Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!
... a louca que corre para o telemóvel , ou pega no primeiro pedaço de papel que tem à mão, para escrever aquela ideia que acaba de surgir, nas horas mais impróprias, e nos sítios mais inusitados.
E não é porque são muitas!
É mesmo porque a memória está mais para formiga, do que para elefante e, se não o fizer na hora, minutos depois já não me lembro de nada.
E, sim, este post também foi objecto de apontamento, na parte de trás da lista de compras do marido!
E estamos a falar de uma disciplina normal, do ensino básico.
Nem quero imaginar se estivesse na área específica de Desenho, no ensino secundário.
A professora de Educação Visual propôs um trabalho, que consistia em construir uma letra em 3D, com 70 cm de altura, e 15 cm de largura e espessura, com materiais recicláveis, sob o tema oceanos.
Parece simples, e pouco dispendioso mas, para fazê-lo, foi preciso:
- cartão - tinha cartão em casa mas, ou estava todo vincado, com rugas e, ou era fino demais, ou não tinha o tamanho pretendido, por isso tivemos que comprar - cerca de 3 euros
- pistola de cola quente e recargas - cerca de 5 euros (acho que ainda não é possível outra forma)
- cola de madeira para a pasta de papel - cerca de 5 euros (aqui poderia ter optado pela receita caseira da farinha, mas não quis arriscar)
- tintas para pintar (4 cores) e pincéis - cerca de 33 euros (se alguém souber criar tintas caseiras, agradeço)
- cola para colar a areia e as pedrinhas - cerca de 2 euros
- papel eva para fazer os corais e peixes - cerca de 2 euros (podia ter pintado, mas assim ficaram mais bonitos)
Vá lá que a colega com quem tinha que fazer o trabalho arranjou areia e conchas para decorar, senão ainda acrescia os bilhetes de autocarro para a apanha de conchas e afins!
E ficou assim a letra I, que vai hoje finalmente ser entregue à professora.
Ainda dizem que o ensino é gratuito. Gratuito para quem?
Para os alunos, ou para nós, pais, não é de certeza!
E me fez encarar outras produções, com outros olhos.
Preconceito, ou hábito, a verdade é que sempre estive tão habituada a ver filmes e séries americanas que, se me sugerissem, por exemplo, um filme francês, ou alemão, torceria o nariz e poria de parte, ainda que pudesse ser bom. Penso que só vi, ainda em pequena, uma série italiana. Mais nada.
No entanto, desde que tenho Netflix, que dei por mim a assistir a diversas séries e filmes espanhóis, colombianos, mexicanos. Já vi também uma série sueca, e um filme norueguês.
Acho que, quando me surge uma produção americana, até estranho, porque acaba por não ser a regra nas minhas escolhas.
Por exemplo, a série que a Netflix irá produzir "Cem Anos de Solidão", baseada na obra-prima do colombiano Gabriel Garcia Márquez, para além de outras questões, só agora seguirá adiante porque o autor queria que, se algum dia isso acontecesse, fosse falada em espanhol, e os herdeiros sentem que, só agora, está aberto esse caminho para a aceitação de produções noutra língua que não o inglês.
Nesse aspecto, a Netflix tem o mérito de ter revolucionado a forma como eu e, provavelmente, mais pessoas, começaram a receber, aceitar e apreciar produções diferentes, diversificadas e em vários idiomas, sem aquele preconceito e rejeição habitual.
A TVI decidiu apostar num novo formato, que terá como protagonistas bloggers e influenciadores nacionais.
“Like Me”, produzido pela Endemol, será um programa virado para as redes sociais, em que os participantes terão de conviver com outros influenciadores, sendo postos à prova diariamente. No final, será eleito o "influencer nacional com mais potencial e carisma".
A produção estar a convidar personalidades nacionais deste universo, mas também é possível qualquer blogger e influenciador candidatar-se ao casting, desde que o perfil se enquadre no pretendido.
Para tal, basta enviar o link das suas redes sociais, bem como os respetivos contactos, para casting@endemol.pt.
Se houver por aí alguém interessado, força!
Não sei se conseguirá superar os fracassos anteriores e subir as audiências, mas estou curiosa para ver como funciona, e quem irá participar :)
No dia em que a minha filha foi à consulta dos 15 anos, a médica perguntou-lhe que área queria ela seguir no ensino secundário, ao que ela lhe respondeu que, provavelmente, seguiria uma área na Escola Secundária mas que, o que gostava mesmo, era de frequentar a Escola Técnica e Prática.
A médica torceu o nariz e sugeriu-lhe que seria melhor para ela frequentar a Escola Secundária, do que a outra.
A verdade é que ainda existe aquela noção (na maioria das vezes errada) de que só os alunos que têm piores notas, que não gostam de estudar ou têm mais dificuldades de aprendizagem, é que acabam por se inscrever em cursos técnicos e profissionais, enquanto os melhores alunos se mantêm no ensino regular.
De acordo com o director de uma Escola Profissional, "O ensino profissional é para todos e é a melhor via de ensino para preparar os alunos para o mercado de trabalho, independentemente de estes seguirem o ensino superior ou não. Quem sai do ensino profissional arranja mais facilmente emprego. Isto acontece devido ao cuidado que as escolas têm em fomentar a aquisição das “soft-skills” (competências subjectivas), tão valorizadas pelo mercado de trabalho."
Eu concordo, e apenas não apoio a minha filha nessa escolha porque, na escola aqui da vila, infelizmente, o ambiente não é o melhor e, de facto, aqueles alunos parecem mesmo andar ali apenas a passar o tempo, enquanto vão fumando, bebendo uns copos e sabe-se lá mais o quê. Não é que na outra também não aconteça, mas não é tão evidente.
Se não fosse esse o caso, e tendo a escola uma oferta que fosse ao encontro daquilo que a minha filha pretende, não hesitaria em inscrevê-la, ao invés de a mandar para o ensino regular, onde pouco irá aprender que, realmente, a prepare para o mundo do trabalho. E duvido até, a nível de conhecimentos.
Certa vez, quando ainda era o meu pai que ia buscar a minha filha ao Jardim de Infância, ele interpelou uns estudantes do secundário, para lhes perguntar algo que, à partida, saberiam. No entanto, nenhum deles soube responder.
Por aí se vê que ensino regular nem sempre é sinónimo de mais conhecimento e, certamente, de melhores notas ou mais inteligência.
É apenas aquele que a maioria escolhe por falta de ofertas de qualidade, porque acreditam que é a melhor forma de aceder ao ensino superior, para aqueles que querem prosseguir os estudos, porque é o normal, aquilo a que estão habituados há gerações, e nem sempre existe apoio para quem queira "quebrar" as regras e optar pela diferença.
"Um dia, um professor de substituição foi dar uma aula de educação física.
Na turma que lhe calhou, havia um aluno com necessidades educativas especiais. Sem formação específica e não sabendo bem como agir numa situação que nunca lhe tinha surgido, optou por não o incluir nas actividades que propôs aos restantes alunos, nem encontrar actividades alternativas para o aluno em questão."
Neste caso, como deveria ter agido?
Tratado o aluno de igual forma e colocá-lo a fazer o mesmo que os outros, encontrar exercícios específicos para a sua condição, ou adaptar as actividades, de forma a que todos, à sua maneira, conseguissem levá-las a cabo com relativo sucesso?
Na turma da minha filha existem alunos com necessidades educativas especiais, que apenas frequentam, em conjunto com os restantes alunos, duas ou três disciplinas. As restantes, são leccionadas em separado.
Será isto inclusão?
Igualar em algumas coisas, diferenciar noutras?
Estes são apenas exemplos de situações em escola, mas que podem facilmente saltar para a vida adulta, para um contexto laboral ou social.
Cada vez mais se pretende dar a todos as mesmas oportunidades, independentemente de quem está do outro lado e, por isso, a inclusão acaba por ser quase obrigatória, ainda que nem sempre se saiba como colocá-la, da melhor forma, em prática, perdendo a sua eficácia, com consequências negativas, que não estavam previstas, e que se poderiam evitar.
A verdade é que a verdadeira inclusão, em todos os seus sentidos e formas, ainda é uma utopia na maioria dos casos.
Aquilo a que assistimos, muitas vezes, é a uma mera tolerância.
Seja por falta de formação e informação, tanto de profissionais e alunos nas escolas, como enquanto seres humanos e cidadãos, no nosso dia a dia, e em diferentes contextos.
Por vezes, com algumas tonalidades de racismo, xenofobismo, discriminação, rejeição, repugnância, mascarados de cinismo, fingimento, aparências, e falsas boas acções e intenções.
Outras vezes, as intenções até são, de facto, positivas, mas faltam ferramentas para as colocar em prática.
Penso que, acima de tudo, é preciso definir o verdadeiro significado de inclusão, e de que forma ele se reflecte sempre em igualdade, ou no respeito, aceitação e adaptação à diferença, de todos os envolvidos.
Quando me pedem para apontar um defeito meu, a primeira coisa que me vem à cabeça é o facto de ser muito, muito teimosa!
"Teimosa, mas com razão! Na maioria das vezes...", digo eu. Não será, certamente, bem assim.
Mas a teimosia pode manifestar-se de várias formas. E poderá ela, em todos os casos ser, obrigatoriamente, um defeito?
Há a teimosia de quem está convencido que as coisas que diz são as correctas, ou a forma como as faz são as mais indicadas. E que, só depois de dito e feito, e comprovado, é que, por vezes, percebe que se enganou.
Há a teimosia de quem, ainda assim, não dá o braço a torcer, e insiste que está mais certa que os outros. Porque a arrogância lhe venda os olhos, e bloqueia a coerência.
Há a teimosia de quem sabe de antemão que está errado, mas simplesmente ignora-o. Porque se sente bem em ser do contra. Ou porque é demasiado orgulhoso para abdicar da sua teimosia, e insiste no que não faz sentido.
Por norma, a teimosia é desgastante, contraproducente. Um engano com que nos brindamos frequentemente. Um erro que continuamos a cometer constantemente. Um defeito que nos tende a derrubar, a afundar.
Mas, por vezes, a teimosia vem sob a forma de determinação, de vontade de vencer, de desejo de alcançar os objectivos a que a pessoa se propôs. Vem sob a forma de razão para viver, para não desistir ou se dar por vencido.
Por vezes, a teimosia vem sob a forma de persistência, que nos faz superar as dificuldades, os obstáculos, os contratempos.
Por vezes, a teimosia vem sob a forma de força, que nos faz levantar a cada dia, com uma energia renovada que nem sabemos onde a fomos buscar, mas que nos torna mais resistentes.
E é essa teimosia que nos iça, que nos leva onde queremos chegar, com sucesso. Aquele pequeno detalhe que nos fazia falta, quando já nada mais nos parece fazer lutar.
Por isso, não sendo apenas teimosia estúpida e fútil, que não leva a lado nenhum, penso que uma dose qb de teimosia, pelos motivos e para os fins certos, não fará mal a ninguém, nem será propriamente um defeito.
E por aí?
Que tipo de teimosia vos caracteriza mais? Ou não são pessoas teimosas?
Embora, na actualidade, estejamos a assistir ao quadro inverso, em que os filhos, por questões financeiras ou outras, ficam até cada vez mais tarde em casa dos pais ou, não estando lá, acabam por regressar para junto dos progenitores, o normal é que, a determinado momento, os filhos queiram dar uso às suas asas, e voem para as suas próprias casas, seja pelo casamento, ou porque querem viver sozinhos, ou dividir casa com os amigos.
Quando isso acontece, como fica a vida dos pais enquanto casal?
Como é que os pais encaram essa saída, e de que forma a mesma se reflecte na sua vida enquanto casal, agora que, de certa forma, deixaram de ter a responsabilidade de criar, educar e sustentar os filhos, de estar sempre ali para eles de forma mais presente, de se dedicar de forma tão intensa a eles?
Existem casais que aproveitam para renovar a sua vida a dois, para retomar velhas rotinas há muito esquecidas, para reacender a chama que já há muito ardia muito ténue, para viver da melhor forma esta espécie de nova liberdade, com muito mais tempo e disponibilidade.
Dá-se quase que uma redescoberta do amor, e da vida em conjunto.
Por outro lado, existem casais que, simplesmente, já não sabem viver a dois.
Que estão, de tal forma, habituados a ter os filhos consigo, a a todo o trabalho, tempo e envolvência que lhe dedicam que, na falta deles, não sabem o que fazer, como agir, como estar apenas na presença do companheiro que, agora, lhes parece uma pessoa estranha.
E, por isso, acabam por se afastar do companheiro, refugiar-se em tudo os que os mantenha ocupados, sejam tarefas domésticas ou actividades com amigos, desporto, hobbies, ou apenas ver televisão, ler um livro.
Qualquer coisa serve de desculpa, para não ter que ficar na situação incómoda de estar com o outro a sós, de retomar um romance quando já nem sabem o que isso é, ou como o fazer.
E há os que não suportam mesmo o "fosso" que se gerou com a saída de casa dos filhos, e acabam por se separar.
Por incrível que pareça, muitas vezes, os filhos são a "cola" que mantém os pais unidos.
E, ao saírem de casa, quebra-se o que unia os membros do casal, ditando o fim das relações.
O PP sugeriu esta série da netflix, e eu segui a sugestão!
Quicksand é a primeira série sueca original, baseada no romance best-seller do reconhecido autor Malin Persson Giolito.
Poder-se-á dizer que esta estreia até foi bem sucedida: uma série com abordagem de temas actuais, pequena, com algum suspense. Mas não deixa grande marca.
Diria que é uma tentativa de aproximação a "13 Reasons Why", pelos temas que aborda - sexo, drogas, abusos, violência, adolescência - que tenta, ao mesmo tempo, aproximar-se do suspense de "Elite", sem o conseguir tão bem, e ao fio principal - um estudante que mata um colega.
Mas Quicksand é mais do que isso.
É uma reflexão sobre como, muitas vezes, os pais são demasiado permissivos, demasiado superficiais, demasiado deslumbrados com o luxo e riqueza, demasiado despreocupados, desinteressados ou, por vezes, fúteis.
A determinado momento, Maja questiona a mãe "Porque nunca me perguntas nada importante?".
O facto de um filho ser um brilhante aluno, ajuizado, confiável, responsável, e nunca se meter ou dar aos pais qualquer tipo de problema, não significa que não precise dos pais. De apoio, de segurança, de protecção, de perceber que os pais se interessam pela sua vida, pelo que fazem, pelo que sentem.
E, se algo de errado se passa, há que mostrar abertura para que os filhos se sintam à vontade para falar sobre isso.
Não me parece que isso tenha, alguma vez, acontecido na família de Maja.
Por outro lado, por muito que os pais se preocupem e até mostrem essa abertura, ainda assim, não têm uma varinha de condão, ou uma bola de cristal, para adivinhar o que se passa com os filhos. Como tal, é importante que estes não tenham receio, e conversem sobre o que estão a passar, denunciem, peçam ajuda. Por vezes, não conseguimos nada sozinhos.
Como diz o professor de Maja "O facto de seres uma miúda responsável, não te obriga a responsabilizares-te pelos outros".
Mas Maja, ainda assim, assume essa responsabilidade de tentar ajudar Sebastian, o namorado, que vem de uma família totalmente desestruturada, e se tenta abstrair da ausência da mãe, e da indiferença e rejeição do pai, através das drogas.
Sebastian é um menino rico, que pode ter tudo o que quer, e possa ser "comprado" pelo dinheiro, mas que não consegue ter aquilo que nenhum dinheiro no mundo compra - amor, compreensão, afecto, pais presentes.
Por isso, entra numa espiral da qual dificilmente conseguirá sair, arrastando consigo quem estiver mais próximo de si que, no caso, será Maja.
Ao ver a relação entre Sebastian e o pai, Claes, surge-me a seguinte questão:
Agirão, em muitos casos, os pais, da forma que agem, como consequência do comportamento dos filhos? Ou será, em contrapartida, o comportamento dos filhos, um reflexo das acções de muitos pais?
Será o comportamento de Sebastian justificado pelas acções do pai para com ele ao longo de toda a vida? Ou agirá o pai dessa forma, como consequência do comportamento errático do filho?
Começamos a série com vários corpos no chão da sala de aula, e Maja a ser levada como suspeita do homicídio. Ao longo dos seis episódios, é-nos dado a conhecer, aos poucos, como tudo se desenrolou até chegar ao fatídico dia, ao mesmo tempo que vamos acompanhado os dias que Maja passa detida, sem poder ter qualquer contacto com outros, nem visitas, a não ser o advogado, o padre, o psicólogo e a guarda prisional, que a tenta ajudar como pode, nos momentos em que Maja parece prestes a enlouquecer e desistir sabendo que, já condenada aos olhos de todos, o será também em tribunal, esperando-lhe 14 anos de prisão.
A verdade é que Maja mudou muito desde que conheceu Sebastian. Tornou-se numa outra pessoa.
E que ela disparou a arma e matou a sua melhor amiga Amanda, e o namorado, Sebastian, sabemos. Ela própria o confessa.
As circunstâncias e o porquê de o ter feito, é o que temos que descobrir.
Ela conta a sua versão, mas há uma testemunha, sobrevivente, que afirma o contrário. Verdade, ou orgulho ferido? Verdade, ou desejo de que alguém pague pelo que aconteceu? Verdade, ou aquilo que se pensa ser a verdade?
Quem diz, afinal, a verdade, e quem mente?
E o que acontecerá a Maja?
A dúvida manter-se-á até à luta final entre acusação e defesa, de onde sairá o tão temido veredicto.
Sinopse:
"Quando uma tragédia tem lugar na escola preparatória nos subúrbios ricos de Estocolmo, Maja Noberg, uma estudante normal, é julgada por um assassinato. Quando os eventos do dia são revelados, também os detalhes mais privados da sua relação com Sebastian Fagerman e da sua família disfuncional são descobertos."
Sem saber bem o que ver na televisão, calhei mudar para a RTP e estava a dar o programa La Banda.
Já tinha lido várias opiniões e críticas negativas à forma de selecção dos candidatos, mas só no domingo percebi exactamente do que falavam.
A destacar, como positivo:
Não vi o primeiro programa mas, neste, até achei que o Manuel Moura dos Santos está mais simpático que o habitual. Sem tecer rasgados elogios como os companheiros, também não fez duras críticas que fazem os concorrentes temê-lo tanto.
De uma forma geral, estão a surgir por lá concorrentes com talento, garra, diversidade, que não têm medo de arriscar.
Pela negativa:
Como vem sendo hábito, continua a ser explorado o lado dramático dos concorrentes.
É certo que as primeiras impressões também contam, e o público é o alvo a que se destina a música e o trabalho da banda que sair vencedora, mas não considero justo que, só porque a aparência ou atitude não lhes agrada, sejam impedidos de mostrar aquilo que, afinal, foram lá pôr à prova.
Acredito que, para conquistar os 75% de votos necessários para chegar até aos jurados e mostrarem o que valem a cantar, a maioria daquelas entradas seja ensaiada, e a atitude programada, faltando naturalidade e autenticidade, mostrando-se alguém que, se calhar, até nem são, e uma confiança e à vontade que, talvez, não tenham.
Para terminar, uma pergunta parva, em jeito de sugestão:
Porque não escolhem também, para "a banda", não apenas as vozes, mas todos os restantes elementos que a podem compôr: baterista, guitarrista, e por aí fora?
Há aquela velha máxima que diz "não compres nada para os outros, que não comprasses para ti também".
Só que colocar isto em prática pode sair-nos caro!
No outro dia estava no supermercado a comprar umas lembranças de Páscoa para a minha filha oferecer às amigas.
Vi uns baús muito giros, com amendoas lá dentro. Eram 3 amigas, só havia 2 baús. E pensei: "se a minha filha vir estes baús, vai querer ficar com eles". Acabei por só trazer um para a minha filha.
Isto depois de já lhe ter comprado uma outra coisa. Coisa essa que comprei, nem tanto pelos doces que trazia, mas pelo boneco, que vai acabar por ser mais para mim, do que para ela!
Depois, vi uns baldinhos decorados, com drageias. Muito giros, mas só havia um. E as cestas, também tão bonitas. Fiquei ali bastante tempo sem saber o que fazer, até que me decidi por algo mais simples, que não desse vontade de guardar para nós.
Já não é a primeira vez que me acontece isto. O ano passado, ao comprar um peluche para oferecer, a minha filha gostou tanto que quis um para ela também.
Portanto, acho que é melhor esquecer o ditado, e fazer precisamente o contrário, ou não haverá dinheiro que chegue!
E por aí, já alguma vez compraram algo para oferecer aos outros, que tenha acabado por ficar convosco?
Antigamente, aqui na clínica, o horário das análises era das 08h às 10h, e por ordem de chegada, o que significava ter que acordar cedo para chegar cedo e despachar cedo, até porque não tínhamos muitas opções.
A minha filha tem que fazer análises, e queremos aproveitar que está de férias da Páscoa, para não faltar. Ao mesmo tempo, a ideia é eu própria não ter que faltar ao trabalho.
Portanto, apesar de a clínica ter mudado de instalações, para mais perto de casa, ainda assim sabíamos que teríamos que acordar cedo no dia escolhido. De qualquer forma, liguei para lá a confirmar o horário, e se era necessária marcação.
A euforia:
O horário das colheitas é das 07.30h às 15.30h.
"Que fixe! Dá para ir lá à hora de almoço, e não é preciso acordar cedo.", pensei eu.
A desilusão:
Não funciona por marcação, é por ordem de chegada, mas para fazer essas análises tem que vir em jejum.
Lá se foi a felicidade de não ter que acordar cedo!
Quando perdemos alguém na vida, sobretudo se tivemos alguma responsabilidade, directa ou indirecta, nessa perda ou, de alguma forma, nos culpabilizamos por isso, temos tendência a tentar, de alguma forma, compensar esses erros, essas acções, com outras que, de certo modo, nos possam redimir.
Até que ponto essas acções poderão cruzar o limite entre meros gestos de bondade, loucura ou até uma espécie de mutilação, como punição contra nós próprios?
Até que ponto a morte nos libertará da culpa? Até que ponto as vidas dos outros são mais valiosas que a nossa? Teremos nós o poder de decidir quem é mais merecedor de uma nova oportunidade, e de uma nova vida?
Depois de nos habituarmos a vê-lo em comédias, Will Smith volta a protagonizar um drama, que até poderia ter funcionado, se não tivesse seguido o caminho mais fácil e já mais que batido - o do romance fatal, centralizando toda a acção em pouco mais que duas personagens, deixando por explorar e destacar as restantes.
Começamos a ver o filme com uma péssima impressão de um Ben Thomas arrogante, estúpido, diria até, desumano e sem qualquer sentimento a correr-lhe no sangue. Para, logo em seguida, ele agir de um modo totalmente protector e humano, levando-nos a crer que só pode ser bipolar. No meu caso, continuei ainda renitente, com a ideia de que aquele gesto não apagava de todo a primeira impressão, e que teria que fazer muito mais que isso para me fazer mudar de ideias.
É também no início do filme que ficamos a conhecer uma lista de sete nomes, e um homem com uma profunda raiva e frustração dentro de si, capaz de descarregar em tudo e em todos, completamente dominado pela depressão.
Sete vidas foram roubadas. Sete vidas podem ser devolvidas. E ficam saldadas as contas, a consciência mais apaziguada, e a partida, em paz de espírito, assegurada.
Mas terá Ben, realmente, parado para pensar nas consequências que essas suas atitudes teriam, na vida de cada um daqueles que irá envolver na sua redenção?
Conseguirá alguém, que não se consegue ajudar a si próprio, ajudar os que estão à sua volta?
E será Ben quem, realmente, diz ser?
É que, na verdade, um cobrador de impostos não age (a não ser, eventualmente, em filmes), com tanta generosidade, benevolência e paciência da forma como Ben o faz.
O tema é interessante, tem alguns momentos cómicos, outros em que puxa pela lágrima, até chegar ao final, que nos leva de volta ao início, e a perceber que o objectivo era apenas um, e estava há muito planeado e decidido.
Will Smith, Rosario Dawson e Woody Harrelson, entre outros nomes conhecidos, são bons motivos para ver este filme que, na minha opinião, poderia ter sido melhor explorado.
Quando queremos falar pessoalmente com eles, estão sempre agarrados ao telemóvel. Quando ligamos para eles, nunca o têm à mão, nunca ouvem, nunca atendem!
A Netflix está a apostar em grande, em filmes e séries na língua espanhola, sejam eles mexicanos, espanhóis, colombianos ou, como é o caso deste filme, argentino - Perdida.
Tudo começa quando um grupo de jovens faz uma viagem até à Patagónia. Lá, fazem o que todas as adolescentes fazem: divertem-se, bebem, dançam, falam de rapazes e atiram-se a eles.
Mas nem tudo corre como deveria, e Cornélia, a melhor amiga de Pipa, desaparece sem deixar qualquer rasto.
Ninguém sabe o que lhe aconteceu, e o corpo nunca foi encontrado.
Passaram-se 14 anos.
Cada uma daquelas jovens seguiu a sua vida.
Pipa é agora uma agente da polícia, que persegue raptores de crianças.
Cornélia foi dada como morta, depois de uma longa investigação sem qualquer pista que pudesse indicar o contrário.
No entanto, passados estes 14 anos, a mãe de Cornélia continua a não conseguir fazer o luto, por não saber o que aconteceu, e considera que Pipa é a única pessoa capaz de investigar e desvendar o mistério, sobre o que realmente terá acontecido à sua melhor amiga.
Apesar de renitente em voltar a remexer no passado, Pipa acaba por iniciar a sua própria investigação, que colocará em perigo, não só os que lhe são mais próximos, como a sua própria vida.
Sinopse:
"Anos após o desaparecimento da sua amiga na Patagónia, uma mulher polícia inicia uma investigação para obter repostas, mas depressa percebe que a sua vida corre perigo."
Trailer:
Para reflectir:
Poderiam as coisas ter sido diferentes?
Poderia alguma daquelas adolescentes ter feito algo que mudasse a história?
Pode uma amizade sobreviver ou voltar a existir, quando todo o passado e caminhos distintos se interpõem entre duas pessoas, criando um fosso instransponível entre elas?
Pode o passado (ou acontecimentos traumáticos), que afastou duas pessoas, ser o mesmo que acabou por unir uma delas a outra totalmente distinta?
São esses acontecimentos, esse fardo, esse passado que carregamos dentro de nós, os responsáveis pela pessoa que hoje somos, ou essa é uma escolha que depende somente de nós - matar quem fomos, para dar lugar a quem somos, em quem nos tornámos?
Será que existem verdades que devem ficar enterradas?
Ou valerá a pena enfrentar as consequências de uma verdade trazida à luz, que causará sofrimento a todos os que rodeiam?
Acho que, de tanto os portugueses se queixarem da quantidade exagerada de telenovelas que passam nos canais portugueses, esses canais decidiram mudar o nome, de telenovelas, para séries!
E, se virmos bem, algumas delas mais parecem séries em fim. Agora, até as fazem render, dividindo-as por várias temporadas.
Parece que, da parte da SIC, a ideia é mesmo substituir as novelas, apostando nas séries, que irão ser exibidas no segundo horário da noite, até setembro, quando está prevista a estreia de duas telenovelas.
Mas, na prática, não será mais do mesmo?
Ou será que o nosso conceito de série, como o conhecemos até aqui, está ultrapassado e fora de moda?
E não tem o direito de remeter essa responsabilidade para os outros, como se fossem os outros a tomar as decisões por si.
O que vejo cada vez mais, nos dias que correm, são pessoas indecisas, confusas, com dúvidas que, a determinado momento, pedem opinião a outras.
Não há qualquer mal nisso. Por vezes, as opiniões podem ajudar-nos a encontrar o rumo certo, ou a perceber se estamos no bom caminho, ou a resvalar para caminhos sinuosos. Em qualquer dos casos, a decisão final é sempre nossa.
Mas o que as pessoas pedem, nunca é apenas isso - uma opinião. Querem mais! Querem quase que lhes digamos o que devem fazer. Ou então, não querem a nossa opinião, mas apenas obter a nossa concordância e aprovação.
E depois, ou ficam aborrecidas porque aquilo que ouvem vai contra a ideia que tinham e, chateadas, acabam por descartar essas opiniões porque não têm que seguir o que os outros dizem, e sim o que querem e pensam.
Ou seguem essa opinião e, caso as coisas não resultem, acusam os outros de as terem induzido em erro.
Pior ainda, é quando essas pessoas tomam as decisões por vontade própria, mas apercebem-se de que estavam errados, e tentam culpabilizar os outros, que nem sequer se manifestaram, ou o fizeram, mas em sentido contrário.
Se não querem ouvir, ou acham que não vão gostar do que os outros têm a dizer, não lhes perguntem.
Mas se, de alguma forma, envolvem os outros nas decisões que têm que tomar, seja através do pedido de opinião ou com constantes conversas sobre o assunto, sobretudo se essas decisões têm impacto sobre os outros também, as pessoas têm que estar preparadas para ouvir.
Por vezes, aquilo que aos seus ouvidos soa como crítica, parecendo que lhes queremos mal, não é mais do que uma chamada de atenção, que um alerta, precisamente pelo contrário, porque queremos o bem da pessoa e, quer queiramos quer não, pela proximidade e pela forma como nos envolveu no assunto, temos o direito de o fazer.
Se é algo que não te diz nada, que não te satisfaz, que não te traz nada de positivo, afasta-te. Não vale a pena desperdiçar o teu tempo com algo que não resultará.
Mas, se gostas, se te sentes bem, se te faz feliz, se é o que realmente queres, então, não reprimas o que sentes.
Permite-te sentir!
Mesmo que esses sentimentos não sejam eternos. Que essas sensações durem apenas breves instantes.
Valerá a pena!
Se nos travarmos constantemente, se nos reprimirmos e aos nossos desejos, se nos controlarmos o tempo todo, se evitarmos sentir o que quer que seja, construindo uma barreira, acabamos por não viver, e transformar o nosso coração numa pedra difícil de quebrar... Num bloco de gelo que, quanto mais tempo passar, mais dificilmente conseguiremos descongelar...
Ontem foi dia de consulta com a médica de família.
Bem, com a médica de família é uma maneira de dizer porque parece que agora, tudo o que antes fazia a médica de família, agora é a interna que a substitui.
Aproveitaram que os jovens estão de férias da Páscoa para marcarem estas consultas que fazem parte do programa, sendo esta a consulta dos 15 anos.
A consulta propriamente dita, é precedida de uma consulta de enfermagem, onde veem o peso, altura, IMC, tensão arterial e a enfermeira faz algumas perguntas da praxe, não só em termos médicos, mas também a nível escolar.
Já com a médica, após uma primeira abordagem geral, é pedido ao acompanhante adulto que se retire durante algum tempo, e deixe os filhos para uma conversa a sós com a médica.
De volta ao gabinete, o recado foi:
Melhorar a alimentação - eu bem tento, mas não tem sido fácil
Falou do cálcio do leite, que é importante beber mais do que apenas um copo por dia - então em que é que ficamos: deve-se beber leite, ou o cálcio está presente noutros alimentos que o substituem?
E recomendou pão de forma, para o pequeno almoço!
Mais sopas, mais fruta, menos doces, bolos e afins, menos fritos.
Uma receita de vários produtos para combater o acne, que me ficaram em quase 60 euros (espero que valham bem a pena o dinheiro gasto, e que ela os utilize)
Umas análises - ao colestrol e afins, e também aquela que pedi, para saber qual o grupo sanguíneo da minha filha
A indicação de que deveria frequentar uma actividade extra curricular, nomeadamente, a dança, que é o que ela mais gosta, pelo menos duas vezes por semana, porque isso a irá ajudar a desenvolver outras competências que poderão vir a ser úteis para completar o 12º ano.
Eu até não me importaria, se não tivesse já todas as despesas que tenho, inclusive com a explicação de matemática.
E também não me importaria, se ela tivesse um horário e tempo disponível para isso, o que não é o caso.
De qualquer forma, embora eu compreenda que lhe faria bem, e que é algo de que gosta, também é verdade que muitos de nós nunca precisámos de nada disso para nos sairmos bem no ensino secundário.
A conclusão a que chegámos:
A médica fez o papel que lhe competia, e transmitiu os conselhos que deveria.
Cabe a nós segui-los ou não, porque cada um sabe de si, e nem sempre é possível colocá-los em prática.
Até porque, muitas vezes, nem os próprios médicos praticam aquilo que aconselham aos pacientes!
Eu já tinha constatado, e a minha filha saiu de lá com a mesma ideia: não simpatizamos com a médica. Não é que não fale bem ou seja antipática. Simplesmente, com aquele ar de superioridade, mas ao mesmo tempo sonso, de quem acabou o curso há meia dúzia de anos, não consegue cativar da mesma forma que a nossa médica de família que, apesar de ter os seus dias de fugir, quando está em dia sim, é espectacular.
Se há coisa que cada vez prezo mais, é o silêncio.
Não é que não goste de falar. Ou de conversar. Sim, porque são coisas diferentes.
Falo quando me apetece (e cada vez são menos as vezes que me apetece), tal como gosto de uma boa conversa.
Mas não sinto necessidade de falar por falar, de falar para preencher os silêncios, de falar para não estar calada.
No entanto, há quem sinta essa necessidade, e isso acaba por se manifestar em todos os momentos que partilhamos com essas pessoas, seja a refeição que se está a comer, o filme ou série que se está a ver, ou qualquer outra situação, como se a outra pessoa estivesse a fazer um relato completo.
E se a nossa vida fosse um eterno relato?
Conseguiriam viver assim?!
Eu nem por isso!
Torna-se cansativo, irritante, só me faz ter vontade de desligar e deixar de prestar atenção, ou fugir dali para onde não tenha que ouvir essas pessoas, e possa estar sossegada.
E por aí?
Lidam bem com estes comentadores na vossa vida?
São, também vocês, pessoas com esta necessidade de estar constantemente a dizer alguma coisa, ou são mais de silêncios, defendendo aquele provérbio que "A palavra é prata, o silêncio é ouro"?
Uma das coisas que nos influencia, no momento de escolher uma série para acompanhar, para além do tema, da história, do idioma, e dos protagonistas, é a sua duração.
Eu sou, por norma, uma pessoa impaciente no que respeita a séries.
Quando selecciono uma série, e percebo que a mesma tem cerca de 50 a 100 episódios, é meio caminho andado para desistir, e escolher outra.
Uma série curta significa que se vê em pouco tempo.
É mais fácil de acompanhar e chegar ao fim, sem ficar pelo caminho.
Significa que, à partida, os episódios vão ser corridos e empolgantes, sem tempo para estar ali a preenche-los com “palha” que não interessa muito, nem serve para nada.
É quase como uma paixão forte que, assim como chega depressa e a vivemos intensamente, também se acaba num instante.
Como um vento que, mal nos atingiu, já passou e foi para outro lado.
Mas, apesar de tudo, não nos envolve.
As séries longas têm a desvantagem de, à partida, nos fazer torcer o nariz, quando olhamos para a quantidade de episódios que têm.
Nem sempre há essa disponibilidade. Nem sempre há paciência.
Muitas vezes, os episódios pouco adiantam. Quase como as novelas, até começam bem, perdem-se pelo meio, empatam e, quando chegam ao fim, é tudo a correr.
Mas, se realmente nos interessar a história, acabamos por entrar nela mais a fundo, embrenharmo-nos mais, conhecer melhor cada uma das personagens, rir e chorar com elas, torcer por elas, sofrer por e com elas, e ficar felizes com a sua felicidade.
E se, no início, queríamos muito chegar ao fim, quando este se começa a aproximar, não queremos que acabe já, porque já nos habituámos aquelas personagens, àquele ambiente, àquela vida que nos foi dada a conhecer durante tanto tempo.
É como um amor, que se foi construindo aos poucos, e custa quando chega ao fim, tornando mais difícil a despedida.
Não é um trabalho fácil. Vivem em constante perigo, muitas vezes isolados, ou com vidas duplas, correm riscos, e não podem falar sobre nada.
O ideal, para um agente secreto, é não ter família. Porque, quando existe, duplicam os problemas.
Poderá um agente secreto, simultaneamente, ter uma família a quem dar atenção e ausentar-se a todo o momento, sem qualquer explicação? Conseguirão as relações e os casamentos resistir?
Até que ponto estará um agente secreto disposto a ir, e a escolher, entre ficar ao lado da família, ou servir a pátria?
E será que alguém lhes reconhece esse valor? Será que os superiores se preocupam mesmo com a vida destes agentes, ou apenas estão com eles quando lhes são úteis, quando precisam deles?
E, se tudo isto já seria complicado quando falamos de homens, imaginemos quão difícil será para as mulheres?
Mulheres que são filhas. Mulheres que são mães. Mulheres que querem formar família, e ter uma vida normal, ao mesmo tempo que querem ter um papel relevante no seu trabalho, e ser aceites como iguais num mundo dominado pelo sexo masculino.
No Colômbia, houve uma equipa, formada inteiramente por mulheres, que combateu os traficantes na região e fez história, mostrando como estas agentes, que também são mães, filhas, esposas, tias, irmãs, enfrentam inimigos perigosos, arriscando as suas vidas e, muitas vezes, as dos seus familiares, no cumprimento de um dever maior, que é lutar pelo seu país.
A série da Netflix "A Lei Secreta", é baseada nesses acontecimentos, e em testemunhos reais dessas agentes, e mostra a rotina de uma equipa de agentes da Inteligência, composta maioritariamente por mulheres, que terão de se infiltrar numa enorme organização de narcotraficantes, a fim de descobrir quem é o verdadeiro chefe do grupo, e derrubar os barões da droga e os seus associados.
Ao longo da série, vamos conhecendo as várias personagens, as suas dificuldades, os seus dilemas, as suas escolhas e decisões, e respectivas consequências, os perigos a que se submetem, aquilo que são obrigadas a abdicar.
Alejandra
Uma jovem que vive com a sobrinha, após a mãe desta a ter deixado há quase um ano e que, para poder arranjar dinheiro para dar uma vida melhor à sobrinha, que ama, e sair daquele bairro pobre onde reina a violência e a delinquência, aceita ser "mula".
Inexperiente, apesar de inteligente e cheia de recursos, acaba por ser apanhada pelo DIP, que a obriga a ajudá-los, para não ser presa.
Alejandra faz tudo o que for preciso para ficar com a sobrinha Kimberly, mas esta colaboração vai acabar por prejudicar ainda mais a situação, e levá-la a perder a guarda da menina, que acaba numa instituição.
Cansada de ser pressionada, tanto do lado da polícia, como dos traficantes com quem teve que se envolver, Alejandra resolve que mais vale ir presa, do que continuar a viver assim.
É então que o coronel Porto decide deixar de tratá-la como a criminosa que foi, para tratá-la como a agente em que se poderá tornar.
Alejandra é impulsiva, de "pelo na venta", temperamental, diz tudo o que pensa e faz o que acha que deve fazer, muitas vezes sem medir os riscos, mas não é mulher de desistir, ou baixar os braços e, como dizem, tem uma estrelinha que a favorece.
Tatiana
Confesso que não gostei muito desta personagem. Sempre com aquele ar de mosca morta, acaba por ser a agente mais fraca, embora profissional. No início vemos uma Tatiana feliz, em plena lua de mel, a ter que deixar o marido sozinho porque foi chamada para mais uma missão.
E, quando essa missão implica envolver-se com outro homem, pelo qual se começa a apaixonar, toda a sua vida, pessoal e profissional, se vira do avesso.
A determinado momento, Tatiana terá que escolher entre continuar a enganar-se a si própria, e aos que o rodeiam, nomeadamente, o marido, ou assumir aquilo que sente, e decidir entre ficar ao lado de um homem que pertence à organização de narcotraficantes, ou continuar com o seu trabalho, e levar a pessoa que ama a pagar pelos crimes que cometeu.
Ainda mais quando foram os líderes dessa organização que quase mataram o seu pai, e o deixaram no estado em que ela, mais tarde, o irá encontrar.
Amélia
A missão desta agente é, de longe, a mais dura e difícil. Infiltrar-se no acampamento do comandante Bigotes, em plena selva.
Depois de ter voltado da primeira missão, descobre que a mãe, da qual esteve afastada durante meses, sofre de cancro, e precisa de tratamento urgente, optando por abandonar o DIP, para cuidar dela.
Mas, sem dinheiro para pagar tudo o que é preciso, vê-se obrigada a voltar para o DIP, que lhe garante que se encarregará de todas as despesas.
E é assim que Amélia abandona, mais uma vez, o irmão e a mãe, sem saber se a voltará a ver com vida, e ignorando que, ela própria, poderá vir a temer pela própria vida.
Pode até vir a conseguir a confiança do comandante Bigotes, mas qual o preço a pagar por isso? E quem arrastará com ela nessa missão perigosa?
Para mim, é uma das melhores agentes. Paciente, astuta, observadora, resistente, lutadora.
Sandra
É a capitã da equipa e, desta vez, tal como há 10 anos atrás, terá que voltar a vestir a pele de Laura, juntamente com Sebastián, que dará novamente vida a Juan Pablo.
Algo os afastou depois da última missão, e será muito difícil voltarem a trabalhar juntos de novo, como casal que um dia foram, na ficção, e na realidade.
Para Sandra, esta será a última missão. Com um filho que reclama a atenção da mãe, e com o seu pai a partir para outra cidade para viver a sua vida, Sandra sabe que não pode deixar o filho sozinho, até porque lhe prometeu que estaria mais presente na sua vida.
Por outro lado, afirmando que não pode contactar o pai do miúdo, porque nos casos de inseminação artificial não é dado o contacto do doador, Sandra está de pés e mãos atados, porque o filho só pode contar com ela. E ela sabe que, não podendo recuperar o tempo perdido, terá que compensá-lo com o que ainda poderão viver.
A determinado momento, Lucas é envolvido na missão, e conhece Sebastián, com quem estabelece uma bonita relação que nos leva a desconfiar que poderá ser o seu pai. Ao mesmo tempo, Sandra e Sebastián voltam a envolver-se, e prometem que, desta vez, nada os vai separar, e vão formar uma família.
Mas a missão tem outros planos para eles, e algumas decisões e revelações vão levar a dias muito duros para Sandra.
Para além destas 4 mulheres, temos ainda a coronel María Emma que, a determinado momento, estará sob a suspeita de ser a traidora do DIP, a agente Bertha, e a sargento Rojas.
Do lado dos homens, destaque para o coronel Porto que, graças a Alejandra, vai dar um novo rumo à sua vida e perceber que a sua vida não precisa de se resumir a trabalho e solidão, e que há muito mais para disfrutar. E Forero, companheiro de Tatiana, e craque da tecnologia.
Do lado dos traficantes, o destaque vai para Júnior, filho do traficante líder da organização que morreu há 10 anos atrás, pela mão de Sebastián.
Carrega o passado e os erros do pai, que o transformaram no que é hoje. Um rapaz mimado, que faz birra quando as coisas não correm como ele quer, mas capaz de dar um tiro a quem ache que já não lhe serve, incluindo o seu companheiro que diz amar.
Binoche, é o banqueiro responsável pela lavagem de dinheiro, enquanto Eduardo se encarrega do transporte da mercadoria, e Bigotes da produção.
O que achei curioso nesta série foi ver até que ponto a droga pode estar presente no meio de nós, sem sequer darmos conta.
Achei algumas situações estranhas, de como agentes supostamente treinadas para tudo, ficaram sem acção em determinadas situações.
Não fiquei surpresa no que toca à corrupção, já que qualquer criminoso do topo que se preze, tem que ter aliados em algumas destas forças.
A série tem cenas muito fortes, algumas chocantes, e outras que nos levam às lágrimas, tal a forma como mexem com as nossas emoções.
Confesso que, depois de ver dois episódios, estive quase a desistir de acompanhar, vendo outras pelo meio, mais curtas. Mas ainda bem que insisti e voltei a esta, porque é, sem dúvida, uma série que marca!
... em que o sono é tanto que, mesmo depois de acordarmos com o despertador, e enquanto esperamos pelo próximo toque, dali a 10 minutos, adormecemos e até dá para sonhar?
Ao que parece, existem 3 moradas para o mesmo prédio: a que tenho actualmente, outra igual em que apenas é acrescentado o "esq.º", e uma outra, totalmente diferente em nome e número.
E nem o senhorio sabe qual é correcta.
O meu contrato de arrendamento tem uma morada, que é a do prédio, e a minha morada fiscal. Logo, é essa que devo manter, para efeitos fiscais.
Ao consultar a caderneta do prédio, vem com as duas moradas pelo que, de acordo com a funcionária, posso optar por qualquer uma das duas, já que a minha casa acaba por ter uma porta para uma rua, e a outra para outra rua, mas que não valeria a pena mudar.
Resta o problema da correspondência. Se o carteiro entender que a minha morada não é a de sempre, mas a nova, pode não deixar lá a correspondência. Se mudar para a nova, o carteiro pode não associar, e correspondência voltar para trás. Ou, como fez ontem, deixar tudo na caixa de correio do senhorio.
A senhoria, teve a brilhante ideia, depois de todos estes anos, de me dizer que a minha caixa deveria estar no muro dela, na frente da casa, e não de lado, como sempre esteve, para o carteiro saber que é a morada antiga. Mas de nada adianta fazer isso, se tiver que mudar para a nova!
Desconfio que estas alterações ainda vão dar pano para mangas.