terça-feira, 30 de novembro de 2021

Bloqueada...

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O frio bloqueia-me!


Literalmente.


E quando estou minimamente confortável, basta mexer-me um bocadinho, para voltar a sentir frio novamente.


Por isso, é como se o frio me "prendesse" e obrigasse a permanecer o mais quieta possível. 


Evito levantar-me o mais possível. E, muitas vezes, isso é mau para mim e para a minha saúde.


 


Mas não é só o frio.


Por vezes, sei o que tenho a fazer. Sei o que quero escrever. Sei por onde devo começar.


Mas se, por um lado, o pensamento quer começar, o corpo e um outro lado da mente continuam ali, parados, à espera de um empurrão.


Como se se recusassem a fazer o que deveriam. Como um protesto. Ou simples preguiça e falta de vontade.


 


No entanto, porque a melhor forma de combater o frio é manter-me em acção, em movimento, em actividade, sempre que não preciso de estar sentada, faço por tornar o tempo útil.


E porque há coisas que não podem mesmo ser adiadas, seja porque há prazos, seja porque depois se desvanecem as ideias, lá acabo por fazer e escrever o que há para ser feito, e escrito.


Até ao próximo bloqueio temporário! 

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Somos parte da Natureza...

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Porque é que não está sempre sol?


Porque a chuva também faz falta. 


Sem sol, não haveria chuva. E, sem chuva, não haveria sol.


Porque é que não nos sentimos sempre felizes?


Porque a tristeza também faz falta.


Sem felicidade, não haveria tristeza. E, sem tristeza, não haveria felicidade.


 


Podemos viver vários momentos felizes mas a verdade é que as outras emoções, tal como as gotas que se evaporam e formam as nuvens, também se vão acumulando e, quando percebemos, é necessário descarregá-las, tal como a chuva que cai. 


Um céu não está permanentemente coberto de nuvens, sem que o sol volte a espreitar. Da mesma forma, também não nos sentimos sempre tristes, em baixo, deprimidos, sem que a alegria nos volte a contagiar, e levar a melhor.


 


Um vulcão pode estar inactivo durante anos e anos. No entanto, volta e meia, ele entra em erupção. Da mesma forma que nós podemos manter a nossa calma e tranquilidade mas, um dia, podemos explodir.


Tal como o vento, mais suave, ou mais furioso, também nós, por vezes, nos mostramos mais ou menos agitados e, uma vez ou outra, levamos tudo à nossa frente. Ou somos levados.


Por vezes, tal como os trovões, levantamos a voz, discutimos, e as nossas palavras podem cair como raios, nos outros, ou as dos outros, em nós.


Mas, com a mesma rapidez com que acontece, também passa.


Não sem, claro, deixar a marca da sua passagem, do seu efeito.


Umas, mais vincadas e profundas que outras.


 


Também nós, à semelhança de um terramoto, estremecemos, trememos, abanamos o nosso mundo e o dos outros, por vezes, abrindo fendas que poderão não voltar a fechar.


Ou, tal como um tsunami, quantas vezes sentimos que nos vamos afundar naquela imensidade e força da água, contra a qual parecemos impotentes?


Mas, se sobrevivermos, cada um de nós aprende a reconstruir-se. 


 


Podemos estar mais murchos em determinadas alturas, sem ânimo, sem "vida", como as plantas que secam. Mas, noutras, algo nos faz ganhar de novo a vivacidade, arrebitar, voltar a dar e mostrar o melhor de nós.


 


No fundo, somos parte da Natureza. 


E, por isso, agimos como ela.


 


 

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Preservar a essência

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A essência é aquilo que nos caracteriza, que nos diferencia, que nos define.


É aquilo que nos torna únicos.


É aquilo que sobressai em nós. A nossa marca.


Muitas vezes, é aquilo que se destaca aos olhos dos outros. Que os faz gostar de nós. Que os faz sentir admiração. Que os conquista.


 


A nossa essência é algo que devemos preservar sempre.


Infelizmente, nem sempre isso acontece.


Seja pelas circunstâncias da vida, ou pelas pessoas que fazem parte da nossa vida, não são raras as vezes em que, sem darmos conta, ou porque a isso somos obrigados, vamos perdendo a nossa essência.


Por vezes, ela desvanece-se de tal forma que, às tantas, deixamos de nos conhecer. Percebemos que não sabemos mais quem somos. Tornamo-nos estranhos.


 


Também acontece as pessoas, que sempre elogiaram a nossa essência, tentarem apagá-la, pouco a pouco, até ela não fazer mais parte de nós e obterem, em troca, uma pessoa vazia que, depois, também ela, não as satisfaz, porque já não é a mesma no início.


 


O pior erro que podemos cometer, é deixar a nossa essência ser anulada, apagada, camuflada, escondida.


É deixá-la desaparecer, fugir.


É perdê-la e, ao perdê-la, perdermo-nos.


 

terça-feira, 23 de novembro de 2021

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

"Desapaixonar"

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Será que nos "desapaixonamos" com a mesma facilidade e rapidez com que nos apaixonamos?


Para mim, a paixão funciona como uma ignição, um acelerador, um impulsionador, que nos faz sentir vivos, agir, experimentar, ter prazer naquilo que fazemos, ou naquilo que estamos a viver, e senti-lo de uma forma intensa, que mexe com todos os nossos sentidos, de uma forma boa. 


 


Dizem, os entendidos na matéria, que seria impossível as pessoas viverem em permanente estado de paixão, porque não fomos programados para viver em clima de constante expectativa e excitação.


É por isso que a paixão, ao fim de uns tempos, passa e, ou é o fim de tudo, ou dá lugar a outra etapa do processo.


Isto aplica-se ao que (quem) quer que seja que nos tenha feito, em algum momento, apaixonar.


 


Ou seja, depois de ser ligado, posto a funcionar, e experienciado de forma mais extravagante, o ritmo inicial abranda, e passamos a uma espécie de marcha regular. Da mesma forma que baixamos o fogão para cozinhar em lume brando, lentamente.


Não é que seja mau.


Quando fazemos e vivemos tudo demasiado depressa, com demasiado entusiasmo, quase num estado de delírio, experimentamos diversas sensações, mas acabamos por menosprezar outras.


Ao acalmarmos, conseguimos vislumbrar outros aspectos também importantes, temos outro tipo de vivência que pode ser, também ela, feliz, plena e prazerosa.


 


Ainda assim, sinto que, por vezes, era bom voltar a pisar o acelerador, voltar a sentir as emoções de outros tempos, ou novas, de uma forma mais apaixonada.


Afinal, o que nos move é a paixão. Seja em que campo for, e pelo que for.


A vida é feita de paixões.


Umas, maiores. Outras, nem tanto.


Umas mais importantes que outras.


Umas, mais prolongadas. Outras, mais efémeras.


Então, o que esperar de uma vida que não tenha, de vez em quando, uma paixão?


 


O que nos resta, quando nos desapaixonamos, e não houver nada que nos volte a apaixonar?


 

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Lua cheia

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Ao final do dia, é o sol que se põe.


De manhãzinha, é a lua que se esconde.


Para, mais logo, voltar a reaparecer, em noite de lua cheia!


 


 


 

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Há dias que nos inspiram!

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Há dias que nos inspiram.


Inspiram a mudar. 


A fazer.


A tomar a iniciativa.


A querer mais, e melhor.


Há dias em que nos sentimos cheios de energia, e vontade, e entusiasmo.


Há dias em que achamos que podemos tudo!


 


E, depois, há outros, que nos bloqueiam, deitando tudo isso pelo cano abaixo.


 


Há dias em que me decido a fazer uma limpeza geral à casa.


Em mudar as cortinas.


Em substituir o que está estragado.


Em tirar aquilo que não faz falta.


Em dar um destino a tanta roupa e brinquedos que lá tenho desde que a minha filha era pequena.


Em ver se dou um rumo ao meu futuro livro, encalhado há mais de 3 anos por falta de ideias (ou por ideias a mais que não sei bem como conjugar).


A fazer uma mudança.


Porque mudança gera mudança.


E, quem sabe, não leva a outras mudanças.


 


Depois, porque nada disto chegou a ser posto em prática no momento, vêm dias em que perco esse entusiasmo, trocando-o pelo comodismo, pela preguiça, pelo apego.


Olho para as coisas que ía despachar, e percebo que não as quero despachar, voltando a pô-las no mesmo sítio.


Olho para a despesa que vou ter, e penso que pode esperar, ficar para depois, quando der mais jeito financeiramente.


Começo a recear a mudança, e a acreditar que é melhor ficar tudo como está. Porque até não está mal.


Falta a paciência, e a imaginação.


Falta garra, e energia.


E, em vez de "pegar o touro pelos cornos" e pôr mãos à obra, acabo sentada num sofá, a fazer tudo menos aquilo que pretendia, adiando indefinidamente as acções.


Esperando por outros dias, que me voltem a inspirar, e me levem para lá dos pensamentos e ideias, que nunca se chegam a concretizar.


 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

10 formas de uma pessoa se sentir reconfortada e tranquila (de acordo com os livros)!

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- Um bom guisado, sopa ou outra refeição quente e calórica


- Um banho de água quente


- Uma bebida quente como café ou chá, um bom vinho ou um copo de whisky


- Uma roupa confortável


- Uma cama feita de lavado 


- Um animal de estimação (sobretudo, cães e/ou gatos)


- Uma massagem


- Ouvir música, dançar, ler um livro


- Um abraço


- Sexo

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Comodismo estúpido

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Há pessoas que me complicam com o sistema nervoso, de tanto comodismo e estupidez.


No caminho do trabalho para casa, há um prédio que está em obras/ pinturas e, como tal, nessa direcção, colocaram uns pinos e madeiras para impedir o estacionamento, não vá haver algum acidente (ou incidente), e danificar os carros.


São apenas dois lugares, sendo que há vários acima, e outros tantos abaixo.


Só que, muito perto, há um café e snack bar. 


E, como já sabemos, há pessoas que não gostam muito de andar e, se pudessem, levavam o carro para dentro dos estabelecimentos.


Como não dá para o fazer, as pessoas insistem em deixar o carro estacionado ao lado das tábuas, a ocupar metade do estacionamento, e metade da estrada, quase como uma "segunda fila".


Aliás, a mesma pessoa, diariamente, fá-lo. E chegou ao cúmulo de, com tanta manobra para ali enfiar o carro, atirar com um pino e quase passar com a roda por cima dele.


Havia mesmo necessidade?


É que perde mais tempo, tem mais dificuldade, e faz mais estragos, do que se tivesse estacionado noutro lado, normalmente.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Segunda-feira

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É segunda-feira.


Levanto-me.


Espreito pela janela. Está nublado. E frio.


Aqueço-me com uma chávena de chá quente, enquanto passo os olhos pelas novidades do dia.


 


Como todas as segundas, é sinónimo de regresso ao trabalho, e à rotina.


De mais uma semana pela frente. E de poucas horas de sono.


Mas, por incrível que pareça, não tenho muito sono. E não me dói a cabeça!


 


Segunda-feira é aquele dia que poucos gostam, a não ser que estejam de férias, de folga, ou seja feriado. 


No entanto, hoje até nem sinto aquela aversão habitual.


 


Depois de tudo feito, saio para a rua.


O sol já espreita numa parte de céu azul, que afastou as nuvens e o nevoeiro, mantendo-os à sua volta.


E, apesar de se sentir o ar gelado da manhã, ao sol, sabe bem estar. 


Pelo caminho, o cheiro a relva.


E os montes de folhas amarelas caídas no chão.


 


É segunda-feira.


No entanto, não parece segunda-feira.


O que é bom!


Mas...


Trará esta segunda-feira atípica e, aparentemente, tão positiva, como se costuma dizer, "água no bico"?


 

Uma gulosa matando o desejo!

87 ideias de Gulosos em 2021 | frases sobre cozinha, dieta engraçado, humor  para treinamento


Um dia por semana, para matar o desejo que me der na gana!


 


Considero-me uma pessoa gulosa. Mas, muito raramente, faço jus a essa gulodice.


De há umas semanas para cá, tenho-a posto mais em prática.


Uma vez, fui ao Intermarché, e tinham à venda, nas sobremesas, Delícia de Ananás. Embora prefira mousse, não hesitei em comprar uma caixinha. Penso que há mais de 10 anos que não comia. E soube tão bem! Pelo menos, as primeiras colheradas porque, mais para o fim, já estava a ficar enjoativo. Mas valeu a pena!


 


Num outro fim de semana, estava-me a apetecer bolo de chocolate.


Comprei um pequeno, que deu para 4 pessoas, e o resto deixei no meu pai. Estava mesmo bom, e lá terei que repetir um dia destes!


 


E, depois, como resistir às Queijadas de Sintra?


Não é fácil.


Tenho uma vizinha, que mora mesmo em frente a mim, que as faz, embora nunca tenha oferecido nenhuma.


Então, frequentemente, sempre que estou a chegar a casa, ou a sair, está ali na rua o cheirinho a queijadas acabadas de fazer.


Comprei uma embalagem de 6 (não a ela), que também distribui. São pequenas. Mas deu para matar o desejo!


 


E é isto.


Não ando aí a comer bolos e doces à parva, mas uma pessoa também tem, com moderação, que aproveitar as coisas boas da vida, enquanto cá está!

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

The Good Doctor: a quinta temporada não me está a convencer

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O que é pena porque, até à quarta temporada, a série tinha vindo sempre a crescer.


Para variar, só descobri que esta quinta temporada já tinha estreado dois meses depois quando, por acaso, andava o meu marido a ver as gravações, me apareceu lá a série em primeiro plano.


Já tinha 5 episódios gravados, prontos a ver!


 


Nesta quinta temporada assistimos aos preparativos para o casamento de Lea e Shaun.


A primeira, à beira de um ataque de nervos para que tudo seja perfeito, mas a tentar disfarçar. O segundo, até entusiasmado, e a querer ajudar, mas sem stress. 


 


O Dr. Glassman talvez tenha percebido que já não precisa de proteger Shaun e, agora que voltou a ser um homem livre, talvez parta para outras paragens. Até porque o hospital foi vendido, e ele não está muito interessado nas novas políticas adoptadas.


 


Aliás, esse é um dos pontos focados nesta temporada: a compra do hospital e uma nova dona, com métodos e políticas algo peculiares, e nem sempre acertadas ou bem recebidas, já que se centram muito no lucro, e nos clientes que podem pagar por aqueles serviços.


Ao mesmo tempo que parece criar amizades com uns, e inimizades com outros, Salen mostra, por um lado, ser flexível em determinadas questões e, por outro, interesseira e oportunista, não deixando, no entanto, de ter razão em uma ou duas.


 


Uma dessas políticas é a implementação de máquinas onde os clientes e familiares podem clicar e deixar a sua opinião sobre os profissionais do hospital.


E a importância de obter uma boa ou má classificação nesses moldes.


Se, para uns, é indiferente, para outros, há que tentar sempre ser ter nota máxima. E há quem até interfira nas classificações.


 


Quanto a romances, temos a continuidade de Morgan e Park, e a de Audrey e Mateo que, agora, também está a trabalhar temporariamente no hospital.


No entanto, tanto o romance como o trabalho podem ser sol de pouca dura.


 


E, até agora, é basicamente isto.


Vistos os 5 episódios, a série parece ter feito uma pausa, sem data prevista para os próximos.


Vamos lá ver se o que ainda está por vir será melhor.


 

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Sonhos que davam filme

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Nicola tinha acabado de chegar ao seu local de trabalho provisório.


Ainda ficaria por ali uns dias, mas a sua vontade era ir embora o mais depressa possível. Por ela, naquele mesmo dia.


Tinha ficado tão perturbada com o encontro que tivera pelo caminho, que quase já nem conseguira descobrir o caminho para ali.


Se ela soubesse que tinha, na família, pessoas tão estranhas... Claro que, por dinheiro, as pessoas são capazes de tudo, até mesmo dentro da família. Mas isso era algo que ela estava habituada a ver nas notícias, não tão perto de si. Não a ponto de afectá-la pessoalmente.


 


A verdade é que, quando era mais nova, nunca tinha visto o tio, que andava sempre em parte incerta. Só algum tempo depois de ela ter saído daquela terra, é que este regressou às raízes. Por isso, nunca tinham estado juntos. Não se conheciam, de todo.


Mas, se Nicola soubesse, preferia não o ter conhecido.


Só aquele olhar, provocara-lhe um arrepio na espinha. Como se transmitisse más energias.


O olhar e, muito provavelmente, o facto de ele estar com uma arma na mão, em jeito de ameaça. Não a ela, propriamente. Mas em forma de recado, para o seu pai.


 


Nicola sabia que o tio tinha emprestado dinheiro ao seu pai, numa altura em que ele precisara. Mas o tio andava a fazer pressão, a exigir a devolução do dinheiro. Dinheiro que, tinha ficado acordado, o pai entregar no dia seguinte. 


Assim, aquela interpelação não fazia qualquer sentido. Nicola estava ali de passagem. Não tinha nada a ver com os acordos entre irmãos. E, ainda que assim fosse, que necessidade havia de mostrar a arma, e fazer crer que a poderia utilizar, caso as coisas não corressem como ele queria?


Ia matá-la? Matar o seu pai? Seria o seu tio um bandido. Um homem sem escrúpulos?


Nicola limitou-se a informar que o pai tinha o dinheiro, e a perguntar se o acordo não era entregá-lo no dia seguinte, ao que o tio assentiu, frisando que era só para perceber se tudo estava encaminhado, deixando-a seguir caminho. 


E ela assim o fez. Não ficaria ali para descobrir mais sobre ele. Já sabia que chegasse para não querer qualquer relação com o mesmo.


 


Conforme combinado, no dia seguinte tudo se resolveu. 


Nicola estava a fotografar as últimas flores, no âmbito do seu trabalho, quando viu passar o tio, juntamente com dois outros irmãos, ao longe.


Mais uma vez, sentiu aquela sensação de mal estar. Mas, ao mesmo tempo, não conseguiu tirar os olhos dele e, nem sabe bem porquê, viu-se a desejar que o tio olhasse para ela, como se isso fosse importante, quando o que ela mais queria era sair dali para fora e passar despercebida àquela pessoa.


 


No entanto, a determinado momento, como se tivesse ouvido o "chamado" da sobrinha, o tio olhou para ela, e dizendo aos irmãos que ia só despedir-se de Nicola, aproximou-se.


A verdade é que, também ele, não tinha ficado indiferente a Nicola. Ela não era como o resto da família.


Ela tinha força, garra. Ela não tinha mostrado medo dele, nem mesmo quando o viu com a arma na mão. Ela não vacilou. Não fraquejou. Enfrentou-o.


Ela era, de certa forma, parecida com ele. Tencionava conhecê-la melhor, se tivesse oportunidade para isso. E, talvez, apagar aquela primeira impressão que lhe possa ter causado.


- Olá Nicola! Como é que estás?


- Bem. E o tio?


- Queria desculpar-me por ontem. Sei que posso ter parecido muito frio e insensível. Até mesmo um criminoso. Mas nunca vos faria mal. É só a minha maneira de ser, desconfiado, bruto. Estou a tentar aceitar e ser aceite por esta família, que há muitos anos não via, e a adaptarmo-nos mutuamente. Espero que também tu, com o tempo, nos possamos conhecer melhor e me possas vir a aceitar, da mesma forma que o teu pai.


 


Nicola ouviu todo aquele discurso sem reação.


Se, por um lado, lhe apetecia dizer que aquilo era só conversa da boca para fora, para ver se ela se deixava enganar e levar pelas mentiras e justificações esfarrapadas dele, porque nada justificava os seus actos, por outro, sentia um estranho magnetismo, impossível de explicar e bastante incómodo, que a impelia a deixá-lo falar, sem ripostar. A fingir que acreditava nas boas intenções do tio.


Por um lado, Nicola tinha vontade de mostrar que não era como o pai, e que ele, a ela, não enganava. Queria cortar ali mesmo o mal pela raiz, e qualquer hipótese de relação futura, deixando-lhe isso bem claro.


Por outro, sentia que, por alguma estranha razão, não queria declarar guerra aberta ao tio, preferindo deixá-lo falar, e ver no que aquilo daria.


Algo lhe parecia dizer que os seus caminhos ainda haveriam de se cruzar de novo.


E, assim, deixou-o ir, sem ter dito uma única palavra...


 


 


Na vossa opinião, o que poderá estar por detrás desse estranho magnetismo?


Haverá mesmo algum segredo ou ligação por desvendar sobre ambos?  


 


 


 


 


 

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Isto das comissões bancárias de manutenção de contas...

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... tem muito que se lhe diga!


 


Especificamente quanto ao meu banco, a CGD, estou cada vez menos satisfeita com a sua política.


Enquanto tinha a conta antiga, era-me sempre cobrado um valor de pouco mais de 3 euros mensais. E tinha que ter o ordenado domiciliado na conta.


Quando abri a conta nova, passaram a cobrar mais de 5 euros por mês.


Questionada sobre isso, a funcionária explicou-me que, para continuar a pagar o valor antigo, teria que, para além das imposições anteriores, fazer compras no valor de 50 euros por mês, com o cartão multibanco.


Isto, ao mesmo tempo que tentam evitar que as pessoas recorram ao multibanco, com imposição de limitações ao número de movimentos efectuados mensalmente, e impingem o serviço caixa directa que, confesso, é bastante prático e faz as pessoas quererem fazer as operações quase todas sem sair de casa.


Desta forma, evitam que as pessoas façam o tal valor mínimo em compras.


 


Mas eu ainda não sou dessas que aderiu à preguiça total e, ainda no feriado, fui de propósito ao multibanco, para pagar a ração das gatas. Já era quase metade do valor para o mês de Novembro.


Hoje, em consulta ao meu extrato, percebi que me cobraram os 5 euros referentes a Outubro e fui ver os valores das várias compras.


Qual não é o meu espanto quando percebo que muitas das compras que eu fiz não são consideradas "compras" mas "pagamentos de serviços".


Pagar a ração das gatas, por exemplo, é um "pagamento de serviço".


Portanto, só os pagamentos efectuados directamente nos estabelecimentos são considerados compras.


 


E eu, lá vou ter que, a par com o cartão de refeição, começar a pagar tudo, mas mesmo tudo, com multibanco!

Quando a vida te dá limões...

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segunda-feira, 8 de novembro de 2021

"O Dilema", de B. A. Paris

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Se descobrirmos algo que sabemos que, inevitavelmente, teremos que contar a alguém, e que poderá destruir essa pessoa, o que fazemos?


Adiamos a revelação, por  uns últimos momentos de felicidade dessa pessoa, antes de o seu mundo ruir?


Por altruísmo?


Ou fazêmo-lo o quanto antes, antecipando o sofrimento e a decepção?


 


Escondemos o segredo durante mais uns dias, ou semanas, porque não sabemos como o revelar?


Porque sabemos que irá afectar várias pessoas e relações?


Porque queremos uma última oportunidade de normalidade?


Por egoísmo?


Ou isso deveria ser a última coisa em que pensar?


 


Lívia descobriu um segredo que tem vindo a esconder de Adam, o seu marido, não só porque ela própria ainda tem dificuldade em acreditar, mas também porque sabe que, a partir do momento em que o contar, tudo irá mudar na sua família e círculo de amigos.


E também porque, afinal, ela vai ter a sua festa de aniversário. Aquela com a qual sempre sonhou, e tem vindo a planear ao longo dos últimos anos. À partida, não fará assim tanta diferença para os outros, que ela o faça antes ou depois da festa mas, para ela, faz. E ela quer tanto a festa...


Irá, Adam, perdoá-la?


 


Adam descobriu algo que irá destruir Lívia, da mesma forma que já o está a fazer a si, e que, mais cedo ou mais tarde, terá que contar a ela.


Mas ela está tão feliz. É o dia da festa porque tanto ansiou. E ele não quer estragar-lhe essa felicidade. Até porque, bem vistas as coisas, ainda não tem a certeza dos factos. Ou não quer acreditar que seja verdade.


E não serão umas horas que farão a diferença. Ou farão?


Irá, Lívia, perdoá-lo?


 


Por isso, Lívia, pensando um pouco em si e na concretização do seu desejo, e Adam, na felicidade de Lívia, que estás prestes a acabar, omitem os seus segredos até ao dia seguinte.


Ela, radiante e feliz mas, ao mesmo tempo, receosa dos tempos que virão quando contar a verdade, sem saber que haverá uma outra verdade ainda pior que essa.


E ele, cada vez mais curvado pelo peso que carrega sozinho, para que todos os outros estejam bem, e felizes, umas últimas horas.


 


Se erraram os dois? 


Talvez...


Se um segredo era bem mais grave que o outro, e havia mais motivos para ser contado de imediato, que o outro?


Talvez...


Se contar o segredo a Lívia iria mudar alguma coisa? Não.


Mas se Lívia tivesse contado o seu segredo a Adam, antes, talvez não existisse outro mais grave para revelar. Talvez se tivesse podido evitar o que aconteceu.


Ou talvez não...


 


O que é certo é que os segredos foram revelados e, agora, resta lidar com a dor, com o sofrimento, e com os cacos por eles deixados.


Como enfrentar tudo sem se destruirem, e à sua família? Como manter as amizades intactas?


Como se reerguerem, depois da queda?


 


Em "O Dilema", toda a história se centra nos preparativos para a festa, na festa, e no pós festa, sendo que as revelações, embora o leitor as saiba mais cedo, só são feitas entre personagens mesmo para o final.


Até lá, sentimos toda a tensão, todas as dúvidas, toda a angústia, os pensamentos e desejos de cada um deles, relativamente ao outro.


Bastaram uns segundos para mudar toda a vida deles.


O presente é o que é. Não se pode mudar.


Já o futuro, está sempre em aberto...


 


 

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!