quinta-feira, 30 de maio de 2013

Sobre os casais que adoptam crianças…

…e depois as querem devolver!


 



 


Tenho uma única filha. Biológica. Até aos dois anos, sempre foi uma criança sossegada. A partir daí, mudou. Com a separação dos pais, ficou pior. Entre os 4 e os 7 anos, foram várias as birras que fez, só para testar os meus limites. Eu era a mãe, era comigo que vivia, era eu que lhe dava educação, que impunha regras, que não lhe satisfazia todas as vontades. O pai era um aliado! E eu, a má da história!


As birras começavam por nada em especial, mas começavam, e quase sempre acabavam mal. Muitas vezes a tive que arrastar de casa dos meus pais até à nossa, muitas vezes atirou com coisas, deu pontapés no que lhe aparecia à frente, tentou bater-me…Muitas vezes me disse que não gostava de mim, que eu era má, que queria ir viver com o pai, que preferia que eu morresse… Muitas vezes me enervei, chorei e pensei em lhe fazer a vontade, porque já não aguentava mais…


Mas não o fiz. Procurei ajuda para saber como lidar com toda essa situação, e aprendi a impor-me, a controlar-lhe as birras, a não mostrar o quanto isso me afectava. Hoje, com 9 anos, ainda tem uma ou outra birra, comum a todas as crianças, mas nunca voltou a ter aquele comportamento agressivo e revoltado.


Afinal, e como eu costumo dizer na brincadeira, “um marido podemos sempre despachar, mas um filho é para a vida”!


É esse pensamento que deve ter em mente quem pretende adoptar uma criança. O problema, é que nem sempre os casais que adoptam vêem essas crianças como seus filhos biológicos. Não é que os pais biológicos não abandonem os filhos, porque muitos o fazem. Mas, por norma, os “verdadeiros pais”, aqueles que sabem o real significado dessa palavra, nunca abandonariam um filho. E conheço pais adoptivos que foram mais “pais” que os biológicos.


O que acontece é que, não raras vezes, quem adopta, não está realmente preparado para esse passo, embora o pense. E só se apercebe disso depois de já ter a criança consigo. Ou não se apercebe. Provavelmente consideram-se óptimos pais. A culpa será da criança que é mal comportada, que tem problemas, que não teve uma infância fácil, que não é perfeita, que não é de todo o que tinham imaginado. Mas isso é algo que se resolve com facilidade: já que é um período experimental, devolve-se a criança. Ou troca-se por outra. Já que têm essa possibilidade, porque não aproveitá-la?!


E assim se reduz, de certa forma, uma criança a uma mercadoria, a um peso, a um objecto que afinal chegaram à conclusão que não querem e trocam por outro. Algo que, possivelmente, nunca fariam com um filho biológico. Escolhem o caminho mais fácil.


Mas que disse que ter um filho seria uma tarefa fácil. Nunca o foi, e nunca o será! Talvez para alguns casais não seja tão difícil do que para outros mas, definitivamente, fácil não é. E, se não estiverem cientes disso, então é preferível não iludir estas crianças que, tal como as outras mas, normalmente, mais sofridas, apenas querem uma família que as aceite como são e que as ajude a minorar ou ultrapassar os traumas do passado. Isso implica uma luta diária constante. E implica determinação, perseverança, educação, apoio, regras, limites, dedicação e, acima de tudo, amor!

Não me faz correr...

...mas faz-me pensar em velocidade!


Um condutor numa estrada recta, daquelas que parece não ter fim, ao final de uma tarde de sol, a acelerar cada vez mais e a adrenalina a aumentar.


 


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Sugestão para o dia da criança

 



 


Colecção infanto-juvenil, da autoria de Maria Inês Almeida e Joaquim Vieira, que conta as aventuras dos amigos Duarte e Marta.


Porque incentivar à leitura é sempre um bom presente para as crianças!


 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Conversas a dois


 


Ela: Sinto que estou a travar os teus sonhos...


Ele: Porque dizes isso?


Ela: Com a vida que temos é difícil pensarmos em filhos...


Ele: As coisas hão-de mudar!


Ela: Achas? Eu não acredito muito. Se eu não tivesse já uma filha, poderíamos pensar nisso, mas assim...


Ele: Não podes ser tão pessimista.


Ela: Pois...Mas se tivesses com uma mulher sem filhos, as coisas seriam diferentes...


Ele: Talvez...Mas eu não quero outra mulher! É a ti que eu amo! É a ti que eu quero na minha vida!


Ela: (sorri) 


Ele: Sabes que vou tirar o curso, para poder arranjar um emprego melhor, e termos outras condições. E aí já vamos poder ter o nosso filho!


Ela: (a brincar) Hum...estás a dizer que termos um filho depende de um canudo!?


Ele: (sorri) Não!


Ela: (sorri também mas, no fundo, continua convencida de que nada vai mudar)

Exemplo de coragem

"Dantes é que eu era cego, agora é que eu vejo!" 




Poderia até ter sido futebolista, mas cedo percebeu que talvez tivesse mais jeito para o murro do que para a bola!


E, no entanto, é hoje, fora dos ringues onde se sagrou várias vezes campeão, sendo o único pugilista com três títulos nacionais de três categorias dferentes, que trava a sua maior luta! 


Jorge Pina começou a perder a visão do olho esquerdo, enquanto treinava em Espanha. Os primeiros sintomas foram "borbulhas e formas estranhas", e a intolerância cada vez maior à luz. De regresso a Portugal, após uma competição na Polónia, numa consulta médica, foi-lhe dito que tinha a retina descolada e teria que ser operado de urgência. De pouco adiantaram as diversas cirurgias porque acabou por perder totalmente a visão do olho esquerdo e piorou a visão do olho direito, hoje com cerca de apenas 10% de capacidade.


E foi assim que, não podendo mais continuar a competir, saltou do ringue para a pista, dedicando-se ao atletismo. Voltou também a estudar e a ensinar, na associação que criou, para os miúdos dos bairros de Chelas.


Jorge Pina é um homem de desafios, que se tenta superar a cada dia, para quem o "fácil" não lhe dá pica.


Ontem, na piscina do Jamor, mostrou, mais uma vez, o lutador que é! Um exemplo de coragem, determinação, força e humildade!


 

sábado, 25 de maio de 2013

Dia Internacional das Crianças Desaparecidas


 


"A Polícia Judiciária recebeu em média, em 2012, seis participações por dia de crianças e jovens desaparecidos, que totalizaram 2.366 casos,dos quais duas dezenas permanecem em investigação."





Sempre que se fala em crianças desaparecidas, não consigo deixar de me lembrar deste vídeo.


É importante que os pais, no momento em que confirmem o desaparecimento, contactem as entidades policiais. E é fundamental que estas actuem imediatamente, ao invés de esperar pelas 24 a 48 horas já que, este tempo de espera, pode marcar a diferença entre o sucesso da operação, evitando que algum mal maior aconteça, e o total fracasso.


 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Os Beppe Grilos de Portugal




"Beppe Grillo? 'Nós já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva" - afirmou Miguel de Sousa Tavares, em entrevista ao Jornal de Negócios, quando lhe perguntaram se temia que aparecesse algum palhaço aqui. 


 


Foi atrás da pergunta, diz ele, mas já se arrependeu! Acontece a todos, Sr. Miguel! As palavras saem desgovernadas pela boca num momento, e no outro estão estampadas na primeira página de um jornal.


Agora, arrisca-se a ser condenado por crime de ofensa à honra do Presidente da República. Foi o próprio presidente que requereu a análise das afirmações ao Procurador Geral da República.


E pergunto-me eu se, pela lógica, não teriam que ser analisados, à luz da mesma lei, programas televisivos como o Contra Informação, Contrapoder e outros em que, nitidamente, se goza com os governantes do país, incluindo o Exmo. Sr. Presidente Aníbal Cavaco Silva.


Ou quem sabe todos os blogs, plataformas e sites na internet onde o que não faltam são declarações semelhantes ou bem mais graves à sua pessoa.


Somos uma democracia, temos direito à liberdade, e liberdade de expressão, de "exprimir e divulgar livremente o nosso pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio", sem impedimentos nem discriminações, sem censura. Mas, se o fizermos, arriscamo-nos a cometer infracções que acabam condenadas como crimes de ofensa.


Afinal, liberdade é, também, e acima de tudo, possibilidade de escolha: escolher se, quando e em que contexto e circunstâncias podemos ou devemos dizer o que nos vai no pensamento para todos verem, ou simplesmente, guardar para nós.


E há tantos Beppe Grilos neste país!  


 

Mutiladas


 


“Nunca deixarei que façam o mesmo à minha filha”


“Não nos tiram só um bocado de pele, arrancam-nos a alma”


 


Maria, Ana, Inês, Alice (nomes fictícios)…mulheres iguais a tantas outras, mas a quem um dia lhes foi arrancado um pedaço dos seus corpos, das suas almas, dos seus sonhos, da sua alegria de viver. No seu lugar existe, desde então, uma vida de revolta, vergonha, dor, tristeza e pesadelo, que dificilmente irão ultrapassar…


A justiça? Essa é complicada! Os três casos de mutilação genital que, até hoje, chegaram aos tribunais portugueses, foram arquivados por prescrição, por falta de provas ou, simplesmente, porque a mutilação não foi considerada ofensa grave, nem qualificada como crime de natureza pública!


É duro e inaceitável que crianças, arrastadas por familiares (normalmente as mães ou avós) contra a sua vontade, imobilizadas por não sei quantas outras mulheres, mutiladas a sangue frio com tesouras, lâminas ou facas, sem quaisquer condições ou apoio médico, não se possam sentir, de alguma forma, justiçadas com a condenação destes monstros para quem, a cultura, a religião, a tradição e a “honra”, servem de justificação válida para este tipo de crime.


Grande parte das mutilações ocorre no país de origem, para onde levam as crianças, normalmente no período das férias.


Essas crianças, mutiladas em idades cada vez menores, para não chamar atenção das autoridades, tornaram-se mulheres mas, tanto física como psicologicamente, sentem-se menos mulheres. Menos mulheres porque sentem dores, porque têm vergonha do seu corpo, porque muitos homens se afastam e as rejeitam ao saberem o que lhes foi feito, porque não conseguem ter prazer durante as relações…


Mulheres que sofrem até hoje, e que recusam fazer as suas filhas passar pelo mesmo terror…E, só por isso, já são grandes mulheres!  

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!