Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!
Aposto que, em pouco tempo, já fizeste estragos suficientes.
A somar àqueles que outras intempéries já tinham trazido.
Por aqui, não sei se por influencia do teu parceiro - rio atmosférico - as estradas, parques de estacionamento e ruas transformaram-se, em pouco tempo, em verdadeiros rios, mas terrestres.
Portanto, com rio no ar (muita chuva), e rio em terra, agora que já me fizeste levar com um banho forçado, e já descarregaste a tua depressão, vai à tua vidinha, e deixa-nos em paz!
A fome física é uma necessidade fisiológica que permite suprir a falta de energia de nosso corpo com alimentos variados. Não está ligada a um alimento exclusivo, ou a um sinal de emoção.
Já a fome emocional é desencadeada, como o próprio nome indica, por emoções ou sentimentos, e proporcionam uma espécie de alívio instantâneo.
Por norma, quando estou ocupada, tenho a tendência a comer menos. Por outro lado, naqueles momentos mais "mortos", costumo ir comendo para me entreter.
Não é fome. Também não será gula. É, lá está, para me ir entretendo enquanto espero o tempo passar.
Noutro sentido, costumo comer muito mais quando estou a trabalhar, do que quando estou de férias, ou em casa, de fim de semana ou feriado.
Este ano, por conta da bactéria que foi detectada no estômago, e consequente tratamento, todo o meu sistema digestivo atrofiou - desde não conseguir comer determinadas coisas, a ter a flora intestinal toda desregulada, e ter que adaptar a alimentação consoante o estado do dia.
E, assim, tive que encontrar uma rotina que, até agora, está a resultar (mas não sei por quanto tempo).
Essa rotina inclui não comer só por comer. Por entretenimento. Pela tal fome emocional.
Se bem que essa última, levada à letra, afecta-me pouco. Por exemplo, comprei há mais de um mês umas waffers de coco, que não como há décadas, porque estava de desejo e ainda nem toquei nelas.
Então, nesta nova rotina, tenho optado por iogurtes com fibra e probióticos, fruta, sopa, quantidades moderadas ao almoço e jantar, e apenas o indispensável para me deixar saciada nos lanches da manhã e da tarde.
Reduzi bastante o leite porque, lá está, troquei-o pelos iogurtes.
Peco pela água, que ainda não bebo aquilo que deveria.
Mas noto que me sinto bem.
Sem necessidade (para já) de abusar e comer por impulso.
Com menos inchaço abdominal.
Não sei se, também, pelo facto de a dita cuja bactéria ter sido eliminada! Yeahhh!
Por isso, vou continuar a seguir este regime, até a fome emocional levar a melhor.
E por aí, costumam ser mais atacados(as) pela fome física, ou pela emocional?
Este filme aborda a história verídica de Trudy Ederle, a primeira mulher a atravessar, a nado, o Canal da Mancha, a 6 de Agosto de 1926, com apenas 20 anos.
Numa época em que apenas aos rapazes era permitido nadar e competir, e apesar do risco que corria de vir a ficar surda, em consequência do sarampo, ao qual sobreviveu quando era criança, Trudy logrou, com muita persistência, resiliência, perseverança, teimosia e coragem, levar a sua ideia avante.
Contra a mentalidade machista da época, contra as expectativas e, literalmente, contra todos os obstáculos e adversidades da travessia, Trudy conseguiu aquilo que nenhum outro nadador tinha alcançado até àquela data, num total de 14 horas e 31 minutos, e teve o maior desfile em homenagem a um atleta, na história de Nova Iorque.
A criança que queria nadar, porque a irmã Meg também nadava, mas que toda a gente desvalorizava, porque não tinha jeito, teve a sorte de encontrar uma treinadora que, apesar de relutante, decidiu dar-lhe uma oportunidade e treiná-la, ficando surpreendida com a forma como, em pouco tempo, ela superou quase todas as suas outras alunas.
A mulher que se recusou a não ter uma palavra a dizer sobre o seu destino, que lutou contra a sociedade que dificultava as competições, deliberadamente, às mulheres, como se as quisessem reduzir à sua insignificância, através do boicote, foi aquela que, um dia, pôs todos a gritar o seu nome, deixou todos orgulhosos e estupefactos, e que mudou a história do desporto no feminino.
Destaque ainda, neste filme, para a força das mulheres, nomeadamente, a mãe de Trudy, que sempre fez tudo para que a filha concretizasse o seu sonho, apesar do receio constante de a perder, e da sua treinadora Charlotte, que sempre acreditou em Trudy, e depositou nela toda a sua fé - duas mulheres que fizeram a diferença, perante a mentalidade retrógada da época.
Em "A Jovem e o Mar" percebemos como é importante o apoio da família, como tudo se torna mais fácil quando sentimos que ela está lá para nós, que não estamos sós e abandonados à nossa sorte. Que, apesar do receio, e ainda que não consigamos alcançar aquilo a que nos propusemos, ela torce por nós.
Um filme do género de Nyad, mas numa outra época, com muito menos conhecimentos e tecnologias de suporte a feitos como estes, que vale a pena ver.
Na ilha de Nantucket, onde iria decorrer o casamento, e onde os noivos, respectivas famílias e todos os convidados estão hospedados, mais concretamente, na propriedade da família Winbury, vive-se um clima de festa.
Apesar das dúvidas da noiva, das reticências da mãe do noivo, e dos vários problemas com que cada personagem se debate, o enlace parecia certo. Todos aparentavam estar felizes, e brindar aos noivos.
Mas, na manhã seguinte, o pior acontece.
E o, outrora, palco de uma cerimónia, passou a cenário policial, estando a polícia local a tentar descobrir o que aconteceu, sem ferir suscetibilidades, nomeadamente, para com a família que mais os apoia financeiramente, e com algum poder na zona.
Ao longo do primeiro episódio vai ficando a curiosidade para saber quem foi a vítima, que não denunciam de imediato. E penso que, de alguma forma, poderiam ter mantido por mais algum tempo em segredo.
Mas, uma vez revelada começa, então, o desvendar de vários segredos, e o formular de várias razões para o que aconteceu, que não se sabe se foi acidente, ou homicídio.
É, assim, que se percebe, ou se comprova, mais uma vez, que devemos sempre desconfiar de casais perfeitos porque esses, simplesmente, não existem.
Ainda assim, isso não significa que sejam capazes de tudo, para manter as aparências.
Na minha opinião, ficaram algumas coisas por explorar/ explicar, incluindo a grande revelação. Percebe-se como aconteceu, porque aconteceu, mas não se isso, por si só, é suficiente para o desfecho.
Protagonizada por Nicole Kidman, Liev Schreiber, Eve Hewson e Dakota Fanning, esta série tem 6 episódios, e é uma boa aposta.
Quantas vezes não ouvimos aquela velha expressão "o dinheiro não traz felicidade", e quantas vezes pensamos que, tivéssemos nós dinheiro, poderíamos ser muito mais felizes.
E que essa expressão não passa de algo dito para o ar, mas que não corresponde à realidade.
Sendo que a felicidade não é constante, nem permanente, acredito que, ao longo da nossa vida, podemos vivenciar momentos felizes, que nada têm a ver com dinheiro. E, da mesma forma, existir momentos infelizes que nenhum dinheiro, por mais que houvesse, mudaria.
A felicidade "comprada" pode ter um efeito rápido e eficaz no momento, mas que desaparece rapidamente. E a pessoa acaba por voltar ao estado de espírito inicial, ou até pior, passado o efeito temporário da felicidade.
Quantas pessoas cheias de dinheiro, que viajam, que compram isto e aquilo, que têm uma lista enorme de bens, vivem infelizes, desconfiadas, sozinhas, ou rodeadas de oportunistas, sem realmente apreciar aquilo que o dinheiro lhes pode proporcionar, ou tirar daí o prazer que deveriam.
E quantas pessoas, sem todo esse dinheiro, não vivem mais felizes.
Obviamente, não vou ser hipócrita.
O dinheiro ajuda muito, e em muitos níveis, alguns, fundamentais.
Em "Isto Acaba Aqui", embora, aparentemente, tenha havido um fim, a verdade é que tudo ficou em suspenso.
Lily parece dar uma oportunidade ao seu amor por Atlas, e fica a esperança de que, neste novo livro, esse romance seja abordado como tema principal.
Mas "Isto Começa Aqui" não é apenas um romance. Não é apenas viver um amor antigo.
É como lidar com ex-maridos ciumentos, possessivos. Em alguns momentos, violentos.
É como saber gerir o que é melhor para os filhos, tendo em conta o bem estar deles, mas também até onde se pode ir, quando do outro lado a influência e condição de vida podem ditar as regras na justiça.
É perceber que, apesar de pouco usual, ainda é possível fazer-se a devida separação entre sensatez, amizade e laços familiares.
É saber e ter força suficiente para enfrentar o perigo e a ameaça constante, com coragem para não deixar que os receios, fundamentados, condicionem a vida de forma irreparável.
Claro que, lendo este livro, percebe-se que, embora seja o final que desejamos para todas as mulheres (e homens), também é verdade que, na maioria dos casos, as coisas não acentecem assim, e as consequências são, por vezes, fatais.
Mas é bom acreditar que ainda há quem consegue dar a volta, e quem não leva os ciúmes e a obsessão a extremos.
Sinopse:
"Será assim tão simples começar de novo? Depois do seu reencontro inesperado, Lily e Atlas não conseguem parar de pensar um no outro nem em tudo aquilo por que passaram. Mas uma nova aproximação entre eles poderá não ser tão simples como parece. Lily tem de pensar no bem-estar da filha e na reação de Ryle a uma eventual relação com Atlas. Atlas também está ciente das dificuldades. Sabe que Ryle não irá aceitar facilmente a sua presença na vida da ex-mulher e da filha e não tem dúvidas de que os problemas de comportamento dele não terminaram com o fim do casamento. Terão Lily e Atlas força suficiente para enfrentar todos os obstáculos que irão surgir pelo caminho?"
Outra grande estreia do mês de Agosto, "O Acidente" aborda, como o próprio nome indica, um acidente ocorrido durante uma festa de aniversário, que provocou a morte de três crianças, o desaparecimento de outra, e vários feridos.
Será a partir daqui que vamos ver como as várias famílias envolvidas, directa ou indirectamente, no acidente, lidam com o luto, com a culpa, com o desejo de vingança, com as consequências de ambição desmedida de uns, e a covardia de outros.
Tenho só uma nota a fazer relativamente ao acidente em si.
Naquela festa de aniversário, num dia que estava perfeitamente normal, um fenómeno natural, um vento extremamente forte, conseguiu fazer levantar voo um insuflável, o que originou o acidente. Mais tarde, percebe-se que uma das quatro estavas do insuflável, não tinha sido pregada ao chão. E é aqui a única crítica/ apontamento que tenho a fazer de negativo à série: ou o vento não era assim tão forte e, nesse caso, uma única estaca não pregada não faria diferença, estando as outras três bem firmes, ou o vento foi mesmo avassalador e, nesse caso, nem essa estaca pregada impediria o acidente.
Posto isto, há alguém que vai ser acusado, estando inocente, por covardia do (se é que assim se pode chamar) real culpado ou responsável.
E, havendo um acusado, é óbvio que vai haver vingança pelas mortes das crianças.
Qualquer um poderia fazê-lo. Qualquer um tem motivos.
Quem seria capaz de matar, para vingar uma morte?
Desde cedo que a série me deu alguns "ódios de estimação" por personagens sem quaisquer escrúpulos ou valores, capazes de tudo para salvar a própria pele, traindo aqueles que em si confiaram ou, simplesmente, porque se acham uns valentes, os maiores, contra quem acham que não se consegue defender.
Mas digo-vos: deu-me mesmo gosto ver a forma como tudo se desenrolou, e como a vida trocou as voltas a quem se considerava inatingível.
Algumas das questões abordadas são, por exemplo, ter um filho após a morte de outro. É legítimo? É um erro?
Será que a vida, após a morte de um filho, continua a fazer sentido sem ele?
E quando se tem outros filhos? Como lidar com a morte de um, e com o que está vivo?
É também explorada a forma como cada mãe/ pai faz o seu luto. Bem como os que não o fazem, de todo.
A nível de dilemas morais, também tem a sua quota-parte.
Com episódios cheios de suspense e revelações, esta é uma série a não perder.
Há muito que aguardava a estreia desta série e, assim que ficou disponível, na passada sexta-feira, fui maratoná-la!
Com apenas 8 episódios, e um final em aberto que nos leva a ter que esperar pela próxima temporada, há quem diga que esta série é uma "filha" de Elite (ou não fosse o criador, Carlos Montero, o mesmo) e "prima" de Anatomia de Grey ou outras séries do género.
"Respira" aborda os desafios dos profissionais de saúde no hospital público Joaquín Sorolla, em Valência, que lutam por melhores condições de trabalho, e por um melhor e mais eficaz Sistema Nacional de Saúde, perante um cenário quase caótico, em que os profissionais fazem vários turnos seguidos, por várias horas, sem o devido descanso, e sem conseguir prestar serviço no seu melhor.
A falta de profissionais especialistas faz com que os internos sejam, muitas vezes, deixados sozinhos, entregues à sua sorte, sem a devida experiência ou supervisão, com consequências que podem ser catastróficas.
É difícil destacar o que sobressai nesta trama porque tudo mexe com o espectador.
Como, por exemplo, o dilema destes profissionais em lutar por aquilo que acreditam, e exercer o seu direito à greve, condenando pacientes à morte por falta de atendimento, ou sujeitar-se às más confições de trabalho, porque o mais importante para um médico é salvar vidas?
Será possível levar a bom porto uma greve sem serviços mínimos? Será possível antecipar, ou adiar cirurgias, por conta de uma greve, quando é a única opção? Serão, muitos daqueles doentes (e até profissionais), danos colaterais?
Depois, o dilema entre a defesa e protecção entre colegas de classe, ou a ética profissional.
Como os médicos se ajudam entre si, mesmo quando as suas acções são condenáveis ou como, pelo contrário, são postos em causa pelos seus parceiros.
E, quanto ao lado mais humano, que relação se deve criar entre médico e paciente?
Como pode um paciente confiar num médico que trai a confiança que era a base dessa relação?
Como pode um paciente acreditar num médico que o deixa sozinho? Que o abandona no momentos mais complicado e frágil da sua vida?
Por outro lado, temos as relações entre pais/ filhos, e a forma como agem quando estes descarrilam.
Proteger os filhos? Ou mostrar-lhes que estão errados e fazê-los assumir as responsabilidades e aceitar as consequências?
Como, algumas vezes, as crenças dos pais acabam por se virar contra aqueles que mais querem proteger.
Mais uma vez, o dilema entre ajudar, ainda que de forma errada, alguém porque, caso não o faça, esse alguém será injustiçado, ou agir de forma correcta, e deixar escapar impune um criminoso?
E quando o feitiço se vira contra o feiticeiro?
Quando se faz um falso relatório, para ajudar alguém que nos é estranho, apenas porque é algo que defendemos, e esse relatório falso coloca o próprio filho na prisão?
Posso dizer que há, nesta história, muitas personagens, e situações, que me irritam, mas é sinal de que a série está bem feita.
E, como não poderia deixar de ser, há também espaço para o romance.
A série conta com nomes bem conhecidos do público como Najwa Nimri e Manu Rios, e ainda Borja Luna, Blanca Suárez, Ana Rayo e Aitana Sánchez-Gijón, entre outros.