sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Escolhas e renúncias

1000012046.jpg


"Toda a escolha depende de uma renúncia.


Não se entra em duas portas ao mesmo." 


 


 


A mais pura verdade


Por muito que queiramos tudo ao mesmo tempo


Por muito que desejemos estar em vários lugares em simultâneo


Por muito que queiramos agarrar tudo aquilo com que nos deparamos, com um único par de mãos


Sabemos que não é possível


 


Por mais que a pessoa se queira "repartir"


Entre uma coisa, e outra


Entre esta, e aquela pessoa


Entre uma, ou outra, oportunidade 


Entre um sonho, e outro


 


Um bocadinho aqui e ali


Sem nunca estar, verdadeiramente, e por inteiro, em nenhum


Como quem tenta agarrar dois pássaros


com medo que decidam, ambos, voar


arriscando-se a não ficar com nenhum


 


E já dizia o ditado que:


"Mais vale um pássaro na mão, que dois a voar"


Uma coisa é certa:


Quando seguimos em frente, há sempre algo que deixamos para trás


E toda a escolha, e respectiva renúncia, trazem consequências


 


Boas ou más, o tempo o dirá...


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 


 


 


 


 


 


 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Festival da Canção 2025 - primeira semifinal

Festival-da-Cancao-2025-Primeiros-Finalistas-min-8


 


Decorreu, no passado sábado, em "Lisboa", a primeira semifinal do Festival da Canção 2025.


E, como já vem sendo hábito aqui n' "A Minha Casa", fui dando um olho às apostas deste ano.


Não conhecia nenhuma, ainda não as tinha ouvido antes, mas pareceu-me mais do mesmo.


O de sempre, ano após ano.


"Eu Sei Que o Amor", de muitos artistas portugueses, pelo festival é grande. Tal como a vontade de participar, nem que seja uma vez na vida, nesta festa da música. 


Mas "Ninguém" merece passar uma hora a ouvir música para dormir. A não ser que esteja com dificuldade em adormecer, e aproveite aquele momento para ver se ajuda a pegar no sono.


Tenho sempre aquela sensação de que encontrar a música perfeita, que fala "Sobre Nós", que nos representa da melhor forma, enquanto país, é um pouco como enfrentar o "Adamastor".


Uma pessoa ainda vai esperando que surja algo diferente, aquela música que nos toca, capaz de provocar um "Calafrio" ao ouvi-la.


Mas, "Ai Senhor", as canções que apresentam são todas de uma "Tristeza" tão grande que, por mais "Voltas" que dê à cabeça, não sou capaz de compreender porque insistem em bater no ceguinho, e apostar nessa fórmula.


Posto isto, das que passaram, vai um voto de confiança para a canção do Marco Rodrigues que, não fazendo minimamente o meu estilo, é bonita, outro para a do Bluay, pela mensagem, e o último para os Peculiar que, ao que parece, só se safaram graças ao público. 


Vamos ver o que nos traz a próxima semifinal!


 


 


Fonte da imagem: media.rtp.pt


 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Esta noite o céu brilhará um pouco mais

1000023612.jpg 


 


"Perder um pilar abana um pouco a estrutura. Mas mantém-se de pé.


Quando se perde os dois, a estrutura desmorona por completo."


 


O meu pai conseguiu, por duas vezes, surpreender-me.


Recuperar, quando eu acreditava que se estava a deixar ir.


Não sei se lutava por ele, se por nós.


Se se mantinha vivo porque ainda queria viver. Ou se por saber que estávamos a fazer de tudo para que vivesse.


 


Mas a vida é efémera.


Já sabemos disso.


E, quando o que separa a vida, da morte, é o sofrimento, e a dor; quando se passa a viver numa realidade à parte; quando apenas se existe; então, desistir é o melhor a fazer.


 


O meu pai já viveu tudo o que tinha a viver.


Já só queria que a morte o levasse. 


Quem sabe, para junto da mulher.


 


Em duas semanas, tudo mudou.


De repente, o meu pai deu lugar a um "vegetal", alguém que já não conseguia falar o que quer que fosse, alimentado por uma sonda, drogado e preso a uma cama de hospital.


Aí, percebemos... 


E, embora já estivessemos mentalizados, nunca pensámos que a notícia chegaria tão cedo.


 


Não me cheguei a despedir.


Mas recordo o último momento que passei com ele. Escassos minutos em que comeu aquilo que mais gostava: uma fatia de bolo!


Um último esforço, por mim.


Antes de ser levado para o hospital.


Ainda consciente. E ciente.


 


O meu irmão, não teve a mesma sorte.


Foi visitá-lo ontem, e viu um outro pai.


Um pai que estava a horas da morte. Ainda que não o soubesse.


 


O meu pai acreditava em Deus.


Então, quero acreditar que Deus lhe fez a vontade, e o levou, na hora certa.


Evitando passar por tudo aquilo que ele não queria, e dar trabalho e preocupações a quem ele não queria.


 


O meu pai era um ser humano extraordinário (mas eu sou suspeita)!


Um pai sempre presente.


Com quem aprendi muito do que hoje sei. E me fez o que hoje sou.


Com quem vivi imensas aventuras.


Generoso. Desprendido do que não tinha valor.


 


Influenciou-me de várias formas, e uma delas foi a escrita.


Então, não poderia homenageá-lo de outra forma.


E porque ele adorava fazer as suas reflexões, a observar o mar, esta será, talvez, a imagem que mais espelha a sua despedida deste mundo, antes de ascender a um qualquer outro plano, que lhe esteja reservado.


 


Até sempre, pai!


 


 


 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Um gato no telhado

1000011912 - Cópia.jpg 


 


Primeiro, é vê-lo a subir


Valente


Destemido


Aventureiro


Invencível


 


Quando chega lá acima


Orgulhoso


Exibicionista


Pomposo


Seguro


 


Ao fim de uns minutos


Atento


Apreensivo


Observador


Cuidadoso


 


E agora, para descer?!


Decidido ou receoso?


Corajoso ou medricas?


Atlético ou desajeitado?


Chega a descer? Ou espera que alguém o tire?!


 


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 


 


 


 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

A realidade dos nossos idosos

png-clipart-lonely-old-man-back-old-man-back-lonel 


 


Em Portugal, não existem respostas viáveis para a maior parte dos idosos. Sobretudo, quando começam a depender de terceiros para a sua rotina diária, para a sua mobilidade, para afastar a solidão.


 


Nestes últimos dias, o estado de saúde do meu pai sofreu alterações.


Principalmente, a nível mental. A demência a vir em grande, e nós sem sabermos como lidar com isso.


Falámos com a médica de família, que passou umas análises, para confirmar se este quadro se devia a alguma infecção.


E aconselhou-nos a pô-lo num centro de dia, onde estaria umas horas acompanhado e, vendo e conversando com outras pessoas, sentir-se menos só e estimular o cérebro.


 


No entanto, ele não precisava de vigilância apenas por umas horas, ele estava completamente desorientado, alienado da realidade (com apenas alguns momentos de lucidez).


Ele não estava num estado propício à pura convivência. Uma pessoa consciente, que sabe que ali passaria umas horas com companhia de outros idosos, com quem conversar e interagir. 


Por muito que fosse uma solução, até porque tinham vagas, não me parecia suficiente.


 


Assim, continuávamos sem saber o que fazer.


Ele já se estava a colocar em risco. Um risco que corria a qualquer momento do dia, se lhe desse para isso.


Podíamos trancá-lo em casa, para evitar acidentes. Mas isso é crime. 


Podíamos deixá-lo à vontade, e arriscar encontrá-lo caído nos degraus, ou no meio da rua, morto. O que não deixaria de ser negligência.


 


Quem está de fora, diz aquilo que também nós sabemos: ele não podia estar sozinho!


Mas, e soluções? 


Onde se arranja, em tão curto espaço de tempo, uma pessoa de confiança e profissional, disposta a estar com ele 24 horas por dia? E que custos isso acarretaria?


 


Nem sempre os familiares têm disponibilidade para tomar conta. Para estar presentes.


Nem sempre os mais próximos têm a paciência necessária ou, sequer formação, ou ferramentas, para agir em casos destes.


E, a nível financeiro, quase nunca os apoios são suficientes, para quem decide ser cuidador informal.


 


Por outro lado, os lares residenciais estão sempre com enormes listas de espera. Quantas vezes, surge a vaga quando a pessoa já não precisa? Quando já não está mais entre nós?


Optar por lares particulares? É incomportável!


Pedi informações de um, deram-me valores acima de 4000 euros por mês.


 


Por outro lado, a nível físico, estava a deixar-se ir.


Já pouco comia.


Muito fraco.


Respiração ofegante. 


E diarreia.


 


Ontem de manhã, com muito custo, fez as análises ao sangue.


À tarde, recebi os resultados.


Do que vi, parece-me estar com problemas no fígado. Risco de AVC.


 


Entre "postas de pescada" e "não soluções", fiz o que achei que tinha de fazer.


Arrisquei ligar para a saúde 24.


A enfermeira que me atendeu não tinha jeitinho nenhum, deu-me nervos, mas lá me passou ao INEM, e veio uma ambulância dos Bombeiros de Mafra.


Duas meninas, impecáveis.


Não conseguiram medir a febre. Mas o oxigénio estava muito baixo.


Foi para o hospital.


 


E, confesso, foi um alívio!


Pode parecer, e quem sabe é mesmo, um pouco egoísta da minha parte.


Mas era eu que lidava com isto todos os dias. Que o via a definhar, sem saber como ajudar.


E a, eu própria, daqui a uns tempos, precisar de ajuda.


Ali, pelo menos , está vigiado, medicado, pode ser tratado.


Em casa, não sei se viveria muito mais tempo.


 


Há quem se queixe que os hospitais, para além do sobrelotamento a nível de doentes, está entupido com idosos, cujos familiares se recusam a ir buscar, por não terem condições para os ter em casa, ou em instituições para ricos.


Há quem se queixe que os hospitais têm, diariamente, custos com esses idosos, e recursos humanos "desperdiçados" com eles, que fazem falta a quem realmente precisa - os doentes mais urgentes.


Mas a verdade é que não há outras respostas, soluções, apoios para os nossos idosos e famílias.


 


Neste momento, está numa maca, com pulseira laranja, nas urgências do Santa Maria.


Provavelmente, ficará internado. Mas ainda não há vagas, por isso, tem de aguardar ali.


Provavelmente, terá de iniciar já a hemodiálise.


Ainda têm de ver o que vão fazer relativamente ao coração, e a nível neurológico.


Do fígado, não sabiam de nada.


Disseram ao meu irmão que, se quisesse, poderia levar as análises lá ao hospital!


 


Estou a aguardar o contacto da médica de família para ver se, também ela, entende que existe um problema no fígado, para comunicar então com o hospital.


Sinceramente, não estou muito optimista. O organismo dele está dar sinal de querer colapsar. Já começa a ser muita coisa junta.


Mas também é verdade que, felizmente, ele sempre me surpreendeu ao recuperar de todos os internamentos até aqui, ainda que com mazelas. 


 


Sei que ele não vai aguentar horas e horas de hemodiálise, por muito tempo.


No entanto, dado o estado dele, não terá poder de decisão, e sobrará para nós, filhos.


Mais uma vez, o dilema entre aquilo que seria o desejo dele, e aquilo que devemos fazer.


O deixá-lo morrer, ou mantê-lo vivo e em sofrimento.


Mas, enfim, um dia de cada vez.


 


E hoje, pelo menos, posso respirar um pouco, sem estar preocupada se ele vai sair de casa e perder-se, se vai cair e bater com a cabeça, se não vai comer porque eu não estou lá.


Amanhã, logo se verá...


 


 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

O vírus que virou bactéria

maxresdefault.jpg


 


Na semana passada, a minha filha esteve de férias uns dias.


Mal regressou ao serviço, ficou doente.


Cólicas, diarreia, febre.


Deduzimos que seria alguma virose.


Até porque vários colegas dela também já tinham andado doentes.


 


Com alguma medicação, foi trabalhar no dia seguinte. Mas piorou.


Valeu-lhe ter folga logo a seguir, para ver se recuperava.


E domingo, foi trabalhar.


Mas não estava a aguentar. Ligou para a saúde 24, encaminharam-na para o hospital.


 


Passou lá a noite, a repôr o potássio.


Fez análises às fezes, mas ainda não sabemos o resultado.


No entanto, dada a febre alta, e a duração dos sintomas, suspeita que tenham sido provocados por uma bactéria.


Receitou-lhe antibiótico.


E ficou uns dias de baixa, e dieta forçada. 


 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Dia de S. Valentim

1000012720cópia.jpg 


 


Para os apaixonados, enamorados, românticos incondicionais, casais no verdadeiro sentido da palavra, fará todo o sentido celebrar este dia. Ainda que os sentimentos estejam lá todos os dias.


 


Para os demais, não passa de falsa propaganda.


De uma demonstração súbita de amor por alguém, em forma de flores, chocolates, perfumes, presentes mais luxuosos ou jantares românticos que, no resto do tempo, volta a desaparecer.


 


Hoje, tudo se veste de corações.


As ruas, os estabelecimentos, as plataformas digitais.


 


Hoje, o amor anda no ar.


E qualquer um pode ser apanhado pela seta do cupido.


 


Se bem que, até essas parecem vir, nos últimos tempos, com defeito.


Publicidade enganosa, talvez.


Como quem pensa que está a levar algo bom e bonito, a julgar pela capa mas, depois, quando abre o conteúdo, afinal tem uma desagradável surpresa. 


 


Hoje, o amor anda no ar.


E nos corações de todos.


 


Amanhã, quem sabe, não voa para outras paragens, deixando-nos ainda mais vazios.


Daquilo que já não tínhamos.


Daquilo que pensávamos que poderíamos vir a ter, e afinal, era só uma mentira.


Daquilo que ainda tínhamos e que, esse dito "amor", sem o esperarmos, nos levou.


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 


 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

"Falta de Provas", de Harlan Coben

450.jpg


 


Mais um livro de Harlan Coben que, brevemente, terá a sua adaptação em série, na Netflix.


E, antes que estreasse a dita, fui ler o livro.


 


Com uma personagem quase obrigatória nas histórias deste autor - Hester Crimstein - "Falta de Provas" aborda o desaparecimento de uma adolescente, ao mesmo tempo que uma jornalista arma uma cilada para desmascarar um alegado predador sexual.


A questão é que, por conta dessa armadilha, o seu alvo foi assassinado e, agora, talvez seja mais difícil perceber se Dan foi o responsável pelo desaparecimento de Haley, e onde ela poderá estar.


 


Por outro lado, Wendy começa a desconfiar que pode ter denunciado o homem errado e, eventualmente, ter contribuído para a morte de um inocente.


Quanto mais ela investiga, mais percebe que, tanto Dan, como outros colegas seus dos tempos da faculdade, perecem ter sido vítimas de falsas difamações e acusações, acusados de crimes que não cometeram.  


 


E, se tudo está relacionado com a universidade, o que terá acontecido?


Quem estará a querer vingar-se destes homens?


E porquê só agora, tantos anos depois?


 


O problema é que, à medida que Wendy se vai aproximando da verdade, também ela, e a sua família, poderão estar em risco.


Talvez, a próxima vítima, seja ela.


 


Sinopse:


"Haley McWaid não é o tipo de adolescente que se meta em sarilhos. Por isso, quando uma noite não regressa a casa e três meses se passam sem que haja notícias suas, toda a gente na comunidade teme o pior. Wendy Tines é uma jornalista que desmascara predadores sexuais no seu programa de televisão. O seu alvo mais recente é Dan Mercer - que, ao que tudo indica, está envolvido no desaparecimento de Haley McWaid. Mas o instinto de Wendy diz-lhe que algo não bate certo. E se tiver denunciado o homem errado?"

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Dependência emocional ou puro desespero?

476438437_656271680307173_5023798343753970269_n.jp


 


Acredito que ninguém queira depender, emocionalmente, de alguém.


O que as pessoas querem é estar ao lado de quem gostam, de quem amam, numa partilha de sentimentos, e de vida.


Mas é mais fácil saber o que fazer, e o que evitar, do que colocar em prática.


 


Quando dependemos emocionalmente de alguém acreditamos que, ainda que sejam mais os momentos de tensão,  conseguimos ser felizes em outros, menos frequentes que, para nós, talvez erradamente, compensam tudo o resto.


Então, começamos a não conseguir distinguir se, realmente, gostamos da pessoa ou se, apenas, estamos dependentes desses poucos momentos que nos fazem sentir bem. De uma companhia.


E se, acima de tudo, isso é gostar de nós próprios.


No entanto, essa dependência acontece, por norma, com quem já temos uma história. E é dirigida, unicamente, a essa pessoa em específico.


 


Por outro lado, há pessoas que, em vez de mostrarem essa dependência emocional, demonstram um puro desespero para arranjar alguém.


Disparam para tudo quanto é do sexo oposto, em tentativas de engate foleiro, como quem lança o anzol e espera para ver se algum peixe o morde. A ver com qual desses alvos tem mais sorte.


Mas sem, de facto, ter um interesse real em nenhum deles.


 


Nenhuma das situações é boa. Saudável. Ou aconselhável.


Mas, sinceramente, não sei o que será pior...


 


 


 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

"Vinagre de Sidra", na Netfllix

AAAABf5o-hDMDm7wEL7VQnPVVACgTI0yJNNHfMXxpnNu0oHFpn


 


A série é baseada na verdadeira Belle Gibson, uma influenciadora australiana que enganou meio mundo com a sua falsa história de cancro, desde as suas seguidoras, a todos os que com ela colaboraram, quer na aplicação, quer na publicação do seu livro de receitas, e cometeu fraude através da angariação de fundos para doar a instituições, fundações e pessoas com cancro, que nunca viram qualquer dinheiro. 


 


Na série, Belle é representada como alguém que precisa constantemente de ser gostada, de ser validada e aceite pelos demais, nem que para isso tenha que inventar as histórias mais mirabolantes, que suscitem pena, apoio, empatia, solidariedade.


E nada melhor para comover, e mobilizar, alguém do que uma pessoa sofrida, guerreira, lutadora, sobrevivente, que lida com a maternidade,  problemas graves de saúde e, ainda assim, empreendedora, inovadora.


 


A verdade é que Belle é uma manipuladora nata, uma sanguessuga que se alimenta de quem está à sua volta.


Mas o mérito de ser uma excelente actriz de drama, ninguém lhe pode tirar!


 


No entanto, o que fica da história, para lá da mentira, é a realidade do cancro.


O perigo de promessa de uma cura.


A falsa esperança que, muitas vezes, se deposita nessa cura, em alternativa à medicina tradicional.


E, nesse sentido, é muito mais fácil ligarmo-nos às histórias de Milla e Lucy que, embora fictícias, são bem mais comoventes, e nos fazem questionar tudo e todos.


 


Como se sente alguém que enfrenta um cancro.


Como se sente a família, perante esse diagnóstico de alguém que amam, e como lida com isso.


Apoiar as decisões de quem as deve tomar, ainda que sejam erradas?


Ou ficar contra, com todas as consequências emocionais que isso acarreta?


 


Milla foi diagnosticada com um cancro no braço.


A solução proposta pelos médicos foi, obviamente, a cirurgia - amputar todo o braço, para que o cancro não se espalhasse.


Ela recusou.


Procurou tratamentos alternativos.


Frequentou retiros. Fez terapias holísticas.


Rendeu-se a enemas de café, dieta dos sumos, comida vegan.


Tornou-se uma fonte de inspiração. 


Deu palestras, criou um blog, publicou um livro.


Mas nem tudo correu como ela esperava e, por vezes, os erros pagam-se caro...


 


Lucy tinha cancro da mama.


Começou a seguir Belle, e a recusar o tratamento de quimioterapia que, até então, andava a fazer.


Ela não queria mais aquilo.


Mas o marido não a apoiou. Ele só queria que ela vivesse. 


Ela foi para um retiro. Afastaram-se.


Terá sido a melhor decisão?


 


Tantos planos que ficam por concretizar, tanto que fica por viver.


Tantos sonhos desfeitos. Tantas vidas destruídas.


Tanto sofrimento, esperança e desespero.


Como é que alguém pode, sequer, brincar com isso?


 


"Vinagre de Sidra" tem 6 episódios, algo confusos, porque andamos sempre a alternar entre diferentes anos, ora para trás, ora para a frente, ora para algures no meio.


Mas vale a pena ver.


 


Imagem: netflix


 


 


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Recomeços

1000011952 - Cópia.jpg


 


Podem arrancar-lhe as folhas todas...


Podem cortar-lhe os ramos...


Pode, eventualmente, vergar-se se o vento for demasiado forte...


Mas, no fim, ela aguenta-se, firme.


Despida de tudo mas, ainda assim, digna.


 


E sabe que, mais cedo ou mais tarde, tudo será melhor.


Os ramos crescerão mais fortes.


As folhas nascerão mais verdes e viçosas.


E as suas raízes, manter-se-ão intactas.


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Combater a inércia

469099504_921731306761819_4808611247821883550_n.jp 


 


Na física, a inércia "consiste na tendência natural que um objeto possui de resistir a mudanças do seu estado original de movimento ou repouso. Isso significa que um objeto que está parado tende a se manter parado, enquanto um corpo que está em movimento tende a manter o movimento."


Na vida, conhecemo-la mais como inação, letargia, preguiça, rotina.


E também acontece quando falamos de demonstração de afectos e sentimentos.


 


É incrível a facilidade com que, da mesma forma que nos sabe bem dar e receber afectos, nos habituamos, em sentido inverso, à ausência deles.


Tal como um objecto que, estando em movimento, tende a manter-se em movimento, se a troca de afectos na nossa vida for regular, se lhe dermos prioridade, acaba por ser natural, e querermos sempre mais.


Mas, se a descuidarmos, se a menosprezarmos, de a deixarmos de lado, torna-se um corpo parado, cuja tendência será continuar parado.


Habituamo-nos à falta de afectos, com a mesma naturalidade. E temos cada vez menos vontade de lhes dar uso, como se fosse algo obsoleto, que já não se usa. 


 


Com a mesma intensidade com que ansiamos por eles - um toque, um abraço, um beijo, uma carícia - e os retribuímos aos outros, também perdemos a vontade de o fazer, e receber, "chutando-os para canto".


Tornando esse gesto algo estranho e forçado.


E, se não combatermos essa inércia, corremos o risco de essa ausência se tornar um caminho sem retorno. 


Uma realidade que nos fará, a longo prazo, mais mal que bem.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

"A Mulher do Camarote 10", de Ruth Ware

450.jpg l


 


Primeiro vi o anúncio do filme que, ao que parece, ainda nem sequer estreou, mas será protagonizado por Keira Knightley, e chegará lá mais para o fim do ano, à Netflix.


Não podendo ainda ver o filme, fui procurar o livro.


Diz, quem já leu, que encontrou alguns traços da escrita de Agatha Christie.


Eu só tinha lido uma obra desta autora, e gostei. Por isso, comecei a ler este.


E vale a pena!


 


Lo é apresentada, logo à partida, como uma pessoa meio desequilibrada, frágil, ansiosa, pouco sociável e não muito profissional.


Toma antidepressivos, bebe muito, está traumatizada. E pode confundir tudo. Achar que ouviu o que não ouviu. Pensar que viu o que, na verdade, não viu.


Além disso, como convidada, Lo não deveria causa problemas aos anfitriões. E, como jornalista, deveria abster-se ao seu trabalho, ao que ali foi fazer.


 


Mas ela não consegue ignorar aquilo que acha que aconteceu.


Alguém foi atirado ao mar.


Alguém que pode ter sido assassinado.


O suposto assassino está dentro do navio.


E ela pode ser a próxima vítima, já que é a única testemunha.


Ainda que ninguém acredite nela...


 


Enquanto isso, a família e o namorado de Lo desesperam sem notícias dela.


As roupas e as botas de Lo são encontradas no mar, mas não há nenhum corpo para reconhecer.


A verdade é que ela não responde aos emails, nem atende o telefone, nem responde às mensagens. Nada.


 


Já no navio, todos começam a parecer suspeitos.


Todos parecem esconder alguma coisa.


Ter comportamentos estranhos.


Mentir.


 


E, quando as peças começarem a encaixar, poderá ser tarde demais.


Afinal, aquilo foi um plano muito bem elaborado, que o assassino não deixará que ninguém arruine.


Não quando está tão perto de ser bem sucedido. 


 


 


Sinopse:


"A jornalista Lo Blacklock recebe um convite irrecusável: acompanhar a primeria viagem do cruzeiro de luxo Aurora Borealis. O serviço é exclusivo e a bordo estão vários empresários e pessoas influentes da sociedade. No entanto, a viagem ganha outros contornos para a jornalista. Certa noite, testemunha aquilo que acredita ser um crime no camarote ao lado do seu.
Desesperada, denuncia o ocorrido ao responsável pela embarcação. Ninguém acredita na sua versão, pois todos os passageiros continuam no navio. Blacklock decide investigar o crime por conta própria. Colocando a carreira e a própria vida em risco, ela não vai descansar enquanto não encontrar resposta para o mistério do camarote 10."

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

"A Menina de Neve" - segunda temporada

Sem Título12.jpg 


 


Miren Rojo está de volta!


Depois dos acontecimentos da primeira temporada, Miren tem passado o tempo a promover o seu livro, em apresentações e sessões de autógrafos.


É, aliás, numa delas que, inesperadamente, Miren recebe um envelope com uma fotografia perturbadora, de uma rapariga desaparecida há cerca de 9/10 anos - Laura Valdivia, e um desafio.


 


Ao mesmo tempo, uma adolescente, aproximadamente da mesma idade que Laura tinha aquando do desaparecimento, é encontrada assassinada, de uma forma macabra.


Miren acredita que os dois casos estão interligados, e que estão relacionados com "O Jogo da Alma", uma espécie de desafio virtual que coloca em risco a vida dos adolescentes, propondo-lhes diversos desafios perigosos e, quem sabe, mortais.


 


De volta ao Diario Sur, e agora com um parceiro, Miren e Jaime têm que escrever um artigo sobre o crime ocorrido.


No entanto, a obcessão de Miren leva-a a investigar a fundo a possível ligação entre os dois casos e, a determinado momento, ela própria começa a jogar o jogo que, segundo quase todos, não passa de um mito.


Há gente perigosa que não quer remexer no passado.


Há pessoas influentes que não querem que se descubra a verdade.


Mas Miren não quer saber de nada disso. E não pára.


 


A lidar com uma dura perda, e obrigada, na sua busca pela verdade, a enfrentar os seus maiores receios e traumas, Miren poderá não ter uma terceira oportunidade de sair ilesa, ou viva.


 


Com apenas 6 episódios, vale a pena ver esta nova temporada, que nos deixa um gostinho, e a esperança, de que uma terceira venha por aí!


 


A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!