sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Porque é que os médicos não chamam as coisas pelos nomes?

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No domingo, após algumas semanas com o ouvido inflamado, e sem que as gotas que comprei na farmácia produzissem qualquer efeito, arrisquei ir ao atendimento complementar ver se não havia muita gente, porque isto teria de ser tratado com antibiótico.


Vi duas pessoas, e pensei que era uma sorte. 


Ainda assim, demorei uma meia hora a ser chamada.


Atendeu-me uma médica nova, que me observou o ouvido, confirmou que estava inflamado, e que iria passar antibiótico.


Perguntei-lhe: mas o que eu tenho é uma inflamação, ou uma infecção?


Respondeu, a encolher os ombros, como quem não está bem certa do que está a dizer: ah, é uma infecção.


E, no fim, convicta: com o antibiótico, vai passar!


 


Não passou.


Quando vi o antibiótico que me receitou, pensei que não devia ser boa ideia porque, apesar de ser indicado para otites, é um dos mais "batidos", e ao qual as bactérias mais devem resistir. Mas eu não sou médica, por isso...


Portanto, comecei o antibiótico na segunda e, à medida que o ia tomando, ia ficando pior.


A dor no ouvido, que até então não era muita, nem constante, começou a alastrar para a cabeça, garganta, maxilar. Todo o ouvido inchado e dorido mal se lhe tocava.


 


Não valia a pena estar a insistir num antibiótico que não estava a resultar. Por isso, ao quarto dia, de manhã cedo, levantei-me, e fui novamente ao atendimento complementar.


Às 7.35h da manhã, não tinha ninguém à frente. Calculei que seria chamada rapidamente, e sairia de lá a tempo de voltar a casa, despachar-me e ir trabalhar a horas. Outro engano.


Não me perguntem como mas, desde essa hora, até às 08.20, quase uma hora depois, ninguém foi chamado. Não sei se o médico de serviço já estava farto, e não lhe apeteceu atender mais ninguém até ao fim do seu turno.


Sei que passava já das 8h, quando entrou um novo médico ao serviço. Ainda assim, demorou mais uns 20 minutos a chamar-me.


Portanto, se num hospital sem ninguém, um utente demora uma hora a ser chamado, não admira os longos tempos de espera quando se juntam mais doentes.


 


Enfim, entrei, e expliquei a situação.


Viu-me os dois ouvidos (com uns comentários pelo meio de como pôr e tirar os óculos com as duas mãos para não ficarem tortos, que naquele momento não interessavam para nada), e confirmou que o ouvido direito estava inflamado. Que novidade!


Disse-me que ia receitar outro antibiótico mas que se, em 3/4 dias, não passasse, teria de ir ao Hospital de Santa Maria.


O médico ainda estava meio a dormir, a meio gás, trocou-me o nome, e nem sequer ouviu o que a administrativa lhe disse. Demorou mais um tempão a fazer cada acção: a preencher uma receita à mão (não havia sistema), a procurar uma vinheta para colocar na receita, e à procura da ficha que a administrativa já lhe tinha dito que não estava ali.


 


E, mais uma vez, não me disse o que eu tinha ao certo. 


Não percebo porque é que os médicos têm tanto medo de chamar as coisas pelos nomes.


Sempre que vamos lá, falam sempre em inflamação, seja garganta, seja ouvido, ou o que for.


Como se inflamação e infecção fossem a mesma coisa. Como se se receitassem antibióticos para meras inflamações. Nunca dizem o nome específico daquilo que temos. Uma otite. Uma faringite. 


Aliás, parece que não gostam de falar, de todo. O tempo que estamos no gabinete é maioritariamente em silêncio, sem grandes explicações.


 


Não sei se por acharem que não vale a pena dizer, porque somos ignorantes na matéria.


Ou com receio de mostrarem que, em alguns casos, os "ignorantes" são eles.


 


Ainda assim, porque nem tudo é mau, pelo menos desta vez o antibiótico em gotas parece estar a fazer efeito, logo à primeira utilização.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

"A Primeira Mentira Ganha", de Ashley Elston

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O problema, quando lemos muitos livros semelhantes, é que os seguintes podem perder o interesse pela previsibilidade da história, do enredo, das personagens e dos acontecimentos.


Não foi o caso deste, que me surpreendeu bastante, e conseguiu cativar do início ao fim, sem adivinhar nada do que ali estava a acontecer!


 


Evie foi contratada para fazer mais um serviço, e o seu alvo é Ryan.


Tal como nos serviços anteriores, ela vai recebendo instruções, em momentos diferentes. Por isso, apesar de já fazer parte da vida de Ryan, com quem namora, e de ter enviado algumas informações para o seu chefe, ela não sabe bem o que é suposto descobrir, e o que é suposto fazer.


No entanto, o seu chefe, que já não estava muito satisfeito devido ao fracasso do trabalho anterior, parece decidido a lixar a vida de Evie, mostrando que é ele que está no comando, e ela, nas suas mãos.


Mr. Smith acredita que Evie o enganou e traiu, e que tem na sua posse documentos e informações que o podem incriminar. 


Então, arranja forma de culpar Evie pelo assassinato de Amy, um dos anteriores alvos, entregando à polícia provas comprometedoras.  


Para se livrar da acusação, Evie deve entregar-lhe tudo o que guardou no cofre do banco.


Sem poder usar a sua verdadeira identidade e, aparentemente, encurralada, Evie tem pouco tempo para decidir o que fazer, e como sair ilesa de toda esta situação.


Ainda tem alguns contactos, pessoas que a podem ajudar, mas será suficiente?


 


O que posso dizer é que o jogo não começa ali, na corrida contra o tempo para se safar da prisão ou da morte certa.


O jogo, começou muito antes, e alguns jogadores nem faziam ideia disso!


Os dados, há muito, foram lançados. Resta esperar para ver quem chega à meta, e quem fica pelo caminho.


Vale a pena ler!


 


 


Sinopse:


"Evie Porter tem tudo aquilo com o que uma mulher sonha: o namorado perfeito, uma casa incrível e um grupo de amigos divertidos.
Só há um problema: Evie Porter não existe.
Até hoje, Evie não conhece Mr. Smith, o seu misterioso patrão, mas sabe que o novo trabalho não vai ser parecido com os anteriores. Sente-se próxima do seu alvo, Ryan, e começa a sonhar com uma vida diferente. Porém, Evie tem de se manter focada e não pode dar-se ao luxo de cometer nenhum erro - sobretudo depois do que se passou da última vez.
A única verdade que tem como certa, e nós também, é esta: Evie Porter não é Evie Porter. E só há uma coisa que sempre considerou sagrada: nunca revelar a sua identidade. Mas tudo pode mudar quando a verdade sobre si começa a vir ao de cima.
Naquela cidade, ao lado de Ryan, na casa perfeita, com os amigos ideais, Evie Porter vai ter de estar um passo à frente de quem a pode desmascarar e destruir a possibilidade de uma vida perfeita. Não há problema: Evie sempre gostou de desafios, e este vai ser o maior de sempre. Que comece o jogo."

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

O banco

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Numa zona residencial, por entre o estacionamento e duas ou três árvores de um pequeno espaço verde (agora mais castanho), encontrei este banco.


Não percebi muito bem o porquê de o terem ali posto, meio escondido, quase à beira do precipício, virado para a estrada.


No entanto, talvez o objectivo não seja observar a estrada, ali mesmo à frente, mas mais além. Os terrenos circundantes, o horizonte.


Talvez nem esteja ali para observar o que quer que seja, mas apenas para parar, relaxar, reflectir, descansar.


Um momento de privacidade e paz, no meio do rebuliço da vida.


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

"O Clube do Crime das Quintas-Feiras", na Netflix

O Clube do Crime das Quintas-Feiras | Trailer | Dublado (Brasil) [4K]


 


Vi-o por recomendação da minha filha.


Tem humor, tem mistério, tem drama.


E tem grandes actores, entre eles, Helen Mirren, Ben Kingsley, Pierce Brosnan e Celia Imrie.


 


O engraçado é que parecia que estava a ver um lar de actores reformados, que agora se dedicam a outras actividades, e não, propriamente, as personagens que estavam a interpretar.


Ou seja, pessoas reais.


O que, no fundo, poderia acontecer.


Num lar para idosos, podemos encontrar todo o tipo de pessoas, diferentes em muitos aspectos, com as mais variadas profissões. Até actores.


 


Coopers Chase não é um lar comum. É um conjunto de residências, cada uma atribuída a uma pessoa/ casal, onde podem ter uma vida relativamente normal e independente, com a possibilidade de optar por momentos de privacidade, ou de convívio, consoante lhes apetecer.


Em Coopers Chase, não estão apenas pessoas sozinhas, abandonadas pela família. Não estão apenas pessoas fisicamente limitadas ou acamadas.


Estão pessoas inteligentes, com os mais variados talentos, algumas ainda cheias de vida e com ocupações curiosas.


É o caso da misteriosa Elisabeth, uma espiã, do sindicalista Ron, da enfermeira Joyce e do psiquiatra Ibrahim que, agora, ocupam as quintas-feiras a tentar decifrar crimes ocorridos e a tentar solucioná-los, formando "O Clube do Crime das Quintas-Feiras".


 


Só que, a determinado momento, o grupo irá ter em mãos um crime real, presente, e que envolve o futuro de Coopers Chase, que corre o risco de ser demolido, e desalojar todos os residentes.


Com os seus conhecimentos, e a ajuda da agente Donna, também ela bastante eficiente, conseguirá o grupo resolver o mistério?


 


Destaco, neste filme, o marido da Elisabeth - um homem preso numa doença que lhe tolda a mente e a memória. No entanto, nos seus momentos "bons", conseguiu aquilo que, até àquele momento, nenhum dos quatro investigadores tinha sequer imaginado.


No entanto, lá está, a doença tem destas coisas: momentos bons, momentos maus, e algumas partidas.


Após ver confirmadas as suas suspeitas, e obter a confissão, a mente de Stephen esquece a conversa tida minutos antes.


Ainda assim, ele tem os seus truques na manga. 


 


Realço ainda a espécie de "lição" que nos é dada, quanto às novas tecnologias e métodos, por oposição aos conhecimentos mais antigos. Tal como a formação dada na actualidade, em oposição à de outros tempos. 


E existem pessoas que nem com conhecimento nem formação, conseguem desempenhar bem a sua função. É preciso perspicácia, talento, ter "olho" para a coisa, e outras competências, que não se aprendem numa escola.


 


O filme é inspirado no primeiro livro da colecção "O Clube do Crime das Quintas-Feiras", do autor Richard Osman.


 


 



 


 


 

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Esculpir abóboras

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Há pouco tempo, deparei-me com este termo num livro que andava a ler. 


No livro, usavam esta expressão para caracterizar aquelas pessoas que, mediante um determinado problema, em vez de o encarem logo de frente ou falar sobre ele, e resolverem a situação, fingem ocupar-se com tudo o resto, como se o estivessem a ignorar quando, no fundo, estão ali a remoer sobre ele.


Como quem se ocupa a esculpir uma abóbora, talhando todos os pormenores.


Evitando o assunto. Fugindo à questão. Adiando a resolução.


 


Eu não sei se sou muito de "esculpir abóboras".


Acho que sou mais de, numa primeira fase, se for uma assunto sobre o qual não me apetece falar no momento, desconversar, fazer piadas, fugir à questão.


Talvez seja mais de "esculpir abóboras", quando não sei como interagir, ou agir, perante determinadas pessoas, em determinadas situações.


 


E por aí, conheciam a expressão? 


É algo com que se identificam?


 

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Mentiras que se contam

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Ah e tal, o pensamento positivo atrai coisas positivas.


Ah e tal, fé e confiança são meio caminho andado para coisas boas acontecerem.


Ah e tal, isto e aquilo dão sorte.


Pois...


Mentiras que se contam!


 


Naquele dia, nada resultou.


Nem positivismo. Nem fé. Nem confiança.


Nem rezas. Nem rituais. Nem torcidas.


Nem amuletos da sorte. Nem mantras.


 


Naquele dia, o Universo estava, simplesmente, do contra.


Aliás, os sinais já tinham começado na véspera.


E continuaram ao longo daquele dia, até ao momento da verdade.


Que, obviamente, correu mal.


 


Naquele dia, a sorte não esteve do seu lado.


Ah e tal, foi como tinha de ser.


Da próxima vez será melhor.


Estava destinado.


Pois...


Mais mentiras que se contam!


 


A culpa foi do imprevisto do dia anterior.


Ou do tempo, que decidiu chover.


Ou do trânsito, que complicou.


Ou do dia que escolheu.


Ou da hora em que saiu à rua.


 


Foi de si.


Foi dos outros.


Foi de tudo. 


Mas, no fim, porque não, mais uma mentira: a culpa foi da banana!


 

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

"No Sítio Errado, À Hora Errada", de Gillian McAllister

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Uma excelente aposta da autora, que nos deixa à beira de um ataque de nervos, ou de loucura, e com uma enorme frustração, um pouco como a personagem Jen.


É que, apesar de querermos saber o que levou até àquele acontecimento específico, queremos saber o que acontece a partir dali.


Mas a autora decidiu que não. E vai pôr-nos, e à Jen, a andar para trás no tempo. 


Uma vez. E outra.


Semanas. Meses. Anos.


Uma espécie de viagem no tempo em que, a cada novo dia, Jen acorda num passado mais distante. 


No fundo, é uma "caça" às peças de um puzzle que ainda não foi feito, e que terá de ser ela a começar e a concluir.


Só que ela poderá, eventualmente, construir um puzzle diferente, com um resultado diferente, se usar outra das "faces" das peças.


Ou seja, talvez, ao voltar atrás no tempo, e sabendo o que sabe, ela possa mudar os acontecimentos do futuro.


Ou, então, talvez não possa mudar, mas tenha mais "armas" para os enfrentar. 


 


Confesso que é exasperante andar para trás. 


No dia zero, Todd, filho de Jen, um adolescente de 18 anos, esfaqueia um homem na rua, e é detido.


Ao recuar, Jen começa a perceber que o marido não é a pessoa que diz ser. Que lhe esconde coisas, e que pode estar envolvido, ou saber alguma coisa sobre o que aconteceu ali naquela rua.


E, quanto mais recua, mais pistas ela vai descobrindo, e mais segredos vai desvendando, levando-a a questionar toda a sua vida, o seu casamento, a sua relação com o filho.


O que poderá fazer Jen, sabendo o que sabe, para evitar o pior?


E se ela conseguir mudar, ou impedir, aquele acontecimento, quais as consequências que isso acarretará na vida de todos?


 


O final foi, também ele, diferente.


No entanto, gostava de ter sabido se tinha realmente sido Todd a esfaquear o homem (tudo indica que sim mas, por um momento, imaginei que Kelly teria chegado lá a tempo e, eventualmente, ter sido ele a fazê-lo, e não o filho). E qual o motivo?


Porque vamos vendo as teorias de Jen, mas não ficamos a saber com certeza.


De qualquer forma, dado o desfecho, será que isso, realmente, importa?!


 


 


Sinopse:


"E se conseguisse impedir um crime depois de ele já ter acontecido?


Outubro está a acabar. Já passa da meia-noite.





Jen espera que o filho de 18 anos chegue a casa. Da janela, vê-o aproximar-se e percebe que Todd não está sozinho: o jovem caminha na direção de um homem armado.


Jen duvida do que os seus olhos veem: o filho adolescente, um jovem equilibrado e feliz, acaba de assassinar um estranho, ali mesmo no meio da rua onde mora. Sem saber quem é a vítima nem a razão de tudo aquilo, a única certeza de Jen é que o filho de 18 anos foi levado pelas autoridades e está agora detido.


Jen nem quer acreditar no que está a acontecer.


O futuro de um jovem brilhante comprometido. Tudo parece um pesadelo.


Por fim, exausta, adormece.


E quando acorda… está no dia anterior.


Confusa, Jen só tem um pensamento: será que ainda pode evitar que o filho se torne um assassino?"




sexta-feira, 10 de outubro de 2025

O gafanhoto

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Aqui andava eu


Totalmente camuflado


Até que a outra apareceu


Mesmo aqui ao meu lado


 


Ao início nem notou


Concentrada no seu trabalho


E muitas ervas arrancou


Galho atrás de galho


 


De repente, olha para mim


E percebe que não sou erva


Mas um gafanhoto no jardim


Que agora também a observa  


 


Quis chegar-se mais perto


Mas não me deixei assustar


E assim, muito mais esperto,


Foi a ela que pus a saltar!


 


 



Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto



 

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

É o que dá meter-me nestas coisas

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No meu quintal, na zona onde tenho o estendal, as ervas crescem enquanto o diabo esfrega um olho.


Nos últimos tempos, já eu tropeçava nelas, e já a roupa andava sempre lá a roçar.


Era para ter arrancado tudo no fim de semana no ciclone, antes de saber que ele vinha. Adiei a tarefa.


Calhou no passado fim de semana.


 


Munida apenas com sacos do lixo, e uma faca, lá fui eu, dar início aos trabalhos.


Enchi dois sacos com ervas (e isto só do lado do estendal).


Fiquei com as unhas pretas. E um pico espetado no dedo!


É o que dá meter-me nestas coisas, sem estar devidamente equipada.


À noite, lá andei eu a tentar extrair o dito cujo, sem espatifar o resto do dedo.


 


Mas também vos digo: foi tão produtivo como uma ida ao ginásio, dada a dor que tenho nos músculos todos!


E agora sim, consigo andar por ali à vontade, sem rasteiras herbáceas, e sem roupa enfeitada.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

"A Última Carta", de Rebecca Yarros

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Mais um livro da autora que não desapontou!


Li muitas críticas quanto ao final.


Que era desnecessário.


Que foi um autêntico apelo à lágrima, sem qualquer outra finalidade.


Compreendo.


Mas não o interpretei dessa forma.


Considerei que é uma chamada de atenção para o facto de que nada acontece como é suposto, ou como seria expectável. Aquilo que, para nós, parece quase certo, pode surpreender-nos, e trocar as voltas. E aquilo que nunca imaginámos, pode atingir-nos de repente, sem sequer estarmos preparados.


 


Esta é uma história de amor, nas suas mais diversas formas.


Amor entre irmãos, tanto entre Ryan e Ella, como entre os gémeos, Maisie e Colt.


Amor entre amigos, pessoas que são consideradas família, e estão sempre lá.


Amor entre uma mãe e os seus filhos, unidos pelo sangue, e entre um pai de coração, e duas crianças que o têm como referência, e o amam como um pai, no verdadeiro sentido da palavra.


Amor entre humanos e animais, nomeadamente, entre Beccket e a sua cadela de serviço, agora ambos "reformados", mas sempre unidos. 


E amor romântico, alicerçado num conjunto de cartas que Ella e Beckett foram trocando, a quilómentros de distância, sem nunca se terem conhecido pessoalmente, e que continuou a ser construído, mais tarde, presencialmente, quando Beckett se muda para Telluride, para cumprir o desejo do seu melhor amigo, falecido na guerra.


 


"A Última Carta" é, também, uma história de luta, de sobrevivência, de força.


Maisie, a filha de Ella, é diagnosticada com um neuroblastoma em estágio 4.


Ella não tem mais onde ir buscar mais dinheiro, depois de tudo o que investiu para salvar a pousada Solidão, e nem todos os tratamentos e exames são comparticipados.


Mas, o que faz uma mãe para salvar uma filha? Dá um jeito. Seja de que forma for.


E Maisie, quase que para compensar, luta pela vida, dia após dia. Contratempo após contratempo.


Porque desistir não é opção.


 


Ao longo de todo este processo, Ella conta com o apoio e o amor de Beckett, a todos os níveis.


Ainda que sempre desconfiada de que, a qualquer momento, também ele partirá.


Afinal, tem sido assim com todos os homens da sua vida: o pai, o irmão, o ex-marido.


Porque seria diferente, desta vez?


 


Cabe a Beckett mostrar-lhe o quão enganada está. 


 


Sinopse:


"Será que duas almas feridas são capazes de curar uma à outra?
Beckett é um militar americano endurecido pelos horrores que já testemunhou na guerra. A não ser pela amizade sincera que tem com Ryan, um soldado de sua unidade, e com a cachorra Bagunça, ele perdeu a fé no amor e na humanidade.
Até que Ryan o convence a se corresponder com sua irmã, Ella, que está do outro lado do mundo, em Telluride, no Colorado. Mesmo sem nunca tê-la conhecido pessoalmente, Beckett encontra refúgio nas cartas que os dois trocam e fica totalmente encantado por ela.
Quando Ryan morre em combate, Beckett promete cumprir o último pedido do amigo: proteger Ella. O que ele não esperava era encontrá-la lutando sozinha contra um inimigo quase mais cruel do que a morte do próprio irmão.
Agora, dividido entre a lealdade ao passado e o desejo de um futuro, Beckett se aproxima de Ella sem revelar sua verdadeira identidade. Mas quanto mais ele se envolve em sua vida, mais seu segredo ameaça destruir tudo."


 

terça-feira, 7 de outubro de 2025

"Madame Web", na Netflix

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Desde que vi o anúncio deste filme que o queria ver, mas não achei que justificasse uma ida ao cinema.


Por isso, aproveitei a chegada dele ao catálogo da Netflix, para o fazer.


 


O início até é interessante.


Tudo o resto, faz pouco, ou nenhum, sentido. 


 


Um homem roubou uma aranha rara, matando a investigadora que a encontrou, e agora tem poderes sobrenaturais.


Não ficou explícito o que, realmente, ele fez ou pretende fazer com esses poderes. Qual o perigo que representa, para as pessoas e para o mundo.


A única coisa que ele sabe é que está amaldiçoado e que, no futuro, será assassinado por três mulheres, agora ainda adolescentes.


Por isso, decide que tem de as matar, já, antes que elas o matem a ele, depois.


 


Não se percebe, nem é explicado, como essas adolescentes que, aparentemente, nada têm em comum, irão ganhar esses poderes que Ezequiel vê nos seus pesadelos.


Se, ao ver o trailer, ainda pensei que pudessem estar ligadas, tal como Cassie, à história da dita aranha, o filme mostra que não.


Apenas Cassie, a filha da investigadora que, com a ajuda dos "Las Arañas", consegue sobreviver ao parto, foi picada pela aranha e terá, quando adulta, poderes premonitórios. 


 


Portanto, na actualidade, temos Ezequiel a perseguir três adolescentes para as matar, e Cassie, com visões sobre essas mesmas adolescentes, a fazer o possível para as salvar.


Excluindo a parte da fantasia, poder-se-á dizer que as adolescentes representam o que mais se vê por aí: entregues à sua sorte, seja pela riqueza, pela pobreza, ou por mero abandono parental, pelas mais variadas razões.


E Cassie, é a mulher revoltada com a mãe, que preferiu ir à procura de uma aranha, e morrer, não estando presente na sua vida, do que fazer do seu bebé a prioridade.


Então, para além das cenas aleatórias usadas para estabelecer a ligação entre as quatro, creio que esse é o principal ponto comum.


De certa forma, talvez pelo seu passado, Cassie sente que deve proteger aquelas miúdas, que não têm mais ninguém que as ajude.


 


O final do filme, também não foi convincente.


Tendo feito parecer que Ezequiel é uma pessoa perigosa, acaba por ter uma morte (supondo que, de facto, morreu) fácil. E Cassie, que não fazia ideia dos seus poderes, de como os usar, de como os dominar, ou qual a sua força, de repente, usa-os para salvar as três miúdas ao mesmo tempo, colocando-se ela própria em risco. 


Agora cega, e numa cadeira de rodas, o que significa a última cena?


Que as adolescentes agora vivem com ela? Ou foram apenas visitá-la?


E a própria Cassie, antes uma paramédica activa que gostava de adrenalina, como conseguirá viver agora, presa, dependente, sem qualquer acção na sua vida?


 


Ainda assim, exceptuando tudo o que não faz sentido, tudo o que não foi explicado, e a fantasia em si, é um filme que entretém, e se vê bem, não se dando o tempo por perdido. 


 


 

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

"Não a Deixes Ficar", de Nicola Sanders

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Senti-me uma total marioneta, quando terminei a leitura deste thriller.


Ou uma verdadeira bola de pingue pongue, arremessada da "verdade" de um, para a "verdade" de outro.


Num momento, completamente convencida de quem era o vilão da história e, noutro, convencida de que, afinal, tinha percebido tudo mal. 


E a verdade é que nada era como eu estava a interpretar. 


Devemos confiar no nosso instinto? Devemos ficar-nos pela primeira impressão que tivemos? Pelo primeiro julgamento que fizemos?


Se, para quem está de fora, é tão fácil acreditarmos naquilo que nos é servido de bandeja, porque tudo faz sentido, para quem vive a situação, na própria pele, torna-se ainda mais complicado discernir em quem deve confiar.


Há quem seja mestre em manipular a história a seu favor, transformando todas as evidências contra si, em argumentos a seu favor, e justificativos da sua narrativa.


 


Joanne vive com o marido e a filha recém-nascida numa bonita casa.


Embora ela se sinta cansada, e algo entediada, por passar os dias em casa, mostrando vontade de voltar a trabalhar, sob pena de enlouquecer, Joanne estava longe de imaginar o quão feliz era, e quão depressa essa felicidade poderia acabar.


A filha mais velha de Richard, com quem ele não falava desde o casamento, decide fazer as pazes com o pai, e conhecer a madrasta e a meia-irmã.


No entanto, mal chega a casa, Chloe mostra logo ao que veio. Fazer a vida negra a Joanne enquanto, perto do pai, finge ser um anjinho.


E consegue mesmo criar conflitos e pôr, várias vezes, o pai contra a mulher, a quem acusa de estar a ennlouquecer, e a ser injusta com a sua filha.


Já diz o ditado que "o pior cego é aquele que não quer ver". 


 


Richard, parece recusar-se a ver.


Porquê?


Porque a verdade é assim tão abominável, que ele prefere ignorá-la?


Porque, de alguma forma, tem medo da própria filha?


Ou será que ele é tão benevolente com Chloe porque está, ele próprio, a tentar mostrar ser uma pessoa que não é?


É que, tendo em conta tudo o que vamos descobrindo ao longo da história, há que dizer que as atitudes de Richard não fazem qualquer sentido, se realmente a sua intenção é proteger Joanne e Evie.


 


E depois, como não confiar nos animais?


Sempre nos disseram que eles sabem quem é bom, e quem é mau. Que reconhecem.


Então, como duvidar quando Oscar, o cão da família, parece dar-se tão bem com Chloe e, naquele dia, ataca Richard como nunca se tinha visto?


 


Terminado o livro, confesso, ainda tenho dúvidas de qual é a verdade verdadeira!


Apesar de tudo, aparentemente, ficar esclarecido.


 


 


Sinopse:


"Alguém dentro da sua própria casa a quer ver morta… mas ninguém acredita nela.
Joanne sabe a sorte que tem: vive numa casa maravilhosa, leva uma vida tranquila, Richard é um marido fabuloso e Evie, a filha recém-nascida, é tudo com que sempre sonhou. No entanto, essa tranquilidade vai ser interrompida por Chloe, a filha de Richard. A jovem não falava com o pai desde que ele casou com Joanne, há dois anos, mas regressa subitamente para fazer as pazes. Está até disposta a mudar-se temporariamente para ajudar a madrasta com a meia-irmã.
Parece perfeito, mas a adorável Chloe mostra um lado completamente diferente sempre que Richard não está por perto. Joanne vive com um medo crescente, apesar de mais ninguém se aperceber da ameaça. Estará ela a enlouquecer? Terá cometido um erro terrível ao convidar a enteada para viver com eles?
Um thriller psicológico viciante com reviravoltas surpreendentes e chocantes!"

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

O oportunista!

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- Olh'ó palerma! Foi-se embora!


- Caguincha. Traidor.


- Até parece que está a cometer algum crime.


- Só tinha de ficar a vigiar, a ver se a bola de pelo amarela aparecia por aí. Mas não. Mal viu surgir um humano, desertou.


- Deixou-me aqui, a arcar com as culpas. Como um mártir.


- Ou um herói! 


- Afinal, quem me vir aqui percebe que eu estou, apenas, a tomar conta disto, para que ninguém se atreva a roubar, certo?!


- Olhem só a minha pose de segurança. É impossível não chegar a essa conclusão.


- Até porque um pombo não come ração de gato, não é?! 


- Cagarola! Poltrão!


- Hás-de cá vir!


 


- Ufa, finalmente a humana seguiu viagem.


- Não há bola de pelo à vista.


- Vou aproveitar para tomar o pequeno almoço!


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Ler um livro como se fosse a primeira vez

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Por vezes, acontece.


Começamos a ler um livro, com a ideia de que nunca o lemos antes, até que uma frase, um excerto, uma página, nos faz recordar que aquela história não é estranha.


Outras, sabemos que já o lemos mas, ainda assim, embrenhamo-nos nele, como se fosse a primeira vez, com um novo olhar, uma nova perspectiva, num outro tempo.


 


O que nunca me tinha acontecido, era ler um livro do início ao fim, e continuar convencida de que nunca o tinha lido na vida.


Aliás, quando me deparei com esta história, até fiquei surpreendida por existir, porque, tecnicamente, eu só conhecia os dois primeiros livros da trilogia.


 


Ontem, terminada a leitura, fui procurar a imagem do mesmo, para juntar ao post que iria escrever no blog. Como o título era brasileiro, fui pesquisar pela autora, e tentar encontrar a correspondência em português.


De "Ainda Sou Eu", passei a "O Meu Coração Entre Dois Mundos".


Só por curiosidade, lembrei-me de pesquisar nos meus posts, as resenhas que tinha feito, dos livros da autora Jojo Moyes.


E percebi que, na verdade, eu já tinha lido o dito livro, em 2018, e escrito sobre ele!


 


Como é possível?


É que nada me soou a conhecido. Não me lembrei de uma única cena, uma única palavra, de uma única personagem (tirando o facto de as conhecer dos livros anteriores).


Simplesmente, varreu-se-me da memória.


 


No entanto, como seria de esperar, voltei a adorar a história.


E a mensagem é intemporal: devemos ser, simplesmente, quem somos, e não quem os outros querem que sejamos. Se gostarem de nós, aceitam-nos como somos. Se nos querem mudar, ou moldar, não vale a pena manter essas pessoas na nossa vida.


 


 


 


 

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Tapetes naturais

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Chegado o Outono, com a ajuda de um fim de semana de muito vento, fui averiguar que tapetes tinha, a Natureza, tecido por aí.


Estas foram algumas das peças em exposição.


Do verde e amarelo, aos tons mais castanhos, e uns toques de preto, há de tudo um pouco.


 


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A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!