segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Ainda dizem que o ensino é gratuito!


 


“No âmbito da escolaridade obrigatória o ensino é universal e gratuito. A gratuitidade abrange propinas, taxas e emolumentos relacionados com a matrícula, frequência escolar e certificação de aproveitamento, dispondo ainda os alunos de apoios no âmbito da acção social escolar. Os alunos em situação de carência, são beneficiários da concessão de apoios financeiros, na modalidade de bolsas de estudo.”


 


Pergunto-me eu: na prática, será que é realmente assim que funciona? E, se assim for, será suficiente?


O governo decide que os pais têm o dever de matricular os seus filhos, e de zelar para que cumpram a escolaridade obrigatória, até porque o ensino é gratuito!


A minha filha, que vai agora para o 3º ano, pertence ao 2º escalão da segurança social, o que lhe dá direito, no âmbito da acção social escolar, ao desconto de 50% do valor do almoço, e a um cheque a ser descontado na papelaria num curto prazo, em livros e material escolar, de cerca de 20 euros, que normalmente chega às minhas mãos muito depois do início das aulas, quando já tive que comprar tudo por minha conta e pouco ou nada mais preciso!


Isto quer dizer que, descontando esses 20 euros, tudo o resto tem que ser pago por mim! E ainda está só no 1º ciclo.


Segundo estudos efectuados, e falando apenas de manuais escolares, os gastos variam consideravelmente consoante o nível de ensino. Enquanto que no 1º ciclo do ensino básico, o valor ronda os 60 euros, no início do 2º ciclo do ensino básico o valor aumenta substancialmente, sendo o 7º ano o mais caro da escolaridade obrigatória, com uma despesa de mais de 300 euros. Daí em diante, os custos são ligeiramente mais reduzidos.


Tendo em conta que, por vezes, as famílias têm mais que um filho a seu cargo, não é difícil chegar à conclusão que, provavelmente, antes de pensarmos em planos poupança reforma, teremos antes que pensar em planos poupança educação!


Ou arriscamo-nos a que o ensino gratuito nos leve à falência!

3 comentários:

  1. Marta é triste, mas está é a dura realidade do nosso país.Vou-te dar o meu exemplo este ano consegui o subsidio da assistente social para poder fazer o exame de acesso à faculdade.
    Inscrevi-me no curso que queria e passei no exame, estando eu com uma grande gripe e muito doente, mas mesmo assim passei acontece que tinha a minha vaga na faculdade guardada pois tenho o estatuto de bolonha, mas (à sempre um mas) para garantir a minha vaga tinha de fazer a candidatura que custa 66 euros, como não tinha dinheiro lá se foi a vaga, depois de tanto sacrifício foi tudo em vão.Senti-me derrotada depois de ter lutado por aquilo que tanto queria, ainda apelei A faculdade para esperarem, para que eu conseguisse o dinheiro, que a assistente social me ia dar quando regressa-se de férias só que eles negarem -me isso senti-me muito mal chorei durante um dia inteiro depois de tanto sacrifícios nada valeu apena. Este é o país que temos ou temos dinheiro e conhecimentos ou então, não temos direito a nada.

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  2. Eu também me preocupo com o assunto. Cá em casa são 2 ordenados mínimos e mesmo assim não tivemos escalão. E o preço dos livros já custa tanto a suportar agora no 1º ciclo quanto mais do que vem a seguir.

    Os livros deviam ser distribuídos gratuitamente aos alunos, como acontece em alguns países (pelo menos acho que na Inglaterra é assim).

    É triste esta realidade, triste e preocupante!

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  3. Isso seria o ideal - manuais gratuitos fornecidos pelas próprias escolas. Penso que já ouvi falar numa escola que o fazia cá em Portugal. Outra solução era aproveitar os livros de outras crianças, mas para isso, teriam que ser sempre os mesmos e encontrarem uma forma de não se escrever nos mesmos, porque não vejo como é possível um livro que foi utilizado por uma criança, já todo escrito e corrigido, servir para outra no ano seguinte...

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