Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!
Já sabíamos, desde o ano passado, que este mês teria que comparecer.
E não víamos a hora de esse dia passar.
Isto de querer impingir as coisas à força, de obrigar a participar num dia que, acredito, só traz trabalho e dor de cabeça a quem tem que o gerir, e que poucos frutos dá, é só mesmo para cumprir calendário.
A minha filha teria que se apresentar na Base Aérea de Sintra, oficialmente denominada Base Aérea N.º 1 (base primeira da Força Aérea Portuguesa) – considerada por todos o “berço da Aeronáutica Militar em Portugal”.
A Câmara Municipal de Mafra facultou autocarros para levar os jovens até ao local, e trazer de regresso pelo que, com essa questão, não tivemos que nos preocupar.
Mas andei a pesquisar relatos de outros jovens que já tivessem cumprido o seu dever, e a opinião era unânime - levar comida, ou dinheiro para comprar alguma coisa nas máquinas. Porque estão lá o dia todo e só oferecem almoço que, na maior parte das vezes, não é grande coisa.
Portanto, chegado o dia, que por acaso esteve ensolarado, lá foi, cedíssimo, munida de comida, para um dia de seca.
Sem ninguém conhecido a ir no mesmo dia que ela (e mesmo que fosse, corria o risco de serem separados), foi ao lado de uma desconhecida no autocarro.
À chegada, teve a sorte de ficar na mesma sala que a dita desconhecida, e a elas se juntou uma outra, também sozinha, pelo que formaram ali um mini grupo de camaradagem.
Numa espécie de regresso às aulas, a parte da manhã foi de palestras, com intervalos pelo meio, e com "professores" mais descontraídos.
A seguir ao almoço (que até se comeu) foram visitar o Museu do Ar, um museu de material aeronáutico da Força Aérea Portuguesa, também situado na Base Aérea de Sintra.
Actividades mais práticas, não houve. Não que ela tivesse particular interesse em participar, mas sempre cativaria mais a malta.
Já não bastava as iluminações habituais, o mesmo presépio, árvore de natal e carrocel de sempre, as barraquinhas e a música natalícia durante mais de um mês, agora lembraram-se de encher a vila de presentes.
É presentes nas fachadas das lojas, das casas, nas árvores e sei lá mais onde. E que desperdício de papel, fita e caixas (se vier um daqueles vendavais típicos desta época, quero ver onde vão parar todos).
Mas, no meio de todo esse exagero, não posso deixar de destacar estes apontamentos natalícios, pela sua originalidade!
Um boneco de neve feito de pneus
Confesso que um trenó teria mais lógica, mas que este carocha está bonito, está
Sim, poderiam dar cada um destes ursos a crianças que não têm um único brinquedo, mas que é uma decoração diferente, lá isso é
O marco do correio para as cartas a enviar ao Pai Natal, embora não saiba bem qual o destino real das mesmas, e o que farão com elas
Não está tão aperaltada como o carocha, mas não deixa de estar simples e elegante
Embora considere exagerada a quantidade de embrulhos com que enfeitaram tudo, confesso que gosto desta ideia para os laços
Demorei vários meses a decidir-me a vê-la, não porque não me agradasse (se fosse o caso nem estava na lista), mas por ter 3 temporadas, e a minha paciência para tantos episódios já não ser a mesma.
Mas, verdade seja dita, também já não a tenho para filmes que são mais do mesmo. Sem cor. Sem ritmo.
No fim de semana passado, pensei: "Vejo o primeiro episódio, e logo se vê".
E não parei!
Já vi as 3 temporadas, e só não ainda não "devorei" os especiais do Dia dos Namorados e de Natal, em parte, por falta de tempo e, também, porque depois acaba, e vou sentir falta.
Das paisagens, dos cavalos, das personagens.
A história começa com a chegada de Zoe, Rosie e Maggie a Bright Fields, para passar o verão.
Rosie é a filha mais nova de Maggie, totalmente citadina, e vai ter dificuldade em adaptar-se ao campo.
Já Zoe, a filha mais velha, sente que aquele lugar era tudo o que precisava. Ainda mais, depois de criar uma ligação única e especial com Raven, um cavalo selvagem de quem poucos se conseguem aproximar.
O que mais destaco nesta série:
A amizade e união - Há entre as personagens mais jovens uma grande amizade e união, mesmo quando parece que já não têm tempo umas para as outras, ou se chateiam por qualquer motivo. Mas, quando é para ajudar, reerguer, lutar, todos estão do mesmo lado.
A inteligência dos cavalos - Quem gosta e lida com animais, seja de que espécie forem, sabe como eles são especiais. Como falam connosco, à sua maneira. Como são inteligentes. Nesta série, sem dúvida que Raven, Bob e Ariel mostram o quão especiais podem ser. Raven, na sua forma de comunicar, de expressar o que sente. Bob, pelas suas capacidades, embora seja menosprezado. E Ariel, por ter, no seu momento mais delicado, procurado a protecção e os companheiros que queria nessa hora.
Aventura, mistério e suspense - Não é só uma série sobre adolescentes e cavalos. Tem, ainda, como ingredientes, muita aventura e suspense, até porque alguém anda a roubar cavalos, e o mistério que envolve a lenda do Cavalo Fantasma. Depois há uma passagem secreta para um castelo que, supostamente, estaria desabitado, e o mistério da caixa que tanto pode dar sorte, ou amaldiçoar.
Redenção - Existe, como em tudo na vida, os bons e os vilões. Mas, é uma série que nos deixa a pensar que, lá está, não podemos encarar as coisas só a "preto e branco". Porque os bons cometem erros, e os maus conseguem, querendo, mudar. Ninguém é perfeito, mas não tem que ser condenado pelos erros cometidos, se estiver disposto a corrigi-los.
Perdão - Fazer as pazes com o passado. E não só. A determinado momento, Maggie diz a Zoe "Não se pode forçar o perdão". Ele tem que vir naturalmente. Na maior parte das vezes, vem. Todos merecem uma segunda, uma terceira, e porque não, uma quarta oportunidade. E os animais perdoam facilmente, se sentirem que é verdadeiro.
Ultrapassar receios - Nem sempre é fácil. Por vezes, escondemo-nos. Viramos costas. Abdicamos. Mas só é preciso tempo. E vontade. O resto, acontece.
Romance - Desde o primeiro momento que torci para que a Zoe e o Pin ficassem juntos. A série quis trocar-me as voltas, mas mantive sempre a esperança de ver estes dois juntos. Já a Mia ficaria bem com o Marcus. No entanto, também as coisas não foram facilitadas. Mas não é só entre os adolescentes que o romance impera. Também há lugar para ele com os mais velhos, porque nunca é tarde para amar.
Como disse logo no início, Zoe e Raven são os grandes protagonistas.
Ela vai fazer de tudo para não se separar do "seu" cavalo, lutando para que não só não o consigam roubar, como também para que a legítima proprietária não o leve para longe.
No fundo, com todo o enredo envolvente, onde não faltam tradições medievais e realeza à mistura, o principal é proteger os cavalos da ilha, tanto os dos estábulos, como os selvagens.
E Pin, a minha personagem favorita, o cavalariço cuja vida vai sofrer uma enorme mudança, é um dos maiores protectores destes animais.
É uma série que nos diverte, que nos faz rir, que nos emociona, que nos faz chorar, que nos revolta, que nos faz sonhar, que nos leva até à ilha, e nos faz sentir que estamos lá a participar em todos os acontecimentos.
Por vezes, a folha está riscada demais para que consigamos escrever o que quer que seja nela.
Já tantas vezes foi escrita, riscada, reescrita, aproveitando-se o que ainda ia sobrando em branco, que chega a um ponto em que já não dá para muito mais.
Já tantas vezes foi usada, dobrada, amachucada, desdobrada, alisada, que está demasiado marcada, e velha, para que a escrita ainda saia como se desejaria.
Deixa-se de perceber o que quer que nela estivesse.
Deixa-se de ter vontade de ainda aproveitar qualquer espaço, por mais pequeno que seja, porque se sabe que não dará para escrever muito.
Já serviu, um dia. Foi desenrascando. Mas, agora, não tem salvação.
Escrever numa folha nova?
Em branco?
Começar do início?
Seria o ideal.
Mas já não há força, nem vontade, para escrever uma nova história.
Até porque, o mais certo, seria acontecer o mesmo à nova folha.
Por isso, vai-se mantendo a velha.
Aquela que já conhecemos. A que já estamos habituados.
- É um refúgio, onde podes vir sempre que precisares.
- E porque precisaria eu de um refúgio?
- Todos nós, em algum momento da nossa vida, precisamos de um!
- Porque temos que fugir?
- Não necessariamente. Podemos apenas procurá-lo para nos afastarmos daquilo (e daqueles) que nos rodeia, e estar a sós, connosco, sem pensar em mais nada, por breves instantes.
- Então, é para me esconder? Enquanto o mundo conta até dez, eu venho e escondo-me aqui?
- Por exemplo. Mas é mais do que isso.
Aqui está a calma, a paz, o silêncio, que nos abstraem da confusão e ruído diário.
Aqui consegues sentir o ar mais puro. As árvores dão-te o oxigénio e o fôlego que necessitas.
És só tu, e a natureza. Mais ninguém.
- E não é perigoso?
- O perigo está em qualquer lado. Não é mais nem menos perigoso do que outro lugar qualquer.
- Posso chamar-lhe floresta encantada?
- Porque não?! Afinal, tudo aqui tem o seu encanto: as flores, os pássaros, os ramos, o rio.
Até o sol, a brilhar por entre as árvores, a dizer que a luz estará sempre presente, para te iluminar.
Que te dará sempre energia, quando a tua se estiver a esgotar.
Que nunca te deixará perder a esperança, mesmo num dia mais cinzento.
- E não posso falar com ninguém sobre ele?
- Não deves. Se não, deixa de ser o teu refúgio. A não ser que o queiras partilhar com alguém especial para ti.
... parece um desporto solitário, mas é preciso uma equipa."
O filme, baseado na história real da nadadora Diana Nyad, mostra como esta decide, aos 60 anos, cumprir o seu desejo de ser a primeira nadadora a fazer a travessia de Cuba a Flórida, a nado, em mar aberto.
Na verdade, ela já tinha tentado, aos 28 anos, mas sem sucesso.
Agora, tentando provar a todos, e a ela mesma, que a idade é apenas um número, e que ainda tem muito para dar, ela quer voltar a tentar esta ultramaratona de mais de 160 km.
Acredita estar melhor preparada agora. Acredita que é capaz. Que consegue.
E é assim que Diana "arrasta" consigo, para esta aventura, a sua amiga Bonnie, e toda uma equipa que, pondo de lado o seu trabalho habitual, se concentra neste desafio.
Durante quatro anos, quatro tentativas falhadas.
Quatro anos de vidas em suspenso.
Mas Diana não desiste. Aquela travessia é o seu "calcanhar de Aquiles", e ela não vai parar até conseguir derrotá-lo. Nem que morra a tentar.
Ao ver o filme, consigo compreender o desejo de Diana.
Mas é uma personagem (ao que parece retrata a Diana real) que me irrita profundamente, pela sua obstinação, pela pouca capacidade de ouvir os outros, pelo facto de achar que sabe sempre mais que os outros, que é a melhor.
É uma pessoa, de certa forma, tóxica.
E egocêntrica: é tudo "eu", "eu", "eu". Sem pensar nos que estão à sua volta, nas repercussões que esta aventura tem na vida dos que a acompanham. Sem pensar nos sonhos e desejos da sua melhor amiga (que, segundo dizem, é sua esposa).
Ela sabe que erra.
Ela sabe o feitio que tem, e como é difícil lidar com ela.
Ela chora.
Ela pede desculpa, à sua maneira.
Mas não consegue deixar de se sobrevalorizar, sobrestimar, de se gabar daquilo que fez, por vezes até com algum exagero.
O oposto de Bonnie, com quem uma pessoa simpatiza de imediato.
Quatro anos depois da sua primeira tentativa, Nyad, finalmente, consegue chegar à Flórida.
E é um momento emotivo, de superação, de vitória, de orgulho, de missão cumprida.
De compensação, por todo o esforço e dedicação.
O fim de tudo e, no fundo, o início de tanta coisa.
No entanto, Diana não entrou para o guiness.
A Associação Mundial de Nadadores em Mar Aberto recusa-se a validar o recorde não só por, supostamente, não ter aderido a todos os protocolos exigidos, como por uma parte do trajecto não ter sido filmada, precisamente, a parte em que se verifica uma aceleração atípica da nadadora que, suspeitam, possa ter sido ajudada.
Como a própria Diana afirma, estas ultramaratonas são um desporto solitário.
São horas e horas, dias e noites, dentro de água, a repetir os mesmos movimentos, sem parar.
Não é, propriamente, um passeio em que se aprecie a paisagem, nem um mergulho em que se maravilhe com o fundo do mar.
É um desporto extremamente exigente, a nível físico e mental, com direito a vómitos, alucinações, reacções alérgicas, mordidas de espécies marinhas, muitas vezes a ter que nadar contra a maré.
Não consigo imaginar o prazer que se tem neste desporto. Mas gostos e vocações não se discutem.
Mas são, ao mesmo tempo, um trabalho de equipa.
Uma equipa vasta, da qual destaco Bonnie e John.
Bonnie, que se transforma na treinadora de Diana, e companheira de aventura, no barco que a acompanha. É Bonnie que a motiva e incentiva, que a alimenta, que a chama à realidade, que alinha nas suas alucinações, que está sempre lá para ela.
E John, o navegador com uma vasta experiência que conhece bem aquelas águas, as correntes, os ventos, os remoinhos, e se dispõe a ajudar Diana no seu desafio.
Apesar de, em determinado momento, ambos terem seguido com as suas vidas, afastando-se de Diana, acabam por voltar, quando Diana tenta, pela quinta vez, levar a bom porto a sua travessia.
Bonnie, porque sentia falta da sua amiga, e queria estar ao lado dela, se fosse a última vez que a pudesse ver. E John, porque estava doente, e não queria morrer sem ver Diana vencer.
Na realidade, Bartlett morreu poucos meses depois de Diana conquistar a vitória, de insuficiência cardíaca, durante o sono, aos 66 anos.
Os créditos finais de Nyad confirmam que o filme foi dedicado à sua memória.
Apesar de a história se basear na tentativa de conseguir alcançar um recorde, como diz a directora do filme, o mesmo não é tanto sobre esse recorde, mas sim sobre o que o despoletou: uma mulher que percebe que a vida não acaba só porque se tem 60 anos, ainda que, para o mundo, a sua "existência" se torne invisível.
No entanto, e apesar de Diana, de facto, ter conseguido, nunca ter desistido, e ter ido atrás do seu sonho, considero que ela foi, em muitos momentos, inconsequente, inflexível, intransigente, teimosa ao extremo, e arriscou-se a perder os seus amigos, com as suas atitudes.
Até porque me parece que o desejo dela não era apenas o simples concretizar de um sonho antigo, de algo que tinha ficado a meio, e que ela tinha que acabar, para seguir em frente, mas também por motivos mais egoístas.
E, muitas vezes, não vale tudo.
Foi louvável a sua persistência mas, ao mesmo tempo, há que perceber o que é, realmente, importante. Saber aceitar as coisas, ainda que não corram como queríamos. Não ser tão exigente. Não se cobrar, e aos outros, tanto.
Levar a vida com mais leveza. Com menos recordes alcançados, mas mais saúde e alegria e, sobretudo, rodeada de bons amigos.
Ou, errado, é não reconhecer e aceitar essas limitações?
Não será regra.
Nem excepção.
Cada pessoa é diferente da outra, e o que acontece com uma, pode não acontecer com a outra.
Vemos por aí tanta gente nova, já com tantas limitações.
E tantos idosos que parecem ter mais vitalidade e juventude que os mais novos.
A idade é apenas um número?
Sim. E não.
Sim, porque não tem que nos definir, nem às nossas capacidades. Tão pouco tem que fazer-nos sentir de forma diferente, a cada número que é somado ao anterior.
Não, porque, queiramos ou não, o envelhecimento faz parte da vida, assim como tudo aquilo que ganhamos, ou perdemos, com ele.
Pode não se fazer sentir na mente, mas ser visível no corpo.
Mas, mesmo na mente, ela revela-se, muitas vezes, sob a forma de maturidade, e pela forma de encarar a vida.
A idade, por si só, não representa, automaticamente, limitação.
Ainda que saibamos que há limites naturais para determinadas acções, dependendo da idade de cada um, certo é que, muitas vezes, somos surpreendidos.
Há coisas que desafiam a lógica, o natural, e a idade.
E, por isso, não há qualquer problema em nos pôrmos à prova, em nos testarmos, em querer fazer isto ou aquilo, porque assim o desejamos, sem que a idade, por si, se interponha como obstáculo.
Mas quando a idade, realmente, acarreta limitações, devemos ignorá-las?
O avançar da idade, e aquilo que ele faz ao nosso corpo e à nossa mente, pode ser suficiente para nos brindar com limitações.
Nesse caso, é errado não reconhecer, aceitar e adaptar a essas limitações.
Podemos sempre tentar ignorar, ou contornar essas limitações.
Isso não significa que a mera força de vontade e determinação (que muitas vezes se transforma em teimosia e obsessão) consigam, de facto, levar a melhor.
A minissérie de 4 episódios estreou há pouco tempo na Netflix, e era uma das que estava na minha lista, desde que vi o trailer.
A série alterna entre o presente e o passado, na vida de dois lados opostos de uma guerra que não pediram.
De um lado, Marie-Laure, uma jovem cega parisiense que tem, como grande companheiro, o seu pai, um homem das ciências e chaveiro de um museu em Paris, onde se encontram as joias mais valiosas.
Tudo o que Marie sabe, aprendeu com o pai, e com "o professor", um homem que ela ouviu desde sempre, na rádio, na frequência 13.10, que dedicava as suas emissões a falar para as crianças, a verdade e os factos.
Do outro, Werner, um jovem alemão órfão, que tem como única família a irmã, com quem vive no orfanato. Werner mostra, desde cedo, a sua genealidade e, por isso, acaba por se destacar e ser escolhido para a linha de frente, na guerra da qual sabe que não pode fugir, mas na qual não se revê.
Em Saint-Malo, Marie e Werner são inimigos, mas têm mais em comum do que possam imaginar e, no fim, são essas semelhanças que os fazem salvar-se um ao outro.
Marie, agora adulta, em plena Segunda Guerra Mundial, e contra todas as regras, todas as noites faz emissões de rádio, na frequência 13.10, através das quais envia mensagens codificadas para os opositores das tropas alemãs, nomeadamente, os americanos, bem como para o seu pai, que desapareceu, e para o tio, que está escondido.
Werner é o soldado, destacado para Saint-Malo, para detectar essas mensagens, e a sua origem, a fim de interceptá-las e pôr fim às mesmas.
No entanto, recordando "o professor", que ouvia em criança e adolescente, Werner acaba por encontrar conforto nessas emissões, e nunca as denuncia, até não ter outra hipótese.
Marie é, assim, duplamente procurada.
Primeiro, pelas suas emissões.
E, depois, por um oficial alemão em particular, que procura uma pedra cuja lenda diz que a mesma dará a vida eterna a quem a tiver em seu poder, e que acredita que é Marie quem tem.
Werner, resistindo como pode, sem nunca deixar de ser fiel a si mesmo, e àquilo em que acredita, acaba por ser apanhado no fogo cruzado entre o seu exército, ao qual deve obediência, e a sua vontade de ajudar Marie e o seu tio, que vem a descobrir que é "o professor".
"Toda a Luz Que Não Podemos Ver" é uma série centrada na guerra, no extremismo nazi, no caos e destruição, na sobrevivência e luta entre povos.
Mas é, acima de tudo, centrada no amor, na família, nos princípios pelos quais as personagens principais se regem, na coragem e resistência, na fé que têm uns nos outros, e em si mesmos.
Podemos dizer que esta série não é propriamente um prato pomposo, excêntrico e dispendioso, que nos aparece à frente em raras ocasiões, mas antes aquela refeição mais caseira e simples, que conforta como nenhuma outra, e que nos sabe melhor que qualquer outra!
É uma série que nos envolve, e que nos cativa, desde o primeiro momento.
Com todo um futuro em aberto, após o final da série, talvez possamos acreditar numa segunda temporada. Ou, então, ler o livro, no qual a série se inspirou.
Com Mark Ruffalo, e Hugh Laurie no elenco, o meu destaque vai para Aria Mia Loberti, que interpreta Marie (a actriz é, também ela, cega).
"A Família Perfeita" mostrou ser um livro com uma história quase perfeita!
E digo "quase" porque, desde a primeira página, foi ficando melhor, e melhor, e mais intrigante.
A cada novo capítulo, o interesse e a curiosidade aumentavam, o suspense aumentava, a história prometia mais.
Já mesmo quase no final, a surpresa, a não desiludir.
Mas, quando se pensava que ia terminar em grande, não.
O final ficou muito aquém da expectativas que o leitor vai criando ao longo da leitura.
Ficam mais dúvidas, que certezas.
Mais perguntas, que respostas.
Faltou ali qualquer coisa. Algo que ficou a meio.
Ainda assim, vale a pena ler.
Alternada entre a personagem principal - Libby, o narrador - Henry, e uma mulher que não se sabe bem quem é - Lucy, a história leva-nos ao passado de uma família abastada que, aos poucos, foi perdendo tudo o que tinha.
Uma família relativamente normal que, de um momento para o outro, viu as suas vidas mudarem drasticamente, com consequências para todos, sobretudo para os mais jovens que residiam naquela casa.
No presente, Libby descobre, aos 25 anos, que herdou uma casa, pertencente aos seus pais que, aparentemente, se suicidaram quando ela era bebé, tendo sido a única com vida encontrada na casa. Todos os restantes residentes, à excepção dos seus pais, encontrados mortos, juntamente com uma terceira pessoa, desapareceram.
Agora, Libby quer saber mais sobre o seu passado e, juntamente com Miller, o jornalista que acompanhou o caso há 25 anos, tenta descobrir as peças do puzzle, para conseguir completá-lo.
Mas a verdade pode ser muito diferente daquilo que esperava.
Certo é que, no presente, há pessoas muito interessadas em reencontrar a "bebé". Nem todos, certamente, pelos mesmos motivos.
E se calhar, a carta pela qual Libby esperou a vida toda pode, em vez de um sonho, tornar-se um pesadelo, a ponto de a sua própria vida estar em perigo.
Paralelamente a esta história, uma outra se entrelaça.
A de Lucy, mãe de Marco e Stella. Com filhos de pais diferentes, ela vive quase como "sem abrigo", após um casamento tóxico que quase lhe tirou a vida, e do abandono pelo homem que considerava o grande amor da sua vida.
Sem nada a perder, com dois filhos para cuidar, e com uma imensa vontade de regressar a Londres, Lucy vai fazer de tudo para o conseguir. Nem que, para isso, tenha que fazer aquilo que nunca pensou fazer. Ou aquilo que tinha prometido nunca mais fazer.
Mas, por vezes, não há outra saída...
Sinopse:
"Numa casa em Chelsea, numa zona elegante de Londres, uma bebé está acordada no berço. Bem tratada e alimentada, espera que alguém a vá buscar. Na cozinha estão três cadáveres em decomposição, todos vestidos de preto. Junto a eles, um bilhete rabiscado apressadamente. Estão mortos há vários dias. Mas então quem tem cuidado da bebé?
Após o seu vigésimo quinto aniversário, Libby Jones chega a casa e encontra uma carta, pela qual esperou toda a sua vida. Ao abri-la descobre finalmente quem são os seus pais biológicos e que é herdeira de uma mansão abandonada que vale milhões. A sua vida está prestes a mudar..."
É o verde da erva que ganha vida com as primeiras chuvas. Um sinal de esperança e perseverança.
É o castanho dos troncos que vão ficando despidos. Símbolo de resistência.
É o amarelo e o laranja das folhas que vão caindo, envelhecidas, no chão. A leveza, num tapete que nos amortece os passos. A luz que nos alegra, quando os raios de sol teimam em não aparecer. A energia. A transformação. E a coragem.
É o preto, da terra, e pedaços da natureza que com ela se vão misturando. O poder e a força do solo, o mistério do que dele nascerá.
E, por entre estas e tantas outras cores, surge uma singela flor branca, a "côr da luz". Para nos trazer calma, e paz. O equilíbrio interior de que, tantas vezes, necessitamos.
Anne é uma cirurgiã com uma taxa de sucesso invejável.
Até àquele momento, nunca tinha perdido um doente na mesa de operação.
Ele foi o primeiro.
E, de repente, todos parecem condená-la por algo que pode acontecer a qualquer um.
As cirurgias acarretam riscos. A morte, é um deles.
Todos os seus colegas já perderam doentes.
Mas nenhum foi sujeito a uma investigação como esta, tanto a nível interno, como pela procuradora do Ministério Público.
Como se fosse uma criminosa. Uma assassina.
Como se, de facto, o tivesse matado propositadamente.
E, no fundo, será que não o fez?
Afinal, até tinha motivos para isso.
Mas ela não estava sozinha. Toda a sua equipa estava lá com ela.
E viram que ela fez tudo o que podia para o salvar.
Ou será que não?
Ainda assim, porque está aquela procuradora tão empenhada em destruí-la?
Ou será que ela é apenas o meio, e o seu marido, advogado, candidato a Mayor, o alvo principal?
O paciente, era nada mais, nada menos, que um pedófilo. Um homem que abusou da sua irmã adoptiva, e a levou ao suicídio.
Anne sabia. E aquela era a oportunidade perfeita para acabar com aquele monstro.
E, agora, há alguém disposto a acabar com ela.
Alguém que fará Anne perceber que nem tudo é o que parece, e que a sua vida e o seu mundo perfeitos não eram assim tão perfeitos.
E que, de um momento para o outro, se pode perder tudo aquilo que se lutou para conquistar.
Até mesmo, a liberdade.
Gostei da história, e de como guardaram, quase até ao final, a verdade sobre o que realmente aconteceu a Caleb Donaghy, ou melhor, ao seu coração, e porque Paula está tão decidida a mandar Anne para a prisão.
No entanto, penso que revelaram demasiado cedo quem era o amante de Paula, e qual o seu papel no plano desta.
Seria mais surpreendente se o leitor ignorasse a sua identidade por mais umas páginas.
Sinopse:
"Antes do meu mundo desabar, eu tinha tudo. A carreira de sucesso com que sempre sonhara. A bela casa onde podia sentar-me e relaxar confortavelmente depois de um longo dia de trabalho. O marido mais bonito e dedicado que poderia desejar, cujo sorriso encantador sempre me fizera sentir segura. Até hoje nunca tinha perdido um doente. Até hoje nunca tinha operado ninguém que odiava. Quando declarei o óbito, a minha voz estava firme: «Hora da morte 13:47». Todo o pessoal, médicos e enfermeiros na sala de operações ficaram em silêncio à minha volta, a olhar para mim, confusos e preocupados. As minhas mãos tremiam dentro das luvas. O meu olhar deslizou pelas frias paredes de azulejo, com o coração a bater aceleradamente dentro do meu peito. Se tivesse sabido antes de quem se tratava teria pedido a um colega que me substituísse. Ninguém estranharia; é um procedimento habitual não operar amigos, familiares ou... qualquer outra pessoa que possa comprometer a capacidade do cirurgião agir na sala de operações. Teria sido fácil. Mas que outra escolha podia ter feito depois de o reconhecer na sala de operações? E o que vou fazer para me proteger, se alguém descobrir?"