quarta-feira, 29 de maio de 2024

A minha resistência à "toma" de medicação

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Que fique claro que eu não sou contra a medicação, quando esta se justifica, quando é a única solução, ou a mais rápida e eficaz.


Não me faço de rogada com um antibiótico, se assim tiver de ser.


Não recuso um comprimido para as dores, se estas forem insuportáveis.


A pílula, também não falha.


 


O que me chateia é que, hoje em dia, se receite medicação para tudo e mais alguma coisa.


Pior ainda, e que me deixa mesmo irritada, é prescrever-se medicação sem se saber exactamente o que a pessoa tem.


E que os médicos se preocupem mais em combater os sintomas, sem saber a causa, à base de medicamentos.


 


Esta semana tive consulta com a minha nova médica de família.


Já ia de pé atrás com ela, desde o momento em que, em visita ao meu pai, que se queixou que não conseguia dormir, ela lhe receitou antidepressivos. Que não cheguei a comprar. 


O meu pai tinha vindo de um internamento, andava com o organismo ainda desregulado. Na farmácia, pedi umas gomas naturais para ajudar a dormir. Não sei se foi psicológico (há quem diga que são apenas placebo), ou se realmente fazem efeito, a verdade é que tem dormido sempre bem.


 


No meu caso, nem sequer era para ter marcado a consulta, mas os meus sintomas estão a agravar e continuo a não saber o que tenho, porque os exames estão todos bem. Então, lá me enchi de coragem, e fui.


Como já estava à espera, veio logo com a conversa da ansiedade, e que podia receitar-me uns ansiolíticos.


Expliquei-lhe que não tinha motivos para andar ansiosa. Ah e tal, não tem que haver motivos concretos.


Então, mas como se diagnostica a ansiedade? Ah e tal, as coisas não são assim "preto no branco", há doenças que a única forma de diagnosticar é tomando a medicação.


Respondi-lhe: "então está a dizer-me que sou uma cobaia - tomo a medicação, se fizer efeito, é porque o problema é esse, se não fizer, descarta-se e passa-se à próxima tentativa?!"  


Ela não achou muita piada ao termo cobaia mas, no fundo, acabou por confirmar a ideia.


Portanto, se eu não sofrer de ansiedade, seguindo a medicação, estou a "drogar-me", a viciar-me em medicamentos que, como sabemos, trazem outros efeitos secundários, sem saber com certeza se é essa a minha doença. E se não for, pode passar a ser quando deixar de tomar os ditos comprimidos!


 


Ah, mas esperem! 


Também disse que me podia receitar um broncodilatador.


Perguntei-lhe para que servia, ao certo, um broncodilatador.


Ah e tal, é para dilatar os bronquios, e ajudar a respirar melhor.


Então, mas qual é o exame para se saber se eu tenho algum problema nos bronquios?


A espirometria.


Então, mas eu fiz a espirometria e, segundo a mesma, está tudo bem.


Ah e tal, mas pode ter uma asma ligeira, que não tenha sido detectada no exame.


Mais uma vez, vamos pela tentativa-erro! Se funcionar, então é porque eu tenho asma, ou bronquite, ou o que quer que seja a nível dos bronquios.  Se não resultar...


E por aqui se vê que os exames não detectam tudo. Aliás, o meu irmão fez o mesmo exame, estava tudo normal, e mais tarde foi diagnosticado com bronquite asmática.


 


Portanto, sem saber ao certo, já me apontou dois problemas distintos, e duas medicações diferentes.


Mas exames? Ah, isso não dá para pedir mais nada, a nível de centro de saúde. Só em contexto hospitalar.


A única coisa que posso fazer é passar uma endoscopia. Novas análises.


E, se preferir, em vez da medicação, pedir uma consulta de medicina interna, para estudar o seu caso, já que os exames não apontam para nada.


Assenti. Sim, prefiro saber o que tenho antes de tomar o que quer que seja.


 


O que não pode falhar, ali, é a citologia. A grande preocupação de todos os médicos. O exame que até os faz marcar consultas mais cedo, e arranjar vagas que, por outros motivos, não existiriam.


Mas, enfim, já fiquei despachada desse.


 


Agora é aguardar pela marcação da consulta de medicina interna, e ver no que dá.


E marcar a dita endoscopia, para ver se acusa alguma coisa porque, a nível de análises, mais uma vez, está tudo bem. Pelo menos, aquelas que a médica pediu.


 


 

sexta-feira, 24 de maio de 2024

Bridgerton: temporada 3 - parte 1

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Estreou a 16 de Maio a primeira parte, da terceira temporada da série Bridgerton, na Netflix.


Por mim, não havia necessidade de dividir a temporada em duas partes, já que são poucos episódios, mas a ideia será ficar na expectativa, e manter o interesse por mais tempo.


 


Este temporada centra-se na história de amor entre Colin Bridgerton, acabado de regressar de uma das suas viagens, e Penelope Featherington, a mais nova da família, que durante 3 temporadas em Londres não conseguiu arranjar marido. Não que ela quisesse muito, afinal, ela sempre foi apaixonada por Colin, que sempre a viu apenas como uma amiga.


 


Só que, após ouvir Colin dizer aos amigos que nunca cortejaria Penelope, ela ficou desiludida e, agora, está decidida a seguir em frente e arranjar um marido, até para fugir do desdém da mãe, e da indiferença das irmãs, e ter liberdade para continuar a levar a cabo o seu passatempo.


 


Numa temporada em que Violet apresenta a sua filha, Francesca, à sociedade, para a sua primeira temporada londrina, Penelope acabará por ser a personagem central.


O que se retira, para já, desta primeira parte, é que não vale a pena fingir algo que não somos, só para agradar aos outros. Porque nem sempre os outros procuram alguém semelhante, mas antes alguém genuíno, com carisma, com ideias e vontades próprias. Ainda que, dada a época, na maior parte das vezes, no caso das mulheres, isso fosse mal visto.


 


Já a nível físico, apesar de uma mudança de penteado e forma de vestir, Penelope manteve-se igual. Uma forma de mostrar que as mulheres não têm que, obrigatoriamente, ser magras, para ser felizes. Ou ficar mais bonitas.


Penelope é uma das jovens mais bonitas que podemos ver na série, por dentro, e por fora.


 


A segunda parte chega a 13 de Junho.


 


 

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Muitas vezes, aquilo que apontamos aos outros, nada mais é do que aquilo que nós próprios somos.


Aquilo que vemos nos outros, nada mais é que o nosso próprio reflexo.


Mas, ignorantes, ou cegos, pensamos que não. Até porque não identificamos essas características em nós.


E porque, afinal, acreditamos que conseguimos, realmente, ver e conhecer os outros, e o seu interior. 


 


Só que nem sempre os outros se mostram, ou dão a conhecer.


Aliás, quanto maior for, deste lado, o "brilho", mais encandeados ficamos com ele, e menos ele nos permite ver do outro lado.


Se, de ambos os lados, esse brilho exagerado se manifestar, acabam por se ofuscar um ao outro, e nada conseguirão ver, de nenhum deles.


O segredo está, então, em moderar ou até atenuar o nosso brilho, para que o outro lado seja mais visível, mais claro, e mais real.


 


 


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Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 


 

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Malditos vírus

Mulher doente com dor de estômago no branco | Vetor Grátis | Dor de  estômago, Dor, Frascos de remédios


 


A semana passada não foi fácil aqui para estas bandas, por conta de uns malditos vírus que por aqui andam.


E, desta vez, não foi Covid. Foi mesmo uma gastroenterite.


Uma para cada uma das mulheres da casa!


 


A primeira foi a minha filha.


Terça-feira, ao final do dia, queixa-se de dores, e que está com diarreia. Ainda foi jantar com o pai.


Chegada a casa, passou a noite toda entre vómitos e diarreia, e nem o chá se aguentou no estômago. Teve também febre baixa.


Valeu-lhe só trabalhar no dia seguinte à tarde. E veio para casa cheia de dores nas costas, que só passaram com medicação.


 


Já eu, não sei se de forma psicológica, naquela primeira noite, já achava que não me estava a sentir bem.


Nada de especial, daí achar que era psicológico. 


Mas a prioridade era a minha filha.


Passei o dia de quarta e, na quinta-feira, continuava estranha.


A seguir ao almoço, comecei a ficar mal disposta. A meio da tarde, cólicas. Já mais para o final do dia, a diarreia.


Deu para sair do trabalho, ir ao meu pai e chegar a casa.


No espaço de meia hora, saiu tudo o que havia para sair, a ponto de nem me conseguir aguentar de pé, prestes a desmaiar.


 


Felizmente, depois de uma hora sentada, comecei a sentir-me melhor, e ainda deu para acabar de arrumar as coisas em casa, que tinha deixado por fazer.


Entretanto, a minha filha já está em forma.


E a mim, a modos que, passado o efeito do vírus, fiquei com um apetite que não tinha antes!


Deve ser para repôr as perdas, e compensar. 


 


Segundo me disseram, parece que houve muita gente contagiada com esses malditos vírus.


 


 


 


 


 


 


 

sexta-feira, 17 de maio de 2024

1 Foto, 1 Texto #43

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Com todo o tempo do mundo, vai tecendo a sua teia.


Como quem cria uma obra de arte, com um simples fio de seda, que vai entrelaçando daqui, cruzando dali, unindo acolá.


Como quem dá vida a uma peça de crochet, entremeando pontos, com espaços mais abertos, ou mais fechados.


 


Terminada a teia, é esperar que algo/ alguém caia nela.


Porque nem sempre é visível.


Ou porque, sendo-o, a curiosidade leva a melhor.


 


E, quando se dá por isso, já se está preso nela.


Já não se consegue escapar facilmente, ou de todo.


E fica-se à mercê do destino, e do ojectivo, pelo qual a teia foi criada.


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 

quarta-feira, 15 de maio de 2024

The Good Doctor: 7ª e última temporada

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Estreou, na passada quarta-feira, no AXN, a sétima e última temporada da série "The Good Doctor".


Não via a hora desse dia chegar mas, como sempre, é uma sensação agridoce porque, quando esta temporada acabar, não haverá mais.


Será a despedida de todas as personagens que deram vida a esta história, e que acompanhámos ao longo dos anos.


 


O primeiro episódio trouxe logo um dilema daqueles dificeis.


Dois bebés precisam de um coração. Só há um coração disponível. Qual dos bebés é mais elegível para receber o transplante? E como tomar uma decisão isenta e imparcial, quando um dos bebés é filho de um médico daquele hospital?


Depois, ainda que ultrapassada essa decisão médica, e achada uma solução razoável que favoreça ambos os bebés, cabe aos pais uma outra decisão: colocar o seu filho em relativo risco, para que ambos os bebés tenham uma hipótese de sobrevivência, ou não correr esse risco, salvando com segurança o seu filho, condenando o filho do outro casal.


 


Dilemas à parte, é também abordada a maternidade/ paternidade, por pais de "primeira viagem", com diferentes perspectivas e ideias concebidas sobre o que é melhor para o bebé e, por arrasto, para os pais.


Shaun, como seria de esperar, tem tudo planeado e controlado ao minuto, devendo Lea seguir o esquema à risca. Só que, para Lea, as coisas não funcionam assim, e o que ajuda um, acaba por prejudicar o outro. A Shaun, porque não consegue descansar de noite, e tem que ir trabalhar no dia seguinte. E a Lea que, estando em casa com o bebé em tempo integral, está exausta e a enlouquecer, sem poder respeitar os tempos ditados pelo próprio filho.


Conseguirão eles encontrar um meio termo? 


 


E, enquanto isso, estará Aaron disposto a esquecer o que aconteceu, e fazer as pazes com Shaun?


O bebé parece ser o "empurrão" perfeito para voltarem a ser uma família, apesar de Aaron ainda estar muito magoado, e insistir em manter a distância.


No entanto, os minutos finais deste primeiro episódio dão alguma esperança. 


 


Já Jordan, continua a ter que lidar com as consequências da decisão que tomou quando tentou salvar Daniel, indo contra a sua vontade de que não lhe fosse administrada qualquer droga.


Com Daniel longe, Lea a cuidar do bebé, Asher ocupado com o namorado, e Jared a condená-la e a não querer grande conversa com ela, Jordan sente que está a pagar um preço demasiado alto, pela sua atitude, e sozinha, mas de consciência tranquila, por ter salvado Daniel.


 


Hoje, chega o segundo episódio, dos 10 que nos reserva a última temporada.


E, à semelhança do que já aconteceu em temporadas anteriores, os criadores decidiram, mais uma vez, nesta temporada final, matar uma personagem muito importante da trama.


 


Quem por aí costuma ver a série?

terça-feira, 14 de maio de 2024

Apontamentos da Natureza

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Nascem onde menos se espera.


Crescem.


Desenvolvem-se.


Florescem em "solo" agreste. Em "terreno" considerado pouco ou nada fértil.


Mas, para estas plantas, é o ideal.


São "apontamentos" da natureza, que trazem cor e beleza aos muros para os quais ninguém perde tempo a olhar. 

sexta-feira, 10 de maio de 2024

1 Foto, 1 Texto #42

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Quinta-feira da Espiga


Quinta-feira da Ascensão


É para esquecer a fadiga


E cumprir a tradição


 


É feriado municipal


Um dia de caminhada


Pelo campo ou meio rural


Sempre de forma empenhada


 


O ramo há que compor


Com tudo a que tem direito


Papoilas que simbolizam amor


Daquele que se guarda no peito


 


Malmequeres são riqueza


Espigas de trigo são pão


O melhor da natureza


Junto na nossa mão


 


A paz da oliveira


A saúde do alecrim


A alegria da videira


Para completar o festim


 


Se a preguiça falou mais alto


E não há ramo à sexta-feira


Podem sem sobressalto


Arranjá-lo de outra maneira


 


Ou, então, tal como eu


Deixem tudo onde está


Acredito que o que tiver que ser meu


Cedo ou tarde virá


 


As flores, ao campo, pertencem 


Não temos que as arrancar


Mesmo quando nos convencem


Que é para a nossa vida prosperar


 


E a tradição não quebrar...


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Portugal está na final da Eurovisão!

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O "Grito" da Iolanda fez-se ouvir, e bem, em Malmö.


Numa semifinal mediana, com demasiado ruído, extravagância e luz, sem haver uma única música que se destaque, que uma pessoa possa dizer "gostei, é bonita", Portugal até primou pela simplicidade, pela voz, pela música, e foi justamente apurado.


Nunca foi uma canção que me dissesse muito mas, tendo em conta a concorrência... E até foi bastante aplaudida após a actuação!


 


Quanto às restantes finalistas, temos as canções de Chipre, Sérvia, Ucrânia, Eslovénia, Finlandia e Luxemburgo, nas quais tinha apostado para o apuramento e que, para mim, são menos más.


E ainda a favorita da Croácia, a da Lituânia e a satânica da Irlanda.


Eu teria preferido as da Islândia e do Azerbeijão. 


 


Quanto às canções dos Big Five, das que foram apresentadas ontem, só gostei da Alemanha, mas imagino que vá ficar nos últimos lugares da final.


 


A Austrália, desta vez, não foi apurada. E fiquei surpreendida. Porque, desde que participa como país convidado, está sempre na final.


 


E por aí, viram?


Quais foras as vossas favoritas?


 


Imagem: EurovisionSongContest


 

terça-feira, 7 de maio de 2024

Obras e encomendas a receber

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Na zona onde vivo estão a decorrer as chamadas "obras de santa engrácia", que muito nos tem dificultado a vida, não só para quem anda a pé, como para quem tem carro.


Temos três estradas principais, e todas estão impedidas, pelo que é preciso dar uma volta maior, recorrer a atalhos, curvas e voltinhas, para ir para casa, ou para sair de casa e ir a qualquer lado.


 


Na altura em que fiz algumas encomendas, havia uma rua transitável mas, sinceramente, nem me ocorreu essa questão. Quando recebi notificação dos CTT Expresso, de que as encomendas estavam em distribuição, já a dita rua estava cortada mas, lá está, há alternativas.  Mais complicadas, sobretudo para quem não conhece ou não é dali. Mas existem.


 


No entanto, só tive noção quando chegou a mensagem de entrega não conseguida por morada inacessível.


Aí, vi a minha vida andar para trás.


Porque estas, por acaso, vinham pelos CTT Expresso e, em último caso, poderia ir levantar aos correios, na semana seguinte.


Mas esperava outras, da Paack, que não faço ideia se têm algum ponto de recolha ou se, simplesmente, falhada a entrega, devolviam as encomendas.


 


No sábado, tive esperança que os CTT Expresso me ligassem. Tive sorte. Ligaram. Eu estava em casa do meu pai e, para evitar complicações, fui ter com o estafeta onde ele estava parado (uns 7 minutos a pé).


Hoje, estava previsto vir duas encomendas, da Paack. O coração nas mãos. Telemóvel com som. A minha filha a jeito, caso fosse preciso, porque o meu pai não estava em casa, e vai tudo para a morada dele.


Estava eu a almoçar, recebo as notificações de entrega.


Vou ao meu pai, só para ter a certeza, e lá estavam elas.


 


Moral da história: esta transportadora é muito mais desenrascada e expedita que os CTT Expresso, porque chegou lá à rua, e fez as entregas, sem sequer ligar ou queixar-se. O que quer dizer que os CTT Expresso também conseguiam, mas nem se quiseram dar a esse trabalho.

domingo, 5 de maio de 2024

"A Filha", na TVI

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"A Filha" é uma série da TVI, baseada na história verídica do caso Esmeralda.


Apesar de se distanciar, em alguns pontos, da realidade, a essência, e o verdadeiro cerne da questão, estão lá.


São apenas 6 episódios, e vale a pena ver!


 


A justiça nem sempre funciona. Nem sempre funciona bem. Nem sempre é justa. E nem sempre é aplicada a pensar naqueles que mais importam. Ninguém é dono da verdade mas certo é que uma má decisão pode ter consequências terríveis sobre quem mais deveria ser protegido.


 


Eu tenho uma opinião muito vincada em relação a este tema. Defendo a criança.


E é nela que qualquer pai ou mãe, ou avós, biológicos ou não, advogados e juízes deveriam pensar.


Sem imposições. Sem mudanças drásticas. Sem cortes radicais.


A própria criança deveria, quando possível, ser ouvida. Mostrar aquilo que quer.


 


Como referi, a série relata a história de uma forma um pouco diferente da verdadeira. E é com base, exclusivamente, neste enredo de "A Filha" que vou opinar. Sobre as sucessivas falhas que foram sendo cometidas, pelos vários envolvidos. 


Porque, o que deveria ter acontecido, pelo bem da criança, era ela estar com a mãe biológica. Não podendo, e já que estava a ser criada por aquele casal (ainda que sem adopção oficial), era o melhor para a criança que assim continuasse. O pai, mostrando agora interesse em estar com a filha, não deveria ter entrado a "a matar", da mesma forma que o casal não deveria ter sido tão intransigente. Era perfeitamente possível fazerem todos parte da vida da criança, pensando sempre no melhor para ela, para a sua estabilidade emocional. E, uma dia mais tarde, talvez ela decidisse com quem queria ficar. Infelizmente, não foi isso que aconteceu.


O egoísmo substituiu o bom senso.


 


Paulo é um carpinteiro que namora com Susana, a qual tem um filho e, aparentemente, é uma relação estável que ele quer preservar.


No entanto, isso não o impediu de andar com Heloísa, uma cantora de bar que ele conheceu por lá, e com quem se envolveu por alguns dias, semanas, até ela começar a mostrar que queria uma relação mais séria, e ele a informar por mensagem que não a queria ver mais.


Até aí, tudo bem. Não fosse o facto de Heloísa ter engravidado de Paulo.


 


Paulo nunca quis saber, apesar de Heloísa lhe ter contado.


Para ele, ela era uma galdéria, que andava com vários, e qualquer um podia ser o pai. Para ele, ela estava a tentar prendê-lo, e ele não queria. Nem ela, nem o suposto filho.


Heloísa decidiu ter a criança, e teve que se desenrascar sozinha.


Paulo nunca, em momento algum, quis tirar a dúvida, fazendo um teste de ADN. Não quis conhecer a bebé. Desprezou-a. Nem sequer ajudou Heloísa na única coisa que ela lhe pediu - registar a bebé para poder colocá-la na creche, e poder trabalhar para sustentar-se a si e à filha.


Paulo continuou a sua vidinha, com a namorada e o enteado, como se nada tivesse acontecido.


Esta foi a primeira falha de Paulo.


 


Enquanto isso, Heloísa viu-se sem nada. Sem nem mesmo ter como alimentar a bebé.


Clandestina em Portugal, sem documentos, sem trabalho, sem ninguém que a ajudasse, sem ter como cuidar da filha, Heloísa fez aquilo que nunca pensou: entregar a sua bebé a um casal que queria muito ter filhos, sem sucesso, para que eles criassem a sua filha.


E, aqui, pergunto-me: não tendo aquelas pessoas, ou quaisquer outras, qualquer obrigação de ajudar Heloísa, seria esta a única ajuda que lhe conseguiam dar?


Por muita vontade que quisessem, de ser pais, alguma vez pensaram se seria justo tirar uma criança da mãe? Não terá havido aproveitamento do desespero de Heloísa para fins, de certa forma, egoístas?


Porque ali ninguém fez o que fez para ajudar Heloísa. Fizeram-no, por interesse próprio.


Esta foi a primeira falha destes pais adotivos.


Heloísa não suportou a dor, e acabou por morrer.


 


Ainda assim, não faltou amor a Renata, entretanto Maria Júlia, e ela cresceu rodeada de uma verdadeira família. A única que ela conheceu. 


Independentemente dos motivos, Cristina e Zé foram os pais de Maria Júlia.


Até que Paulo (e aí não percebi bem como ou porquê), foi intimado pelo MP, a fazer um teste de ADN para confirmar a paternidade de Maria Júlia.


Após o resultado positivo, Paulo decide, então, quer quer a sua filha. Aquela de quem, até ali, nunca quis saber. Nem se estava viva, ou morta. Ou se precisava de alguma coisa. De ajuda. De si, o pai.


Erros todos podemos cometer, e estamos sempre (ou quase sempre) a tempo de os corrigir.


Aceito que Paulo tenha, agora, uma outra noção das coisas. Que se tenha arrependido. Que queira recuperar o tempo perdido. E achi justo que ele possa fazer parte da vida da criança.


Mas tirar uma criança dos únicos pais que ele teve, não é a solução.


E esta foi a segunda falha de Paulo.


 


Por outro lado, os pais adoptivos, Cristina e Zé, a partir do momento em que souberam da existência deste pai, e do processo para ficar com a guarda de Maria Júlia, esconderam-se. Nunca permitiram qualquer contacto do pai com ela. Com receio de a perder, acabaram a mudar-se de uma casa para outra, como dois foragidos, sem nunca comparecer em tribunal, nem aceitar qualquer notificação.


A advogada de Paulo decide então pedir que ambos sejam considerados arguidos por crime de sequestro e subtracção de menor.


E Zé acaba mesmo por ser preso, e passar vários meses na prisão, sem nunca dizer onde está Maria Júlia.


A minha dúvida aqui prende-se com questões legais: porque é que só Zé foi preso? Porque é que Cristina continuou em liberdade? Como é que uma criança, da qual toda a gente já sabe do caso, estuda numa escola sem que haja qualquer denúncia às entidades competentes? E as autoridades, não deveriam andar à procura de Cristina? Porque, apesar dos cuidados, ela não anda propriamente fugida. Chega até a viver em casa dos pais.


 


Mas, adiante.


Zé é libertado, após uma certa campanha a seu favor, com influência da primeira dama, e de muitas outras pessoas, até figuras públicas, após uma primeira opinião pública que defendia o pai biológico, e condenava os adoptivos.


Mais confiantes e, ao mesmo tempo, cansados e percebendo que há que resolver a situação, para o bem ou para o mal, Zé e Cristina comparecem finalmente na audiência, para ficar a saber que a menina vai mesmo ser-lhes retirada, e entregue ao pai.


O que para mim não faz sentido nenhum. 


 


E o pior não tarda em acontecer.


Maria Júlia, que agora voltou a ser Renata, não está bem.


Ela tem saudades da sua família. Dos seus pais. Da sua rotina.


Ela não se identifica com esta nova família. Com esta nova vida. 


Por muito desejada que seja, ela está triste. 


E acaba mesmo por fugir de casa, de madrugada, colocando-se em risco.


Paulo não consegue perceber que, por mais que seja o pai biológico, os laços e sentimentos não se podem forçar. E que é preferível ela estar bem, longe, do que perto, mal.


 


Na vida real, Esmeralda, voltou a viver com os pais adoptivos, de quem tinha sido retirada aos 8 anos, aos 17 anos. 


Será preciso, na série, esperar tanto tempo?


Ou será que Renata vai conseguir, com o tempo, habituar-se ao pai biológico, e esquecer os pais adoptivos e a sua anterior vida?


 


Com actuações de Dalila CarmoDiogo Infante, Luciana Balby, José Condessa, Rita Lello, Sara Barradas, Inês Castel-Branco, Cucha Carvalheiro e São José Lapa, entre outros, quem não acompanhou pode ver a série aqui


 


Imagem: tvi.iol.pt


 

sexta-feira, 3 de maio de 2024

1 Foto, 1 Texto #41

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Acho que foi a primeira vez na vida que vi um sapo!


E pensei: o que raio anda o dito cujo aqui a fazer?


Estará perdido? Ao estilo "Um estranho na cidade"?


 


Apercebi-me dele porque olhei para a frente e vi algo a saltitar.


Mas que raio?! Foi então que percebi o que era.


Ele, esperto, também deve ter pressentido a presença humana a aproximar-se.


 


E ficou em alerta.


Primeiro, sossegadinho. 


Depois, com pequenos passos lentos.


 


Até que chegou ao degrau.


E, se pensam que ele saltou, desenganem-se.


Trepou, como um verdadeiro alpinista!


 


Alguma vez na vida pensei vir a achar um sapo fofo...


Mas é que o bichinho era mesmo fofo!


 


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Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 


 


 



 

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!