quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Burocracias

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A semana foi passada, de ambas as partes, a tratar de burocracias.


Da parte dele, arranjar casa (e garanti-la). E tratar da transferência do serviço Meo para outra morada. 


A ideia era cancelar, uma vez que, para onde vai, já está incluído, mas já tinham passado uns dias do prazo para resolução. E eu não queria ficar com o serviço naquele valor. Acabou por transferir para a mãe.


 


Da minha parte, pedir um novo serviço Meo, mais barato, e com condições semelhantes ao que temos actualmente.


Negociar um novo tarifário de telemóvel, porque o meu era um abuso, e estou em contenção de custos.


E alterar a titularidade de uma das bichanas para o meu nome, uma vez que vão ficar as duas comigo.


Cresceram juntas, estão habituadas uma à outra, e a esta casa. Não fazia sentido separá-las. 


 


Temos conversado sobre a situação. Brincamos.


No fundo, desejamos que tudo corra bem ao outro nesta nova etapa que aí vem.


Desconfio que, se vacilássemos, ainda voltávamos atrás na decisão.


Mas, desta vez, precisamos mesmo de não vacilar. De ir em frente.


 


Há decisões que sabemos que são as mais acertadas, ou necessárias, e não devemos ter medo de enfrentá-las.


Ainda assim, o facto de ser "a decisão certa", não a torna menos dolorosa.

terça-feira, 29 de outubro de 2024

"Uma Dupla Vencedora", na Netflix

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"Uma Dupla Vencedora" aborda a história da violência doméstica na Índia, e o facto de não ser levada a sério, nem os homens serem condenados por tal, porque são "assuntos de família", resolvidos dentro do lar. Coisas normais entre casais.


Numa cultura em que é normal um marido torturar ou abusar da sua mulher, em que ninguém se atreve a apresentar qualquer queixa e, simplesmente, fecha os olhos, é difícil ter a coragem de contrariar essa mentalidade, e ver o homem condenado pelos seus crimes.


 


A história começa com a morte de uma mulher, que deixa as suas duas filhas, gémeas, Saumya e Shailee entregues ao pai, a lidar com a perda.


Saumya desde logo se mostra mais frágil, e Shailee ressente-se pela atenção especial dada à irmã, criando-se uma animosidade e rivalidade entre ambas, desde a infância até à actualidade.


Criadas longe uma da outra, Saumya é mais tímida, recatada, e sofre de depressão. Já Shailee, é uma mulher exuberante, provocadora, desbocada, que está disposta a tirar tudo à irmã, incluindo o homem por quem ela se apaixonou.


 


No entanto, por questões de negócios e aparências, Dhruv, apesar de preferir Shailee, acaba por se casar com Saumya. E começa o pesadelo dela, a partir do momento em que o marido a agride constantemente.


Obviamente, Saumya não o denuncia, não faz queixa, e afirma sempre que está tudo bem, e que se amam.


Não só porque sabe que não adianta rebelar-se, mas também porque não quer perder Dhruv para a irmã.


Que faz questão de estar sempre no meio dos dois, e criar ainda mais instabilidade.


 


Vidya é uma agente que está em Devipur, filha de um juiz e de uma advogada, que sempre esteve, como ela mesma diz "entalada" entre a palavra da lei, e o espírito da lei.


E, aqui, ela vai ter que decidir qual deles vai seguir.


Empenhada em ajudar Saumya, ela tenta de todas as formas que esta denuncie o seu marido, sem sucesso.


Até ao dia em que Saumya sofre uma tentativa de homicídio, em público, à frente de toda a gente, e não há mais como negar.


 


Agora, Vidya, que também é advogada, faz questão de tomar conta do caso, e tentar condenar Dhruv por tudo o que fez, ainda que este alegue que as coisas não foram assim, e que a sua mulher está louca, e é instável, desde a morte da mãe, tomando muitos medicamentos para o seu problema psiquiátrico.


 


O pai do acusado, é um ministro. Tem influência, e bons contactos para safar o filho.


Mas o juíz é uma mulher, o que poderá não ajudar à sua defesa.


Será Dhruv, desta vez, condenado?


Conseguirá Vidya a justiça para Saumya, e para todas as mulheres, abrindo um precedente?


E Shailee, ficará do lado da irmã, ou de Dhruv?


 


Como se não bastasse o suspense até aí, garanto-vos que o melhor foi mesmo guardado para o final!


Vale a pena ver  (e ouvir, porque a banda sonora também foi bem escolhida)!

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Quando o céu se torna mar...

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... e as nuvens se transformam em ondas.


 


Ondas que, por vezes, vêm para limpar tudo o que está a mais. 


Invadindo a areia, para levar todo o lixo que nela existe, deixando-a imaculada e purificada.


Habitando o céu, por momentos, para logo se recolherem, e o deixarem azul.


 


E que, outras vezes, trazem consigo tudo aquilo que não queríamos. 


Carregando para a praia aquilo que não pertence ao mar, e deixando lá, sem olhar para trás.


Da mesma forma que as nuvens enchem o céu, carregando-o e tornando-o sombrio e assustador.


 


Mas, uma vez ou outra, é nessas idas e vindas das ondas, e das nuvens, que somos surpreendidos. 


Seja por algo inesperado que "deu à costa", ou que, sem imaginarmos, surgiu no céu, e nos alegrou o dia.


Mostrando que, quase sempre, a natureza sabe o que faz, e cuida de nós. 


 


Ainda que nem sempre cuidemos dela...


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Catorze anos (e nove meses) depois...

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... o fim.


Não foi a primeira vez que essa decisão foi tomada.


Mas será, certamente, a definitiva.


 


Foram muitas as tentativas, as oportunidades, a esperança, de as coisas ainda darem certo.


De tudo melhorar. 


Apenas para chegar à mesma conclusão de sempre: a de que a nossa, cada vez maior, incompatibilidade, em termos de feitios, personalidades, objectivos, forma de estar na vida e de encarar uma relação, impossibilita qualquer relação entre nós.


Não nos entendemos, e acabamos por entrar num estado de saturação, de acumulação de coisas que, de um momento para o outro, saem em catadupa, em tom, e de forma, nada simpáticos. 


A rotina levou-nos a melhor.


Éramos conhecidos a partilhar uma casa.


 


Depois de alguns desentendimentos camuflados tivemos, este domingo,  "a tal conversa". 


A constatação.


O pôr em palavras aquilo que ambos pensávamos.


O dizer em voz alta aquilo que andávamos a silenciar.


E, se é para terminar, que seja a bem.


 


Claro que, e quem já passou por isso pode confirmar, não é fácil.


É uma mistura de alívio, porque estava a ser desgastante para ambos, com frustração, por mais uma relação que não resultou.


É aquela sensação de paz e sossego, por estar sozinha, misturada com o receio de não gostar de, a longo prazo (e é o mais certo de acontecer), ficar sozinha.


É saber que não vale a pena estar juntos, se não somos felizes assim, e tristeza, por não termos conseguido dar a volta.


É o achar que, talvez, quem sabe, não morando juntos, as coisas venham a ser de outra forma e, logo a seguir, a certeza de que nunca será possível e que, enquanto relação amorosa, é o fim.


É o pensar que, apesar disso, ficamos amigos e, no instante seguinte, até isso parecer difícil. Até porque acredito que o afastamento vá sendo cada vez maior, até para não trazer lembranças, ou porque há que distanciar para seguir em frente.


É olhar lá para a frente, e pensar que aquele sonho de viver juntinho com alguém até ao fim dos dias, alguém com quem partilhar alegrias, tristezas, momentos, parvoices, pode não se vir a concretizar.


 


Ainda assim, é acreditar que o que tiver que ser, será. Que o que estiver guardado para mim, será meu.


Sem stress, sem pressas, sem sofrer por antecipação.


O que é difícil, porque não sou propriamente uma pessoa optimista.


 


Mas, agora, há que fazer o luto.


Há que pôr ordem estes sentimentos todos que por aqui andam, o nó na garganta, o estômago embrulhado, o adaptar-me à nova realidade.


E viver um dia de cada vez.


Porque, queiramos ou não, a vida segue...


 


 

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

"Adeus Para Sempre", de Lesley Pearse

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"Leitura de conforto" - penso que esta é a expressão que melhor define os livros da autora Lesley Pearse!


É como aquele chá quentinho, que bebemos nos dias mais frios.


Como aquela manta, que temos sempre ali à mão, para nos aconchegar, e nos manter aquecidos.


Como aquele cantinho, para onde sabemos que podemos sempre ir, e sentir em segurança.


No fundo, algo que sabemos com o que contar, e que nos dá conforto.


 


"Adeus Para Sempre", faz jus a essa descrição.


E, para minha surpresa, desta vez, a personagem principal até nem sofreu tanto como eu esperava embora, lá mais para o fim, uma quase repetição de uma peripécia anterior fosse desnecessária.


Mas, nesta história, Betty Wellows, que se tornará Mabel Brooks, teve uma dose de sofrimento qb, apoiada por muitas pessoas que lhe serviram de porto de abrigo, e com as quais construíu verdadeiras amizades.


E é neste aspecto que realço a obra: mostrar que ainda há pessoas bondosas, que ajudam sem pedir nada em troca, e que se preocupam com o próximo. Que nem tudo se resume a riqueza, e dinheiro.


 


Num conflito interior entre a necessidade de se salvar de uma vida condenada ao sofrimento, e o de estar a abandonar o seu marido, totalmente traumatizado pela guerra, Betty decide arriscar uma nova vida, longe da terra que a viu nascer, crescer, casar e ser feliz. 


É nessa nova vida que irá poderes mediúnicos nunca antes manifestados, e que lhe trarão tanto de curioso como de assustador.


Será, enquanto Mabel, que lidará com os soldados feridos da guerra, e com os efeitos avassaladores da gripe espanhola.


E que conhecerá um novo amor.


 


No entanto, esse amor terá que enfrentar o preconceito da sociedade quanto às classes sociais.


E, acima de tudo, o passado de Mabel.


Betty regressa então, à sua terra, onde todos a julgavam morta, para ajudar a pessoa que mais mal lhe quis na vida, incluindo a sua morte.


Valerá a pena pôr tudo o que conquistou em causa, pelo sentido de justiça que a move?


 


 





Sinopse







"Quando o marido de Betty Wellows regressa a casa após combater na Primeira Guerra Mundial, vem um homem diferente. Confuso e atormentado, está claramente a sofrer os efeitos da devastação que testemunhou nas trincheiras. Após uma penosa temporada em que a esperança dá lugar ao desespero, Betty percebe que já não há como salvar o seu casamento.
Num momento de coragem, Betty aproveita uma oportunidade para fugir, deixando tudo para trás. Sendo filha de um pescador, ela conhece apenas a pequena vila de Hallsands, no Devon, onde vivera. Agora, a coberto de uma nova identidade, sem dinheiro e sem ninguém, Betty repensa todas as suas escolhas, pois começar de novo não é tarefa fácil. E estava longe de imaginar que poderia envolver um assassinato…
Para sobreviver, Betty vai ter de continuar em fuga e rumar ao desconhecido."




sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Os "filtros" da vida

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Ninguém gosta de uma pessoa, de uma vida, de um mundo cinzento, sombrio, melancólico.


Por mais que, em determinados momentos, isso seja perfeitamente normal, e faça parte.


 


Por isso, há que usar filtros.


Filtros, que tornem as paisagens mais coloridas, mais apelativas.


Filtros, que camuflem a vida real, e lhe dêem um tom mais leve.


Filtros, que disfarcem aquilo que a pessoa está, de facto, a sentir.


 


O mal não está, propriamente, em usar os ditos filtros. Está, sim, em acreditar que aquilo que é dado a ver, é sempre a realidade.


Nem sempre é. Quase nunca é.


 


Tal como uma simples imagem ou fotografia, que vemos por aí e pensamos "uau, que linda"!


Mas a imagem está assim porque foi editada, porque lhe foi aplicado um filtro que a embelezou.


 


Não quer dizer que a imagem real, que a vida real, que a pessoa real, que o mundo real, não seja igualmente bonito.


Só não é perfeito. Tem nuances, é mais "bruto".


E nem sempre as pessoas querem encarar a verdade, nua e crua.


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

"O Que Ninguém Viu", de Andrea Mara

 


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Comecei a ler este livro em Maio.


Terminei-o esta semana!


E não é porque a história não valha a pena.


Simplesmente, sou um ser estranho que, ali a determinado momento, deixou de ter vontade de ler o que quer que fosse e, como tal, o livro ficou "em espera" indeterminada.


Entretanto, fui lendo outros, e deixando o pobre coitado para trás.


Até que me enchi de coragem e, em dois ou três dias, devorei o que faltava (ainda estava no início quando o pus de lado)!


 


Quanto à história em si, que foi o que mais me chamou a atenção, é o pesadelo que nenhuma mãe quer enfrentar - o desaparecimento de um filho, mesmo ali à sua frente, sem poder fazer nada.


A culpa, e o receio.


O desespero, a frustração, a impotência.


A adrenalina de uma nova pista, de uma pequena esperança, a contrastar com o esmorecimento e cansaço crescente, após cada beco sem saída, e cada regresso à "estaca zero".


 


Naquele dia complicado, que Sive nunca mais irá esquecer, todos os segredos e mentiras que a rodeiam vêm à tona.


E a sua vida, e a de todos à sua volta, vira de pernas para o ar.


Era suposto ser um fim de semana, umas mini férias, um encontro entre amigos de Aaron, marido de Sive, em Londres.


Só isso.


 


Mas, como seria de esperar, foi uma competição entre vidas falsas em que, bem vistas as coisas, se calhar, ninguém é amigo de ninguém. Se calhar, ninguém conhece bem aquelas pessoas, nem aquilo que são capazes de fazer.


Afinal, Nita inventou uma gravidez. Scott mentiu sobre o seu trabalho. Dave mentiu sobre a sua mãe. E Aaron, esse mentiu sobre muitas coisas... "Toda a gente mente", afirma Maggie. Será ela, também, capaz de mentir?


 


Por outro lado, o desaparecimento de Faye será o gatilho para mostrar com quem, no meio daquela gente, Sive pode, de facto, contar. 


E, talvez, no fim, cada um tenha aquilo que merece.


Ou talvez não.


É que não se pode falar nem saber nada sobre aquilo que ninguém viu...


 


 


SINOPSE:


"Duas crianças entram num comboio. Mas só uma sai.


Ninguém viu o que aconteceu…


Acontece tudo muito depressa. Sive está em Londres, numa plataforma do metro apinhada, quando as filhas pequenas, mesmo à sua frente, entram na carruagem. No segundo seguinte, tenta juntar-se a elas, mas as portas fecham-se e a composição afasta-se, deixando-a sozinha no cais.


Todos estão a mentir…


Sive procura chegar rapidamente à estação seguinte, tentando convencer-se de que vai correr tudo bem. Porém, o pânico instala-se quando vê que, em vez de ter as duas filhas à sua espera, apenas a mais nova saiu do metro.


Alguém é culpado…


Será que se perdeu? Foi levada por um estranho? Que aconteceu afinal naquela carruagem? Enquanto cada segundo conta para encontrar a pequena Faye, Sive terá de percorrer um caminho povoado de mentiras e meias-verdades capazes de fazer desmoronar a vida pacata e feliz que tanto lhe custou construir."

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Desabafos

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Estou fartinha de depressões, rios atmosféricos e outros fenómenos dos tempos modernos.


Todas as semanas há um diferente.


Antigamente, era apenas, chuva, vento e trovoada. 


 


E cansadinha desta moda de dar nomes de pessoas a tudo e mais alguma coisa.


Ora vem o Aitor. Ora chega o Kirk. Ora volta a Leslie.


Quero lá saber se têm nome!


 


Não deixa de ser vento, chuva, trovoada.


E, bem vistas as coisas, também estou saturadinha dos três!


Quero é sol 

O amor é como uma série?!

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"O amor, muitas vezes, é como uma série que não renova a temporada."


 


Li esta frase, a propósito da separação da Ana Guiomar e do Diogo Valsassina, juntos há 18 anos.


E fez algum sentido.


 


Na verdade, muitas séries começam com uma temporada muito boa e, por isso, os seus autores decidem criar novas temporadas que, muitas vezes, acabam por ir perdendo a qualidade, à medida que se vão sucedendo, até que chegam ao fim, já sem a glória e o sucesso alcançado no início. 


E, ainda que as temporadas seguintes sejam tão boas como a primeira, chega-se a um ponto em que já não há mais novidades a introduzir, para cativar o público, e acabam por se tornar mais do mesmo, com os riscos a isso inerentes.


Depois, há aquelas mais longas, de uma só temporada, que cumpriu o seu propósito mas, simplesmente, não renova, porque os seus autores querem apostar em caminhos diferentes.


E há as que, logo na primeira temporada, estão condenadas ao fracasso e, como tal, sem hipótese de renovação.


 


Também as relações funcionam um pouco assim.


Quantas vezes não "renovamos" a temporada da nossa relação, na esperança de que os episódios seguintes sejam melhores, e superem os anteriores, na esperança de que o mesmo sucesso de antes continue, na esperança de que, na nova temporada, algo de diferente possa vingar?


E, quantas vezes, não pensamos que, se calhar, a relação está condenada, não importa quantas vezes renovemos as suas temporadas, e que só nos estamos a enganar?


Que, cada temporada renovada, é tempo perdido?


 


Se calhar, o que nos falta, é a ousadia de pôr fim à série. A coragem de não a renovar, de todo... 


 

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

"O Sanatório", de Sarah Pearse

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Como eu não sou normal, comecei por ler o livro do meio para, só depois, ler este, que é o primeiro da colecção.


Se, em "O Retiro", o resort de luxo tinha sido construído numa ilha com um passado manchado pela morte, em "O Sanatório", temos um hotel construído no antigo sanatório, no cume de uma montanha, nos Alpes, afastado de tudo e todos, cuja edificação esteve envolta em muita polémica.


Le Sommet alia um design moderno, a alguns objectos ou artefactos, que relembram aos visitantes o que ali esteve antes - um sanatório para onde eram enviados os doentes tuberculosos - para que se curassem.


Claro que, como já sabemos, ou imaginamos, não era bem assim...


 


Elin e Will foram convidados para o noivado do irmão de Elin, Isaac, com quem Elin tem uma relação complicada, e Laure, uma amiga de infância de Elin com quem não fala há muitos anos, desde a morte de Sam.


Nesta história, temos duas narrativas: a de Elin e Isaac, que terão agora oportunidade de esclarecer todas as dúvidas que pairam entre eles, e os afastam há muito tempo, e a das mortes que começam a ocorrer no hotel, todas com uma assinatura curiosa, a remeter para o passado do edifício.


 


Laure desaparece, mas a primeira vítima é Adele, uma funcionária do hotel. 


E Laure? Será uma vítima, ou a autora do crime?


A verdade é que Elin faz algumas descobertas sobre a ex amiga e futura cunhada, que não abonam a seu favor.


Uma coisa é certa, mais pessoas desaparecem, mais vítimas são encontradas, e o assassino está ali no hotel. Não tem como fugir. Tal como quem lá está - hóspedes, funcionários, e os donos, Lucas e Cécile.


E não há como a polícia, ou quem quer que seja que possa ajudar, chegar até ao hotel com a estrada impedida pela avalanche, e a tempestade que teima em não acalmar.


 


Por isso, Elin está por sua conta.


E todas as vidas dependem do seu raciocínio certeiro, e da sua agilidade, para impedir o assassino de cometer o próximo crime.


E, mais uma vez, há alguém que observa Elin ao longo de toda a trama, e que talvez só descubramos quem é no último livro.


 


Pessoalmente, gostei mais de "O Retiro" mas, claro, agora estou muito curiosa pela história de "O Parque", que se passará cá em Portugal.


 


 


SINOPSE:


"Meio escondido na floresta e rodeado pelos picos ameaçadores das montanhas, Le Sommet sempre foi um lugar sinistro. Desde há muito objeto de rumores preocupantes, o antigo sanatório abandonado é alvo de uma intensa renovação e transformado num hotel de luxo com características singulares, recordações funestas da sua história...
Um hotel sumptuoso e isolado nos Alpes é o último lugar onde a detetive Elin Warner, ainda a recuperar de uma intensa investigação policial, deseja estar. Mas quando recebe um convite inesperado para comemorar o noivado de Isaac, o irmão de quem há muito se afastou, Elin não tem sequer a desculpa do trabalho para não aceitar. Chegou por fim o momento de ajustar contas com o passado e enfrentar memórias dolorosas.
A chegada a Le Sommet coincide com o início de uma tempestade ameaçadora, e Elin sente-se tensa – há algo no hotel que a deixa com os nervos em franja. Quando acorda na manhã seguinte e descobre que Laure, a noiva de Isaac, desapareceu sem deixar rasto, a sua inquietação aumenta ainda mais. Mas não é a única: com a tempestade a impedir todos os acessos ao hotel, os restantes hóspedes começam aos poucos a entrar em pânico.
No entanto, ainda ninguém deu conta de que houve mais desaparecimentos..."

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Dom Gato

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Dom Gato, assim apelidado pelo seu porte imponente e majestoso, apareceu por ali, e reclamou para si aquele território.


E, como dono e senhor, por ali vai passando, ficando, indo e vindo, comendo e bebendo o que os seus servos humanos lhe servem, exigindo a presença, os préstimos e a atenção destes, várias vezes ao dia.


 


Poderia ser rei mas, na verdade, é apenas um gato. Um gato que, um dia, teve uma casa. Mas foi abandonado, à sua sorte, na rua, quando os seus donos partiram para outras bandas.


Conhecido, entre os vizinhos, por cabeçudo, porque parece ter a cabeça maior que o corpo, este bichano só quer mimos, festas, uma casa.


 


Sim, ele tem comida e água à nossa porta mas, muitas vezes, só lá vai pedir atenção.


Fica ali horas, no degrau, à espera que alguém saia. Ou à espera que alguém chegue. Na verdade, até parece que já sabe os horários dos habitantes. É habitual aparecer lá no quintal na minha hora de almoço.


Ultimamente, acompanha-me, qual guardião, desde casa, até uma parte do meu caminho para o trabalho.


 


Tigrado cinzento, de olhos azuis, gordo como um texugo, é muito meigo e adora esfregar-se, ou dar turrinhas.


Mas também chora, fazendo todo um drama, quando vamos embora, e o deixamos sozinho.


Foi conquistando os residentes da zona mas, uns, como nós, ja têm animais e não dá para mais. E outros, não querem ter nenhum. 


E ele lá vai pedindo, porque pedir não custa, não vá um dia a sorte bater-lhe à porta, ou ele bater à porta da sorte!


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

"O Retiro", de Sarah Pearse

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No outro dia recebi no email uma notificação para divulgação do mais recente livro da autora Sarah Pearse - O Parque - cuja história se desenrola no Parque Nacional da Peneda-Gerês.


Curiosa, percebi que este é o terceiro, e último, livro de uma colecção "o derradeiro capítulo da história da detetive Elin Warner", composta também por "O Sanatório" e "O Retiro".


 


Penso que, há algum tempo, passei os olhos pelo primeiro livro mas, depois, acabei por não o comprar.


Agora, comecei por ler, porque me chamou mais a atenção, o segundo livro "O Retiro" (entretanto já li também "O Sanatório").


O que posso dizer da escrita da autora é que ela consegue, numa só história, fazer-nos desconfiar de todos e mais alguns, menos dos verdadeiros assassinos. E, em ambos, leva-nos por um caminho que, depois, percebemos, era apenas uma distracção. Mas não tínhamos como adivinhar, até àquele ponto.


 


Em "O Retiro", uma viagem organizada por Jo, leva a própria, a irmã Hana, a prima Maya, o namorado Seth, e o cunhado Caleb, a um retiro de luxo - o Lumen - situado numa ilha com um passado sombrio e, segundo os rumores perpetuados ao longo dos anos, assombrada. 


Por outro lado, o Lumen é uma obra arquitectónica de Will, namorado de Elin, a detective que, em breve, irá até à ilha investigar os homicídios que por lá começarão a ocorrer, e que podem deitar por terra a entrega de um prémio, que consolidaria a carreira de Will e o prestigiaria como ele há muito esperava.


 


À medida que a história se vai desenrolando, vamos descobrindo mais sobre os segredos das personagens, e sobre as relações entre Jo e as irmãs.


Ao mesmo tempo, Elin começa a voltar ao seu normal enquanto detective, o que faz com que a sua relação com Will, e o facto de este estar, de certa forma, ligado à investigação, comece a ressentir-se, ao ponto de Will questionar se fará sentido continuarem juntos.


 


A primeira morte a ocorrer é a de Bea, irmã de Jo e Hana, que nem deveria estar ali, uma vez que cancelou a viagem por ter um evento de trabalho nos Estados Unidos.


Logo em seguida, é Seth quem aparece morto. E, mais tarde, Jo.


O assassino não está disposto a parar, e fará novas vítimas, se Elin não perceber a tempo quem anda a matar aquelas pessoas, e qual o motivo.


Será a maldição? Será a ilha a expulsar os humanos de lá? 


 


E será o assassino, a presença que Elin sente constantemente, a vigiá-la?


Ou haverá mais alguém?


 


Gostei muito do livro e, obviamente, fica a vontade de ler o resto da coleção!


 


 


SINOPSE:


"Um oásis de paz… no Rochedo da Morte


Uma exclusiva e luxuosa estância destinada ao bem-estar é inaugurada numa ilha ao largo da costa inglesa, prometendo descanso e relaxamento totais a quem a frequentar – mas a própria ilha, conhecida como o Rochedo da Morte, tem um passado sombrio, e os rumores de que está amaldiçoada são mais do que meros boatos.


Quando um corpo é encontrado nas rochas abaixo do pavilhão de ioga, a detetive Elin Warner é chamada ao local para investigar aquele trágico incidente. Aparentemente, a vítima é uma desconhecida – alguém que não era suposto estar na ilha.


No dia seguinte, uma atividade de mergulho resulta noutra morte, e Elin começa a suspeitar que não há nada de acidental por detrás destes acontecimentos. Mas por que motivo alguém teria na sua mira os hóspedes do retiro? E quem será a próxima vítima?
Elin tem de descobrir quem é o assassino – antes que a história da ilha se repita…"

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

"A Decisão", de Sandra Brown

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Sou fã incondicional da autora e, sempre que sai um novo livro, compro logo.


Este tem estado lá em casa há alguns meses. 


Porque a vontade de ler não tem sido muita e porque, lá está, é um livro da Sandra Brown e, como tal, quanto mais depressa o ler, mais tempo tenho que esperar pelo próximo.


 


Mas achei que, neste momento, seria o único capaz de me entusiasmar e, por isso, peguei nele.


Percebe-se (e quem tiver lido os livros dela sabe) que está lá tudo o que representa a escrita da autora mas, confesso, desta vez fiquei um pouco desapontada.


Foi tudo demasiado previsível, demasiado rápido, demasiado simplificado.


 


Basicamente, o homem responsável pela situação clínica de Rebecca, ex-mulher de Zach, está prestes a sair em liberdade, podendo voltar a fazer o mesmo a outras mulheres.


A única forma de o voltar a pôr atrás das grades, e sem certezas, é "matar" Rebecca que, desde o incidente, está em morte cerebral, apenas mantida ligada às máquinas porque nem Zach nem os pais de Rebecca tiveram coragem para as mandar desligar.


Kate é uma advogada que, agora a trabalhar para o procurador, quer ver Eban preso, custe o que custar, e vai tentar convencer Zach a desligar o suporte de vida de Rebecca, para que Eban seja acusado de homicídio.


 


O que aconteceu, ao longo da história, foi que toda a situação acabou por ser precipitada, antecipada, e desviada daquilo que eu esperava ler. Portanto, parte daquilo que eu tinha imaginado nem sequer chegou a acontecer.


E, excluindo isso, o que restou foi o herói, que decide sempre tudo, e leva tudo a ser feito conforme a sua vontade, a protagonista por quem o herói, quase sempre, se apaixona e que passa o tempo todo a ser protegida por ele, e o vilão que, no fim, tem o merecido destino.


 


Espero que o próximo livro da Sandra Brown volte a subir a fasquia, a que já me habituou, porque este não terá sido dos seus melhores.


Ainda assim, vale a pena ler!


 


 


Sinopse:


"Uma estrela de futebol americano enfrenta um dilacerante dilema moral. Uma ambiciosa advogada decide fazer justiça. Mas ambos acabam a lutar pela própria vida.
Zach Bridger não vê a ex-mulher desde o divórcio. Por isso, fica chocado ao saber que Rebecca está em coma após uma agressão violenta. Cabe-lhe a ele fazer uma escolha impossível: mantê-la no suporte de vida ou não. Abalado com a responsabilidade, deixa Rebecca ao cuidado dos pais dela.
Quatro anos mais tarde, o agressor de Rebecca - um playboy descendente de uma família rica de Atlanta - é libertado mais cedo da prisão. Kate Lennon, uma perspicaz e brilhante procuradora está decidida a voltar a pô-lo atrás das grades. Pede ajuda a Zach, que terá de decidir mais uma vez o destino de Rebecca.
Enquanto ele se debate com uma decisão que ninguém deveria ter de tomar, a atração mútua entre Zach e Kate torna-se irresistível. Mal sabem eles que o agressor de Rebecca não tem intenção de voltar para a prisão. E está determinado a detê-los, a qualquer custo."

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

A bonança antes da tempestade

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Como é bom sair do trabalho, e vir para casa, ainda com sol.


Os dias são mais pequenos.


Em breve, o sol dará lugar às estrelas.


Mas, por enquanto, ainda espera para se despedir.


Para dizer que, haja o que houver, ele estará sempre lá.


A dar-nos alento para um novo dia.


É a bonança, a vir antes da tempestade...


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 


 

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

"Ninguém Quer Isto", na Netflix

Ninguém Quer | Nova Série de Comédia - YouTube


 


Esta é uma daquelas séries que, à partida, me passaria ao lado.


Parecia mais do mesmo, mais uma comédia romântica no meio de tantas.


Ainda assim, após ler, aqui e acolá, algo relacionado com ela, experimentei.


 


São 10 episódios, mas quase nem se dá por eles, porque são pequenos.


E sim, fala de um amor que, aparentemente, tem tanto de romântico, como de impossível: duas pessoas que não podiam ser mais diferentes, com modos de vida e personalidades opostos, de religiões distintas, apaixonam-se e terão que perceber o que fala mais alto, e do que estarão dispostos a abdicar, se quiserem ficar juntos.


 


Joanne é uma mulher solteira, que está empenhada em fugir de relações complicadas, e encontrar o amor da sua vida. É agnóstica, e tem um podcast com a irmã, em que fala frequentemente sobre relações, e sexo.


Noah é um rabino, que está prestes a concretizar o seu maior sonho de ser promovido a rabino-chefe. No entanto, ele terá que se casar com uma mulher judia. O problema é que ele, não só termina a sua relação, como se apaixona por uma "siksa".


 


Estes dois mostram como é possível, numa fase de enamoramento e em que nos sentimos invencíveis e fortes o suficiente para enfrentar tudo, acreditar que todos os obstáculos, por maiores que sejam, podem ser ultrapassados. Mas também que, com o tempo, e uma percepção mais clara, realista e altruísta, nem sempre (quase nunca) funciona assim.


O que mais gosto nas personagens desta série, é mostrarem-se exactamente como são, com todas as suas fragilidades, receios, frustrações, defeitos. É mostrarem as suas emoções, sem fingimentos.


 


"Ninguém Quer Isto" é, para além de uma comédia romântica, uma crítica à sociedade, à hipocrisia de determinadas pessoas, até mesmo, às relações amorosas, sobretudo quando um dos elementos do casal se vê "obrigado" a mudar e ser o que não é, para agradar o outro.


E às aparências que se escondem atrás da cortina de determinada religião. Como se costuma dizer, no melhor pano cai a nódoa.


 


A série explora ainda a relação de amor/ódio entre Joanne e Morgan, duas irmãs que partilham o podcast e, de alguma forma, parecem competir entre si, a vários níveis, mas que não vivem uma sem a outra.


 


Não sei se haverá uma segunda temporada, mas seria interessante ver o que iria acontecer após o final.


 



 

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