sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

A evolução da pandemia em palavras

Pin em Ideias de comidas


 


No outro dia pus-me a pensar em como tudo isto começou.


No receio que sentimos. Em todas as medidas que começámos a adotar.


A novidade das máscaras. O uso (e abuso) do álcool gel.


As roupas que iam directamente para a máquina mal chegávamos a casa. Os sapatos à porta.


As compras de quarentena e desinfectadas.


As autarquias a desinfectar as ruas.


Parecia um filme. De terror.


 


Depois, começámos a encarar a nova realidade, e a aceitá-la.


Vieram uns termos novos. 


A modernice da App, que se tornou um fiasco.


A chegada das vacinas, e a corrida à salvação.


A adopção de um certificado que incentivou tanta gente, quanta a que limitou.


 


Por entre restrições, estados de tudo e mais alguma coisa, e números atrás de números, chegou a testagem massiva.


E um novo alívio das medidas, que começa a deixar cair por terra tudo aquilo a que quase fomos obrigados a ter sendo que, daqui a uns tempos, se a tendência se mantiver, ninguém mais quererá saber de vacinação, e os certificados, de vacinação e recuperação, servirão apenas para guardar como relíquias. 


 


Esta é uma espécie de evolução da pandemia, desde o início até hoje, em palavras:



  • coronavírus

  • pandemia

  • contágio

  • máscaras

  • álcool gel

  • luvas

  • tapetes desinfectantes

  • câmaras de desinfecção

  • confinamento

  • quarentena

  • estado de emergência, calamidade, alerta

  • app stay away covid

  • vacinas

  • certificado de vacinação

  • restrições

  • matriz de risco

  • índices

  • testes (PCR, antigénio, rápidos)

  • contacto de risco

  • certificado de recuperação

  • endemia


 


Agora, e ainda a lidar com os cacos da pandemia, chegou a vez de uma outra guerra...


 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Desafio de Escrita do Triptofano #5

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Numa festa, para a qual Gerofina e Pirolifes foram convidados.


 


Gerofina: Olha só para este banquete, Pirolifes! 


Pirolifes: Estou a ver, mulher. Está para aí comida que nunca mais acaba. 


Gerofina: E tem tudo tão bom aspecto! Vou provar um bocadinho de tudo.


Pirolifes: Calma, mulher! Como se conseguisses enfiar tanta comida na barriga.


Gerofina: Então não consigo? Com a fome que tenho.


Pirolifes: Quem te ouve, ainda pensa que não comes há dias.


Gerofina: Cala-te, homem! Se não queres, mais sobra para mim. Não tenho culpa que sejas pisco!


 


E, dito isto, Gerofina lança-se à mesa e, não deixando de comer, vai provando e pondo defeitos em tudo.


 


Gerofina: Hum... este bolo tem creme a mais... O frango está um bocado mal passado... Aquele vinho é muito fraquinho. Mas quem é que se lembra de comprar queijo bolorento?


Pirolifes: Oh mulher, se não queres, não estragues. Isso ainda te vai fazer mal.


Gerofina: Olha, como dizem lá na minha terra, "mais vale fazer mal, que sobrar"! 


Pirolifes (pensando para com os seus botões): É doida.


 


Uma hora depois, Gerofina começa a queixar-se.


 


Gerofina: Ai, homem, parece que me sinto empanturrada. 


Pirolifes: Pudera! Com o que enfardaste!


Gerofina: Não comi assim tanto! O meu estômago é que é sensível a estes temperos modernos.


Pirolifes: Pois, pois...


Gerofina: Ai, a minha barriga.


Pirolifes: É bem feita! Para a próxima comes menos. E estragas menos. Porque agora ninguém vai comer os restos.


Gerofina: Cala-te, homem! Tenho que ir já à casa de banho.


 


Ao fim de algum tempo, Pirolifes, já preocupado, vai ver como está a mulher.


 


Pirolifes: Então, mulher? Estás melhor? 


Gerofina: Cala-te!  Parece que vou morrer. Já não tenho mais nada para deitar para fora.


Pirolifes: Se calhar é melhor irmos andando. Em casa bebes um chazinho.


Gerofina (saindo da casa de banho): E eu lá sou mulher de chás?!


Pirolifes (encolhendo os ombros): Só estou a tentar ajudar-te.


Gerofina: Sim, claro! Deves estar todo contente com a minha desgraça.


Pirolifes: Que ideia a tua, mulher. Sinceramente.


 


E nisto, passando de novo pela sala do banquete.


 


Gerofina: Olha, sabes que mais? Vou mas é petiscar qualquer coisa. Estou a precisar de energia.


Pirolifes: Não tens emenda, mulher! 


Gerofina: O que foi? Se não me reabastecer ainda desfaleço pelo caminho.


Pirolifes: Sabes que mais? Espero por ti no carro. Haja paciência.


Gerofina (a modos que ofendida): Olha-me, este! Eu aqui doente, e ele vira costas. Assim se vê a sua preocupação! 


 


E, voltando-se para a mesa


Gerofina: Olha, ainda não tinha provado aquele pudim! Nem é tarde, nem é cedo!


 


Texto escrito para o Desafio de Escrita do Triptofano


 


Também participam 


Ana D.


Ana de Deus


Bruno


Triptofano


Maria Araújo


Cristina Aveiro


 


 


 


 


 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

A experiência traumatizante de um internamento hospitalar

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Ninguém vai, de ânimo leve, para um hospital.


Sobretudo, pessoas com mais idade. 


Pessoas que, felizmente, nunca precisaram de estar em hospitais anteriormente.


Pessoas que acham que está na sua hora. E que já perderam alguém, há muito pouco tempo.


O medo/ precaução do Covid tornou tudo ainda pior, se é que isso é possível.


 


Primeiro dia:


Faz hoje uma semana que o meu pai foi para Santa Maria.


Foi de ambulância. 


Passou pelo covidário, tendo sido, depois, recambiado para a zona dos "amarelos". Onde a minha mãe tinha estado, quando a levámos a primeira vez.


Só que, desta vez, não permitiam acompanhantes.


Ou seja, o meu pai, que não tem paciência nenhuma, sabendo que está numa situação não muito famosa, teve que ficar ali dentro, sozinho, horas a fio, juntamente com todos os outros que estavam em situações idênticas.


O meu irmão estava lá, do lado de fora. Mas, num dia inteiro, foi preciso chegar ao final do dia para que um segurança compreensivo deixasse o meu irmão entrar por 5 minutos, e uma enfermeira simpática permitisse que o meu irmão pudesse ficar com o pai durante cerca de 1 hora.


O meu pai ia falando connosco pelo telemóvel. Estava consciente. Sabia que ia ficar lá.


Ver o filho, no meio de toda aquela situação, fê-lo sentir que não estava sozinho. Nem todos tiveram a mesma sorte.


 


Segundo dia:


O meu pai continuava nos "amarelos".


Pelos vistos, passou lá a noite, e todo o dia de quarta-feira. 


Sozinho. Numa maca, provavelmente. No meio da confusão. Já sem conseguirmos falar com ele, porque ficou sem bateria no telemóvel.


 


Terceiro dia:


A médica informa-nos que o nosso pai passou a noite agitado, e apresentava alguma confusão mental.


Só poderia ser o stress de estar ali internado, pensámos.


A verdade é que, a partir do momento em que uma pessoa está num hospital, começa a perder as suas referências. Toda a sua rotina é alterada. Juntemos a isso a medicação, a saturação, o problema em si, e o estar-se sozinho, sem conseguir falar com ninguém.


O meu pai estava com máscara de oxigénio, a tratar uma insuficiência cardíaca que lhe afectou a parte respiratória e renal e, eventualmente, poderia ter causado danos no cérebro.


Tiraram-lhe o telemóvel porque estava muito agitado. E nós continuávamos sem perceber bem que agitação era essa.


 


Quarto dia:


Finalmente, o meu pai teria uma visita!


O meu irmão poderia vê-lo, durante meia hora.


Foi nesse dia que percebemos a real dimensão do trauma que o internamento lhe causou. Tal foi o choque.


Quem não o conhecesse, diria que tinha problemas mentais. Fez, inclusive, nesse dia, uma TAC ao crânio.


Embora com alguns momentos de lucidez, logo se escapava para outro mundo.


Achava que ninguém sabia onde ele estava, e que o tinham raptado, e mantido ali preso. O que não anda muito longe da verdade. Tiveram mesmo que adoptar medidas de contenção, à noite, e sedá-lo, para que parasse de gritar, e de se levantar para sair do quarto e ir embora.


Dizia ao meu irmão que tinha que ir para o hospital. Que, na "clínica" onde tinha estado (os "amarelos", supomos), não lhe tinham feito nada.


 


Quinto dia:


Teve direito a mais uma visita, desta vez, do irmão. 


Continuava confuso. Muito debilitado.


Queria ir à rua. Sair daquele quarto.


 


Sexto dia:


Nova visita, desta vez, da minha prima.


E começámos a ver a luz ao fundo do túnel.


O facto de ir lá gente vê-lo, talvez o tenha acalmado e, acalmando, reduziram os sedativos. Menos "drogado", o discernimento começou a regressar.


Já tinha um discurso mais coerente, embora por telefone, não se percebesse muito, devido à fraqueza dele.


 


Sétimo dia:


A médica informa-nos que ele já voltou ao normal, estava consciente, coerente, triste por não ver a filha, e farto de estar no hospital.


A TAC não acusou nada.


Está a melhorar e a recuperar do problema, e terá alta em breve, se continuar assim.


 


Oitavo dia:


Hoje, vai ter a visita do genro.


Vamos experimentar levar o telemóvel dele, que entretanto nos devolveram porque ele não o podia ter com ele, para ele voltar a estar contactável.


 


Passaram-se oito dias, que pareceram, a ele e a nós, uma eternidade, com alguns sustos pelo meio. No caso do meu irmão, o choque de o ver pessoalmente num estado que nunca imaginaríamos.


Para uma pessoa como o meu pai, cheio de força interior, chegar àquele ponto de os médicos pensarem que ele tinha algum distúrbio mental, imaginem o trauma.


E, da minha parte, ter que passar por tudo isto à distância, por conta do covid. Dependente de notícias de quem lá ia vê-lo, e da médica, com quem tenho falado sempre, ou de auxiliares. Sem poder vê-lo, descansá-lo, acalmá-lo.


 


Claro que isto não acontece com toda a gente que é internada.


Estava uma senhora, ao lado dele, já mais que habituada a esta andanças, e estava ali na boa, conversando e contando algumas das coisas que tinham acontecido com o meu pai.


Mas pode acontecer a muita gente, sobretudo numa altura em que, aos doentes, é tirado o suporte familiar do acompanhamento, o contacto directo com a família ao longo dos dias, e as visitas são tão poucas, e tão pouco tempo (1 única pessoa por dia, durante meia hora).


 


Eu, continuo de castigo, à espera do certificado de recuperação, para poder entrar no hospital.


Esperemos que ele venha para casa antes disso.


E que não venha com sequelas psicológicas, de toda esta experiência! 

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Em modo "repeat"

Ouvi esta música, pela primeira vez, hoje.


E não consigo parar de cantar o refrão!


É daquelas que, primeiro, estranha-se. E, depois, entranha-se.


Mesmo num "coração de pedra"!


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Desafio de Escrita do Triptofano #4

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Jogador: Surpreendida?


Bela: Deveras.


Jogador: Queria passar algum tempo contigo. E uma partida de xadrez pareceu-me um bom desafio.


Bela: Para ti? Ou para mim?


Jogador: Para ambos.


Bela: Vamos, então, elevar a fasquia ao desafio. Se tu venceres, continuarei tua prisioneira. Se eu te vencer, libertas-me para sempre!


Jogador: Mas tu já és livre! Não te tenho acorrentada. Tão pouco, amordaçada. Dou-te tudo o que queres. Faço tudo o que me pedes.


Bela: Então, não terás qualquer problema em aceitar o desafio.


Jogador: Certo. Assim seja. Mas sabes que tudo o que faço é para te proteger. Há por aí muita gente que não te quer bem.


Bela: E julgas que eu não me sei defender sozinha e, por isso, preciso de ti?


Jogador: Eu sei que até te podias defender. Mas eu amo-te. E que ama cuida.


Bela: Claro! Como quem cuida de uma flor muito sensível que, à mínima intempérie, se pode quebrar!


Jogador: Eu não te considero frágil, mas com a minha força, aliada à tua, somos mais fortes.


Bela: Pois... Se tu dizes...


Jogador: Acredita. Já tenho muita experiência. Sei do que falo.


Bela: E no xadrez, também és assim tão experiente?


Jogador: Não me quero gabar, mas costumo sair vencedor.


Bela: A sério?! A mim, parece-me que talvez tenhas esquecido algumas regras fundamentais.


Jogador: De que regras falas?


Bela: A primeira, é nunca misturar jogo com amor! Tira-te o discernimento.


Jogador: Achas? 


Bela: Tenho a certeza! A segunda regra é perceber que a paciência é uma virtude, e pode ser a tua melhor aliada. Sobretudo, no xadrez. Se a perdes, perdes-te. E tu, acabas de perder. Xeque-mate!


 


Texto escrito para o Desafio de Escrita do Triptofano


 


Também participam:


Bii Yue


Ana de Deus


Triptofano


Maria Araújo


Cristina


Bruno


Maria


 


 


 


 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

A sentir-me omicronada!

Vetores de Menina Bonita Doente Com Termômetro E Saco De Gelo e mais  imagens de Adolescente - iStock 


 


Algum dia haveria de chegar a minha vez!


Encarei isso com normalidade. Sem stress.


Mesmo não estando vacinada.


 


Não sei se foi o Omicron, ou a nova subvariante, que me apanhou.


Sei que experimentei todos os sintomas possíveis e imaginários, à excepção (felizmente) da dificuldade em respirar.


Vejamos:


- febre, muito ligeira


- um dia de dor de barriga


- dores musculares, mais nas pernas, mas suportáveis


- um pouco de tosse, bem mais ligeira que em muitas constipações que tive


- garganta irritada, mais pela impressão e de tossir, do que dor


- herpes 


- borbulhas na cara


- dormência nas mãos


- dor de cabeça ligeira


- dor de ouvidos ligeira


 


Nada disto me derrubou. 


Repeti o mantra "Não me vais derrubar, porque eu não vou permitir.", e estava a funcionar!


Dizia mesmo que já estava na fase de recuperação, até porque a maior parte destes sintomas experimentei-os quando os testes ainda davam negativo.


Mas depois...


Depois, fiquei na dúvida se tinha mesmo feito o teste Covid, ou um teste de gravidez!


 


O meu organismo é tramado, e decidiu presentear-me com um sintoma extra - enjoos.


Nem é não ter paladar. É tudo me saber mal e agoniar. 


É ter fome, mas só de pensar em comida...


 


E pronto, com a falta de comida no estômago, a fraqueza, e passar o dia na cama, por não me aguentar de pé mais do que 5 minutos. (E pensar que aguentei-me assim 9 meses quando estive grávida da minha filha.)


Os nervos pela situação do meu pai, que entretanto foi internado em estado grave, também não devem ter ajudado.


Mas parece que o pior já passou. Há que mostrar que o vírus pode ter vencido uma batalha, mas a guerra venço-a eu!


 


Já a minha filha, também infectada, e não vacinada, tem os sintomas normais de uma constipação - tosse, nariz e garganta.


 


Posto isto, podemos dizer que vivemos na sua plenitude a experiência toda da pandemia.


Adiante!


 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Impotência...

Algemado: vetores de stock, imagens vetoriais, desenhos gráficos |  Depositphotos


 


Nenhum momento é bom para se ficar em isolamento.


Mas, de todos os momentos menos bons, este foi mesmo um péssimo momento.


 


Há uma semana que o meu pai não se anda a sentir bem.


Foi a uma consulta de urgência, fizeram rx.


O médico apenas lhe disse que tinha "os pulmões fracos", o que quer que isso signifique. A tensão fraca. E, supostamente, oxigénio no sangue baixo.


Prescreveu umas análises para fazer e mostrar à médica da família. E uns comprimidos, para ver se o ajudava a dormir.


Porque é sempre à noite que piora.


 


Feitas as análises, não sendo médica, percebi que não estão famosas. Muitos valores alterados, e sujestivos de vários problemas.


O meu pai tem 80 anos.


Não dorme há vários dias.


Não tem grande motivação para viver, depois que a minha mãe partiu.


E, agora, nem sequer podemos fazer-lhe companhia, ficando ainda mais sozinho, e doente.


 


Estamos a escassos metros da casa dele, mas não podemos lá ir.


Para o bem dele. Que, ao mesmo tempo, o faz sentir pior.


 


Ele já disse que não vai para nenhum hospital.


Ainda assim, não o podemos acompanhar a qualquer consulta. 


Não o podemos vigiar, medicar, fazê-lo comer, nada.


 


Ao contrário de nós, pelos testes que tem feito, não tem Covid.


Mas alguma coisa se passa.


Espero que ainda se vá a tempo de resolver.


 


Neste momento, é um homem que está a sofrer, fisica e psicologicamente, e a acreditar que a hora dele está a chegar...


E eu, impotente, não posso fazer muito para o ajudar...


 


 

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Perder o controlo...

O que é Ilusão e o que é Real.jpg


 


Por vezes, acontece.


Numa questão de segundos.


 


Estamos a nadar e, de repente, ficamos sem pé.


Estamos a segurar o volante mas, repentinamente, a nossa mão larga-o.


Estamos a tentar mantermo-nos acordados mas, subitamente, os olhos fecham.


Estamos a agarrar as rédeas mas, inesperadamente, elas soltam-se.


 


Acreditamos que temos tudo controlado. E até tínhamos.


Mas, do nada, perdemos o controlo.


 


Nesse momento, o pânico invade-nos.


Queremos, rapidamente, recuperar o controlo.


No entanto, com a mesma rapidez com que o queremos recuperar, o mais certo será perdê-lo definitivamente.


Como quem esbraceja para se manter à tona, cansando-se, e acabando por se afogar.


 


Por isso, por vezes, a melhor forma de recuperar o controlo é, primeiramente, manter a calma.


Observar.


E, só então, agir.


De forma precisa, e certeira...


 


 


 


 


 


 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Desafio de Escrita do Triptofano #3

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- Porque é que, por onde passas, vais deixando sementes?


- Porque é esse o meu trabalho.


- Mas nunca ficas para ver o resultado. Vais sempre continuando, e espalhando mais sementes.


- Não preciso de ficar a tomar conta delas. Alguém se encarregará de tratar delas.


- Como assim?


-  Haverá sempre quem queira que estas sementes, ou parte delas, germinem. Quem esteja disposto a colocar um pouco de água. A colocar um pouco de fertilizante. A espantar os pássaros para que não as levem.


- Então, todas estas sementes darão, um dia, flor ou fruto. É por isso que não te preocupas.


- Nem sempre. Há um requisito básico, o mais importante de todos eles, para que uma destas minhas sementes germine.


- Qual?


- O solo. Eu posso lançar as sementes que me apetecer, e todos os outros poderão fazer de tudo para que elas germinem, e se transformem em algo. Mas, se o solo não for fértil, nada acontecerá. As sementes só germinarão se o solo onde forem lançadas o permitir.


- Só isso?


- Há também outro factor a ter em conta...


- E que é?


- Ainda que o solo seja relativamente fértil, e elas se transformem, há sempre a possibilidade de nem sempre resultarem da forma como seria de esperar. Tanto podem gerar plantas corrosivas, como inofensivas, ou até mesmo muito úteis.


- A sério?


- Sim. Depende muito da utilidade que lhes quiserem dar, daquilo que pretenderem fazer com elas, de como as usarão em seu benefício, ou contra si.   


- Já agora, que sementes são essas que levas aí?


-  Chamam-se "dúvidas"!


 


 


Nota


Os primeiros pensamentos que me vieram à mente logo que vi a imagem foram os ditados: 


"Quem semeia ventos, colhe tempestades" ou "Cada um colhe aquilo que semeia".


Também me lembrei dos viajantes, que vão deixando a semente da sua cultura, e levando outras consigo.


Mas não era bem sobre isso que eu queria escrever.


E, depois, surgiram as dúvidas 


 


 


Texto escrito para o Desafio de Escrita do Triptofano


 


Também participam:


Ana D.


Ana de Deus


Bruno


Abrigodasletras


Triptofano


Maria


 


 


 


 


 


 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Iminência...

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Tudo está calmo.


Tudo está normal.


Tudo está como deveria estar.


Ainda assim...


 


Sinto que é só uma questão de tempo.


Sinto o turbilhão a querer formar-se.


Sinto os sinais.


 


Sinto a vontade... A ânsia... 


A iminência do que está por vir...


Por um fio...


 


Apenas à espera do tiro de partida.


À espera que a comporta se abra.


À espera da fagulha que servirá de rastilho.


 


E, no entanto, pode não passar de um falso alarme.


Como um meteorito, que se desviou da rota, sem causar danos.


Ou um tsunami, que não se chegou a formar, mantendo as ondas serenas.


 


Talvez, no fim, tudo tenha sido, apenas, a iminência de algo que não se chegou a materializar.


E a vida segue.


Como sempre.


Sem ocorrências a registar.


Normal. 


Como deveria ser...


 


 


 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

A fuga das galinhas!

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O galo, a pensar: Olha, olha! Aquela galinha doida escapou-se outra vez!


 


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A galinha, para a outra: Espera aí, amiga! Eu também vou contigo!


 


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O galo, a pensar: Vão para a farra, as malucas!


 


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As galinhas: Andas a expiar-nos? Mete-te mas é na tua vida!


 


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O galo: Eu?! Claro que não! Que ideia a vossa. Estava precisamente no caminho inverso.


E pensando, para com a sua crista: "Esperem lá que já vos conto uma história!"


 


Uns minutos depois, estava o dono a pegar nelas e a pô-las de volta no galinheiro!


 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

"No Escuro", de Cara Hunter

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Uma mulher que quase não sobrevive, descoberta por mero acaso.


Uma criança traumatizada.


Um idoso com Alzheimer, e com uma linguagem um pouco ordinária, acusado de manter em cativeiro a jovem e a criança, mas que afirma que não faz a mínima ideia do que os policiais estão a falar.


 


Um corpo, de outra mulher, descoberto no jardim daquela mesma casa.


Um marido que ficou sem mulher, e um bebé que ficou sem mãe.


Uma ama prestativa que agora cuida de ambos.


Numa casa muito perto de onde o terror aconteceu.


Estarão os dois casos relacionados?


 


Depois de uma investigação que parece sempre não sair do mesmo sítio, todos os indícios apontam para um único suspeito.


E nós, leitores, ficamos a pensar: não! Não pode ser! Tem de haver mais qualquer coisa. Nem sequer estamos perto do fim. Isto não fica por aqui. Apesar das evidências. Apesar dos factos.


 


No entanto, é preciso perceber que, apesar de tudo estar lá, basta ler o quadro por outro prisma, por outra perspectiva, para alterar todo o sentido.


Para se encontrar outras motivações. Para se enverear por outra linha de investigação. E deparar com outros suspeitos!


Já tantas vezes ouvimos a expressão "nem tudo é o que parece", mas ainda temos a tendência de ignorá-la.


Há momentos em que devemos ir pelo mais simples. E outros, em que nada é assim tão simples.


 


O que é certo é que uma mulher e uma criança foram trancadas numa cave, e abandonadas à sua sorte. Quem sabe, esquecidas... Quem sabe, propositadamente, para morrer...


Sozinhas. Sem comida. Sem água.


No escuro...


Mas a escuridão que as espera, depois de serem resgatadas, poderá ser ainda maior que aquela em que passaram os últimos três anos.


 


Cara Hunter, mais uma vez, a não desiludir com as suas histórias e desfechos imprevisíveis.


Uma reflexão sobre a ineficácia dos serviços sociais. 


Sobre o abandono dos idosos mais vulneráveis, e os abusos de que os mesmos podem ser vítimas.


Sobre como uma doença pode transformar uma pessoa em outra completamente desconhecida, até mesmo para ela própria.


Sobre psicopatia, e tudo o que dela pode decorrer.


 


 


 


 


 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Desafio de Escrita do Triptofano #2

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- Porque é que a concha se abriu?


- Porque está na hora de saíres de dentro dela.


- Mas eu não quero sair.


- E porque não?


- Porque aqui, estou em segurança.


- Achas mesmo que sim?


- Claro! Ela protege-me.


 


- E do que te queres proteger assim tanto?


- Desses monstros que me olham, que parecem querer agarrar-me.


- Ora, os monstros de que falas nada mais são do que os ramos das árvores. Não tens que temê-los.


- E estás a ver toda essa escuridão? Mete medo. Aqui dentro há luz.


- Esta escuridão nada mais é que a sombra das árvores, que te falei há pouco. Mas, quando atravessares a floresta, perceberás que também existem clareiras, onde terás o sol a iluminar-te.


- Então e os barulhos, que se ouvem? São assustadores.


- Os barulhos são apenas os animais que vivem por aí. Que se atreveram a sair das tocas.  


 


- Porque não posso, simplesmente, ficar aqui?


- Porque é preciso viver. E só poderás fazê-lo, saindo dessa concha, experienciando o que há para lá dela. E porque o medo não é motivo suficiente para o fazeres. 


- Mas eu já vivo!


 


- Enganas-te. Limitas-te a existir.


Tens pés, mas não caminhas.


Tens mãos, mas não agarras as oportunidades.


Tens olhos, mas recusas-te a ver mais além.


Tens coração, mas não te permites sentir mais do que receio.


 


- Podes insistir em ficar na tua concha. Querer que ele se volte a fechar, contigo lá dentro. Mas que sentido isso faz? Vais passar aí toda a tua vida?


 


- E se o fizesse, que mal tinha?


 


- Estarias a desperdiçar a tua vida. Aquela por que muitos anseiam, e não a podem ter.


De que serve uma vida sem riscos? Sem coragem? Sem garra? Sem luta? Sem atrevimento?


Sim, pode-se perder muito. Mas também se pode ganhar muito.


Nessa concha, não perdes, mas também não ganhas.


Pensas que ela te protege mas, da mesma forma que não deixa ninguém entrar, também não te permite sair.


É mesmo aí que queres passar toda a tua vida?


 


- Não sei...


O que sei é que, quando, e se eu quiser sair daqui, tenho que fazê-lo por mim. Tenho que ser eu a querê-lo, e mais ninguém. 


E, enquanto não o sentir, aqui ficarei, na minha concha. 


Ainda que todos, à minha volta, insistam para que a abandone de vez...


  


 


Texto escrito para o Desafio de Escrita do Triptofano

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Daquelas "limpezas" gerais que uma pessoa faz na vida

Desenho de Vassoura pintado e colorido por Usuário não registrado o dia 02  de Outobro do 2009


 


Olhei para a minha lista de livros a comprar.


Muitos deles, pareciam mais do mesmo.


Gosto de determinados estilos, mas cheguei a uma fase em que, só isso, não basta. 


Quero ler livros que tragam algo de novo. Que me surpreendam. E não que eu já saiba como começa e acaba, porque são todos assim.


Por isso, neste momento a minha lista está reduzida a 8 livros.


 


O mesmo aconteceu com filmes e séries que tinha na minha lista para ver.


Tanta coisa que por lá tinha, e já foi eliminada. 


Está cada vez mais difícil encontrar alguma coisa que me agrade porque, não é por gostar de determinado género, que tudo o que é daquele género é bom e me apetece ver.


 


E que dizer das amizades no facebook?


Amigos de amigos não são, necessariamente, meus amigos.


Pessoas meramente conhecidas, que vivem na mesma zona, idem.


Tal como aquelas que me pedem amizade com segundas intenções - fazer publicidade a bens ou serviços.


E outras que estão lá, que nunca interagem, nem se lhes vê sinal de vida, e só parecem acordar quando percebem que foram eliminadas!


 


Não sei se é esquisitice, falta de paciência ou efeitos da idade, mas é isto. 


Ando numa daquelas "limpezas gerais" que uma pessoa faz na vida!


 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Se não sabem, pesquisem, antes de dizer disparates!

Vetores de Pesquisar A Fundo De Lente Branco Do Ícone Azul De Lupa  Ilustração Do Vetor e mais imagens de Amarelo - iStock


 


Se há coisa que me irrita é pessoas que falam à toa, como se fossem verdadeiras conhecedoras do assunto, e que ficam ofendidas por duvidarmos dos seus conhecimentos, como se não pudessem tê-los.


 


E eu, desconfiada que sou, sou como São Tomé: ver para crer!


Não é que a pessoa não possa estar certa. É que, se me deixar a mínima dúvida, tenho que ver por mim e, por isso, vou pesquisar e confirmar.


Não raras vezes, percebo que quem disse as coisas não fazia a mínima ideia do que estava a falar, e apenas atirou para o ar.


 


É caso para dizer "se não sabem, pesquisem, antes de dizer disparates"!


 

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!