quinta-feira, 30 de setembro de 2021

"À Procura do Amor", de Jodi Picoult

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Este foi dos livros que menos gostei da autora.


Nem parecia uma obra dela.


A forma como a história é contada, ora por uma personagem, ora por outra, e com recuos e avanços à toa, torna-se confusa, e pouco apetecível de ler. É que nem do presente para o passado, ou do passado para o presente. É conforme calha.


Então, temos alguém no destino que, no capítulo seguinte, ainda está a meio caminho para, logo em seguida, ainda nem ter partido mas, afinal, já estar de volta enquanto, adiante, ainda permanece no mesmo sítio.


 


Depois, penso que ficou muito por abordar, em temas que já foram falados, noutras obras, de forma muito mais aprofundada.


Temos, como a autora já nos habituou, a parte animal, que aqui se centra nas baleias, mas não cativa.


Depois, a ligação entre dois irmãos, que acaba por ser o que mais se destaca. 


Jane vê, em Joley, o seu "porto seguro", o seu conselheiro, a pessoa a quem recorre quando não sabe o que fazer. Apesar de ser mais velha. E de, noutros tempos, ter sido ela a protegê-lo.


 


Tudo o resto, não se compreende,


Uma mulher, Jane, que, no passado, foi vítima de agressões por parte do pai e, agora, adulta, vê-se, ela própria, agressora, quando bate no marido. Mas há tudo o que a levou a isso. Será que ela se pode tornar em alguém como o pai? A mim parece-me que não tem muito a ver.


Uma mulher que, segundo ela, foi molestada sexualmente pelo pai, sendo que isso em nada afectou o seu relacionamento com o actual marido mas, de repente, anos mais tarde, a faz chorar quando está prestes a ter relações sexuais com alguém por quem se apaixonou.


Uma mulher, que começou a namorar aos 15 anos, e que agora, adulta, considera que pode ter uma paixão por um homem 10 anos mais novo, mas que não compreende, nem aceit,a que a sua filha, de 15 anos, se possa apaixonar  por um homem com a mesma diferença de idades, mas no sentido oposto.


Uma mulher que percorreu quase um país inteiro para fugir do marido (ou dela própria), com a filha de ambos, algo que já tinha feito uma vez, quando o marido a agrediu, e depois volta para ele, e para a casa, como se nada fosse, para um novo recomeço. Como uma espécie de castigo, ou punição, por todo o sofrimento que causou. Uma espécie de solidariedade: já que a filha não pode ser feliz com quem ama, ela também não.


E se tivesse pensado nisso antes, não teria evitado tudo o que aconteceu? 


Não poderiam, agora, estar as duas felizes?


O egoísmo é tramado.


 


Um homem e amigo, Sam que, por conta dessa mulher, Jane, põe em causa a amizade, o comportamento e as intenções do seu amigo Hadley, como se não o conhecesse.


Um homem que prefere afastar quem sempre esteve ao lado dele, só porque a mulher por quem está apaixonado lhe pede isso como condição para a ter, ainda que temporariamente.


 


Uma filha, que não tem grande ligação com o pai, e cuja mãe, ainda que indirectamente, contribui para o fim abrupto do seu relacionamento, volta com eles para casa para formarem a família feliz, como se nada tivesse acontecido.


 


Um irmão, Joley, que sente uma ligação e um amor estranho pela irmã.


Um amor que quer exclusividade, que é possessivo mas, ao mesmo tempo, vivido à distância, dando-lhe liberdade, porque sabe que ela o procura sempre. 


Um amor que abdica. Que não prende. Mas que está sempre lá.


 


Um homem, Oliver, que põe a sua investigação e trabalho sobre as baleias à frente da família. À frente da mulher, e da própria filha.


E, ainda assim, se elas saem da sua vida, corre mundo para as levar de volta para casa, porque as ama, e não pode viver sem elas. Mas não é isso que ele tem, de certa forma, feito?


Ou o facto de elas estarem lá, é suficiente para achar que são uma família?


 


No fundo, aquilo que Jane fez, e para o qual arrastou Rebecca, foi entrar na vida de outras pessoas, virá-las do avesso, deixar um rasto de dor, sofrimento e morte, e todos infelizes, para logo em seguida partir, de volta à sua vida habitual. Até que algo a faça fugir de novo...


E Oliver encarregou-se de levá-las de volta, onde pertencem, de onde nunca deveriam ter saído, deitando por terra o "grito" que foi dado por ambas, com a sua fuga.


O que se retira desta história é que de nada serve ter vontade própria, querer mudar de vida, arriscar, querer ser feliz, porque outros valores se sobrepõem.


Realidade? Ou desculpa para a falta de coragem?


 


Não gostei da forma como a história se desenrolou, e muito menos do seu final.


Soa a retrocesso. Ao regresso a um passado não muito distante, que se queria já enterrado, e ultrapassado.


Ninguém fica junto por causa dos filhos. Ou não deveria ficar.


Ninguém fica junto sem se amar realmente. Ou não deveria ficar.


Não em pleno século XXI.


E no meio deste casamento entre Jane e Oliver que, bem vistas as coisas, se calhar até se merecem um ao outro, quem pagou foram todos os outros, que serviram de meros figurantes.


 


Este é daqueles livros que, se quiserem ler, devem fazê-lo antes dos restantes da autora, para que a recordação seja das excelentes obras que escreveu, e não desta, que deixa muito a desejar.


 


 


 

Ainda fazem sentido as reuniões presenciais de pais?

Primeira Reunião de Mães e Pais do Colégio Ideia - Colégio Ideia


 


Antes da pandemia, as reuniões de pais eram algo habitual, fosse no início do ano lectivo, fosse no início de cada período seguinte e, em alguns casos, a reunião final de ano.


O objectivo era transmitir informações importantes, entregar as fichas de avaliação dos alunos, e outros assuntos que poderiam ser do interesse de pais e alunos.


E, claro, como não poderia deixar de ser, a eleição dos representantes dos encarregados de educação.


 


Depois, veio a pandemia, e as reuniões foram suspensas.


Houve directores de turma que realizaram as ditas reuniões através de plataformas online.


No meu caso, elas deixaram de existir.


Foi um alívio. 


Não precisei de perder tempo, e os anos correram normalmente, pelo que ficou óbvio que as mesmas não são essenciais.


Os directores de turma podem sempre enviar os recados ou informações, por outros meios.


Os pais podem sempre marcar atendimento com os directores de turma, se quiserem saber ou tratar de alguma coisa.


As pautas com as notas dos alunos já saem no INOVAR, pelo que nem é necessário irmos lá só por isso.


 


Andava eu feliz da vida, quando a minha filha me mostra a convocatória para uma reunião na escola.


Já deveria ter calculado. 


Em ano lectivo que se pretender normal, o regresso das reuniões presenciais de pais não poderia faltar.


E lá fui eu, preparada para o filme do costume.


Só que o filme foi outro. Bem mais surpreendente! 


 


Chegada à escola, a funcionária da portaria não tinha qualquer indicação de reunião naquela sala, mas lá me mandou seguir viagem.


Ao entrar no bloco, outra funcionária avisou-me que a reunião tinha passado para outra sala e encaminhou-me para lá.


Fui a primeira a chegar. Ups...


Não conhecia a professora mas, devo confessar, estou fã!


A minha filha teve sorte com a professora de Português e directora de turma.


Enquanto estávamos sozinhas, fomos falando de livros. Dos que iriam dar em aula, e daqueles sobre os quais fariam trabalhos.


 


À hora marcada, ainda só eu tinha chegado. Esperámos uns minutos. Apareceu uma mãe. 


Entregou-nos a folha de presenças para assinar, e uns folhetos informativos sobre a Associação de Pais da escola.


Chegou uma outra mãe, com o marido.


Passavam cerca de 15 minutos da hora marcada.


A DT deu início à reunião, na esperança que, entretanto, mais alguém aparecesse.


Mas não. 


Apareceram apenas 3!


3 encarregados de educação, numa turma de 26 alunos!


 


Estamos a falar de uma turma de 12º ano. Em que alguns dos alunos já são maiores de idade.


E os que não são, já são crescidinhos.


Talvez por isso, os pais considerem que não se justifica marcar presença, numa reunião em que, salvo uma ou outra informação, já conhecem o guião de cor.


Depois, há a falta de tempo. De disponibilidade. De vontade. O não se perceber porque não se opta por outros meios, para transmitir a mensagem, que sejam mais práticos e cómodos.


Será que ainda fazem sentido as reuniões presenciais de pais, nos tempos que correm? Sobretudo no ensino secundário?


 


A minha vontade também era zero. Mas fui. Sempre acompanhei o percurso da minha filha, e este é o último ano. Daqui a pouco tem 18 anos, e jé está por sua conta.


Por isso, com pouca vontade, fui.


Mas, tal como a professora, nunca pensei que aparecessem tão poucos pais.


Acho que a directora de turma ficou surpreendida, e desapontada. Deve ter sido o ano, e talvez a turma, em que menos pais compareceram.


 


Devo confessar que, por conta dessa escassez de pais, foi uma "santa reunião", como há muito não assistia!


O pior, foi o momento da eleição dos representantes dos encarregados de educação.


Tendo em conta que éramos 3, e nenhuma de nós tinha vontade de o ser, teríamos que ir a votos o que, provavelmente, daria um "empate técnico", já que íamos votar nas duas mães restantes.


Para piorar mais o cenário, uma das mães informou que, como é professora, não se sentiria à vontade nesse papel.


Sobravam duas mães: eu, e outra.


Portanto, eu, que sempre fugi desse cargo como o diabo da cruz, vejo-me agora, neste último ano, eleita por falta de opções e alternativas, juntamente com a outra mãe.


Até disse na brincadeira que, se soubesse, também não tinha ido!


 


A outra mãe ainda tentou deixar o cargo em aberto, para o caso de algum outro encarregado de educação ter interesse, mas se nem à reunião compareceram, como poderiam ter interesse em representar os outros pais?


 


Enfim...


A directora de turma nem sabia bem o que escrever na acta da reunião sobre esse ponto.


No fim, agradeceu a nossa presença e disponibilidade, desejando um bom ano aos nossos filhos. 


E nós, mães e agora representantes dos pais, desejando que tudo corra bem, para que não sejamos necessárias!

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Outono

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Já chegou há quase uma semana, mas ainda vou a tempo de lhe dar as boas vindas!


Não que mereça muito. Trouxe-me, com ele, uma conjuntivite.


E também não se deu muito por ele, porque os dias têm estado quentes.


 


Mas, hoje, já se notam temperaturas mais fresquinhas.


Os dias, de repente, ficaram mais pequenos.


E estas imagens não enganam: já é Outono!


 


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segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Um blog não é, apenas e só, um blog!

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Quem faz do seu blog uma espécie de diário, onde escreve aquilo que acontece consigo, e o que vai vivendo, com alguma regularidade pode, quando menos espera, ter nele uma preciosidade.


O blog é como um registo de ocasiões importantes.


Um auxiliar de memória, que nos ajuda quando não nos lembramos de alguma coisa.


Um álbum de momentos, dos quais já nem nos lembrávamos, mas que sabe bem recordar.


E pode-se revelar mais útil do que imaginaríamos.


Já, em várias ocasiões, me vali dele, quando precisava de saber determinadas informações, de que já não me lembrava, até mesmo a nível de saúde.


São coisas que, com o tempo, vão passando mas, uma vez no blog, podemos sempre recorrer a ele para consultar.


 


 


 


 


 

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Histórias Soltas #20: Estagnar, ou seguir em frente?

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- O que vai acontecer comigo?


- Vais seguir o teu caminho.


- Mas... E eles?


- Eles?


- A minha família. Posso vê-los?


- Porque queres vê-los?


- Porque sei que estão a sofrer. Quero olhar para eles, despedir-me, dizer que estou aqui.


- Isso de nada adiantaria. Não te podem ver. Não te ouvem. Não te sentem. Não lhes servirás de consolo. E será pior para ti.


- Mas... Não é possível abrir uma excepção? Uma única vez?


- Neste momento, não. Terás que seguir em frente para aperfeiçoar a tua aprendizagem. Só depois, então, saberás o que te é possível. Mas, se fizeres muita questão, podemos dar-te, temporariamente, acesso às imagens que tanto desejas, em tempo real.  Este acesso tem uma duração limitada. Depois, terás que deixar a tua vida passada, para iniciares a tua vida presente.


 


- O que acontece se eu não quiser avançar, deixar para trás?


- Ficarás, para sempre, presa neste limbo. Não voltarás à vida antiga, mas também não terás uma nova. Ficarás, eternamente, estagnada. E perdes qualquer possibilidade que seja, de um contacto futuro, com quem quer que seja. Tal como outros, que assim o quiseram. 


- Então, o que me estás a dizer é que, para eu ter a mínima hipótese de voltar a ver os que mais amo, de comunicar com eles e, quem sabe, ser vista por eles, ainda que sem qualquer garantia, terei que abdicar deles daqui em diante.


- De forma resumida, sim. É isso.


- Mas é tão injusto. Eles estão tristes. Eu estou triste. Eles precisam de mim. Eu preciso deles.


- De momento, sim. Mas depressa vão ultrapassar. E tu deves fazer o mesmo. Libertá-los. E libertares-te. Quanto mais depressa te libertares, mais cedo iniciarás o teu processo evolutivo. A decisão é tua. 


 


- E, aqui, há alguma hipótese de nos encontrarmos, um dia? Irei, pelo menos, encontrar quem veio antes de mim?


- Talvez sim... Talvez não... Aqui cada um tem o seu próprio caminho e aprendizagem. Pode, ou não, cruzar-se com quem gostaria.


- Ou seja, não há forma de saber o que me espera!


- Não. Só saberás à medida que avançares. Se assim o decidires. Quando estiveres pronta, virei para te acompanhar.


- E se eu não estiver pronta? Se nunca estiver pronta?


- Então, não voltarei. Ficarás entregue a ti própria.


 


E assim ficou, até ao último momento, sem saber o que fazer, demasiado agarrada ao que tinha perdido, para tentar pensar no que poderia vir a ganhar. Mas... 


Não perderia ainda mais, se ali permanecesse?


Não valeria a pena tentar? 


Então, rendida, como quem solta, e deixa voar, aquilo que, até então, tentava agarrar, ela soube o que tinha que fazer...


 


 


 


 


 


 

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Leitura em contexto escolar: prazer ou castigo?

A leitura faz você feliz: 10 boas razões para ler mais - greenMe


 


É certo que, com todas as novas tecnologias, redes sociais e outros entretenimentos mais cativantes, os jovens, e até mesmo os adultos, tendem a ler cada vez menos, deixando a leitura para um quinto ou sexto plano.


Se estiverem a estudar, aí sim, terão que, forçosamente, dedicar algum tempo à literatura, mesmo que não queiram.


Sempre assim foi. E esse era um dos motivos para, ao contrário do que seria a intenção, começarmos desde logo a "odiar" livros.


Porque eram leituras que não compreendíamos. Que  não nos diziam nada. Que eram aborrecidas e maçantes.


A ideia de fomentar a leitura nos mais novos não se tornava um prazer, mas antes um castigo.


 


Em pleno século XXI, continua tudo igual.


No ano passado, a minha filha tinha que escolher, de entre uma lista, um livro para ler, e fazer uma apresentação sobre ele.


Os melhorzitos, 5 ou 6, já tinham sido escolhidos. E tudo o resto não tinha o mínimo interesse. 


Em acordo com a professora, conseguiu fazer o trabalho sobre um livro que não estava na lista, mas que estava dentro dos mesmos temas e contexto.


 


Este ano, a professora de português enviou-lhes uma lista para um trabalho semelhante.


Praticamente, as mesmas obras do ano passado. Muita poesia. Livros que nem eu, ávida leitora, tenho interesse ou vontade de pegar neles. Quanto mais jovens de 17 ou 18 anos, que não fazem da leitura um hábito.


O que vai acontecer é escolherem um livro, por falta de opções, já contrariados, fazerem o trabalho sem o mínimo interesse, não perceberem nada do que leram e jurarem que, quando não forem mais obrigados, não voltam a pegar num livro!


 


De todos, só um sobressaiu. O primeiro da lista. "O Vendedor de Passados", do autor José Eduardo Agualusa.


Disse-lhe para escolher esse. Vamos ver se tem sorte.

A saúde é mais importante que a vaidade

 


Rede Globo > tvmorena - Crônica de Camila Jordão ensina como 'Fazer charme  de intelectual'


 


Ontem li um artigo que dizia que as pessoas que usam lentes de contacto, ou óculos, deveriam ter especial atenção, agora que o outono chegou, aos problemas oculares, como conjuntivites e outros, mais comuns nesta altura do ano.


Nem de propósito, foi mesmo algo assim que o outono me trouxe de presente!


Ontem sentia os olhos secos, e doridos.


Durante a noite, comichão, olhos lacrimejantes, doridos e meio colados.


 


Há uns dias, dizia eu à minha filha que deveria pensar em comprar uns óculos novos.


Ainda ontem, a propósito do artigo, lhe dizia que, nessas situações, convinha ter uns óculos decentes para usar.


Eu tenho óculos. 


Mas são pré-históricos. Há anos que não mudo a armação. Nem as lentes. Como só uso mais em casa, ou aos fins de semana, pouco tempo, a optometrista achou que não valia a pena gastar dinheiro, usando eu muito mais as lentes de contacto.


A verdade é que, entre não usar nada, e usar os óculos, é preferível usá-los. Mas noto uma grande diferença em relação às lentes de contacto, com uma graduação mais elevada. E, por exemplo, ao perto, acabo por ter que tirar os óculos para ver melhor.


Desenrascam, mas já não são o suficiente.


 


Hoje de manhã, e porque não gosto nada de me ver com óculos, ainda pensei na hipótese de usar as lentes de contacto.


Pura estupidez!


A saúde deve ser sempre mais importante que a vaidade e, se usasse as lentes de contacto, só iria agravar ainda mais a inflamação.


Por isso, lá fui eu trabalhar de óculos.


Dar o exemplo.


Não importa o que os outros pensem, digam ou como vejam, o que interessa é que nos sintamos confortáveis, e que façamos o que é melhor para nós.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Mais um dia...

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Outro dia…


Mais um dia…


É assim, todos os dias. Um após o outro.


Sempre iguais… Sempre diferentes…


Acordo. Olho para o lado. E só então me lembro que, agora, já não estás lá.


Estou sozinho.


Levanto-me. É madrugada. Toda a gente dorme. Eu, não. Porque o corpo já não quer mais continuar deitado.


Mais um dia me espera.


Faço o que tenho a fazer.


 


E, depois, já não há nada para fazer.


A não ser ficar a olhar para esta casa vazia.


Para o silêncio. Que só é interrompido pelo eco dos meus pensamentos, e da minha voz.


Que vida esta é a minha, agora, sem ti?


As horas demoram a passar. Ainda falta tanto para me deitar…


E, mais uma vez, perceber que, também nesse momento, estarei só.


 


Por companhia, tenho apenas a televisão que, às tantas, já aborrece de tão repetitivos que são os programas.


Já não tenho olhos para os livros.


Já não tenho pernas para os passeios.


Sou livre, mas sinto-me encarcerado.


Estou vivo, mas sinto que uma parte de mim morreu contigo. 


 


Por vezes, tenho companhia familiar. Distraio-me.


Afasto os pensamentos. Afasto a dor. Afasto as memórias.


É bom. Faz-me bem. Sinto-me abençoado, e agradecido. Mas não é suficiente.


A vida dos outros não pára. Nem eu quereria isso.


Mas a minha vida estagnou. Num tempo diferente.


Que não acompanha os demais. Nem tão pouco espero que os demais abrandem, para me acompanhar.


Não penso em morrer. Mas também não me sinto viver.


 


Estou só.


Horas e horas de solidão.


E, então, está na hora.


Deito-me.


Um último pensamento para ti. 


Adormeço.


Até ao dia seguinte.


Outro dia.


Mais um dia…


 


 


 

terça-feira, 21 de setembro de 2021

"Tempo de Partir", de Jodi Picoult

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Dos melhores livros que li da autora, até agora, pela forma como conduziu toda a história e me surpreendeu no final!


Ao contrário dos últimos que tenho vindo a ler, nesta história não há advogados nem processos em tribunal.


Mas há animais.


Elefantes!


Um estudo aprofundado sobre eles, a forma como se relacionam entre si, como se organizam em manadas e, bem a propósito, de como fazem e vivem o luto.


Ah, e claro, como não poderia deixar de ser, ou não estivéssemos a falar de elefantes, da sua memória.


 


Jenna é uma miúda de 13 anos, que vive com a avó.


O seu pai está internado numa clínica psiquiátrica desde o dia em que a mãe desapareceu, e ocorreu um acidente no seu santuário de elefantes, que vitimou uma das tratadoras.


Já passaram vários anos, e Jenna não sabe se a mãe está viva ou morta e, se vive, porque nunca a procurou, porque não a foi buscar? Será que a abandonou? Será que não a amava?


Disposta a gastar as suas economias para tentar descobrir o que aconteceu com a mãe, Jenna envolve-se com Serenity, uma médium caída em desgraça que, um dia, já foi famosa, e o detective Virgil, que estava encarregado do caso da sua mãe na época. 


 


À medida que vão investigando, e descobrindo pistas, mais dúvidas surgem, e mais certezas se começam a formular.


Afinal, nem tudo era o que parecia, e nem todos se davam assim tão bem como aparentavam.


Entre a mediunidade de Serenity, e a objectividade de Virgil, Jenna tenta encontrar uma explicação lógica, que lhe diga onde, e como, está a mãe, ainda que isso seja declará-la uma assassina.


Vamos conhecer melhor a Alice, mãe de Jenna, a sua missão, e a sua investigação que, em determinado momento, se misturam com o trabalho desenvolvido por Thomas, que viria a ser seu marido e pai da sua filha.


 


A determinado momento, Serenity explica que existem alguns mitos sobre a vida após a morte, e a reunião dos entes queridos é um deles. Por norma, o que acontece é que, quem está mais evoluído espiritualmente, segue adiante, enquanto os outros ficam mais atrás e, como tal, a probabilidade de se juntarem é pouca.


Explica ainda que existe uma diferença entre fantasmas e espíritos, sendo que os primeiros são aqueles que vagueiam num plano transitório, porque ainda não estão prontos para seguir em frente, ou têm algo por resolver neste mundo, enquanto os espíritos já passaram esse nível.


E afirma que os espíritos não se manifestam para a pessoa viva de forma a que esta os reconheça, mas da forma como querem ser lembrados.


 


Ao longo da história, vamos ver que muito do que ela diz bate certo mas, por outro lado, também há situações que contrariam essas teorias.


O que é certo, é que todo o enredo nos leva numa direcção e, quando chegamos ao final, é quase como se nos virassem de cabeça para baixo, e percebêssemos que estávamos a ver o "filme" todo ao contrário!


Afinal, quem está vivo? E quem está morto?


Quem morreu? E quem matou? 


Quem é bom? E quem é o vilão?


 


Só vos digo uma coisa: teria adorado conhecer a Maura!


Este livro aumentou, sem dúvida, ainda mais o meu fascínio pelos elefantes :) 

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

"Alrawabi School For Girls", na Netflix

AlRawabi School for Girls: Nova série Árabe da Netflix - Asia ON


 


Esta série estava na lista há algumas semanas.


Mas foi sendo adiada. Até que, este fim de semana, lá me decidi.


 


"Alrawabi School For Girls", um nome que demorei algum tempo a conseguir pronunciar, é uma série jordaniana sobre um prestigiado colégio exclusivo para raparigas, na qual podemos acompanhar o dia a dia daquelas estudantes, com tudo o que está implícito.


É sabido que, por norma, num ambiente só de mulheres, as coisas nem sempre correm bem. Infelizmente, as mulheres tendem a estar umas contra as outras, e a arranjarem discussões, tornando-se as maiores inimigas, em vez de aliadas. Ali, não é excepção.


 


Existem as populares, as desajustadas, as aliadas. Existem grupinhos. Existe discriminação. Existe corrupção. Existem interesses. E bullying.


É, sobretudo, neste último que a história se centra. E na vingança, para que nunca mais volte a acontecer.


 


Mariam é alvo de bullying pelas populares - Layan, Roqayya e Rania.


Depois de alguns episódios, Mariam denuncia as escapadelas de Layan à directora, mas é descoberta e agredida, tendo que ser levada para o hospital.


Como se não bastasse, ainda inventam uma história sobre ela, corroborada pelas aliadas, que faz a própria mãe, e a sua melhor amiga, acreditarem que aquela é a verdade.


E quando nem aqueles que era suposto acreditarem na inocência dela, e estarem ao seu lado a apoiá-la, o fazem, o que lhe resta?


Vingança!


Fazê-las pagar, uma por uma, pelo que lhe fizeram, e pela forma como lhe destruíram a vida.


 


Para esse plano, ela vai contar com Noaf, a aluna recém chegada que, apesar de não querer meter-se em problemas, oferece a sua ajuda quando a sua própria irmã é vítima das vilãs. E com Dina, a sua melhor amiga que, após um tempo chateada com Mariam e mais próxima das populares, acaba por, também ela, ser vítima das armações destas.


 


As questões que se colocam são:


Até onde deve ir a vingança?


Quando se deve parar?


Até que ponto devem medir as consequências que esses actos terão?


Até que ponto devem "fazer o correcto" e ser condescendentes, com quem nunca o foi com elas?


E, ainda que o tenham sido, numa ou outra ocasião, isso anula todo o mal feito anteriormente? 


 


 


Confesso que, ao longo da série, a Mariam vai-se transformando, da miúda de quem, inicialmente, sentimos pena, para aquela que temos dificuldade em criar empatia, apesar de tudo o que ela passou.


Mas, verdade seja dita, esta série, e tudo aquilo que fizeram com a Mariam, conseguiu despertar o meu pior lado, e apoiar cada pequena vingança dela contra aquelas arrogantes! 


Foi justo. Mereceram. 


Se isso faz de Mariam alguém igual ou pior que elas? Talvez. Ninguém passa por situações de bullying e permanece igual.


 


Umas pessoas ultrapassam melhor, esquecem melhor, e tentam seguir com a vida, ainda que com as marcas lá. Outras, não aguentam, e suicidam-se. E há as que se revoltam. As que se transformam. As que querem dar uma lição para que aquilo não aconteça a mais ninguém.


Sim, porque nem Layan, nem Rania, ou Roqayya são pessoas que têm consciência dos seus actos. A quem se possa pedir para parar. Para, simplesmente, pedirem desculpa e perceber que não agem correctamente.


Elas acham-se as maiores. Poderosas. Invencíveis. Mariam vai mostrar-lhes que não.


 


Não gostei das inconstâncias das amigas Noaf e Dina, que tão depressa a apoiam e ajudam, como querem parar, e que ela pare também.


Que tão depressa incentivam Mariam, e a fazem voltar ao plano que ela já tinha abandonado, como, a seguir, a criticam e acham que ela está a ir longe demais.


Tão depressa consideram que as outras merecem uma lição, como querem fazer o correcto.


Há ali uma certa hipocrisia. Um falso moralismo. Sobretudo, por parte de Noaf. E disso não podemos acusar Mariam.


Aliás, para tornar Mariam mais vilã, e Layan um pouco mais boazinha, inventaram ali uma cena em que ela ajuda Noaf, numa situação de assédio que poderia tornar-se algo mais grave. Mas não convenceu.


 


Com o plano contra Roqayya e Rania já concretizado, chega agora a vez de Layan, e da directora da escola, que passou o tempo todo a encobrir as acções das populares, aparentemente por interesse, já que os pais delas poderiam deixar de apoiar ou, até mesmo, encerrar o colégio.


Embora haja um outro motivo, que só se irá descobrir no fim.


Ninguém conseguiu demover Mariam e, agora, resta esperar para ver as consequências da sua vingança, que poderão levar à morte de alguém. 


 


Se ela deveria ter previsto, e evitado? Poderia.


Mas alguém pensou nisso quando a agrediu? Que a poderia ter matado ali, ainda que sem intenção?


Pois...


Penso que, ao rever aquelas imagens que vieram à mente de Mariam, segundos antes de premir a tecla, também muitos de nós clicaríamos.


 


Uma coisa que fiquei bastante admirada foi por as mulheres ali se vestirem quase como as ocidentais. Embora no colégio tenham que andar com o uniforme e, algumas alunas e professoras, com os trages mais típicos da cultura árabe, no dia a dia, não é bem isso que acontece.


Ainda que, na visita de estudo, por exemplo, a uma espécie de estância balnear, a professora Abeer esteja sempre a pedir-lhes para taparem mais o corpo.


Foi um pouco estranho ver algumas coisas que são permitidas mas, ao mesmo tempo, tradições e costumes que ainda se fazem valer, e podem destruir a vida daquelas pessoas, e famílias.


 


De resto, tal como na vida real, e em qualquer lugar, um colégio que tenta passar uma imagem de rectidão e imaculada quando, na verdade, esconde muitos "podres", por conveniência, que lhe arrasariam a reputação, se viessem a ser descobertos.


Vale tudo pelas aparências, e por um bom cargo. 


Ou, então, não valerá de nada...


 


 


Deixo-vos o trailer da série, que recomendo:



 

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

A dualidade das pessoas

A dualidade da vida - e como lidar com ela | Akim Neto Psicólogo Clínico


 


Todas a têm, mas em algumas pessoas é mais pronunciada que noutras.


E não é fácil lidar com essa dualidade. Porque gostamos de um dos lados dela, mas irritamo-nos com o outro lado.


 


Por exemplo, uma mesma pessoa, pode ser aquela que, num momento, é a mais gentil, simpática, amiga de toda a gente e sempre disponível e, noutro momento, explode, torna-se violenta, agressiva.


Uma mesma pessoa, pode ser aquela que está sempre pronta a pagar tudo, a toda a gente mas, noutro momento, anda sempre a "cravar" os outros, porque nunca tem aquilo que precisa, nem dinheiro.


Uma mesma pessoa, pode ser aquela que adora gabar-se que tem, ou faz, isto e aquilo mas, noutro momento, se faz de coitadinha, que não tem oportunidades nem possibilidades para ter, ou fazer, aquilo que queria.


Uma mesma pessoa pode ser aquela que, num momento, não gosta de ser criticada nem chamada à atenção mas, noutro, é a primeira a fazê-lo com os outros.


 


Como lidar e conviver com duas personalidades, tão opostas, numa única pessoa?


 

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Afterlife of The Party, na Netflix

About Netflix - Novidades na Netflix


 


Cassie é uma jovem popular que, num acidente doméstico, morre.


Precisamente na semana do seu aniversário.


Depois de uma discussão com a sua amiga de sempre, Lisa.


 


E agora?


Agora, Cassie encontra-se no plano intermédio onde a "anja" Val a recebe, e lhe explica como funcionam as coisas, depois da morte.


Cassie tem assuntos que ficaram pendentes, e é-lhe dada a oportunidade de voltar à Terra, resolver esses assuntos pendentes, remendar os erros cometidos e, quem sabe, depois dessa missão cumprida com sucesso, poderá subir para outro plano, onde coisas boas a aguardam.


 


A sua lista tem 3 nomes: a sua amiga Lisa, o seu pai Howie, e a sua mãe Sofia. E são-lhe dados 5 dias, para resolver tudo. Os nomes só desaparecerão da lista, quando ela atingir o objectivo.


Se falhar, espera-lhe a descida de plano. Se desistir, tudo o que fez até então é anulado, e ela desce.


Cassie não consegue ser vista por ninguém, a não ser pessoas com quem tenha uma relação forte e muito especial, e souber accionar a "chave" certa que permite essa visibilidade.


Enquanto isso, terá que encontrar coragem e motivação, e perceber, realmente, o que fez mal, para agir bem, recorrendo a outras formas de comunicação. 


 


Conseguirá ela fazer desaparecer os nomes da sua lista, dentro do tempo?


Será Cassie capaz de aprender, e mudar?

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Sobre as nuvens...

Há-as de todos os tamanhos e feitios.


E de todas as cores.


Quando pensamos que já vimos todas, e que são todas iguais, elas encarregam-se de mostrar que conseguem sempre tornar-se diferentes, e surpreender.


Há as que parecem montinhos de algodão. E outras, que parecem montanhas.


As que formam uma espécie de campo de lapiás.


Há as "pinceladas".


E as que fazem lembrar os ossos do esqueleto humano!


Há as que nos levam a imaginar as mais diferentes formas.


As leves e suaves, que nos transmitem paz e tranquilidade. E as pesadas, que nos fazem temer o que trarão.


As imaculadas. E as que mais parecem espuma suja de lavar roupa.


Muitas vezes, correm rápido pelo céu. Outras, parecem ficar ali no mesmo sítio por horas.


Por vezes, disputam o céu umas com as outras.


Uma das vantagens de andar a pé, é poder observar tudo isto. Todas elas.


E ficar deslumbrada todos os dias!


 


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terça-feira, 14 de setembro de 2021

O "público-alvo"

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"Público-alvo é um grupo de pessoas que compõem o perfil de consumidores para o qual um determinado negócio se destina."


 


É quase impossível não pensar neste termo, no dia a dia, uma vez que, cada vez mais, existem diversos "públicos-alvo", para diferentes produtos, tais como livros, e situações, como cursos, formações profissionais, e por aí fora.


Já o "público-alvo" propriamente dito, pode estar relacionado com a idade, com gostos pessoais, com categorias profissionais, com hobbies, e tantas outras características, que levam a que se chegue à conclusão que, lançando algo será, aquele grupo específico, o principal interessado.


 


Claro que isso não significa que os restantes não possam ter interesse nesse mesmo produto/ negócio.


Então, nesse caso, se o grupo escolhido é o "público-alvo", o que se poderá chamar aos restantes?


Eu atrever-me-ia a dizer que os restantes são os "danos colaterais"!


Aqueles a quem não era, inicialmente, dirigido mas, por uma falha do alvo, ou por poder a mais da "arma", acabaram por ser atingidos.


No bom sentido, claro!


 


 

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Ir, ou não ir, ao cemitério?

Coisas da Colônia - Alma do outro mundo - Fato Novo


 


Até há pouco tempo, o familiar mais directo que tinha, no cemitério, era a minha tia.


No entanto, nunca lá fui visitar a campa dela. Não senti essa necessidade.


Também não é, propriamente, um local onde se queira ir passear. Embora conheça algumas pessoas que adoram lá ir, como se fossem a uma festa.


Não aquelas que vão porque têm lá os seus entes queridos, e querem cuidar do que é seu, ou sentem necessidade de ir por se sentirem mais próximas. Essas, respeito.


 


Entretanto, morreu a minha mãe.


E, agora, sou presença assídua por lá.


Há pessoas a quem faz confusão ir ao cemitério. Outras, que se sentem mal.


Há as que ficam tristes.


As que querem manter as aparências. As que vão por obrigação.


E as que, talvez, queiram ir para ter o seu momento a sós com a pessoa falecida. Ainda que, por aqui, dada a proximidade das campas e a quantidade delas, seja quase impossível haver essa "privacidade".


 


Eu, confesso, costumo lá ir ao fim de semana.


Primeiro, porque fica relativamente perto de onde vivo (a escassos metros), e não me custa nada. Se fosse mais longe, não iria de propósito com tanta frequência.


Depois, porque até tem estado bom tempo, e faz-se bem o percurso.


E, por último, porque, querendo ou não, é a campa da minha mãe. 


É óbvio que ela não vê, nem sente nada, e para ela, estar uma campa arranjada e com flores, ou só terra e abandonada, é igual. Devemos cuidar das pessoas, enquanto estão vivas.


E cuidámos.


Agora, continuamos a marcar a nossa presença.


Dá-me prazer enfeitar a campa dela, com flores, da mesma forma que ela gostava de flores, em vida.


 


É uma viagem rápida.


Comprei umas plantas com flor, que se dão bem no exterior, e é só lá ir colocar água nos vasos. Assim, duram mais tempo, e não há necessidade de andar sempre a comprar. E depois, quando calha, levo umas flores para pôr na jarra.


Não é uma obrigação. É um gosto.


Vou quando posso. 


Há quem, para evitar tudo isso, tempo e gastos, opte por flores artificiais. Faz o mesmo efeito. Serve o propósito, mas... Considero isso um pouco impessoal. 


 


E é isto.


Não vou lá para "falar" com ela, que isso faço em qualquer lugar.


E não me sinto mal porque, por estranho que pareça, não me vem à mente a imagem dela, ali, debaixo da terra, enterrada.


Simplesmente vou, coloco água, ajeito as flores, e saio.


 


 


E por aí, têm o "hábito" de ir ao cemitério?


 


 


 


 


 


 

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

O "tempo certo" existe?

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Certamente já ouvimos, ao longo da nossa vida, a expressão "tempo certo".


Ah e tal, "tudo tem um tempo certo para acontecer". Como se tivessemos que ficar à espera que esse "tempo certo" chegasse, para podermos viver, para podermos ser felizes, para que as coisas aconteçam.


Ou, então, "não era o tempo certo". Como se tivéssemos adiantados, ou atrasados, em relação ao momento em que as coisas deveriam acontecer.


 


Depois, há ainda quem vá mais longe, e estipule qual é o "tempo certo" para determinadas situações, como se fosse uma regra universal, na qual nos devemos basear para reger a nossa vida, as nossas acções, os nossos sentimentos. 


E ai de quem se atrever a ignorá-lo. As críticas não tardam a cair em cima. Ora porque é cedo demais. Ora porque já é tempo demais.


 


Mas, afinal, o "tempo certo" existe?


O "tempo certo" é o nosso tempo.


Aquele de que precisamos.


Aquele em que queremos agir.


Aquele que escolhemos.


E não tem de, nem deverá, ser igual ao dos outros, porque cada pessoa é diferente, e o tempo de cada uma é, por isso mesmo, também diferente.


 


 

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Sou uma eterna antissocial

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"100% Antissocial


Você é uma pessoa muito reservada, um pouco tímida e que prefere ficar só do que ter que interagir com pessoas que não são tão próximas."


 


Confirmo!


Sempre fui, e acho que não há nada a fazer.


Quando era pequena, a minha timidez fazia-me querer ficar em casa, sempre que os meus pais iam a casa de alguém.


Eu bem insistia para ficar em casa. Mas não tinha sorte. E lá ia eu para o "inferno".


Não me sentia bem. Não me enquadrava. Queria sempre ter a minha mãe por perto.


Na escola, evitava participar, dar nas vistas, trabalhos de grupo, apresentações orais.


 


Depois de adulta, não mudei muito.


Não sou muito de festas, de noitadas, de grandes convívios.


Não sou de gostar de socializar com toda a gente e mais alguma, só porque sim.


 


E, hoje em dia, evito tudo aquilo que me deixa desconfortável, porque não tenho paciência para fazer "fretes". 


Não tenho paciência para conversa de circustância. Para tentar perceber se há alguma coisa em comum.


Não tenho jeito para disfarçar ou fingir que estou bem e perfeitamente integrada, quando a minha vontade é sair dali para fora, para o meu canto.


Os amigos dos outros não têm que, obrigatoriamente, ser meus amigos, nem eu tenho que ser amiga deles, só porque quem me rodeia é.


Gosto que as coisas surjam naturalmente, sem serem forçadas.


Claro que não descarto que, ao longo da vida, não surjam novas amizades, se assim tiver de ser.


 


Claro que gosto de conviver, sair, divertir-me, estar com as pessoas com as quais tenho afinidades, interesses comuns, com quem é fácil e natural conversar.


Mas mais do que isso já é querer esticar uma corda, que eu nem sequer tenho vontade de agarrar. 


Lamento, mas sou uma eterna antissocial!


 


 


 

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Clickbait, na Netflix

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Até que ponto conhecemos (mesmo) as pessoas com quem vivemos?


Até que ponto confiamos nas pessoas que nos são próximas?


Até que ponto aquilo que é publicado nas redes sociais é verdadeiro?


Até que ponto estão, as pessoas, dispostas a ir? Por vingança... Por diversão... Por uns milhões de cliques e visualizações?


 


Nick Brewer é casado com Sophie, e têm dois filhos.


Sempre teve uma ligação especial com a irmã, Pia, mas logo no primeiro episódio dá a impressão contrária. Parece um bom filho, bom marido e pai, mas...


E depois?


Depois surge um vídeo na Internet, de Nick Brewer, sequestrado, ferido, a segurar uns cartazes, onde está escrito "Eu maltrato mulheres", "Eu matei uma mulher", "Aos 5 milhões de visualizações, eu morro".


 


É a partir destes vídeos que se dá início à investigação, à busca pelo assassino, e à descoberta de quem é, realmente, Nick Brewer.


Porque, se é verdade que toda esta situação faz-nos perceber que Sophie traiu o marido, também mostra que Nick tinha vários perfis, com várias identidades diferentes, e relações com várias mulheres diferentes.


E, de repente, o Nick amoroso, carinhoso, meigo, transforma-se num predador, num homem sem escrúpulos, quem sabe, até, violento, e capaz de incentivar um suicídio, sem qualquer piedade.


Até a sua própria mulher, e os filhos, começam a acreditar que não conheciam o marido e pai que tinham.


 


Pia parece ser a única com sérias dúvidas sobre a veracidade de tudo isto mas, enfim, ela é muito intempestiva, inconsequente, impulsiva. Aquela que, conforme dizem "arma cenas infantis", e "destrói tudo aquilo em que toca". Terá ela o discernimento necessário? Será ela a única a ver as coisas de outra forma, que não aquela que é pintada? Ou será culpa? Porque, em determinada altura, até ela parece culpada.


 


Aliás, culpados não irão faltar à medida que vamos assistindo aos episódios seguintes.


O vídeo rapidamente chega aos 5 milhões de visualizações. Será que o assassino cumpre a promessa?


E se cumprir, quem é, afinal, ele, e quais os seus motivos concretos?


 


Ao mesmo tempo, Ethan, um dos filhos, anda a comunicar com alguém que parece demasiado interessado em tudo o que acontece com ele, naquela família, e em relação a tudo o que a polícia vai descobrindo sobre Nick. Com que objectivo? Estará ele a falar com o sequestrador e possível assassino? Estará ele também em perigo?


 


Quem também vê, neste caso, a oportunidade de subir na carreira de jornalista é Ben Park, que irá colocar a sua vida, e relação amorosa em risco, por pistas e provas que ajudem a esclarecer o mistério, e a conseguir o horário nobre. Valerá a pena? Será que ajudou mesmo?


 


A polícia é que não vê com bons olhos o facto de não terem na sua posse, como seria de esperar, as informações divulgadas pela imprensa, o que significa que não estão a fazer um bom trabalho.


 


"Clickbait" é uma série que mostra como as novas tecnologias podem funcionar em dois sentidos: na criação dos problemas, ou na sua resolução; na propagação de mentiras, ou na descoberta da verdade; na concretização de crimes, ou no seu impedimento. 


 


E no fim, depois de desconfiarmos de tudo, e suspeitarmos de todos, e de ficamos a olhar para a chave do mistério e a pensar "A sério?!"!


Mentir é fácil. Mais difícil é repôr a verdade. E quando não se quer que ela venha a lume, outras vítimas podem sofrer as consequências.


 


Se puderem, vejam a série.


Vale a pena!


E dá que pensar...


 



 


 


 


 


 

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Reflexão ao livro "Terra Azul", de Célia Fernandes

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A Célia celebrou o aniversário do seu blog, mas fomos nós, leitores, os presenteados com o seu livro "Terra Azul", uma chamada de atenção para a importância de preservarmos o que de melhor, mais bonito e fundamental à vida, temos no nosso planeta. 


 


"Terra Azul", no entanto, não se refere, unicamente, à Terra, conhecida como "o planeta azul".


Pode ser uma aldeia, uma vila, uma ilha, um refúgio natural que, ainda que habitado por humanos, continua a ser respeitado ou preservado. O que é cada vez mais raro no mundo em que vivemos, porque o ser humano é egoísta ao ponto de só se preocupar consigo, de usar e abusar dos recursos que foram colocados à sua disposição, e de pensar que tudo estará sempre ali, dado de mão beijada pela natureza, sem consequências, causadas pelas alterações que o mesmo, constantemente, provoca. 


O ser humano ainda não percebeu, por exemplo, que, sem "verde", não há alimento para os animais. Nem para si. E se os animais morrem, ainda menos alimento há para si. Que, sem "verde" não há oxigénio. E, sem oxigénio, o ser humano morre.


Ainda não percebeu que, sem "azul", não há água. Não há sol. Não há vida. E ele morre.


Por isso é tão importante preservar os recursos que temos e que, ao contrário do que possamos acreditar, não são inesgotáveis.


 


Por outro lado, "Terra Azul" pode simbolizar um conjunto de valores, tradições, crenças e atitudes, que ainda se vão mantendo e que, por serem tão raros, se escondem e isolam, para que não sejam perdidos também.


Para quem lá vive, é a única forma de o evitar. 


A não ser que consigam encontrar outros seres, e outras "terras" igualmente "puras", que lhes devolvam a esperança de poderem juntar-se, e transformar um mundo em decadência, a caminhar para a morte, num mundo renovado, que devolva a vida!


Mostrando que, por vezes, a união faz a força.


 


Relativamente à história, Sara vive na Terra da Esperança, onde os seus habitantes são gente boa, amiga e que se ajuda mutuamente, respeitando a natureza.


Já Fernando, vive na Terra Azul, um paraíso escondido de todos, onde só entra quem tiver pureza no coração e, por norma, quem entra não poderá sair.


O nascimento de Sara pareceu trazer alguma mensagem especial, que só iremos perceber quando ela for adulta, e partir à aventura, para devolver à sua terra a vida de antigamente.


Será assim que, juntos, Sara e Fernando irão fazer algo inesperado, unindo duas terras, e dois povos, numa única comunidade, com os mesmos valores e princípios, renovando a esperança.


 


Quem diria que, de uma história tão simples, e tão pequena, se poderia retirar tanto!


Muito obrigada, Célia, por me (nos) teres proprocionado esta leitura.


 


 


 

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

"A Dama Revelada", de Telma Monteiro Fernandes

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Por norma, desconfiamos de, ou temos dificuldade em acreditar e compreender, tudo aquilo que, à partida, não tem uma explicação lógica ou credível.


Ainda que, por vezes, exista a dúvida, e tenhamos vontade de acreditar que tudo é real, logo uma outra parte de nós recusa terminantemente, porque, afinal, nada daquilo é possível, e não passa de ilusão ou fantasia.


Ou será que não?


 


Como acreditar que uma criança foi "condenada" a viver séculos no corpo de uma gata, para estar protegida?


Como acreditar que é possível reverter o feitiço?


Como acreditar que essa criança, agora mulher mas, na maior parte do tempo, felina, poderá vir a ter poderes sobrenaturais?


Que é filha de uma Deusa?


Que terá que lutar com outros seres tão ou mais poderosos que ela, que outrora aprisionaram a sua mãe, e querem agora eliminá-la do caminho?


Como acreditar que Ana, uma simples humana do século XXI, e D. Manuel, um rei de séculos passados, poderão ajudar Ussana a ter o seu corpo, a sua mãe, os seus poderes e a sua vida de volta?


E, sobretudo, como acreditar que os seus dois filhos, Pedro e Vasco, nascidos em pleno século XXI, têm uma ligação inesperada ao sobrenatural, e uma missão a cumprir nas suas vidas, relacionada com seres que nunca imaginaram existir?


Pois...


É complicado.


Mas o que é certo que que, só porque não conseguimos explicar, não quer dizer que não exista, ou não aconteça.


 


O que torna este livro, e o seu antecessor, tão fáceis de ler, e de se gostar é que, apesar de toda a fantasia que ambas as histórias têm, deixei tudo o resto falar mais alto e, depois, a fantasia é quase como o "papel de embrulho" no qual acabamos por nos deixar envolver, porque o que ele esconde vale a pena.


 


Em "A Dama Revelada", vamos descobrir quem é, verdadeiramente, a gata Dama, Ussana na forma humana, e qual o seu papel na vida de Ana e Manuel, bem como na dos seus filhos. Sobretudo, na de Pedro, por quem se irá apaixonar.


É um livro que mostra o poder do amor, da união, o verdadeiro sentido da palavra família. 


É um livro sobre coragem. Sobre desespero, que pode levar a actos loucos.


Sobre salvação. E segundas oportunidades. 


Mas também sobre telepatia. Sobre confiança. Sobre entrega.


Sobre paixão. E destino.


 


À medida que vamos lendo, e pelo que percebemos no final, apesar de todas as dificuldades e perigos pelas quais Ussana e Pedro passaram, nada se compara com o que aguarda Vasco, no terceiro livro desta colecção.


E que, claro, vou querer ler!


 


 


 


 


 


 


 


 


 

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

A praia do Baleal, em Peniche

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Não é todos os dias que encontramos uma praia em que podemos escolher em que "mar" tomamos banho e damos uns mergulhos. Ou nos damos ao luxo de aproveitar os dois, bastando atravessar uma pequena estrada para o outro lado.


 


Não é todos os dias que encontramos mar calmo, mais propício para nadar, e mar mais agreste, para quem prefere mergulhar e sentir a força das ondas, ou fazer surf.


 


Não é todos os dias em que temos uma praia com um lado sul, mais familiar e apetecível para os banhos de sol, com a areia mais fina, e um lado norte, mais destinado a quem queira fugir da escolha geral e, de certa forma, mais selvagem mas, por isso mesmo, mais bonito de ver.


 


Não é todos os dias que apanhamos água morna (sim, mesmo morna, embora tenha sido só num primeiro banho), mesmo lá mais para a frente. Não foi no Algarve, nem no Alentejo que, aí, apanhei sempre fria. Foi mesmo no Baleal!


 


Não é todos os dias que nos sentimos verdadeiros turistas, mesmo sem o ser.


Que podemos apreciar as dunas, numa espécie de dois em um, de campo e praia.


Eu sou fã número 1 de Tróia, depois da "minha" Ericeira, claro. 


Mas fiquei rendida a mais este paraíso português!


Numa península que, em tempos, já foi ilha.


 


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A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!