sexta-feira, 29 de maio de 2020

Pedro Soá: intimidar é muito diferente de fazer-se respeitar

Pedro Soá expulso do 'Big Brother' após comportamento agressivo ...


 


Pedro Soá foi um dos concorrentes que mais deu (e ainda dá) que falar, deste Big Brother 2020, pela postura que manteve dentro da casa, e atitudes que levaram à sua expulsão do reality show.


Cá fora, arrepende-se desse comportamento. Diz que, se voltasse a entrar, agiria de outra forma.


Ao lado da namorada, parecem formal um casal como outro qualquer. Ela diz que ele nunca foi agressivo consigo. Talvez... Sinceramente, tenho dúvidas. Mas isso é lá com eles.


 


Disse Pedro Soá Eu sou uma pessoa muito controlada, porque eu uso a argumentação, é o meu ponto forte.


Talvez seja por isso que ele afirma, ao ver as imagens, que parecia estar a observar outra pessoa que não ele.


Porque, a julgar por todas as atitudes, comportamentos e palavras, controlo foi algo que não existiu da parte dele, a não ser o "controlo" que detinha sobre alguns dos seus colegas. E argumentação? Bom, quando ela é inexistente, parte-se para a agressividade, para a violência, para os gritos...


 


Existem muitos Pedros Soás por este mundo fora.


Pessoas que são divertidas, simpáticas, amigas, companheiras, educadas, normais. Mas que, de um momento para o outro, sob stress ou pressão, ou quando as coisas não correm como querem, ou quem queriam não age como esperariam, na impossibilidade de manterem uma conversa ou mostrar o seu ponto de vista, exaltam-se, enervam-se, transformam-se em pessoas das quais, quem está ao lado, tem medo, Surge um lado mais agressivo, ainda que na maioria das vezes só verbalmente, mas que pode facilmente chegar à agressividade física.


 


"Nunca seria capaz de agredir a Teresa", garantiu Pedro.


Talvez...


Esse é o argumento ouvido na maioria das vezes "ah e tal, eu estava assim mas nunca chegaria a esse ponto", "ah e tal, eu estava enervado mas nunca agrediria ninguém".


Até podia nem ser essa a intenção. Mas, no calor do momento, e cegas, essas pessoas nunca poderão garantir que uma agressão física nunca iria acontecer. Porque nem eles sabem. 


E para quem está do outro lado, fica sempre a dúvida: "Desta vez, não aconteceu. Mas, e para a próxima?"


 


Não são raras as vezes em que essas pessoas acham que não fizeram nada de mais. E que até resultou. Que se fizeram respeitar dessa forma.


Para mim, isso não é respeito. É medo.


Intimidar é muito diferente de fazer-se respeitar.


Porque o respeito não se ganha com gritos, com agressividade, com violência. Pelo contrário.


Ganha-se pelo exemplo. Pelas atitudes correctas, que devem prevalecer. Pela firmeza. Pela calma. 


 


Como vários colegas afirmaram, Pedro Soá intimidava. 


Mas aposto que nenhum deles irá algum dia respeitá-lo.

Quase a meio de 2020, é hora de voltar a emergir

Emergir - Espiritualidade - SAPO Lifestyle


 


Quando entrámos neste ano de 2020, que eu acreditei que seria um bom ano, a única resolução que pensei colocar em prática foi "pensar mais em mim".


E, claro, como todas as boas resoluções que fazemos, convictos de que as vamos levar a cabo, ao fim de algum tempo fui-me esquecendo dela.


 


Apesar de ser um ano que tinha tudo para correr bem, começou a andar a velocidade média, ficando aquém das expectativas para ele criadas.


Depois?


Depois veio a Covid-19, que mudou a vida, e os planos, de todos.


Uma realidade nunca antes vivida e, com ela, novas preocupações, novos hábitos e rotinas, novas prioridades.


E lá foram as resoluções, e expectativas, ao fundo.


 


É isso que sinto.


Que tenho estado a mergulhar estes meses todos, mas está na hora de voltar a emergir.


Estamos quase a meio do ano, e ainda vou a tempo de salvar o que resta dele. 


Então, repescando a resolução de "pensar mais em mim", espero, daqui em diante, aproveitar melhor os dias, com bom humor, paz, tranquilidade, energia e pensamento positivos, sempre que isso dependa somente de mim.


 


Não podemos controlar tudo o que nos acontece.


Mas podemos excluir o que não precisamos, sempre que nos faça mais mal que bem. E abdicar do que, ainda que necessário, nos prejudique.


Podemos bloquear aquilo que não queremos que entre na nossa vida.


Podemos agir de acordo com o que desejamos para nós.


Podemos escolher como reagir às situações.


 


Desvalorizar o que não tem importância.


Reduzir o stress.


Dar a volta aos problemas.


Criar defesas contra a toxicidade que nos rodeia.


 


Escolher a velocidade a que queremos avançar, o caminho que queremos percorrer, e quem querermos que esteja ao nosso lado a fazê-lo connosco.


 


E cuidar de nós.


Valorizarmo-nos.


Mimarmo-nos.


Ser felizes, sempre que isso esteja nas nossas mãos.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

A minha aversão ao álcool gel

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Tal como as máscaras, álcool gel nunca fez parte do meu dia a dia.


A última vez que tive contacto com ele, foi por altura da Gripe A, já lá vão uns aninhos. E não era nada como se vê agora.


 


Agora, em qualquer espaço que se entre, lá está ele, a lembrar-nos que devemos utilizá-lo, antes de qualquer outra coisa.


E eu, confesso, uso porque as medidas assim o obrigam. Mas não sou fã.


 


Primeiro porque, à excepção de um ou outro, a maioria deles tem um odor que não me agrada. Ainda no outro dia utilizei um e, quando fui cheirar as mãos, ia vomitando com o cheiro. Depois desse episódio, parecia que o odor me perseguia, mesmo que nem houvesse alcool gel por perto!


Depois porque, muito sinceramente, não sinto que as minhas mãos estejam mais limpas ao usar alcool gel. Pelo contrário. Sinto-as sujas, pegajosas, e não vejo a hora de lavá-las com água e sabão, para realmente as sentir limpas.


 


Mas pronto, eu também sou pessoa a quem faz confusão cremes ou base na cara, e que não aguenta muito tempo batom nos lábios sem ter vontade de limpar a boca para o tirar todo!


Pancadas minhas, portanto.


 


E por aí, como se dão com o álcool gel?


 

As leis, e as diferentes interpretações que a elas se pode dar

Portugal eliminou mais de 3.000 decretos para simplificar país de ...


Uma lei é uma lei.


É criada com um objectivo, e para se fazer cumprir.


Uma lei deve ser inequívoca, para que não haja dúvidas sobre como, e quando, deve ser aplicada.


Mas uma lei é também, por norma, o mais abrangente possível e, muitas vezes, muito generalizada, não contendo determinadas especificidades, que cada caso específico obriga.


 


E o problema de muitas leis é precisamente esse - as várias interpretações que que podem fazer dela, e o uso que se lhes quer dar, consoante a intenção ou conveniência.


 


É o mesmo que dizer que verde, é verde.


Mas é verde seco, verde água, verde alface, verde claro, verde escuro?


E será mesmo verde? Não será, afinal, uma junção de azul com amarelo?


Não será, aquilo a que chamamos verde, afinal, uma outra cor?


 


Quando surgem casos específicos para os quais a lei é omissa, tentam-se preencher essas lacunas e, algumas vezes, abrem-se precedentes que poderão vir a ser utilizados noutros casos futuros. E assim se vai gerando a jurisprudência à qual, muitas vezes, os advogados recorrem.


 


Enquanto isso, cada um pode dar à lei a sua própria interpretação e, não raras as vezes, consegue-se dar a volta à lei, consoante aquilo que é necessário, quer para uma parte, quer para outra, para benefício de uns, e prejuízo, para outros, sem que daí resulte aquilo a que a lei se propôs - justiça.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Os acessórios são um complemento, não o conteúdo em si

Imagens de clipart" | Clip arts grátis


 


De nada valem os acessórios, sem conteúdo para os realçar.


De nada serve um copo com uma palhinha, enfeites e rodelas, se não tiver qualquer bebida lá dentro.


Da mesma forma, de nada servem os eventuais elogios que dermos às pessoas, se elas próprias não reconhecerem o seu valor, se não souberem quem são, e as qualidades que têm. 


 


A autoestima tem que ser trabalhada pelo próprio. E por mais ninguém.


Cabe a cada um escolher aquilo que quer vestir.


Cabe a cada um escolher o que quer colocar dentro do copo.


A base, tem que ser a própria pessoa a defini-la.


 


Depois, tudo o que venha por acréscimo, é apenas um acessório, um enfeite que se coloca aqui ou ali, para que o conjunto final convença ainda mais, e seja mais apelativo.


Ajuda a dar um outro aspecto, mas não substitui a essência, nem a faz nascer.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Control Z, na Netflix

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Control Z, ao contrário do que o nome poderia sugerir, é uma série em que quase todos, se não todos, os seus protagonistas, se começam a descontrolar logo no início, e torna-se difícil colocar um travão nesse descontrolo gerado, não só pela própria personalidade, e pelo seu passado, como pela ameaça de ver os seus segredos revelados, ou desejo de vingança, por parte daqueles que já foram vítimas de um hacker, que os expôs.


 


Da série, o que se poderá concluir é que vivemos numa época em que a geração Z, os adolescentes e mesmo alguns adultos da actualidade, não são, de forma alguma, aquilo que desejaríamos, ou esperaríamos, para que se anteveja um futuro promissor.


São jovens desequilibrados, com muito preconceito, com muita repressão transformada em ataques gratuitos a quem representa aquilo com que, no fundo, também se identificam, mas que não é bem visto e, por isso abominam.


São jovens problemáticos, que vivem de aparências, no mundo de fachada e fingimento, de comportamentos irresponsáveis e inconsequentes.


Jovens a quem lhes falta coragem, maturidade, honestidade.


 


Acredito que existam muitos jovens assim. Mas também acredito que poderiam ter mostrado o outro lado da juventude, oposto a este, que também é real.


 


Sofia é uma jovem extrememente observadora, com grande dificuldade (ou pouco interesse) em fazer amigos na escola para onde foi estudar.


Uma escola onde há de tudo um pouco, incluindo um director que não tem qualquer habilidade ou competência para lidar com os jovens, nem resolver os problemas destes.


 


Javier é um jovem que chega à escola, onde não conhece ninguém, e logo se aproxima de Sofia. Percebe-se que houve algo que se passou e sobre o qual ele não se sente confortável mas, verdade seja dita, ali naquela escola, toda a gente tem segredos. Uns mais obscuros que outros, e que podem provocar mais estragos, se forem revelados. 


 


E é isso que um hacker se propõe fazer. 


Para tal, ele começa por comunicar com alguns dos jovens, numa espécie de jogo ou chantagem em que, para não verem o seu segredo revelado, têm que trair os seus colegas ou amigos.


Com as primeiras vítimas, e segredos colocados a nu, os ânimos exaltam-se, desfazem-se amizades, e o desejo de vingança aumenta.


Ninguém está a salvo, e há que descobrir o hacker, antes que ele chegue a mais alguém.


 


Sofia irá tentar desvendar o mistério mas será, também ela, uma das ameaçadas. Conseguirá ela travar o hacker? E qual será o real objectivo deste jogo doentio, com consequências que vão muito além da vida escolar e até familiar e que, em último caso, poderão mesmo conduzir à morte?


 


 


Conheça o elenco e os personagens de Control Z | Universo Estendido


 


Para mim, a personagem mais bem conseguida desta série, e também aquela que proporciona as cenas mais angustiantes e revoltantes, é Luis, uma vítima de bullying e homofobia que, ao se assumir como hacker, vai agravar ainda mais a sua situação no ambiente escolar, e fora dele.


Aqueles que sempre o perseguiam, só porque sim, têm agora um bom motivo para lhe dar uma lição. Só que, mais uma vez, as coisas descontrolam-se.


E se, em algumas situações, lhe valeu a ajuda de Sofia, e de Javier, para impedir o pior, essa ajuda pode agora não lhe valer.


 


Será preciso um choque, para estes jovens perceberem a gravidade da questão? Para pararem? Para mudarem?


Ou continuará a cobardia a fazer parte dos seus comportamentos?


Uma coisa é certa: nesta série, todos parecem cometer crimes, mas saírem impunes, como se nada se tivesse passado.


E, assim sendo, até onde está cada um deles disposto a ir, para esconder o seu segredo e, o hacker, para não deixar nenhum por revelar?

segunda-feira, 25 de maio de 2020

À boleia da (má) fama dos outros

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Por cada participante ou concorrente de um reality show, concurso, ou experiência social, ou até mesmo um qualquer convidado de um programa de televisão, surgem sempre aqueles "amigos", que gostam de apanhar boleia da situação.


 


Por cada pessoa que se atreve a conquistar o seu momento de fama, aparece logo quem também queira usufruir da fama dos outros, quem tenha sempre algo para dizer, quem se queira fazer notar, à custa dos outros.


 


A forma como o fazem, tanto pode ser pela positiva, como pela negativa.


Ou têm sempre algo de bom para dizer, que são melhores amigos, que conhecem melhor que ninguém. E defendem essas pessoas.


Ou, pelo contrário, falam para descredibilizar, para negar, para denegrir a imagem dos outros.


 


Enquanto andam ali no "lavar da roupa suja", no desvendar dos segredos mais secretos, ou no desfile dos maiores elogios, já a comunicação social lhes prestou a atenção que desejavam. 


Em alguns casos, acabam mesmo por conseguir mais fama, que aquela que alcançaram as pessoas de quem falam. 


 

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Se a tartaruga conseguiu passar a lebre, também nós conseguiremos!

História Infantil A Lebre e a Tartaruga


 


Já te aconteceu parecer que correste como nunca e, mesmo assim, não ficaste bem classificado?


Parecer que tinhas feito o teu melhor trabalho de sempre e, no fim, foi apenas considerado “bom”?


Parecer que deste o teu melhor, mas esse melhor foi inferior ao que se esperava?


Que, escolhas o atalho que escolheres, há sempre alguém que te passa à frente?


Que qualquer que seja a ideia que tenhas, há sempre uma melhor que a tua?


Ou que até era a mesma, mas alguém pensou nela primeiro?


 


Por vezes, temos a sensação de que, façamos o que fizermos, nunca chegamos onde queremos chegar.


Que, por mais que nos esforcemos, esse esforço cai sempre em “saco roto”, nunca é suficiente, nunca é recompensado.


Que há sempre alguém mais à frente, que chega primeiro, que ocupa o lugar que queríamos para nós.


 


Eu sei que pode ser frustrante. Até, de certa forma, injusto.


Mas, se calhar, o objectivo nunca foi chegar à meta, por si só, em primeiro lugar, mas sim disfrutar de todo o caminho.


Se calhar, mais importante que alcançar o objectivo, é tudo aquilo que fazemos, aprendemos, em que nos empenhamos, para lá chegar.


Se calhar, a nossa meta nem sequer é aquela que imaginámos na nossa mente.


Ou, também pode acontecer, estarmos a tentar alcançar as metas erradas, e ainda não percebemos que, as que nos cabem, não estão ao fundo desse caminho que insistimos em percorrer.


Talvez tenhamos, algumas vezes, que mudar a direcção.


 


E, quem sabe, deixar de pensar e valorizar tanto naquilo que os outros conseguem, para nos focarmos mais naquilo que nós conseguimos, e valorizar os nossos feitos.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

A desresponsabilização dos professores no ensino à distância

 


Porto Editora e Leya com acesso gratuito a plataformas de ensino à ...


 


Neste terceiro período, aquilo a que tenho vindo a assistir, no que respeita às aulas à distância e aos modelos de ensino adaptados pelos professores, traduz-se, em grande parte das disciplinas, em desresponsabilização.


Os professores livraram-se, convenientemente, de explicar a matéria, para deixar o estudo e aprendizagem da mesma por conta dos alunos.


São enviados powerpoints, vídeos, até aulas da telescola da RTP Madeira, e planos de estudo com as páginas do manual a ler, e os exercícios para fazer.


Depois, em caso de dúvidas, podem-nas retirar com os professores.


Apesar de haver aulas síncronas, estas servem, muitas vezes, para transmitir informações, esclarecer dúvidas, ou indicar mais trabalhos para fazer. Poucas vezes são uma aula minimamente normal.


 


Não é, de todo, a melhor forma de ensino e aprendizagem.


Mas é preciso que estudem, e que fique o essencial na cabeça. Não há tempo a perder, é preciso terminar os conteúdos deste ano até porque, no próximo ano, vão avançar para a matéria desse mesmo ano, e esta será considerada dada e concluída.


 


Acho que querem tanto ajudar os alunos (será que é isso que querem mesmo?), não dando o ano por perdido, e sem intenções de prolongar as aulas por mais uns meses, alterando todo o calendário escolar, que estão a acabar por prejudicar muitos deles.


Está a ser exigido, aos professores, que leccionem os conteúdos previstos num ano de ensino normal, o que os leva a ter que cumprir programas e, sob pressão, despejar a matéria em cima dos alunos, e trabalhos exagerados que nunca fariam numa situação normal.


Os alunos são “obrigados” a perceber as coisas por si mesmos, e pressionados a mostrar trabalho todos os dias.


Acredito que, desde que começou o ensino à distância, nem sequer resta tempo para os alunos relaxarem, terem momentos de pausa, estar com a família sem pensar em estudos.


A minha filha, antes com duas tardes e uma manhã livre, passa agora os dias entre aulas e trabalhos, incluindo fins de semana e feriados, em verdadeiras maratonas.


 


As dores de cabeça passaram a ser uma constante, porque um dia inteiro à volta do pc, manuais e exercícios, não dá saúde a ninguém.


 


E para quê?


Para no final do ano se limitarem a dar as mesmas notas que tiveram no segundo período?


Para, no próximo ano, perceberem que não estão minimamente preparados para avançar, porque ficou muito para trás, para explicar?


 


Por mais autonomia que possam ter, ou métodos de estudo, por algum motivo existem aulas presenciais. Se não, toda a gente estudava em casa e deixava de haver escolas abertas.


Por algum motivo são precisos professores, para ensinar.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Somos apenas um número

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Um número que dá jeito ter à mão, quando tem utilidade e serve os interesses de quem dele precisa, mas também, noutras ocasiões, um número a mais, que se pode facilmente dispensar. 


 


Um número que, num dia, faz a diferença, e contribui para um resultado extremamente positivo. Um número que faz todo o sentido manter, um número importante. E, no entanto, noutro dia, apesar de tudo, um número do qual é necessário abdicar. Porque não é indispensável à equação. Porque a conta faz-se na mesma, sem ele.


 


Por muito que, em determinados momentos, nos convençam, e nos convençamos, do nosso valor, visível quando tudo corre bem, a verdade é que seremos apenas um número, quando as situações assim o exigirem.


 


E o meu sobrinho, até aqui sempre elogiado pelo bom trabalho desempenhado, que a determinado momento esteve em vias se ser promovido, foi agora informado de que o seu contrato não irá ser renovado.


Não é que não seja bom no que faz. 


Simplesmente, revonar o contrato significaria tornar-se efectivo na empresa.


E, neste momento, com o sector parado, sem grandes perspectivas de que a receita venha a aumentar significativamente, a ordem é para trabalhar com o que é mais difícil dispensar, e dispensar todos aqueles que podem, enquanto podem.


 


É a Covid-19, a fazer a primeira "vítima" na família e a mostrar, como se nos pudessemos esquecer que, no fundo, somos apenas um número.


E, no entanto, somos tão mais que isso...


 


 

terça-feira, 19 de maio de 2020

Ir à praia em tempo de pandemia

Itália: empresa cria barreiras divisórias para praias e ...


 


Eu sei que nós, humanos, reclamamos muito, nem sempre aceitamos bem a mudança, nem sempre reagimos bem às adversidades, mas temos uma infinita capacidade para nos adaptarmos, assim sejamos obrigados, ou queiramos fazê-lo.


 


De certa forma, é essa a grande prova que temos vindo a superar com a quarentena, o confinamento, o teletrabalho, e todas as medidas que temos que seguir naquilo que nos é essencial.


 


Com o progressivo desconfinamento, começam também a vir as regras e recomendações para os espaços de lazer que, não sendo essenciais, acabam por também fazer parte da nossa vida e contribuir para o nosso bem estar.


 


A praia, é um desses locais.


Mas, confesso, não sei se estarei preparada para usufruir da praia, algo que é suposto libertar, descontrair, relaxar, em tempo de pandemia, com todas as limitações inerentes.


É certo que adoro a praia, adoro um bom banho de sol e um bom mergulho, mas seria um pouco assim:


- apanhar autocarro e fazer o percurso com máscara


- sair do autocarro, tirar a máscara


- chegar à praia e ver como está a lotação (em dias normais, é tipo sardinha em lata, por isso, o mais certo é já estar cheia)


- se houver espaço, ver por onde devemos seguir para lá chegar; se não, procurar outra praia da zona, que esteja disponível (se não houver, fizemos a viagem em vão, e voltamos mais cedo para casa)


- tentar medir a distância a que ficamos, de quem já lá estiver, seja no areal, seja no mar


- depois, é a constante preocupação com o possível contágio, por quem se aproxima mais do que deve, por quem espirra ou tosse ali perto, 


- é o não se poder usufruir da praia na sua totalidade, e com a liberdade que gostaríamos


- no final, voltar a colocar a máscara, para apanhar o autocarro e voltar a casa


 


Até pode correr tudo bem.


Até me posso vir a habituar.


Até posso não resistir a ir, nem que seja para dar um mergulho e vir embora, em horários que antes não fazia, só mesmo pela sensação de deixar lá todo o stress, purificar, revitalizar.


Mas não é a praia que eu gosto de fazer. Não é a praia a que sempre me habituei a fazer, desde a infância.


E palpita-me que posso sair de lá pior, do que não indo.


 


Vamos ver quando chegar as férias, se mudo de ideias e me rendo a esta nova forma de fazer praia ou se, pela primeira vez, corto temporariamente relações com ela! 


 


 


 

segunda-feira, 18 de maio de 2020

"Olha por Mim", na SIC

Olha Por Mim estreou e liderou no confronto direto com TVI


 


A sério, SIC?


Não podiam ter continuado com o "Estamos Aqui"? 


Tinham que nos "presentear" com este programa deprimente e tão parvo, que não convence ninguém?


 


No sábado, tinha eu acabado de ver uma série, quando me deparo com este programa. Já estava a mudar para outro lado mas o meu marido e a minha filha queriam ver, então, lá deixei ficar, e vi com eles.


Que o programa seja útil para que se descubram pessoas que não se vêem há anos porque, de alguma forma, acabaram por perder o contacto, ainda compreendo. A televisão tem outros meios que o cidadão comum não tem, e consegue fazer verdadeiros milagres, em nome das audiências.


 


Mas no caso de pessoas que estejam chateadas uma com a outra, em que tenha havido zangas, problemas, afastamento intencional, alguém acredita que basta irem a um programa de televisão para tudo ficar resolvido?


Eu não!


Das duas uma: ou aceitam participar, e percebe-se que é só pelos 5 minutos de fama ou, se realmente se quiserem entender, fazem-no fora das câmaras, sem se expôr.


 


Partindo do princípio que não existe um guião pré definido, e que as coisas aconteceram naturalmente, mostraram primeiro um pai a querer voltar a ter contacto com o seu filho, sendo que este não se mostrou receptivo em dar essa oportunidade. Não sei qual foi o motivo que o levou a rejeitar a participação mas, se fosse comigo, eu não aceitaria.


Soa a falso, a hipócrita. Se há situações para resolver, resolvem-se entre as partes envolvidas, sem necessidade de ir para a televisão.


 


Depois, a própria dinâmica da experiência, não abona muito a favor do programa.


Percebo a ideia do olhar, mas o tempo que ali ficamos a ver a olharem um para o outro, é excessivo. Dá vontade de mudar de canal, ou fazer uma pausa até estarem autorizados a falar um com o outro.


E, mais uma vez, a etapa seguinte não faz sentido. Se as pessoas aceitaram participar, e chegaram até à fase do olhar, parece-me lógico que, independentemente do que possa resultar desse encontro, irão querer falar um com o outro, logo, aquela retirada para pensar se querem voltar para a mesma sala, ou ficar por ali, é estúpida.


 


Apesar de já há muito utrapassado, gostava muito mais de ver o velhinho "Ponto de Encontro"!


 


Respondendo à pergunta da SIC:


“Pode um olhar entre duas pessoas que se afastaram, voltar a uni-las? 


O que une não é o olhar, é o que as pessoas realmente sentem. O olhar, quanto muito, deixa esses sentimentos transparecerem. Ou não...


Mas já que querem dar tanto ênfase ao olhar, que tal mudar o nome para "Olha Para Mim"?


Porque, basicamente, é isso que os participantes vão lá fazer - olhar um para o outro, e não um pelo outro. 

Pensamentos...

6 passos para ser menos Ansioso e parar de pensar demais sobre tudo


 


A inspiração chega- nos de onde menos esperamos e, com ela, os pensamentos.


Pensamentos que surgem de repente e, mal damos por eles, já nos fugiram…


Pensamentos que se atropelam, que tentam levar a melhor, uns sobre os outros…


Pensamentos que chegam em catadupa, e não sabemos a qual deles agarrar primeiro…


 


Há dias em que só queríamos um, e não aparece nenhum. E outros, em que são tantos e ao mesmo tempo, que ficamos com medo de perdê-los pelo caminho.


 


Nesses momentos, em que os pensamentos surgem tão de repente, e vão embora com igual rapidez, daria jeito uma máquina que os registasse e, já agora, os organizasse!

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Do positivismo, e da forma como nos deixamos, ou não, influenciar pelo seu oposto

ВРЕМЯ ЛЕЧИТ. ГЛАВНОЕ НЕ УМЕРЕТЬ ВО ВРЕМЯ ТАКОГО ЛЕЧЕНИЯ.: psylosk ...


 


Nem todos os dias são iguais.


Nem todos os dias estamos com o mesmo estado de espírito.


Com a mesma força.


Com a mesma energia.


Com o mesmo humor e disposição.


Com o mesmo positivismo. 


 


Quando saímos à rua, temos que ter em conta que, tal como nós, também quem nos rodeia está a encarar esse dia de acordo com o estado de espírito com que saiu de casa. Ou foi adquirindo, ao longo do dia.


Sim, porque até podemos sair de uma forma, mas tudo se transformar, por influência do meio que frequentámos, e das pessoas com quem nos cruzámos.


Dizem que os opostos se atraem mas, no que ao positivismo diz respeito, nem sempre funciona assim.


É verdade que, ao lidarmos com uma pessoa negativa, podemos tentar contrariar essa tendência. Por outro lado, perante uma pessoa super positiva, podemo-nos sentir no direito de quebrar essa sensação, com pensamentos negativos. 


Mas, por norma, positivismo atrai positivismo, e negativismo atrai negativismo.


Daí ser muito importante seleccionar as pessoas com quem queremos conviver, ter ao nosso lado, ainda que nem sempre seja possível escolher aquelas que, por qualquer motivo, teremos que lidar em diversas situações da nossa vida.


 


Mas o positivismo não depende só dos outros.


Tem que começar em nós.


Há dias em que já saímos de casa completamente equipados e protegidos, e munidos de guarda-chuva, impedindo que esta nos afecte. Podemos até ser atingidos por uns salpicos, mas depressa os sacudimos.


Estamos com imunidade total, e nada nos poderá contagiar.


Outros dias, a determinado momento, acabamos por nos esquecer dessa protecção, ou de achar que não vamos precisar dela porque, afinal, o sol está a brilhar no céu, e ninguém supõe que ao longo do dia o mesmo dê lugar à chuva.


Há também os dias em que a nossa protecção não é suficiente. Um guarda-chuva que quebra com o vento, um casaco que fica ensopado.


E aqueles em que, mesmo saindo de casa com chuva, não queremos saber, e atiramo-nos para ela, como se pensássemos "de molhados, não passamos". É quando a nossa imunidade está em baixo, e podemos ser facilmente contagiados.


 


O positivismo, depende muito, igualmente, da nossa força. Daquela que poderá ser necessária para afastar cada nuvem negra que se tente aproximar, e deixar o sol continuar a brilhar. Se ela não existir, ou não for em quantidade suficiente, as nuvens levam a melhor, e o sol desaparece.


Mas nem sempre isso tem que ser negativo. 


A vida não é feita só de sol, ou de chuva, de bom tempo, ou de tempestades. A natureza encarrega-se de ir alternando, tal como acontece connosco.


Faz parte.


Porque só assim conseguimos, de certa forma, perceber o quanto o positivismo nos faz falta, e o quanto o negativismo provoca estragos, realçando ainda mais a importância de, pelo menos, se tentar ser mais positivo em cada fase da nossa vida.


 


 

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Valéria, na Netflix

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Dizem que “Valéria” é uma espécie de “O Sexo e a Cidade”, mas em espanhol.


Nunca vi “O Sexo e a Cidade”.


Por isso, não consigo comparar ou identificar semelhanças, para além das óbvias – quatro amigas, cada uma com os seus próprios problemas e dilemas mas que, ainda assim, tentam apoiar-se umas às outras, nem sempre com sucesso.


 


Valéria


Confesso que me identifiquei bastante com a Valéria.


Em primeiro lugar, pelo gosto comum pela escrita, embora ela queira fazê-lo a nível profissional, e eu apenas por lazer.


E em segundo lugar, pela crise no relacionamento que Valéria e Adrián enfrentam, ao fim de 6 anos de casamento.


Neste momento da sua vida, com ele a perder o trabalho como fotógrafo, e ela a resistir, o quanto pode, aceitar um emprego que lhe dê o dinheiro que lhes faz falta, para ter tempo de escrever o seu romance, cada um está mais focado nos seus próprios projectos e objectivos, sem mostrar grande interesse pelo outro.


Desentendem-se por pequenas coisas, pensam de formas cada vez mais diferentes, e situações ou gestos que antes gostavam, ou não ligavam, agora incomodam. Parecem já nada ter em comum.


Está instalada a rotina, e foi-se embora a surpresa, a partilha, a cumplicidade, a sintonia.


É no meio desta crise que surge Víctor, um homem que vai provocar ainda uma maior instabilidade vida da protagonista. 


Víctor é homem de várias conquistas, e nenhuma delas duradoura. Traz aquilo que falta ao casamento de Valéria mas, passada a fase da novidade e do deslumbramento, acredito que Valéria sinta falta do outro lado, que o casamento proporcionava, e que uma aventura nunca trará. Ou talvez não...


Afinal, ela é considerada pela família como "a falhada", aquela que tem muitas ideias mas não leva nenhuma avante, que é diferente do resto da família, que não sabe o que quer, nem sabe tomar boas decisões.


E no final, terá duas decisões pela frente que ninguém gostaria de estar no lugar dela, para tomar!


 


Lola


É uma mulher desinibida, descomplicada, que gosta de aproveitar os pequenos prazeres que a vida lhe dá. Afirma-se satisfeita com o seu caso, com um homem casado, baseado exclusivamente, em sexo, mas iremos facilmente perceber que até Lola precisa de mais do que isso numa relação.


É a mais extrovertida, e doida das amigas. Por vezes, quer tanto ajudar a “desencalhar” estas, que acaba por ser inconveniente.


Adora o irmão, que tenta ajudar sempre que pode, mas não quer saber da mãe, que os abandonou quando eram pequenos.


O ressentimento que sente pela mãe é tanto, a par com o orgulho, que recusa qualquer tentativa de aproximação.


Não condeno que ela não consiga aceitar o que a mãe fez, que não consiga ter vontade de dar uma nova oportunidade.


Mas parece-me que deveria libertar-se desse ressentimento e mágoa que sente, até mesmo para ser mais feliz.


 


Carmen


Carmen é uma excelente profissional, com uma mente extremamente criativa, mas que não tem tido sorte ao amor.


Quando ele finalmente lhe bate à porta, e acontece no meio laboral, torna-se difícil separar as águas, sobretudo quando um tem mais sucesso que o outro.


Carmen é aquela personagem que vem mostrar que, por vezes, a “traição” vem de onde menos se espera e que, muitas vezes, os conselhos e opiniões que mostramos em relação a um determinado assunto, quando se aplica a outra pessoa, nem sempre são aqueles que seguimos, quando nos diz respeito a nós.


 


Nerea


É uma lésbica com muitas dificuldades em "sair do armário", pelo menos no que respeita aos pais, com quem vive e trabalha.


A determinado momento, Nerea vai sentir-se excluída e ignorada pelas amigas, que parecem só querer falar de si próprias, sem se importar com o que ela tem a dizer sobre si mesma e, por isso, vai afastar-se e cultivar outras amizades e projectos.


 


O final pode muito bem ser retomado no ponto em que ficou, e dar origem a mais temporadas, até porque ficou muito por explorar no que respeita a cada uma das personagens.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Dos tombos que vamos dando na vida

Quedas: por que elas são um dos maiores terrores para os idosos ...


 


Quando somos novos, parece que nada nos afecta, nem deixa marca.


Caímos, e logo levantamos.


Partimos a cabeça, mas dali a pouco está pronta para outra.


Esfolamos um joelho, mas voltamos à brincadeira.


Damos um tombo, fracturamos algum osso, mas logo recupera.


Torcemos um pé, mas depressa esquecemos isso.


Nódoas negras? Faz parte!


Cicatrizes? São “marcas de guerra”!


Água gelada no mar? Para quem?!


Queremos é estar lá dentro!


Noitadas, e poucas horas de sono? Que se lixe!


Queremos é aproveitar.


O nosso corpo regenera rapidamente, e é como se nunca tivesse acontecido nada.


 


Mas, no fundo, o nosso corpo não esquece.


E, à medida que vamos envelhecendo, ele vai dando sinais disso mesmo.


Começamos a sentir um incómodo que desconhecíamos existir.


Começamos a querer fazer as coisas de outra forma.


Começamos a sentir as dores de tudo o que o corpo foi acumulando, e a ficar mais prudentes.


Começamos a não querer cometer os mesmos erros ou disparates de outrora.


Começamos a sentir o nosso corpo dizer "Basta. Já está na hora de te deixares disso.".


Vamos tendo cada vez menos vontade de fazer algo que nos possa lesionar, porque cada vez as marcas serão mais acentuadas, e a recuperação mais lenta e dolorosa.


E não há necessidade disso, se podemos viver de outra forma, mais tranquila, e saudável.


Chega o momento em que temos que pensar no que é, realmente, melhor para nós, antes que os estragos se tornem difíceis, ou mesmo impossíveis, de superar.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Quando começamos a desistir de procurar algo que não fazemos ideia onde possa estar

Procurar uma agulha no palheiro | Portugueasy


 


Num dia, temos tudo arrumadinho, organizado, cada coisa no seu respectivo lugar.


Depois, à medida que o tempo vai passando, vamos usando, tirando do sítio, e colocando depois, por falta de tempo, ou preguiça, para qualquer lado que seja prático, no momento.


E assim, ao longo de meses, e anos, lá se vai a organização. 


Porque nunca há tempo para arrumar quando ainda são poucas coisas, e acabamos por acumular tudo, dificultando a missão de procurar aquilo que há muito perdemos, não sabemos onde paira, nem onde possa estar.


 


Procuramos num lado, mas não está.


Procuramos noutro, mas só encontramos mais confusão.


E, às tantas, perguntamo-nos se, o que procuramos, ainda existirá. E se ainda existe, se algum dia o iremos encontrar. Ou encontrar a tempo.


Por vezes, quando não fazemos ideia de onde procurar, começamos a perder a esperança, e a achar que o melhor é dar por perdido definitivamente.


Se é certo que não devemos desistir, também é verdade que essa busca indefinida nos leva a perder muito tempo, sem saber se trará o resultado esperado.


E se até encontrarmos? Em que condições estará? Poderá voltar a ser usado? Servirá ainda o mesmo propósito? Ou foi tempo perdido para encontrar algo que, de qualquer forma, já não serve?


Quem sabe só assim, aceitando que não vale a pena procurar o que podemos nunca encontrar, ou que pode não estar no mesmo estado que um dia conhecemos, possamos dar oportunidade a algo novo.


 


Mas fica sempre a dúvida se, tendo a sorte de encontrar, não estaria tal e qual como tínhamos deixado, apenas abafado com tudo o que tínhamos, entretanto, atirado para cima...


 

"18 Dádivas", na Netflix

18 Dádivas estreia hoje na Netflix


 


Uma mulher grávida descobre que tem cancro e que, provavelmente, dada a gravidade da situação, ou aborta e inicia de imediato os tratamentos que poderão apenas adiar o inevitável, ou leva a gravidez adiante, e arrisca-se a nem sequer conhecer a filha.


Com a decisão tomada, Elisa quer aproveitar ao máximo o tempo que lhe resta e deixar presentes à sua filha, por cada aniversário desta, até aos 18 anos, sendo essa missão o que a mantém firme e lhe dá um propósito ao longo daqueles meses.


Já Alessio, tem alguma dificuldade em aceitar o diagnóstico, a sentença de morte dada à mulher que ama, e em imaginar o futuro como pai a cuidar da filha sozinho.


 


O filme começa com Alessio a conhecer a filha, ainda na maternidade, e ao longo dos 17 anos de Anna que, como podemos perceber, a partir de determinado momento, se complicam, com ela a recusar os presentes deixados pela mãe, a questionar a verdade, e a não querer mais celebrar os seus aniversários.


No dia do seu 18.º aniversário, Anna foge da família, depois de um incidente durante os treinos de natação, e acaba por ser atropelada.


E, de repente, quando acorda, é a sua mãe, grávida, que a auxilia.


 


Ao longo dos meses, Anna irá conviver com os próprios pais, como se fosse uma estranha que nenhum deles reconhece, recuando ao tempo em que ainda estava na barriga da mãe, tendo agora a oportunidade de a conhecer, e de perceber que está mais do que na hora de se libertar da mágoa e da raiva que carrega dentro de si.


 


Porque será que precisamos de ver, para crer? De viver, para perceber? De passar pelas situações, para mudar o pensamento?


Porque são precisos estes “abrir de olhos”, para compreender o quão errados estávamos, e o quão magoávamos que só nos queria ajudar, quando também eles precisavam de ajuda e apoio?


Um bom filme para mães, pais e filhos verem, e darem mais valor ao que têm, em vez de passar o tempo a lamentar aquilo que não têm.


 


 



 

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Paranoia, na Netflix

Paranoid | Netflix Official Site


 


Uma mulher está, como tantas outras, num parque infantil, a empurrar o baloiço ao filho.


Uma outra mulher, sentada no banco do parque, aparentemente, a ler mas, ao mesmo tempo, muito atenta a tudo à sua volta, observa esta mãe e o menino.


Um homem surge, encapuzado, com um ar suspeito, e vai direito à mãe que empurra o baloiço, matando-a à facada, à frente de todos.


Um habitante dali, com um quadr de esquizofrenia é, em pouco tempo, considerado o autor do crime. Mais tarde, sem nunca o terem apanhado, também ele acaba por aparecer morto. Suicídio, talvez? Ou nem por isso?


 


Há alguém que anda a vigiar os passos da polícia.


Há alguém que anda a enviar postais misteriosos aos agentes, que apontam para um mistério maior do que aquele que parece ser.


E há alguém a fazer-se passar por detective, a falar com todas as testemunhas, e muito interessado numas folhas que a primeira vítima escreveu.


 


Paranoia começa, assim, da melhor forma para prender os espectadores.


 


Nina, uma das agentes, é uma profissional competente, prática, mas com uma vida pessoal completamente oposta. Com 38 anos, o namorado deixa-a e ela entra em crise, porque quer muito ser mãe e o prazo está a acabar. Ao mesmo tempo que corre atrás do namorado, para o convencer a dar mais uma oportunidade, convencida que o ama, atira-se ao colega, 10 anos mais novo que, por acaso, está apaixonado por ela. É uma mulher algo imatura a nível sentimental, e tudo aquilo que pensa sai-lhe pela boca sem ela querer.


 


Bobby é um agente muito marcado psicologicamente pela sua profissão, em permanente stress, frustração, raiva, como se tivesse um vulcão em permanente ebulição dentro de si. Ele quer descobrir a verdade e, para isso, está disposto a ir até ao fim, ainda que para tal, esteja constantemente a prejudicar-se e à sua saúde.


Vai caber a Bobby mostrar como uma pessoa pode, facilmente, ficar dependente de comprimidos e à forma descontraída como alguns médicos prescrevem medicação que, muitas vezes, não só não ajuda, como agrava o estado da pessoa que os ingere.


 


Alec é o mais novo dos detectives, e acaba por ver a sua vida pessoal misturada com a profissional, em diversos aspectos, não só por se envolver com uma colega, com quem trabalha diariamente, como por ter que interrogar o psiquiatra que tratava o suposto assassino, e que também foi e é amante da sua mãe.


 


Enquanto o chefe deles tenta encerrar o caso atribuíndo as culpas a Jacob, pela morte de Angela, os três percebem que há muito mais por detrás deste homicídio, e que o verdadeiro culpado anda à solta, à procura de algo, e pode fazer mais vítimas.


 


Lucy estava no local do crime.


Foi ela que pegou no filho de Angela quando o crime aconteceu.


Lucy tenta, desde o início, parecer uma mulher prestativa, solidária, simpática, que quer colaborar no que puder e ajudar Bobby com o seu problema de ataques de pânico.


Confesso que desde o início me pareceu suspeita.


 


Lançados os dados, Paranoia é uma série fácil de ver, pelo mistério, pela intriga, pelo romance.


Mas tem um final que deixa muito a desejar, com uma resposta ao enigma já várias vezes usado e, aqui, não da melhor forma, com personagens e problemáticas que poderiam ser muito mais aprofundadas e exploradas. 


 


 

Nenhuma dependência é benéfica, seja ela qual for

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Criar uma dependência é fácil. Difícil, é livrar dela!


Normalmente, as dependências começam para colmatar a falta de algo, para responder a uma necessidade imediata, para tentar solucionar, provisoriamente, uma situação mais difícil pela qual a pessoa esteja a passar.


E, naquele momento, funciona.


Mas, com o tempo, deixa de ter o efeito inicial e desejado, e então é preciso mais, e mais. E quanto mais dependentes nos tornamos, piores ficamos, e mais queremos, num círculo vicioso que não augura bom futuro para ninguém.


É como andar constantemente a tapar um "buraco" com remendos, sendo que, apesar disso, vai ficando cada vez maior e mais difícil de cobrir por inteiro.


Sejam drogas, álcool, medicamentos, alimentos, jogo, ou até mesmo dependência de outras pessoas, a partir do momento em que a pessoa se torna dependente, nunca mais poderá dizer que está tudo controlado, porque esse aparente controlo é falso, e depressa se transforma em descontrolo que pode pôr em causa o trabalho, as relações com os outros, e até a própria vida.


Aqueles que ainda não entraram na teia da dependência, têm que ter um cuidado extra para lhe escapar.


Já os que já foram apanhados por ela, precisarão de muita ajuda para se conseguirem desemaranhar, sem sequelas, e voltar a ter uma vida normal.


 


 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Quando as aparências contam mais que tudo o resto

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Estava a ter início o estado de emergência, quando começaram a fazer alguma coisa neste edifício.


Pelo que soube, havia um comodato à Santa Casa da Misericórdia mas, como nunca chegaram a fazer nada, o edifício voltou para as mãos da Câmara Municipal, que entendeu que era urgente a intervenção, uma vez que estamos numa zona que até tem ao lado uma igreja e um palácio históricos, e não era estético.


Além disso, era usado para fins menos próprios, pelo que era preciso cortar o mal pela raiz.


E eu pensei "Mais vale tarde, que nunca. Ao menos, que dêem um uso ao edifício". 


Assim, como podem ver, toda a frente foi pintada, as ervas do quintal arrancadas, todo o lixo retirado e, apesar de não se conseguir ver, levaram o mobiliário velho que lá havia dentro.


Para evitar intrusos, entaiparam portas e janelas, à excepção de uma lá no alto.


Só que, para já, foi mesmo só isso que fizeram.


 


 


Edifício da Misericórdia de Mafra palco de actividades marginais ...


 


Durante anos, este edifício esteve assim: degradado, abandonado, esquecido. Servia para actos de vandalismo, para morada de drogados e sem abrigo, para colónia de gatos, para depósito de lixo.


Agora, é verdade, tem outro aspecto. Está mais bonito. De cara lavada. 


Mas falta tudo o resto.


De que adianta esta bonita aparência (que mais dia menos dia tende a desaparecer), se o edifício ficar, de novo, mais uns quantos anos sem qualquer uso ou utilidade?


Só para ficar bem na fotografia? 


 


 


Imagens: Marta e jornaldemafra

Tyler Rake: Operação de Resgate

Tyler Rake: Operação de Resgate | Site Oficial da Netflix


 


Mais um filme visto no fim de semana.


Já tinha passado os olhos por ele, mas não tinha chamado muito a atenção. Entretanto, o meu marido escolheu-o para vermos.


É um filme com muita acção, onde tiros, violência e sangue não faltam, bem como muita irrealidade, a meu ver.


 


Tyler Rake é um veterano de guerra, que perdeu aquilo que mais amava na vida e, desde então, não tendo mais nada a perder, embarca com frequência em missões, muitas vezes, suicidas, à espera que uma delas lhe tire a vida, e possa ir ao encontro dos que deixou partir antes.


Enquanto isso, e entre missões, vai bebendo, praticando actividades radicais e criando galinhas!


Aliás, segundo ele, o dinheiro ganho por cada missão concluída é para as galinhas que, segundo ele, saem caras.


 


Agora, Tyler tem como missão resgatar o filho de um barão da droga, que foi raptado pelo barão inimigo. 


Só que, ao mesmo tempo que Tyler tenta levar a sua missão a bom porto, há outra pessoa interessada em recuperar o jovem e levá-lo são e salvo, sob pena de perder o seu próprio filho, caso falhe.


Quando se fala de salvar um filho, é-se capaz de tudo e, apesar de um objectivo comum, tanto Saju como Tyler vão perder tempo a boicotar-se um ao outro, acrescentando um inimigo extra a travar, como se um não fosse suficiente.


 


O filme não traz nada de novo. 


Tyler poderia ser o atípico herói de um qualquer romance da Sandra Brown. Um homem solitário, meio rufia mas que, no fundo, está do lado do bem, tem os seus princípios e valores e que, apesar de antissocial, até consegue criar ligações de afecto. E nunca desiste, até conseguir aquilo a que se propôs, por mais louco que possa parecer.


Torci um pouco o nariz à forma como um homem só, por mais treinado e em boa forma que esteja, consegue eliminar tantos inimigos ao mesmo tempo, como se tivesse meia dúzia de braços.


Ainda que, cada vez mais, vá ficando com mazelas que lhe podem dificultar a missão.


 


Por outro lado, não percebi o objectivo do filme, e da própria missão. 


Se o dito rapaz foi levado uma vez, com tanta facilidade, quem garante que, uma vez resgatado, não possa haver outra tentativa?


 


Mas será que ele chega mesmo a ser resgatado?


Terá Tyler que assumir que não consegue fazer tudo sozinho, e pedir ajuda?


Aceitará ele a proposta de sair ileso dali, e deixar Ovi entregue ao inimigo?


Ou seguirá ele o conselho de matar o miúdo por misericórdia, para que não seja torturado, já que nunca conseguirão sair dali?


 


A resposta, para quem está habituado a este tipo de filmes, é óbvia!


 

terça-feira, 5 de maio de 2020

Mentiras Perigosas, na Netflix

Mentiras Perigosas | Final Explicado do filme da Netflix (Quem ...


 


Vimo-lo na quinta-feira, data de estreia do filme na Netflix.


 


Um casal, em início de vida conjunta e a enfrentar algumas dificuldades financeiras, acaba por ir trabalhar para a mesma pessoa, um senhor idoso e solitário, sem qualquer família. 


Katie é a primeira a ir cuidar de Leonard, um emprego conseguido através de uma agência, e tudo corre bem, tendo ambos construído, em pouco tempo, uma relação de amizade.


É Katie quem sugere a Leonard contratar o seu marido, Adam, como jardineiro. E é a partir desse momento que começa a boa sorte para o casal. E os problemas, também.


 


Leonard morre de forma inesperada, e é Katie quem herda a casa deste, assim como tudo o que se encontra lá dentro.


É a segunda vez que uma pessoa morre, envolvida, de alguma forma, com Katie e Adam. E muitas mais vão ter o mesmo destino, com o casal como único presente no local.


 


Ainda assim, pelo trailer, e pela forma como o filme se vai desenrolando, tudo é feito para nos levar a crer que Katie é uma mulher branca, trabalhadora, lutadora e honesta (q.b.), enquanto o marido é um homem negro, ambicioso, deslumbrado, que pode não olhar a meios para atingir os fins, se isso significar não voltar a ser pobre.


E é por isso que, à medida que a trama avança, desconfiamos cada vez mais dele.


Terão sido aquelas mortes, acidentais, ou planeadas? Quem é, afinal, Adam?


Terá ele intenção de fugir, e deixar a mulher arcar com as culpas de tudo?


 


Mas, depois, aparecem outras personagens suspeitas, como o agente imobiliário, que desde o início mostra demasiado interesse na casa. Ou a advogada que apresenta um testamento que ninguém conhecia, e se mostra muito prestativa a ajudar o casal e, mais tarde, a colocar Katie contra o marido.


 


Quem desconfia de tanta coincidência, e sorte que calhou a Katie e Adam é a investigadora do caso, que acha que está tudo muito mal explicado, e está disposta a descobrir a verdade.


Verdade que vai ser revelada no final do filme.


 


Tanto eu como a minha filha tínhamos demasiadas expectativas para este filme, mas chegámos ao fim e ficou muito aquém do que esperávamos.


Tudo muito forçado, muitas coisas sem sentido, e um desenvolvimento que desiludiu.


 


 

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Da emergência à calamidade, e a semelhança com um banho de mar

A água do mar faz mesmo bem à saúde: 5 razões


 


No outro dia, dizia a minha filha que achava mal começaram já a levantar algumas das medidas de contenção, existentes no âmbito do estado de emergência, porque poderíamos ter que voltar a retroceder.


E eu lembrei-me (ou não fosse eu uma grande fã de praia), que isto é um pouco como ir ao banho, no mar.


Há os que se atiram de cabeça para a água, sem querer saber se o mar está bravo, ou se a temperatura está mais para arca congeladora do que para sauna. E os que sempre foram mais cautelosos, e sempre optaram por entrar gradualmente, se o mar assim o permitir.


 


Até ontem, a bandeira estava vermelha, e ninguém podia ir a banhos.


A partir de hoje, temos uma bandeira amarela, que nos diz que podemos tomar banho, mas sem nadar.


E nós, ainda assim, lá vamos, com receio.


Porque está mesmo muito calor, e não podemos ficar eternamente a apanhar banhos de sol sem desidratar ou apanhar uma insolação.


 


Por isso, iniciado o desconfinamento, e o alívio gradual das medidas, vamo-nos aproximando do mar, com uma imensa vontade de nos refrescarmos mas, ainda assim, com cautela.


E lá pomos um dos pés na água, a medo, para ver como ela está. Se ainda estiver muito fria e nos arrepiar, é certo que não voltamos a pô-lo lá dentro, esperando um pouco mais, até nos habituarmos à temperatura.


Da mesma forma, se estamos a entrar mas vemos, de repente, uma onda que nos parece perigosa, voltamos imediatamente para trás.


 


Mas não desistimos.


Vamos ficando por ali, molhando primeiro um pé, depois o outro, entrando devagarinho até chegar aos joelhos, depois à cintura, ao peito, até que por fim já o nosso corpo está habituado, e podemo-nos molhar por completo. Ou, então, à espera de um momento de calmaria das ondas, para finalmente poder mergulhar.


É assim que vai ser a nossa vida, daqui em diante.

A Primavera em todo o seu esplendor

Durante a caminhada de sábado à tarde, foram estas as imagens captadas:


 


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sexta-feira, 1 de maio de 2020

Quando tudo assenta no mesmo pilar

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Qualquer estrutura, para se manter firme e intacta, precisa de assentar sobre pilares, que vão suportando e distribuindo, entre si, o esforço, de forma a manter o equilíbrio.


Dessa forma, não há nenhum que fique sobrecarregado. Todos se apoiam. Todos se entreajudam.


E, ainda que, em determinados momentos, um deles tenha que fazer um esforço extra, para compensar outro, que esteja em dificuldades, logo tudo se recompõe. E, ao longo do tempo, vão-se revezando nessa missão.


 


As construções mais antigas, talvez assentes sobre pilares mais firmes, tendem a aguentar-se e manter-se de pé por muito tempo. Já as mais modernas, nem tanto. Estas últimas são mais vulneráveis às intempéries. Por vezes, basta um abanão mais forte, e são derrubadas.


 


Ainda assim, seja qual for o tipo de construção, quando o peso tende a recair sempre para o mesmo lado, sobre o mesmo pilar, o que acontece é que, enquanto os outros estão intactos e como novos, aquele sobre o qual tudo recai, começa a acusar cansaço, a evidenciar pequenas mazelas que vão aumentando com o tempo, a torna-se mais susceptível a quebrar.


A sua capacidade para aguentar todo o peso vai diminuindo. A força de outrora vai falhando.


E chega o momento em que já não suporta mais, e deixa tudo cair sobre si.


Esse pilar levará tempo a recuperar, a ser restaurado. Muitas vezes, fica inutilizado para sempre.


Mas convém não esquecer que, apesar de todos os restantes pilares estarem na sua melhor forma, podem sofrer o impacto dessa queda, e ficar danificados também. Talvez não com tanta gravidade. Mas, ainda assim, danificados.


E escusado será dizer que toda a estrutura que desabou, dificilmente voltará a ser reconstruída nos mesmos moldes.


 


Se é daquelas construções que pouca diferença faz, se ficam de pé, ou se se deitam abaixo para fazer outras, mais modernas e vantajosas, pouco importará.


Mas se são construções que até poderiam ser duradouras, é de lamentar que se deixe chegar a esse ponto, muitas vezes sem retorno.


 


Já alguma vez se sentiram esse pilar que carrega todo o peso em cima?

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!