domingo, 31 de julho de 2022

Um ano sem ti

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"O que serve à morte o pranto


e os sinais por quem morreu


Se a morte traz o descanso


Para tudo quanto nasceu"


(autor desconhecido)


 


Faz hoje um ano que partiste.


Um ano que se passou num ápice.


Um ano em que muita coisa aconteceu.


 


Por cá, continuamos na nossa luta.


O tempo a escapar-se por entre os dedos.


A vida em "contrarrelógio"...


 


Com momentos de preocupação.


E outros mais felizes.


Mas sempre com saudades...


 


Espero que estejas bem.


Nós, por aqui, de uma forma ou outra, prometemos ficar. 


Ou, pelo menos, tentar...


 


 


 


 


 

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Foi preciso chegar aos 80 anos para se estrear no McDonald's!

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Não tem conta as vezes que a minha filha convidou o avô, e insistiu com ele para, um dia, ir ao McDonald's comer um hamburguer. Dizia que ele tinha que experimentar, que eram muito bons.


E a resposta era sempre a mesma: não quero cá hamburgueres, não gosto disso.


 


No outro dia, à vinda de uma consulta no hospital, acabámos por ir ao McDonald's aqui em Mafra. E não é que ele provou, e gostou?!


Foi preciso chegar aos 80 anos, para se estrear no McDonald's. Mas nunca é tarde para se ficar "viciado"!


 


Depois disso, já lá o levámos mais uma vez, e suspeitamos que não ficará por aqui.


Até porque, agora, é ele que convida a minha filha, e ainda não foram os dois!

quinta-feira, 28 de julho de 2022

"Eu sei o que vocês fizeram", de Dorothy Koomson

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E se, de repente, uma vizinha nos batesse à porta, ferida, nos entregasse um diário cheio de segredos, nos pedisse para não confiar em ninguém, e desaparecesse, sendo encontrada segundos depois, caída no chão da rua?


E se essa vizinha nos dissesse que sabia o que todos andávamos a fazer, e que estava tudo nesse diário?


E se, nós mesmos, constássemos desse diário?


 


Priscilla é uma vizinha que se dá com poucas pessoas, e com quem poucas pessoas se dão.


Mas isso não a impede de saber tudo sobre os vizinhos. Até mais do que deveria.


E sabe também que, mais cedo ou mais tarde, tendo em conta tudo o que descobriu sobre os seus vizinhos, um deles a irá matar.


Aliás, já alguém tentou fazê-lo, e ela está agora a lutar pela vida, no hospital, enquanto os vizinhos alternam entre a consternação, o receio pela sua própria segurança, e a necessidade de evitarem, a qualquer custo, que os seus segredos sejam descobertos.


 


Não se sabendo bem por que motivo, Priscilla entregou o seu diário a Rae, a última pessoa a vê-la, antes de se depararem com ela caída.


Quando a polícia vai falar com Rae, ela não menciona o diário, guardando-o para si.


Com a curiosidade a falar mais alto, ela acaba por ficar a saber o mesmo que Priscilla.


Isso significa que, talvez, seja ela o próximo alvo a abater.


A não ser que, também ela, conste do diário.


A não ser que, talvez, ela tenha algo a ver com o ataque a Priscilla.


 


Sabemos que Rae tem algo que esconde.


Mas Lilly também.


Tal como Mark.


Tal como Bryony.


E Grayson.


Provavelmente, tal como a maioria dos residentes.


É mais que certo que o culpado estará entre eles.


Resta saber quem…


 


Quando começamos a ler a história, a autora faz-nos suspeitar de quase toda a gente, ainda que não saibamos o motivo para tal.


À medida que vamos avançando, e descobrindo, tal como Priscilla, os segredos de cada um, aquilo que tentam esconder, os negócios duvidosos em que andam metidos, as traições e tantas outras coisas, percebemos que qualquer um deles poderia ter feito aquilo.


Ainda assim, nem tudo é o que parece, e nem sempre as evidências apontam para o verdadeiro culpado.


A revelação pode mesmo surpreender, de tão inesperada.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Uma visita à Quinta do Pisão

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O passeio do passado fim de semana acabou por ser uma escolha de última hora depois de, pela terceira vez, nos ter sido cancelada a visita que tínhamos programada arruinando, mais uma vez, os planos.


 


 


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Mas, como se costuma dizer, há males que vêm por bem e, por isso, optámos por visitar a Quinta do Pisão, que está inserida no Parque Natural Sintra-Cascais, no sopé da Serra de Sintra.


 


 


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Logo ao início, é possível ver os burros, em liberdade, no pasto. Achei uma piada ao mais pequenote, e um outro que se rebolava de um lado para o outro na terra, deitado, e ficámos com pena de não nos podermos aproximar mais deles.


 


 


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Mais à frente, encontrámos o estábulo, onde é possível ver cavalos, burros e cabras.


É também possível fazer algumas actividades com estes animais, mas tem que ser por marcação, e com antecedência, por isso, não tivemos sorte.


 


 


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Podemos observar diferentes espécies de árvores, plantas e flores, bem como toda uma diversidade de fauna, conforme nos vai sendo indicado ao longo do percurso.


 


 


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Por toda a quinta, vamos encontrando espaços para descansar, e de piquenique, como este, até porque o espaço ainda é grande, e anda-se muito.


 


 


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Pelo caminho, é possível ver estas casinhas, e postes, bem como um poço, e uma gruta, que está vedada.


A quinta tem ainda uma horta biológica, onde é possível apanhar os produtos e pagar, depois, na loja.


As lagoas não fazem parte do percurso delineado. Tínhamos esperança de as ver mas, não conhecendo bem, e havendo algumas zonas vedadas, não deu para tal.


O mesmo com as ovelhas, que só conseguimos ver ao longe.


 


A entrada é gratuita.


Tem dois parques de estacionamento.


Há uma loja onde pode pedir informações, ver os mapas do percurso, e comprar merchandising.

terça-feira, 26 de julho de 2022

"Nós E Mais Ninguém", de Laure Van Rensburg

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Esta é uma história de amor.


Que se transforma em vingança.


Uma obsessão que tem que ser travada, antes que mais alguém se magoe.


 


 


Steve, um professor universitário, e Ellie, uma estudante, têm uma relação há seis meses.


Agora, vão passar as suas primeiras férias juntos.


Serão 3 dias, numa cabana na floresta, isolados do resto do mundo, para viver a sua paixão. 


 


Steve é um homem que tem tanto de possessivo, como de protector.


Tanto de dominador, como de romântico.


Sempre muito seguro de si. 


Ellie, perto dele, parece frágil. Desastrada. Ingénua. 


 


As primeiras horas naquela cabana, e naquela floresta, parecem deixar Ellie um tanto assustada. 


São os ruídos, os barulhos estranhos. A sensação de estar a ser observada. De haver ali mais alguém entre eles.


Steven assegura-se de que Ellie não tem nada a temer. Que é apenas a imaginação dela a pregar-lhe partidas.


Se calhar, Steven tem razão.


 


O que é certo é que, quando a polícia chega àquela casa, o cenário conta uma história diferente.


Algo, de muito grave, se passou ali.


Há sangue por todo o lado.


Há uma pessoa viva. A caminho do hospital.


 


Mas eram duas pessoas.


Onde está a outra?


Nesta história, como a sinopse indica, nem Steven é o que parece, nem Ellie é quem diz ser.


E é então, enquanto descobrimos quem é quem, que tudo começa a fazer sentido.


Que percebemos as motivações. Os fantasmas do passado. A verdade ocultada ao longo dos anos.


 


Numa luta pela sobrevivência, de ambas as partes, este é um livro que nos deixa sempre sem saber quem levará a melhor, quando tudo parece dar errado, e ao contrário do planeado.


 


Uma coisa é certa: nenhum dos dois está disposto a morrer.


Mas, dados os últimos acontecimentos,  ambos estão dispostos a matar.


 


Quem vencerá o duelo?


Quem sairá desta história com o objectivo concluído?


E quem perderá a batalha?


 

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Histórias Soltas #24: Submersão

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Acordou...


Acordar talvez não seja a palavra mais adequada, já que pouco conseguira dormir.


Os seus pensamentos eram um turbilhão.


Olhou para a silhueta deitada ao seu lado. Dormia profundamente.


Melhor assim.


 


Levantou-se...


Tinha de o fazer.


Não podia esperar mais.


Não é que tivesse planeado.


Mas a verdade é que estava ali. As circunstâncias proporcionavam-no.


E sabia que, no estado em que estava, era o melhor a fazer.


 


Saiu...


Pouco passava das 6 horas.


O dia começava a clarear.


Não havia ninguém na rua. Claro!


Quem vai para ali, não pensa em madrugar.


 


Caminhou...


Desceu a rua principal, e a escadaria que levava à praia.


Sabia-lhe bem o vento frio na cara. Despertava-lhe os sentidos.


Poder-se-ia pensar que isso mudaria a sua resolução.


Mas não. Tornava-a mais firme.


 


Observou...


Ao longe, 2 ou 3 surfistas apanhavam ondas.


Longe o suficiente, para não repararem em si.


Estava maré cheia. 


Ainda assim, o mar parecia tranquilo.


Ao contrário de si.


E era por isso que precisava dele.


Para lhe dar a tranquilidade, a paz, o descanso que, há muito, havia perdido.


 


Avançou...


Sentiu a areia fria e húmida nos pés.


Dali a umas horas, o sol iria secá-la. Mais tarde, os banhistas puderiam estender a toalha na areia. 


O mais provável era que, a essa hora, estivesse escaldante, e queimasse os pés daqueles que se atrevessem a pisá-la.


Agora, podia avançar sem esse receio.


 


Sentiu...


A água molhou-lhe os pés.


Estava fria.


Não gelada, a ponto de, eventualmente mudar de ideias. Mas também não, propriamente, convidativa a entrar.


Paciência.


Fora ali para isso. Não ia voltar atrás.


 


Entrou...


Primeiro, os tornozelos.


Depois, as pernas.


Há pessoas que se atiram em segundos. Que mergulham de cabeça, em instantes.


Mas não era assim.


A água chegou-lhe ao tronco.


Nessa altura, já estava a bater os dentes com o frio.


Mas faltava pouco para tudo isso passar.


 


Submergiu...


Ali estava ela.


A onda pela qual esperara.


Chegara o momento.


Inspirou.


Ganhou coragem.


E mergulhou...


 


 


 


 


 


 

sexta-feira, 22 de julho de 2022

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O verão é sempre aquela altura do ano em que os nossos corpos ficam mais expostos.


Não só aos olhos dos outros, mas aos nossos próprios olhos.


E em que mais críticas recebem. A maior parte, vindas da própria pessoa.


 


Não é errado tentar ter um corpo mais saudável.


Mas que não se faça disso uma obsessão. E que as pessoas não acabem por se prejudicar com a mesma.


É importante aceitar e conviver com as pequenas imperfeições que qualquer um de nós tem.


Afinal, como se costuma dizer, a perfeição não existe e, ainda que existisse, seria aborrecida!


 


Por isso, nada de medos.


Mostrem-se como são!


 


Têm pele muito clara?


Nem todos podem ser morenos. É manter os cuidados com a pele, e não ter vergonha de ser "o leite" no meio do "chocolate".


 


Têm celulite?


A maior parte de nós tem. 


 


Têm uns quilinhos a mais/ a menos?


E daí? Há sempre peças que nos favorecem, e não vamos deixar de aproveitar por causa disso.


 


Pêlos indesejáveis?


Pois, era bom não os ter, porque só dão trabalho. Mas que fazer?


 


Estrias?


Sim, não são marcas bonitas de se ver. Mas, se não as podemos eliminar, resta ignorá-las. 


 


Uma barriguinha saliente?


Faz parte. Não vamos fazer jejum para ela ficar sempre lisinha, não é?


 


 


Acreditem que quem vos critica, está longe de ter o corpo perfeito.


Estão apenas a focar-se mais nos outros, para não verem as suas próprias imperfeições.


Por isso, libertem-se dessas críticas, desse receio, dessa autossabotagem.


 


Aproveitem a vida, e o corpo que vos foi temporariamente emprestado, e sejam felizes!


 


Deixem nos comentários aquilo que mais vos incomoda, e como tentam dar a volta à questão.


E se se atreverem, partilhem as vossas imagens, e as vossas imperfeições, sem vergonhas, usando as hashtag's:


 


#corposimperfeitospessoasreais


#corposimperfeitosmulheresreais


#corposimperfeitoshomensreais


 


 

quinta-feira, 21 de julho de 2022

"Isto Pode Doer", de Stephanie Wrobel

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Esta é a história de duas irmãs.


Duas irmãs que estão cada vez mais afastadas uma da outra.


Duas irmãs que escolheram caminhos distintos na vida.


Uma irmã mais velha, mais responsável, mais bem sucedida, mais protectora.


E uma irmã mais nova, mais azarada, mais aventureira, menos compreendida.


 


Esta é a história de duas irmãs.


Duas irmãs que vivem sob o domínio de um pai louco, que lhes atribui as tarefas mais impensáveis, em troca de pontos, sob pena de sofrerem castigos. 


Afinal, o lema é o de que a únioca forma de ter sucesso é através da força de vontade.


Uma irmã mais velha, que tenta sempre não desafiar o pai, e cumprir tudo o que ele ordena nem que, para isso, tenha que colocar em risco a irmã mais nova. 


Uma irmã mais nova, que sempre fez de tudo para livrar a outra de problemas, mas nunca foi protegida por ela.


 


Esta é a história de uma mulher que, depois de anos a enfrentar os mais impossíveis e aterrorizantes desafios, acaba por fazer dessa a sua forma de vida, e a sua arte.


Cada espetáculo mais perigoso que o outro. 


Cada número mais arriscado que o anterior.


O seu mantra "Eu sou invencível, porra" a levá-la cada vez mais longe na sua carreira e, ao mesmo tempo, mais perto da morte.


A sua intrepidez a ser cada vez mais apreciada, deixando todos sem fôlego.


Até que um acontecimento fatídico a faz fugir para longe dos holofotes, mas não do seu propósito.


 


Esta é a história de uma mulher, que depois da morte da mãe, tenta encontrar um propósito para a sua vida, e vai encontrá-lo em Wisewood.


"Numa ilha privada na costa do Maine, os hóspedes de Wisewood comprometem-se a estadias de seis meses. Durante este período, estão proibidos de contactar com o mundo exterior: não há Internet, não há telemóveis, não há exceções. As regras têm uma razão de ser: manter os hóspedes focados em libertarem-se dos seus medos, para que possam alcançar o seu Eu Maximizado."


A ideia é libertar-se de medos, de culpas, do passado, das pessoas que não a protegeram.


 


Quem se candidata a Wisewood, e tem a sorte de ser escolhido, quando de lá sai, só tem a dizer bem da experiência. Da forma como a mesma mudou a sua forma de encarar a vida. De como é mais forte, mais independente, menos subjugado pelas pessoas, pela sociedade, pelos medos que sempre dominaram.


Até porque é o medo que amplia a dor e, ao eliminá-lo, elimina-se a dor.


Mas será que é mesmo assim que funciona? Será que a experiência é assim para todos?


 


Natalie acha que Wisewood não passa de um local de culto com rituais duvidosos, que a sua irmã, Kit, é louca em permanecer lá, e que ao fazê-lo, corre perigo.


Mas será que Kit ainda é uma vítima das circunstâncias?


 


O que mais gostei deste livro é que nos deixa sempre em suspenso, entre o passado e o presente, sem saber muito bem se a história que estamos a ler é a mesma, e uma só, ou duas história paralelas, de contornos semelhantes.


É uma história sobre como as pessoas extrapolam um conceito e um objectivo pertinente, transformando-o em pura loucura, domínio, e controlo sobre os outros, para o bem, ou para o mal.


Convém é não ficar muito seguras da sua invencibilidade porque, quem sabe, um dia, o feitiço vira-se contra o feiticeiro, e percebem que, se calhar, não são assim tão invencíveis, e que a força de vontade tem limites.


A sua, e a dos outros.


 


 

quarta-feira, 20 de julho de 2022

A onda...


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Deixa que a onda chegue até ti

Deixa que a sua água te molhe

 

 

 


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Deixa que ela passe para ti uma nova força e energia

Deixa que ela leve consigo tudo aquilo que carregas, e te alivie

 

 

 


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Deixa que a onda faça a sua magia, e que o mar te transforme...

terça-feira, 19 de julho de 2022

A "ilha das gaivotas"

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Naquela que, outrora, foi uma praia, observa-se, agora, um fenómeno nunca antes visto, a que apelidei de "ilha das gaivotas"!


 


 


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Primeiro, porque são mesmo muitas. E estão todas concentradas naquele espaço.


Depois, porque com a remoção diária de areia que, segundo dizem, a praia tem em excesso e é preciso tirar, acabou por se formar mesmo uma espécie de ilha, no meio da praia.


 


 


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Sim, a praia está reduzida, muito menos apelativa para os banhistas, do ponto de vista do espaço, condições, e mar.


Nem parece a mesma.


Atrever-me-ia, até, a dizer que estão a ponto de "assassinar" a praia. E o verão deste ano, a muita gente.


 


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Não sei como ficará a praia quando terminarem os trabalhos mas, para já, fica o registo desta "colónia" de gaivotas.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Histórias Soltas #23: O sinal

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Dizem que más notícias, quanto mais tarde vierem, melhor.


Ela não sabia se era bem assim.


Na verdade, ela nem sequer sabia se eram más notícias, as que viriam.


 


Nunca se preocupou muito com isso.


Quando surgiu, há cerca de dois anos, acreditou que era mais um sinal, que estaria a nascer.


Mais um para a colecção.


Para se juntar aos outros que, constantemente, vão surgindo.


Ano após ano.


 


Nas estações mais frescas, com a quantidade de roupa que vestia, nem sequer se lembrava daquilo.


Só voltava a dar por isso, no verão.


Quando ficava exposto.


Quando começava a provocar prurido.


Mas logo o verão passava, e se esquecia novamente da sua existência.


 


Até que, chegada uma nova primavera, olhou para aquela mancha estranha com outros olhos.


Que raio seria aquilo?


Estava a dar-lhe uma comichão louca e, sem conseguir evitar coçar, já estava a fazer ferida.


Para evitar mais esse problema, andou a pôr umas pomadas, que ajudaram.


 


Marcou uma consulta de dermatologia.


Começou a lembrar-se de todos os escaldões que tinha apanhado há muitos anos. E das consequências que, agora, eles poderiam trazer.


Mais valia averiguar, e descartar o pior.


 


Como ainda faltava mais de um mês, tirou umas fotografias, e partilhou num grupo dessa área, para ver o que diziam.


A resposta que lhe deram foi de que, pelas fotografias, não parecia ter sinais de malignidade. Parecia ser só um nevus plano que irrita ao contacto com a roupa, e por isso o eritema, escamação e comichão.


No entanto, foi aconselhada a fazer uma consulta presencial com um dermatologista, que iria usar outros meios para um diagnóstico mais correto.


 


Restava, então, esperar pela consulta.


E tinha, finalmente, chegado o dia.


 


Mas foi adiada.


Mais um mês.


 


Pode ser um sinal, de que não é caso para preocupação.


Mais um verão, e umas férias, para aproveitar o sol e a praia.


A mancha está melhor.


Se calhar até faz bem.


 


Seja como for, não há nada a fazer, a não ser esperar pela nova data.


Boas ou más notícias, só então se saberão...


 


 


 

domingo, 17 de julho de 2022

Sofro de uma espécie de antropofobia

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E digo espécie, porque esta minha fobia só se manifesta com determinadas pessoas, e em determinadas situações.


Há pessoas que, não me perguntem porquê, complicam-me com o sistema nervoso, a ponto de ficar irritada e com dor de cabeça só de ouvir a sua voz, e querer fugir só para não ter que as ouvir.


Chego ao ponto de ter que praticar exercícios de respiração, para não dizer nada que não deva, para tolerar, para acalmar a tensão que se começa a formar, para evitar que a tampa salte, numa explosão que também não trará nada de bom.


Mas não é fácil.

sábado, 16 de julho de 2022

Erro a erro enche o hipermercado os bolsos

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Ou não.


Se os conseguirmos detectar, e evitar!


 


E eu até nem sou muito de conferir os talões. 


Saio muitas vezes prejudicada por isso mas, no meio da correria das compras e coisas ainda por fazer, não tenho paciência para estar ali a conferir item por item, de uma lista enorme.


 


Ontem fui às compras.


Tinha dois packs de garrafas de água. 


Um passou normalmente.


O outro, não estava a dar. Tinha passado só como 1 garrafa de água.


A funcionária pediu-me novamente um dos packs para voltar a passar.


Paguei. E ia já a sair quando me deu para olhar para o talão.


 


O que a funcionária fez foi registar um pack como tal, ao preço do pack e o outro, como não deu, registou como garrafas individuais, ao preço de cada uma, mais caro.


Ou seja, paguei valores diferentes, por dois packs exactamente iguais.


Voltei atrás, e fui falar com a funcionária.


Ela confirmou que tinha registado assim porque o pack não estava a passar e, se eu quisesse reclamar, teria que falar com a colega na caixa central.


 


Assim fiz.


E a funcionária acabou a levar na cabeça da chefe, algo que se poderia ter evitado.


Bastava ter chamado alguém no momento do atendimento, para a ajudar. Anular a garrafa individual e registar o pack que passou 2 vezes.


Não o fez.


 


Devolveram-me a diferença, e pediram desculpa pelo erro.


Não era nada de especial.


Diria até que nem justificaria reclamar pelo valor em causa.


 


Mas cada erro que perdoamos, cada valor que não reclamamos, é dinheiro que o hipermercado encaixa. 


Por isso, e porque não gostei da falta de atitude da funcionária em resolver o problema, como se aquela fosse a única solução, e desse no mesmo, levaram comigo.

sexta-feira, 15 de julho de 2022

Fugir dos problemas dos outros

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Ninguém quer saber de problemas.


Se tivermos que nos preocupar com problemas, já nos bastam os nossos.


E, ainda assim, fugimos deles.


 


Claro que nos preocupamos com os outros.


Claro que queremos saber. Sobretudo, quando se trata de família.


 


Mas quando chega a um ponto em que, para onde quer que nos viremos, só nos deparamos com problemas, o que mais queremos é fugir.


Quando o telemóvel toca, e sabemos que, dali, virão mais problemas, nem temos vontade de atender as chamadas.


 


Ainda assim, fazêmo-lo.


Não é que os problemas dos outros nos atinjam directamente.


Não é como se, ao desabafarem, fossemos automaticamente envolvidos neles.


 


Mas acaba por nos afectar. 


"Rouba-nos" positivismo.


Torna-se tóxico.


Daí querermos fugir.


Afastarmo-nos deles.


 


E, saturados como estamos, acabamos por ignorar os nossos próprios problemas.


Já bastam os dos outros.


Ainda que os nossos, aparentemente sem qualquer importância, não devessem ser menosprezados...


 


 


 


 


 

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Mais de meia hora para chegar à praia?!

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Não ia à Ericeira, de autocarro, desde antes da pandemia.


Nesse meio tempo, foi construído um novo terminal para os autocarros, e desactivado o antigo.


Esta semana, fomos à praia, e ficámos a saber onde se situa o novo terminal.


E fica longe! Muito longe! Do centro. E das praias.


 


Sim, há o chamado "beach bus", que não sei se é pago ou não, que leva os turistas e afins às praias, e de volta ao terminal. 


Mas nem sempre os horários coincidem, e não compensa ficar à espera, ou perder ainda mais tempo.


 


Assim, e porque a praia mais próxima está interdita a banhos, fomos "obrigadas" a ir para uma outra, onde agora se junta a malta toda, e caminhar durante mais de meia hora (para baixo todos os santos ajudam), para chegar ao areal e, depois, uns 40 minutos até ao terminal, sendo que o caminho é sempre a subir.


 


Depois, como aquela é a única paragem, junta-se ali toda a gente, o que significa chegar cedo para ter a sorte de ocupar um lugar sentado.


 


Se compensa?


Digamos que a partir do momento em que chegamos à praia, mergulhamos no mar, e nos deitamos ao sol, esquecemos o que passámos, e o que temos pela frente.


Mas não dá para fazer isto vários dias seguidos, porque é cansativo, e o corpo ressente-se.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Que grande susto!

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Estava eu descansadinha da vida, sentada no sofá, com a minha filha e as bichanas, quando ouvimos um barulho estranho.


Parecia que algo tinha disparado. Algo sob pressão.


 


Espreitei pela janela para ver se era a mangueira do senhorio. Nada.


Fui até à cozinha.


Um cheiro a gás horrível. E o barulho a vir da dispensa.


Onde temos as garrafas de gás.


Só pensei "isto vai rebentar e vai tudo pelos ares".


Achei que tivesse sido algo provocado pelo calor.


Chamei o meu marido, que estava a dormir.


 


Tínhamos as janelas abertas.


As luzes desligadas.


 


Andámos à procura de alguma coisa para desligar, mas não há nada.


Pelo que percebemos, só mesmo o redutor. O resto são os tubos que ligam ao fogão e ao esquentador.


O barulho de gás a sair continuava.


O cheiro a gás cada vez mais intenso.


 


Restava tirar as duas garrafas de gás para a rua.


Entre nervos, e receio, lá tiro a primeira garrafa e levo para a rua.


 


E é nesse momento que percebemos que, afinal, a fuga e pressão de gás a sair era da garrafa de gás do vizinho, que fica encostada à nossa dispensa.


Nem sei bem o que senti.


Ainda estava a recuperar do susto, mas foi um alívio.


 


Não um alívio total.


Porque o gás do vizinho, embora na rua, está encostado à nossa dispensa que é onde temos o nosso gás.


E se isto acontece à noite? 


E se, mesmo de dia, ele não estivesse em casa, e não desse pela fuga?


 

terça-feira, 12 de julho de 2022

Gaivotas

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E ontem, num final de tarde pela Ericeira, ao passar pela Praia dos Pescadores, eram as gaivotas que ocupavam o areal!

segunda-feira, 11 de julho de 2022

"Deixa-te Levar" e "Olá, Adeus e Tudo o Resto", na Netflix

Deixa-te Levar | Site oficial da Netflix 


 


Por vezes, a nossa vida como adultos é tão aborrecida, complicada e sem graça, que precisamos de, de alguma forma, voltar atrás no tempo, e relembrar os tempos da adolescência, das descobertas e das paixões, em que tudo era vivido intensamente, em que tudo era mais divertido, em que havia sempre aventuras...


 


Ou talvez não.


 


Auden é uma jovem que acabou por nunca viver a sua adolescência como a maioria dos seus amigos.


Uma rapariga tímida, filha de pais separados, a quem sempre foi exigido muito.


Ela bem tenta, mas parece não se encaixar. 


Por um lado, parece-lhe uma farsa tentar ser outra pessoa que não é. Por outro, ser ela própria não a tem ajudado muito.


Se calhar, a solução é simples: deixar-se levar.


Eli anda por ali a vaguear na sua bicicleta. 


Quer saber tudo sobre Auden, mas evita ao máximo falar sobre ele mesmo.


Eli carrega um peso demasiado pesado: a culpa pela morte do seu melhor amigo. 


Talvez esteja na hora de, também ele, relaxar mais, e deixar-se levar.


Quem sabe não podem, Auden e Eli, juntos, resolver as coisas com o passado, e recomeçar uma nova etapa nas suas vidas...


 


 


 


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Dizia a mãe de Clare, pouco perita nos assuntos do amor que, uma coisa, sabia ela:


Qualquer relação que começa já com o seu fim programado está, desde logo, destinada ao fracasso.


E, pelo menos nisso, acertou!


 


Clare está de volta, para passar o último ano do secundário, antes de ir para a universidade.


No dia das bruxas, ela conhece Aidan, passam bons momentos juntos e sentem-se atraídos um pelo outro mas...


Clare é bem clara: não quer namorados!


Ou melhor, ela não quer começar nenhuma relação que, depois, se arraste quando for para a universidade, e a impeça de viver todas essas fases como deveria. É algo que vem do facto de a sua mãe se ter casado muito cedo, com o namorado do liceu, e depois, passarem o tempo todo a discutir.


Clare não quer isso para ela e, como tal, ela e Aidan fazem um pacto: viver este último ano como bem lhes apetecer sabendo que, quando chegar ao fim, a relação termina e cada um vai à sua vida.


Parece fácil. Mas no que respeita a sentimentos, nada é o que parece.


Aidan desvalorizou o pacto, achando que Clare iria mudar de ideias, se realmente se apaixonassem. Clare não abdica do pacto, por muito que lhe esteja a custar, e a leve a equacionar se é a decisão certa.


Claro que dois teimosos irão chocar de frente, e dar cabo daquilo que deveria ser o final épico, a despedida perfeita.


Depois de um ano inesquecível, deixam-se, de costas voltadas um para o outro, cada um a sofrer por um amor que destruíram.


E a única forma de o salvar, é ceder. É aceitar os sentimentos, aceitar as imperfeições. Reconhecer os erros. Permitir-se amar.


Será que conseguem?


 


 

domingo, 10 de julho de 2022

Uma semana de férias...

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Tenho uma semana de férias.


O marido regressou ao trabalho. Venho eu para casa.


É assim a vida.


A minha filha está indecisa entre passar algum tempo com a mãe, ou trocá-la pelas amigas.


 


E eu, assim de repente, imagino tantas coisas que queria ou poderia fazer mas, ao mesmo tempo, não me imagino a fazer nada mais do que ficar em casa, sem mexer uma palha!


Quero planear tantas coisas. Parece que o tempo é pouco.


Às tantas, deixo acontecer e, quem sabe, sobra tempo.


 


Uma semana de férias para descansar ainda que, em casa, haja sempre no que trabalhar, se assim o quiser.


E se sair, só para não ficar em casa, até posso passear, recuperar energias, espairecer. Mas, depois, parece-me que o preço é andar a correr.


 


Uma semana não dá para muito.


Não dá para fazer programas em família.


Não dá para ir muito longe.


 


Mas é uma semana.


E há que aproveitá-la.


O tempo, e a vida, são demasiado preciosos, para desperdiçá-los.


 


Venha de lá ela, então!

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Quando deixar os filhos sair à noite com os amigos?

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Acredito que todos os pais ficam assustados quando começam a ver os filhos a ganhar asas, e a querer voar.


É certo que, consoante a idade, a etapa em que se encontram, e a confiança que depositam neles, lhes vai sendo dada mais alguma liberdade.


Mas...


Qual a medida certa dessa liberdade?


 


De repente, os nossos filhos querem sair com os amigos.


Primeiro, durante o dia.


Eventualmente, dormir em casa deles.


Depois, o pânico, quando nos pedem para sair à noite, sem adultos a tomar conta, mas apenas para ir levar ou buscar.


E, então, pensamos:


"Quando deixar os filhos sair à noite com os amigos?"


 


Pois...


Não é que não tenhamos confiança neles.


Ou nos amigos.


Não é que não saibamos que eles gostam de se divertir, e que não mereçam sair.


Não é que os queiramos prender ou enjaular em casa.


 


O que temos, é receio desse mundo louco em que vivemos, em que todos os dias nos chegam as piores notícias.


O receio de que algo de mal lhes aconteça.


E, depois, a culpa por termos permitido que tal acontecesse.


É legítimo. Mal seria se os pais não o sentissem.


 


O que não pode acontecer, por muito que nos custe, é deixar que os nossos receios (fundamentados ou imaginários) e inseguranças limitem a vida dos nossos filhos.


Que os impeçam de viver e experienciar aquilo que, na idade deles, ou mais novos, também vivemos, e experimentámos.


 


É certo que os tempos são outros, os perigos são maiores, e não queremos facilitar.


É certo que há saídas mais "controladas e seguras" que outras.


Mas, algum dia, teremos que os deixar sair.


 


Quando?


Cabe aos pais perceber, e dar esse voto de confiança, guardando para si todos os receios, estabelecendo regras básicas, e acreditando que tudo irá correr bem.


 


Claro que, da teoria à prática, e do pensamento racional, ao emocional, vai uma longa distância!


 


 

quinta-feira, 7 de julho de 2022

"O Mistério Indiano", de Ana Rita Tereso

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Comprei este livro a pedido da minha filha, após uma visita da autora à escola para falar sobre o mesmo, e sobre a sua aventura pela Índia.


Ana Rita Tereso, licenciada em Animação Turística decidiu, em 2016, apesar de parecer uma loucura, e de ter sido aconselhada a não o fazer, viajar sozinha para a Índia.


A viagem teve início a 27 de Outubro, e só chegou ao fim a 16 de Dezembro.


Durante esses quase dois meses, Ana Rita conheceu várias localidades, pessoas, costumes, e viveu várias experiências.


E, em vários momentos, a autora refere que a Índia lhe parece um mundo ou, mesmo, planeta à parte, tais as diferenças em relação àquilo a que estava habituada.


 


Então, e em que consiste este "mistério indiano"?


Ora bem, o verdadeiro mistério acredito que, só quem lá vai, o conseguirá desvendar, mas deixo aqui o que retirei da leitura deste livro, e da aventura da sua autora:


 


- os transportes mais usados para deslocações, seja entre pequenas localidades, cidades ou estados são autocarros e comboios, e os famosos riquexós


- os motoristas dos riquexós são péssimos em orientação, e conseguem deixar muitas vezes as pessoas nos sítios errados


- o trânsito é uma loucura


- a maior parte das pessoas anda de mota sem capacete, e podem ir até 3 pessoas numa mota


- há sempre alguém ao virar da esquina, a tentar convencer os turistas a fazer algo, para depois lhes cobrar (fotografias, pinturas) 


- a maior parte da comida é picante, e de base vegetariana


- a bebida que mais se bebe por lá é "chai"


- é extremamente difícil comprar lenços de papel


- os indianos estão, em algumas regiões, organizados, socialmente, por castas


- o calor que por lá se faz sentir é, muitas vezes, insuportável


- é frequente ver macacos à solta


- o comércio faz-se maioritariamente, nas ruas e, por isso, poucos frequentam os centros comerciais


- beijos e abraços, ou outro tipo de contacto físico entre sexos opostos não são gestos praticados, nem bem vistos, entre (e pelos) os indianos


- em muitas casas, não existe água quente, e as pessoas tomam banho com água fria


- existem casas em que as sanitas são no chão, e nem sempre há autoclismo ou papel higiénico


- é muito raro as mulheres trabalharem, conduzirem, terem o que quer que seja em seu nome, e ser independentes


- é uma vergonha para os pais não casarem os seus filhos


- nem todos os indianos falam inglês, ou o fazem fluentemente, pelo que nem sempre é possível uma boa comunicação


 


A autora arriscou, atreveu-se, e fez aquilo que seria impensável: andar sozinha pela Índia, aprender a confiar nas pessoas e afastar os receios do que pudesse acontecer a uma mulher sozinha, num país desconhecido, e com um enorme historial de todo o tipo de atrocidades, como violações.


Por entre hotéis, hostel's e casas de habitantes locais, em couchsurfing, a autora foi conhecendo um pouco de toda a Índia, do norte ao sul do país, e trouxe consigo muitos ensinamentos e, certamente, muitas memórias, que agora partilha neste diário de viagem.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

A "polémica" disciplina de Cidadania

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Ainda me lembro quando, há alguns anos, vi umas letras estranhas "ETC" no horário da minha filha, e não fazia a mínima ideia do que aquilo significava.


Depois, lá explicaram que era uma nova disciplina "Ética e Cidadania". Não contava para nota, mas era de frequência obrigatória.


Como era leccionada pela directora de turma, o que acontecia muitas vezes era tratar-se, nessa aula, de assuntos relacionados com a turma.


Fora isso, o que foi abordado passou muito pelo respeito pelos outros, igualdade, bullying, preservação do ambiente, e por aí fora.


 


É por isso que me faz alguma confusão toda esta polémica que se está a gerar à volta de disciplina, agora apelidada de Cidadania e Desenvolvimento, que teve início quando uns pais decidiram proibir os filhos de frequentá-la, com o argumento do direito de objecção de consciência.


Apesar de, na minha opinião, a disciplina abordar diversos temas pertinentes e úteis, e poder ser um complemento à educação parental, estes pais consideram que a educação para a cidadania é uma competência deles, e mostram preocupação com dois módulos em específico - "Educação para a igualdade de género" e "Educação para a saúde e sexualidade" - que fazem parte da disciplina em questão, entendendo que a educação sexual e de género têm cariz moral, e não competem à escola. Como tal, defendem que ela deveria ser facultativa, tal como a Educação Moral e Religiosa.


 


O caso tem tomado tais proporções, que já existe um processo de promoção e protecção para estes jovens e, neste momento, o Ministério Público pretende mesmo que estes alunos fiquem à guarda da escola durante o ano lectivo.


A discussão faz-se no Tribunal, e fora dele, com vozes a favor e contra.


 


Para mim, a disciplina deveria ser facultativa. É o mais lógico.


Não sendo, não vejo qualquer problema nos conteúdos que aborda, embora admita que nem todos os pais o vejam dessa forma, e se sintam confortáveis com os mesmos, e com a forma como é ministrada a disciplina.


No entanto, o que vejo aqui, são dois polos extremistas.


Os pais querem proibir os filhos de frequentar a disciplina. A escola quer obrigar os alunos a frequentar.


Nenhum dos dois está bem.


Nenhum dos dois está a considerar a liberdade, a vontade e o futuro de quem acaba por ser mais prejudicado, no meio desta "guerra".


Já alguém perguntou, a esses mesmo alunos, se querem frequentar a disciplina? 


Já alguém pensou em chegar a um consenso?


Parece aqueles casais que usam os filhos como arma de arremesso e chantagem, um contra ao outro, em vez de, juntos, zelarem pelo interesse dos filhos, que é o que realmente importa.


 


Não podemos pensar que os jovens serão, automaticamente, influenciados apenas pelo que ouvem na escola, ignorando tudo o que lhes foi incutido e passado pela educação dos pais. 


Por outro lado, acho saudável que os filhos tenham várias visões distintas, que questionem, que debatam, que decidam por si, que lhes seja dada essa liberdade.


E se, agora, os pais começarem a achar que determinadas matérias vão contra os seus princípios, e educação que querem dar aos filhos, vão proibi-los de frequentar essas disciplinas também?


Isso iria tornar-se uma rebaldaria sem sentido. 


 


Agora, não me parece que a escola seja um espaço onde uma seita tenta fazer uma lavagem cerebral aos alunos, levando-os a situações de surtos de ansiedade, pânico,  ou crises de identidade.


Da mesma forma, não me parece que o facto de os alunos não frequentarem a disciplina consituia um perigo e prejudique os alunos, a ponto de considerar que é do "superior interesse dos jovens e com potencial a, definitivamente, afastar situação de perigo existencial dos mesmos" obrigá-los a tal.


Considerar que os pais põem em perigo a formação, educação e desenvolvimento dos filhos, e afirmar que há perigo de os jovens sofrerem maus-tratos psíquicos, só pelo facto de não frequentarem a dita disciplina, é esticar muito a corda. Parece-me um exagero, que não entra na cabeça de ninguém.


Preocupassem-se antes com quem está, realmente, em risco e precisa de olhos mais abertos e atentos, e não ocorreriam metade das situações que, infelizmente, acontecem, porque foram ignoradas ou desvalorizadas.


 


Vamos ver qual será o desfecho desta "novela", sem pés nem cabeça.


No entanto, gostaria de ouvir mais opiniões, não só de pais, cujos filhos frequentaram ou frequentam a disciplina, mas também de professores, quer leccionem ou não a mesma, para ver se conseguia perceber o que levou uma simples disciplina a esta discussão dantesca e que, para mim, não faz sentido.


 

terça-feira, 5 de julho de 2022

"Um Estranho Caso de Culpa", na Netflix

Um Estranho Caso de Culpa | Site oficial da Netflix


 


Comecei a ver esta série o ano passado, num dia em que, à falta de melhor, assisti ao primeiro episódio.


Não achei nada de especial, e fiquei por ali.


Há uma semana, o meu marido disse que ia começar a ver. Acabei por ver com ele. Já não me lembrava bem do que tinha visto, por isso, vimos aquele episódio como se fosse a primeira vez, e cativou-me logo!


Na altura não deu para ver mais nada, mas fui pesquisar sobre a série. 


Foi, então, que percebi que o episódio que tínhamos visto, por engano, era o segundo, e não o primeiro.


E não conseguia perceber qual a relação entre um e outro, porque pareciam episódios de duas séries completamente diferentes!


 


No primeiro episódio, um rapaz - Mat - é condenado por, acidentalmente, ter matado outro, cumpre pena de prisão, sai, e volta a refazer a vida, ao lado de Olívia. Entretanto, a mulher desaparece misteriosamente, e Mat não sabe o que pensar, nem o que fazer, pedindo ajuda a uma amiga, para descobrir onde Olívia está.


No segundo episódio, vemos a história de Lorena, uma orfã criada num colégio de freiras, que se torna inspectora da polícia e que, agora, é chamada ao colégio para investigar a morte de uma das freiras. Uma freira que, como percebemos, se calhar não é bem o que aparenta ser, e na qual muita gente parece ter um interesse suspeito.


Portanto, nada a ver!


 


Só com a continuação começamos, então, a perceber a ligação entre ambos os episódios, e entre as várias personagens.


À medida que os episódios avançam, percebemos que o Mat é, na verdade, uma personagem dispensável, porque tudo poderia acontecer sem ele. Acabou por ser apenas um "bode expiatório", para nos desviar do verdadeiro elo de ligação.


 


Emma, a freira conhecida como Maria, vem-se a descobrir, foi uma prostituta que trabalhou, em tempos, para Aníbal Ledesma e que, por algum motivo, se escondeu no colégio para recomeçar a sua vida, levando com ela um "seguro de vida".


Com ela trabalharam Kimmy, de quem ninguém sabe. Lavanda, que um cliente acabou por matar. Cassandra. E Candance, também assassinada.


 


A inspectora Lorena suspeita de Mat, e tenta a todo custo encontrar provas da sua culpa, ao mesmo tempo que os investigadores da UDE a querem afastar do caso, e chegar primeiro à informação. Porquê?


 


Em cada episódio, é desvendado o passado das personagens: quem eram, o que faziam, o que escondem, em quem se tornaram, e que segredos guardam consigo.


E qual o motivo para o passado voltar a bater à porta, quando achavam que o tinham deixado encerrado lá atrás.


O que andam à procura? O que levou à morte de Emma?


O que esconde Olívia?


E quem mais morrerá para que a verdade não venha à tona?


 


Uma série a não perder.


E não desistam no fim do primeiro episódio, como eu tinha feito, porque vale mesmo a pena continuar!


 


 



 

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Foi eleito mais um "ídolo" de Portugal

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Esta nova edição do Ídolos deu muito que falar, não só pela nova apresentadora escolhida - Sara Matos - mas, sobretudo, pelo novo painel de jurados - Tatanka, Joana Marques, Ana Bacalhau e Martim Sousa Tavares.


Logo após a tranmissão do primeiro programa, foram várias as críticas, e muitas as pessoas que afirmaram que não iriam continuar a ver.


 


Eu, confesso, só vi ontem a gala final.


Não gostei de ver a Sara Matos como apresentadora. Ela pode ter imenso talento para dançar, cantar ou representar, mas a apresentar o Ídolos, não gostei.  


 


Quanto aos jurados, o bom de só ver a última gala, é que só têm elogios para os concorrentes.


Estão mais descontraídos, porque não são eles que vão escolher, nem avaliar. Brincam, dizem umas piadas.


E para eles está tudo bem: as actuações são fantásticas, qualquer um pode ganhar, já são todos vencedores.


Por isso, nada a apontar.


 


Só conhecia os finalistas pelo que tenho lido sobre eles, mas nunca os tinha ouvido cantar.


Portanto, ontem foi uma estreia para mim.


Não consegui avaliar a evolução, nem se estavam melhor ou pior que noutras galas.


Disse ao meu marido que, em termos do que se procura num "ídolo", o Eduardo era o que mais se destacava e, por isso, poderia ser vencedor, embora não faça muito o meu estilo.


 


A Beatriz foi a primeira a ficar pelo caminho.


Por coincidência (ou não), pelo que percebi, foi a que mais cantou em português nesta edição. Pelo menos na gala final, fê-lo. Foi a andar.


Para mim, tinha melhor voz que a Eva.


Mas já sabia que, entre as duas, sairía a Beatriz.


 


A Eva era uma das favoritas à vitória.


Não mereceu toda a polémica, mensagens e críticas que recebeu por ser filha de quem é.


No entanto, a mim, não me encantou, nem convenceu.


 


Após ouvir a Juliana na primeira actuação passei a torcer por ela.


Quando cantou pela segunda vez, em português, afirmei: vai ficar por aqui.


Não que tenha cantado mal, mas pareceu-me que foi "engolida" pela banda.


E depois, lá está, cantou em português!


A sério que não percebo porque é que as pessoas estão sempre a criticar os concorrentes por não cantarem na nossa língua mas, quando o fazem, são as mesmas pessoas a mandá-los para casa.


 


Portanto, o duelo final foi entre a Eva e o Eduardo.


E, não gostando do estilo de música que canta, considero que o Eduardo foi um justo vencedor. 


Foi, assim, eleito mais um "ídolo" de Portugal!


 


Mas, como eu dizia à minha filha, não interessa quem vence o programa, interessa quem consegue vingar com a sua participação nele.


Por isso, daqui a uns tempos, veremos quem colheu melhores frutos!


 


Imagem: Ídolos

sexta-feira, 1 de julho de 2022

De quem é a culpa, não sei. Mas são sempre os doentes a pagar!

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Há uns dias, o meu pai teve que ir, de propósito, fazer um exame ao hospital.


Ontem era dia de consulta. Estava marcada para as 14 horas.


A médica, vimo-la chegar, só apareceu no serviço depois das 14.30h.


Antes disso, já o meu pai tinha feito um electrocardiograma, e ido à consulta de enfermagem que, basicamente, serviu para medir a tensão arterial e a temperatura, e fazer perguntas da praxe, que voltam a ser repetidas, de cada vez que é chamado para fazer alguma coisa. 


 


É então chamado, não para a consulta, mas para fazer o exame que já tinha feito no outro dia.


Perguntei se tinha que repetir. Expliquei que já tinha feito. A técnica confirmou.


O problema é que a técnica não fez o relatório e a médica, não o vendo, achou que não tinha sido feito e, por isso, mandou fazer outra vez. 


Ora, se afinal o exame poderia ter sido feito no mesmo dia, porque nos fizeram lá ir de propósito, antes?


E porque é que a técnica, em 10 dias, não tinha o relatório feito?


Lá nos disseram que assim não era preciso, e voltámos à sala de espera.


 


Para a consulta, já foi chamado perto das 16h.


E aqui, confesso a minha ingenuidade de acreditar que um médico, quando recebe o paciente na sala, já olhou minimamente para o processo dele, e saiba o motivo de ele estar ali.


Pelos vistos, não.


Estava a consultar tudo na hora. Não sabia quem o tinha encaminhado para as consultas.


Perguntou se tínhamos levado a medicação que estava a tomar.


Ora, eles têm tudo isso na ficha do paciente, até porque foi tudo tratado no mesmo hospital.


 


Quanto à consulta propriamente dita, foi-nos dito que é necessário mais um exame para confirmar as suspeitas que têm, e para decidir o que fazer. Exame esse que há-de ser marcado para breve.


E isto irrita-me.


Por que raio não fazem logo os exames todos de uma vez, e nos obrigam a ir lá vezes sem conta, às prestações?


Um exame num dia, umas análises noutro, pelo meio uma consulta, depois outra consulta.


Doente sofre, desespera e perde a paciência.


Será esse o objectivo? Fazer as pessoas desistirem, e é menos um a "entupir" o serviço?


 


Adiante, se se confirmar as suspeitas, será necessário um cateterismo para substituir a válvula que está calcificada, e impede a saída do sangue do coração. Este procedimento implica internamento e riscos que não sendo, à partida, graves, também não são bons. A alternativa é não fazer, e o tempo de vida é curto.


Se se verificar que o problema não é grave, a ponto de justificar esse procedimento, então vira "cobaia", porque terão que fazer outro tipo de estudo que explique porque é que o músculo do coração está fraco.


 


E, pelo meio, controlar os rins que, neste momento, são os que estão a dar mais problemas.


Ontem fez as análises que o médico tinha pedido. Vamos ver o que vai dizer na próxima consulta.

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!