segunda-feira, 11 de maio de 2026

Criaturas Extremamente Inteligentes, na Netflix

 



Nunca tinha ouvido falar deste filme.

Ontem fui ver o que havia de novo na Netflix, e deparei-me com o trailer. 

Convenceu-me, e foi o escolhido.

Se calhar não o devia ter feito. Afinal, eu já sei que filmes com animais trazem ao de cima o meu lado mais sensível. Normalmente cães, gatos, cavalos. Eventualmente, lobos, ou outros animais mais selvagens.

Mas um polvo?! Alguma vez eu imaginei que ia chorar por causa de um polvo?!

Pois chorei, e bastante! Há sempre uma primeira vez para tudo.


Os polvos são conhecidos por serem animais bastante inteligentes: os invertebrados mais inteligentes do planeta. 

Seria, pois, de esperar que o título do filme fosse uma referência ao seu protagonista Marcellus. Não é.

Mas foi a sua inteligência que uniu todas as pontas soltas, para uma história com um final feliz.


Este filme é uma história de superação. É sobre enfrentar os medos. 

Encarar o passado e arrumá-lo, definitivamente, numa gaveta.

É uma história sobre solidão, nos seus diversos sentidos.

Sobre escolhas, e novas oportunidades. Sobre perdão.

Sobre amizade, e amor. Sobre altruísmo.

Como diz Tova: "há uma forma certa e uma errada de agir". Cabe-nos decidir qual delas queremos seguir.


Marcellus é um polvo que vive os seus últimos dias de vida num aquário, na sequência de um resgate após ter ficado ferido no seu habitat natural.

Farto de ter de lidar com humanos, sobretudo as crianças que todos os dias vão visitar o aquário, ele prefere ficar no seu cantinho, escondido, camuflado, em paz.

A única pessoa de quem ele gosta é Tova, uma humana solitária que, ao final do dia, está encarregue da limpeza do aquário.

Marcellus queria muito voltar a casa uma última vez. Enquanto não o consegue, vai dando umas escapadelas nocturnas, à procura de petiscos, que acabam por o colocar em apuros.

Tova, está num dilema, entre permanecer na sua casa, sozinha, com os fantasmas do passado, ou aceitar a vaga num lar residencial.

Marcellus quer ajudar Tova e, com a chegada de Cameron, vai assumir a missão de juntar os dois. 

Porque também Cameron está perdido, e sem rumo. Também é uma alma solitária. E, talvez, tenha mais em comum com Tova, do que imagina. 

Duas gerações diferentes, com muito a aprender uma com a outra.


No final, Tova e Cameron terão de corrigir os erros até aí cometidos, e Marcellus enfrentará o seu mais temido inimigo.

O resultado, é "casa".

Cada um à sua maneira, no fim, sentir-se-á, finalmente, em casa. 

E haverá algo melhor do que isso?!


Deixo-vos aqui as citações que mais me chamaram a atenção:

"Parece ser uma imagem de marca da espécie humana. Péssima capacidade de comunicação. Por que razão os humanos não usam os milhões de palavras para dizerem uns aos outros o que desejam?"


"Os humanos, na sua maioria, são enfadonhos e trapalhões. Mas, ocasionalmente, podem ser criaturas extremamente inteligentes."

 




terça-feira, 5 de maio de 2026

As ondulações da nossa vida

 


Diz o velho ditado que "parar é morrer".

Talvez não devamos levá-lo à letra mas a verdade é que, enquanto nos mantemos ocupados, ainda que, muitas vezes, nos custe, o nosso cérebro e o nosso corpo seguem o ritmo, acompanham sem estranhar, e a energia vai-se mantendo.

No entanto, quando nos permitimos parar, descansar, fazer uma pausa, arriscamo-nos a que a pouca energia guardada se esgote. E, depois, torna-se muito mais difícil recomeçar. Voltar ao ritmo anterior.

À semelhança da bateria de um carro, que se arrisca a descarregar completamente se o mesmo estiver muito tempo parado.


Num outro sentido, no que respeita ao lado emocional, enquanto mantemos todas as nossas defesas e e barreiras activas, a vida segue com relativa normalidade, segurança e força.

Contudo, se nos permitimos, em alguns momentos, baixar a guarda, tornamo-nos mais vulneráveis.

Mais dependentes de expectativas que não sabemos se se irão concretizar, ou ser defraudadas.

Dependentes de gestos, como uma mensagem ou um telefonema que pode não chegar. Um encontro que nunca se sabe se, ou quando, irá acontecer. 

O entusiasmo e a euforia iniciais dão lugar à ansiedade, à inquietação, à insegurança, à desestabilização, que não queremos sentir.

E percebemos que nos vai custar mais, nessa situação, voltar a erguer a barreira que nos mantinha imunes a tudo isso, até aí.


Claro que, como sempre, ainda que mais demoradamente, voltamos a recarregar, e a nos blindar.

Mas também ganhamos noção de que não é bom andar nessa oscilação.

Talvez seja por tudo isto que, cada vez mais, nos tornamos mais robotizados, e menos humanos.


 

terça-feira, 28 de abril de 2026

O outro lado da independência

 


Muitas vezes, seja por receio, ou por hábito de haver sempre ali um apoio, vamos levando a nossa vida nessa relativa dependência. 

Não é que seja mau. É apenas cómodo. Mais fácil. Menos solitário.

Afinal, todos precisamos, de um modo geral, uns dos outros.

É bom ter uma rede, que nos ajuda, nos protege, nos acompanha quando mais precisamos.


No entanto, as circunstâncias podem mudar. A vida pode pôr-nos à prova, quando menos esperamos e, aí, temos de nos tornar, obrigatoriamente, independentes.

Somos obrigados a nos desenvencilhar sozinhos, em situações que nunca, antes, enfrentámos dessa forma.

E, sem outra opção, lá enfrentamos e ultrapassamos o obstáculo.


Só que, feito uma vez, aprendemos. 

Orgulhamo-nos de mais uma dificuldade superada. 

E, de facto, sentimo-nos, a cada prova ganha, mais independentes.


O problema é o outro lado da independência.

Quando a vida nos põe tantas vezes à prova que nos habituamos a fazer tudo sozinhos, e começamos a rejeitar a ajuda, que não é mais precisa. A rede, que se tornou, de certa forma, desnecessária. 

A companhia que, agora, parece mais incómoda, que prazerosa.


Por vezes, querem-nos tão independentes, que acabamos por nos tornar mais solitários. Mais duros. Mais insensíveis.

Por vezes, querem tanto que vistamos uma capa que, depois, quando nos dizem que não precisamos dela em determinado momento, já não conseguimos tirá-la.



quinta-feira, 23 de abril de 2026

Quando a onda rebenta

 

 


Não raras vezes, mesmo sabendo que o mar está agitado, insistimos em caminhar junto a ele.
Talvez por acreditarmos que estamos a manter a devida distância da rebentação. Que estamos perto mas, ainda assim, suficientemente longe para sermos atingidos.

Pensamos que, desde que nos mantenhamos assim, nada acontecerá. Que temos o controlo da situação.


No entanto, é puro engano.

Quando menos esperamos, ainda que soubéssemos que não era uma questão de "se", mas de "quando", a onda bate contra a rocha, a água salta, e levamos um banho.

Não deixamos de ser surpreendidos quando isso acontece. Porque, por mais que se espere, a verdade é que nunca esperamos que aconteça mesmo. 


Num primeiro momento, somos atingidos pelo choque.

Depois, começamos a sentir os efeitos. No corpo. E na mente.

Mas tudo passa. Não dura para sempre.


Talvez aquela onda tivesse um propósito. 

Talvez fosse a única forma de mudarmos o rumo.

Talvez, no fundo, precisássemos dela, sem o saber. 








sexta-feira, 3 de abril de 2026

A semana numa imagem #11

 


De visita ao Parque, já começamos a ver estas maravilhosas capuchinhas.

Algumas mais tímidas, escondidas por entre a erva.

Outras, menos envergonhadas, a fazer-se notar e sobressair.


Criaturas Extremamente Inteligentes, na Netflix

  Nunca tinha ouvido falar deste filme. Ontem fui ver o que havia de novo na Netflix, e deparei-me com o trailer.  Convenceu-me, e foi o esc...