo que não seja para trabalhar.


Mas o que sinto, ao virar a página de cada um destes dias, é que nada ficou...


Que tantos instantes foram perdidos, que tantos momentos foram deixados de viver, em prol do que se apresentou à minha frente com maior e comprovada prioridade...


Que estou a ser obrigada a agir mecanicamente, como um robot programado para executar as funções para que foi criado, sem espaço de manobra para qualquer outra que não conste no manual de instruções.


Que tantos amanhãs se transformaram em hoje, e passaram a ontem, sem que tenha saído da linha recta que me foi imposta por diversas circunstâncias, e que me impedem de olhar para o lado, parar, e poder caminhar noutros sentidos.


Apesar de tudo, acredito que melhores dias virão, que vou voltar a conseguir caminhar lado a lado com o tempo, sem por ele ser atropelada!


Espero que não demore muito...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Profissional e o Bom Profissional

O que é que distingue um profissional comum, de um bom profissional?


Hum…Nada melhor que um exemplo para o mostrar.


 


Por muito absurdo e surreal que possa parecer, eu nunca tinha visto, até hoje, um piolho na minha vida! Não fazia a mínima ideia de como ele seria, ou que aspecto teria.


Claro que na minha infância os devo ter apanhado, mas disso se encarregou a minha mãe.


As lêndeas eram também, para mim, umas ilustres desconhecidas, até há uns dias atrás.


A minha ignorância é tal que, ao pentear a minha filha no outro dia, as vi lá agarradinhas ao cabelo, mas pensei que fosse caspa (apesar de estranhar a dificuldade em tirar do cabelo).


Também um destes dias vi um bichinho estranho no cabelo dela, mas pensei que fosse um simples insecto – sacudi-o e resolvi o problema…pensava eu!


Mal eu sabia que na última sexta-feira iria finalmente ser apresentada aos meus mais recentes inimigos!


Ainda não muito certa de que estaria na presença de tão indesejados bichinhos, pedi à minha mãe uma segunda opinião, que mais não foi do que a confirmação das minhas suspeitas.


E assim, num misto de pânico perante a nova e árdua tarefa que me esperava, e a determinação em enfrentar o desafio de me ver livre desta praga, dirigi-me à farmácia.


Inexperiente nesta matéria, pedi um champô para piolhos, de preferência o mais conhecido Quitoso, bem velhinho mas ao que parece eficiente.


O farmacêutico que me atendeu disse que não tinha, e deu-me Parasidose, na sua opinião mais eficaz.


Perguntei-lhe como era o tratamento e foi-me explicado que deveria fazer duas aplicações do produto, de 3 minutos cada uma, e voltar a repetir o mesmo tratamento ao fim de 3 ou 4 dias.


Quanto à questão de todos lá em casa fazerem o mesmo tratamento, foi-me dito que não seria necessário, a não ser que começasse a ter comichão.


Este é, para mim, o profissional.


Dois dias depois, dirigi-me à mesma farmácia, para comprar qualquer coisa para uma inflamação que me apareceu na pálpebra. Desta feita, fui atendida por uma senhora, que me falou de um antibiótico em gotas, mas dado que eu uso lentes de contacto, e apesar de no folheto não haver qualquer referência a uma possível incompatibilidade, me aconselhou a consultar o meu médico de família.


Aproveitei a ocasião para lhe perguntar mais umas informações sobre os tratamentos da pediculose, e fiquei clara e positivamente surpreendida com as explicações dadas:


- em primeiro lugar, o Quitoso existe apenas em espuma, para aplicar a seco, enquanto que o que me foi vendido é um champô, para usar com o cabelo molhado;


- não existem provas de que um seja melhor ou pior que o outro, simplesmente umas pessoas dão-se melhor com determinado tratamento, e outras com outro;


- ao contrário do que indicam os folhetos, deve-se manter o produto no cabelo durante mais tempo do que o indicado, e repetir o tratamento pelo menos durante 3 ou 4 dias seguidos, para evitar voltar à estaca zero 7 dias depois;


- no caso dos champôs, não é a utilização por si só que estraga o cabelo – devemos é ter em conta que estes produtos são um veneno para matar os piolhos – logo, além de fazermos este tratamento, devemos em seguida lavar o cabelo com o nosso champô normal e amaciador, que facilita muito o pentear e retirar as lêndeas;


- todos os que vivem com a pessoa afectada devem fazer o tratamento;


- existem repelentes para utilizados para evitar novo contágio, mas não são sinónimo de eficácia garantida;


- para tudo isto há que ter em conta cada pessoa e cada tipo de cabelo.


E este sim, é na minha opinião, um bom profissional – não se limitou a vender o produto, mas a informar e explicar mesmo aquilo que não lhe foi perguntado!


Ainda bem que ainda existem pessoas assim!    

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Para desanuviar...a história do piolhinho!

Deve ter sido mais ou menos isto que aconteceu à Inês!

 


 


Ptimeiro, sente-se muita comichão na cabeça...




 


Depois, entra-se em acção à pesca do piolho...




 

E aqui está ele!


   


 


E tudo isto aconteceu porque, num certo dia, um ovinho de piolho foi depositado no seu cabelo. Nessa altura esse ovito media apenas 0,8 mm.

Os dias foram passando e, entre o 6º e o 7º dia, a pequena lêndia eclodiu do ovo.

A partir daí:

- Entre o 8º e o 9º dia formou-se a primeira ninfa com 1,5 mm, entre o 11º e o 12º dia formou-se a segunda ninfa com 1,75 mm e entre o 16º e o 17º dia formou-se a terceira ninfa com 2,00 mm.

Agora sim, já no estado adulto, entre o 17º e o 18º dia, o piolho inicia o acasalamento.

Entre o 18º e o 19º dia, a fêmea deposita os seus primeiros ovos (normalmente um ou dois dias depois do acasalamento).

A partir daí deposita 4 a 8 ovos por dia, durante os 16 dias seguintes.

Ou seja, se não estivermos atentos, quando damos por isso temos uma autêntica manifestação piolhosa na nossa cabeça.

E é melhor nos prepararmos para a batalha contra este poderoso exército!

Temos que nos munir de muita persistência, dedicação, paciência e confiança numa vitória mas, com o nosso esforço e as armas poderosas que nos oferecem para a batalha, haverá de certeza um final feliz, para o nosso cabelo, claro!

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!