sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Tão querida...

Entre a Tica e eu há uma relação de reciprocidade: eu dou a mão ou o braço, ela dá as unhas e os dentes!


 


É também uma relação assente na solidariedade: "a minha dona teve uma má nota por causa da net, então agora retraço a factura que lhe mandaram"! E acreditem que a factura da Zon ficou em pior estado que a minha mão :)


 


Por outro lado, e como estamos em crise, a Tica aderiu à prática de bem poupar e quer levar o dono a seguir-lhe o exemplo. Por isso, depois de o dono ter feito a lista de compras para o próximo mês, a Tica apressou-se a rasgar uma parte dela! Tudo para que o dono não gaste muito no supermercado!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Autoridade não é autoritarismo

             


 


Hoje em dia, nesta nova geração de crianças, são muitas as que apresentam dificuldades em cumprir normas e regras básicas de convívio social, e em reconhecer fronteiras nas comunicações sociais, tanto entre iguais, como em relação aos adultos.


Para elas, há direitos, mas esquecem-se que também há deveres a serem cumpridos.


É importante que os pais, desde cedo, comecem a impor limites às crianças, fortalecendo comportamentos adequados, a sua adaptação ao meio social e o seu amadurecimento. Cabe aos pais a tarefa de definir regras e fomentar relações baseadas no respeito mútuo.


É certo que educar uma criança é um trabalho constante e, por vezes, complicado. Também é certo que não há um modelo de educação perfeito, e os pais são seres humanos que, como tal, podem cometer erros.


Ainda assim, devem ter competência para transformar os seus filhos, através de uma educação adequada, em adultos responsáveis, respeitadores e autónomos.


Mas o que significa, afinal, uma educação adequada?


Se, há uns anos atrás, reinava o autoritarismo, hoje pecamos, muitas vezes, pela excessiva permissividade que, como sabemos, não é o caminho a seguir.


Mais uma vez, digo – não podemos deixar as crianças fazerem tudo o que querem. Há que impor limites, estabelecer regras, exigir respeito, fazê-las compreender qual o papel de cada um de nós, e mostrar-lhes que quem manda em casa são os pais, tal como na escola mandam os professores.


Mas não confundamos autoridade com autoritarismo. Ao contrário do que algumas pessoas ainda pensam, o respeito, a obediência e o cumprimento de regras básicas, não devem ser impostos a qualquer custo.


A autoridade é uma atitude inteligente, porque dialoga e justifica, mas é firme nos seus princípios e limites, dando segurança e criando pessoas preparadas para a vida, participativas e socialmente responsáveis. 


 


Atitudes impulsivas, perda de controlo e gritos em forma de ameaça só contribuem para que a criança fique ansiosa, angustiada, com muito medo e perca a segurança que tem nos pais, ao mesmo tempo que mostram mais desequilíbrio que autoridade por parte destes, que tentam desesperadamente fazer-se obedecer.


A violência verbal é tão ou mais agressiva que a física, diminui a auto-estima da criança, prejudica a imagem que a criança tem de nós, e deve ser evitada.


Uma criança cujos pais impõem respeito aos gritos, vai ficar com a percepção que é essa a única forma correcta de agir, já que os pais são o seu modelo de referência.


Há um provérbio que diz: "Se educas o teu cavalo aos gritos, não esperes que te obedeça quando simplesmente lhe falas. Só te obedecerá quando lhe gritares.”.


Adultos equilibrados despertam confiança, enquanto adultos impulsivos criam crianças impulsivas. Auto controlo e tolerância às frustrações são aprendizagens fundamentais à criança, para viver em sociedade, e devem vir, em primeiro lugar, do exemplo da família.


O segredo está, então, em conjugar firmeza com flexibilidade, adoptando um estilo democrático em que os pais têm, por um lado, regras e limites bem definidos e explicados à criança, aplicados com justiça e coerência, e por outro, uma atitude afectuosa, dialogante e de proximidade.


Apesar de, algumas vezes, não termos a paciência necessária que a situação ou a criança nos exige, uma vez que dias difíceis nos provocam, por si só, cansaço ou irritação, convém construir uma relação de amizade e respeito mútuos. E isso consegue-se, acima de tudo, falando com a criança de forma firme, mas sem gritar, chamando-a à atenção de forma adequada à sua idade, sendo persistentes, explicando às crianças o que podem e devem ou não fazer e porquê, bem como as consequências que os seus actos podem ter.


Devemos fazê-las entender como as pessoas se sentem quando não age correctamente, e explicar-lhes que não gostamos desse tipo de comportamento, apesar de as amarmos.


Nem sempre é fácil pôr tudo isto em prática quando estamos perante filhos rebeldes que nos testam a todos os instantes. Por vezes, temos mesmo que falar mais alto com eles, aplicar alguns castigos e pode acontecer perdermos o controlo, mas convém que não se torne uma forma constante de nos fazermos respeitar e às regras que impusemos. Uma coisa é perdermos a cabeça pontualmente, outra é educar sistematicamente aos gritos.


Por último, convém ter em conta que cada criança é diferente das demais, e a educação deve ser personalizada a cada uma delas.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A Depressão




"É verdade que, actualmente, houve uma vulgarização ou generalização, no sentido de muitas vezes não se diferenciar entre um estado de tristeza considerado normal perante determinadas situações, e um estado continuado de tristeza e apatia, anormal, associado a outros indicadores que, aí sim, podem evidenciar um quadro de depressão."


 


Aqui fica o artigo do mês de novembro, que podem ler na íntegra no blog do Consultaclick, em  


 


http://consultaclick.pt/blog/2012/11/27/depressao/

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O acolhimento


 


No que respeita às respostas de acolhimento extra-familiar, verificamos que existem diferentes soluções e diferentes serviços, tendo em conta o tipo de situação e as necessidades e características das crianças/ jovens.


A diversificação constitui uma tendência evolutiva, verificando-se a diferenciação em termos temporais, em termos de dimensão e estilo de liderança, bem como em função das crianças/ jovens atendidos e tratamento proporcionado, e ainda quanto ao número de crianças, regimes e modelos de funcionamento.


Existem, igualmente, diferenças entre as instituições públicas e privadas.


No entanto, apesar desta diversificação, há critérios que todos os estabelecimentos residenciais devem ter em consideração, e pelos quais se devem reger, para um aconselhável e correcto acolhimento destas crianças/ jovens. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Domingo azarento


 


Ontem não foi sexta-feira 13, mas bem podia ter sido! Não houve nada que corresse bem :(


A Tica atirou com a árvore de Natal duas vezes, tentou destrui-la mais umas tantas, e as luzes avariaram.


O ferro de engomar lembrou-se de deitar água para a roupa acabadinha de secar na máquina, e tive que a pôr a secar novamente. Já para não falar que o quadro é tão fraquinho que, com apenas o ferro e a máquina ligados, disparou.


Mas pior mesmo, foi a treta (para não dizer outra coisa) da Internet que, sabe-se lá porquê, lembrou-se de ficar lenta. Mais lenta que um caracol parado! E precisamente no momento em que eu estava a fazer o exame final do curso!


Experimentei no computador da minha filha, nem sequer abria a plataforma. Bloqueava. Experimentei no do meu marido, consegui aceder ao exame. E pensei - ainda bem. Agora é concentrar-me e despachar-me para responder às 42 perguntas em 30 minutos. 


O exame era facílimo, apenas teria errado duas ou questões, o que teria dado uma nota final muito boa. E o tempo era mais que suficiente.


Mas a internet não colaborou, e pôs em causa a nota e um mês de curso. Todas as respostas dadas têm que ser por nós verificadas. Se não estiverem validadas, são consideradas não respondidas. Eu respondi a todas as perguntas. Mas no momento de verificá-las, demorei à volta de 2 minutos para cada uma. Resultado - só foram validadas 28, o que me deu uma nota final de 13 :(


Passei-me completamente - uma coisa é ter uma nota destas por ter errado as questões. Outra é ter uma nota da treta por problemas técnicos. E é ainda mais frustrante porque, muito embora todos os participantes façam os mini-testes em cada sessão, o que, juntamente com o exame final, dá uma média da disciplina, a nota que constará do certificado é, unica e exclusivamente, a do exame final. É muito injusto poder ter 17 ou 18 valores com base no que realmente sabia, e ter um básico 13.


Pior ainda, ficou o meu marido que, vendo-me naquele estado e tentando ser solidário, foi também fazer o exame. Só que apenas conseguiu validar umas 15 respostas, o que lhe deu 6 valores, e apenas terá direito a um mero certificado de frequência.


O que é feito da internet rápida quando precisamos dela?...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ideia luminosa...


...ou talvez não!


 


Estava eu aqui a pensar se não seria interessante criar uma revista online ou uma publicação semelhante, talvez quinzenal ou mensal, com colaboração exclusiva de bloggers, que incluisse artigos diversos sobre temas como Saúde, Nutrição, Educação, Culinária, Moda, Beleza, sugestões de música e cinema, entrevistas, etc. 


Por exemplo, um blogger que está na área do jornalismo poderia fazer entrevistas com alguém que achasse interessante. Um blogger que está na área da educação poderia falar-nos sobre esse tema. Um estudante, da sua perspectiva como tal. Um blog de culinária poderia dar a sua contribuição com uma receita, e por aí fora... 


Seria a revista da blogosfera!


Alguém interessado?

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Até nos animais...


 


...se nota a mudança dos tempos e a entrada precoce na puberdade!


Se, antes, a idade média para as gatas terem o primeiro cio, rondava os 6/8 meses, agora, começam cada vez mais cedo.


A nossa gata, com pouco mais de 4 meses (a não ser que me tenham enganado), já anda doida!

Factores e comportamentos de risco


 


 


Não costumo passar muito tempo em frente à televisão. Normalmente, para ver algum programa que me agrade, vou saltitando entre a cozinha e a sala, e apanhando o básico.


Mas nessa noite, estava sentada com a nossa Tica ao colo, e comecei a procurar entre uma infinidade de canais, algum que me agradasse. Parei no canal Odisseia, onde estava a passar um documentário sobre o Camboja, mais precisamente, sobre a pobreza, a educação e a pedofilia e ciberpedofilia.


Embora nos últimos tempos tenha havido um maior desenvolvimento e crescimento económico, devido a um maior investimento, há ainda muita pobreza neste país do sudueste asiático. Essa pobreza que faz com que, muitas vezes, se "vendam" crianças e o seu corpo a qualquer preço.


No Camboja, também a educação não é para todos. Os professores vêem-se obrigados a pedir dinheiro aos alunos pelos seus serviços, uma vez que o ordenado pago pelo estado é muito baixo. Logo, crianças mais pobres não têm possibilidades para tal, e vêem-lhes vetado o direito à educação. 


Por outro lado, assisti a testemunhos de vítimas de abuso sexual, agora institucionalizadas, que estão, de tal forma, traumatizadas e fragilizadas, que se limitam a ir passando os dias, sem qualquer esperança, plano ou projecto para a sua vida.


Ontem, ao espreitar as manchetes dos jornais, detenho-me na do Correio da Manhã, que noticiava o disparo de casos de bebés abandonados em Portugal. Foram detectados casos de abandono em Portimão e em Cascais. Já no Porto, existem pelo menos 12 situações de mães que não têm capacidade para exercer a função parental.


No Hospital Amadora-Sintra duplicaram os casos de bebés rejeitados pelas mães, por motivos de carências económicas. Essas crianças foram encaminhadas para instituições de acolhimento.


Em Sintra, na Praia das Maçãs, uma menina de apenas 3 dias foi entregue pelos pais a uma advogada, encontrando-se, neste momento, internada no hospital de Cascais. Posteriormente, será desenvolvida uma medida de acolhimento institucional, havendo já uma acção de promoção e protecção da menor no Ministério Público do Tribunal de Família e Menores de Sintra. 


Muitas vezes, pode-se atribuir este abandono a imaturidade ou inexperiência dos pais, bem como a baixa competência para assumir a responsabilidade parental. Mas, por norma, predominam os factores sócio-económicos. 


De facto, a situação de crise que o país actualmente atravessa é propícia ao aumento do número de crianças em risco, não só pelas dificuldades económicas dos pais, como também pelo clima de instabilidade que provoca, bem como o aumento de pais com depressão.


Verifica-se também que, nas classes mais desfavorecidas e em meios mais pobres, há uma tendência para recorrer à violência como forma de resolução dos problemas, prevalecendo os maus tratos às crianças.


Por outro lado, factores como a falta de trabalho, o emprego precário ou a dependência de outrem, podem levar a comportamentos de risco.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A intervenção


 


Os pais, representantes legais ou quem tenha a guarda da criança/ jovem devem ser os primeiros a proporcionar a essas crianças/ jovens cuidados básicos e condições essenciais ao seu desenvolvimento pessoal e social, bem como assegurar que os mesmos tenham acesso à educação e formação, e zelar pelo seu bem-estar e segurança.


Quando isso não acontece verificando-se, pelo contrário, que estão a colocar as crianças/ jovens em risco, há que intervir, no sentido de salvaguardar os direitos e a protecção dos mesmos.


Essa intervenção implica o recurso a profissionais especializados em diferentes áreas, num trabalho conjunto, e deve ser feita, preferencialmente, com o consentimento e colaboração dos pais, representantes legais, quem tenha a guarda da criança, ou dos próprios jovens, procedendo-se, nesses casos, a uma intervenção informal.


Se houver oposição, ou impossibilidade de actuar de forma adequada para remover o perigo, a situação deve ser participada à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo ou aos tribunais, que decidirão, após avaliação, que medidas tomar. 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A institucionalização e a comunidade


 


Uma criança/ jovem que chega a uma instituição já se sente, à partida, excluída ou marginalizada, relativamente a outras crianças. É um ser fragilizado, com baixa auto-estima, dependente, sem planos para o futuro ou um projecto de vida.


É, por isso, necessário um trabalho árduo mas, acredito, muito gratificante para quem o faz, no sentido de garantir e proporcionar, não só os cuidados básicos de alojamento, alimentação, higiene, saúde e educação, mas também o reforço da auto-estima com a valorização dos aspectos positivos, bem como o desenvolvimento de uma autonomização gradual.


Além da promoção do contacto e envolvimento da família durante a institucionalização, é através da interacção e utilização de vários recursos da comunidade que se criam oportunidades para estas crianças/ jovens socializarem e conviverem, construindo, por exemplo, relações interpessoais fora da instituição.


Embora inicialmente estes estabelecimentos se localizassem, estrategicamente, na periferia dos núcleos urbanos, afastando as crianças/ jovens tanto da família de origem como da comunidade, dificultando a reinserção, hoje em dia há uma maior abertura e interacção com a comunidade local. 


As instituições podem também preparar os jovens para a sua independência, apoiando-os, de diversas formas, no processo de saída e eventual retorno à sua casa ou na sua inserção no mundo laboral.


Embora haja uma imagem depreciativa do acolhimento institucional, alimentada quer pelos utentes quer pelos próprios profissionais que lá trabalham, e haja provavelmente discriminação das crianças/ jovens que passaram por este processo, a verdade é que há igualmente testemunhos bastante positivos de quem lá esteve, e agora se sente realizado e feliz por ter tido o apoio (a todos os níveis) que encontrou nestas estruturas e que, de outra forma, nunca teria tido. 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

4 meses


 


Faz hoje, neste dia chuvoso de outono (que mais parece inverno), 4 meses que demos início à experiência de partilhar o mesmo tecto! 


E, até agora, estamos a conseguir sobreviver :) Será um bom sinal?!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Veio para ficar


Ontem à noite, quando a minha filha se estava a despir para ir para a cama, reparei que novas pintinhas tinham aparecido nas pernas. Não estranhei, afinal, volta e meia aparecem, depois desaparecem, tornam a aparecer...


Parece que estava a adivinhar que hoje íamos à consulta de vigilância :)


Depois das análises feitas e tensão medida, verificou-se que está tudo normal. Apenas a questão cutânea permanece e, embora, por um lado, a médica confirme que 7 meses são, de facto, muito tempo, por outro, previne-nos que estes episódios de vai-vem podem durar durante uns 2 anos.


Desde que tudo o resto esteja bem, não há motivo para preocupações.


Para mim, a púrpura veio mesmo para ficar. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Não me importava...


 


de, por instantes, ser uma personagem de um qualquer livro ou filme, com uma quinta como cenário, cavalos, árvores, bolinhos caseiros na mesa, coisas simples, paz, liberdade, tranquilidade, tempo, e amor! Seria perfeito :)


 


Só para me esquecer que, aqui no mundo real, esta rotina diária de sobrevivência tira-me tempo para aquilo e aqueles que mais quero e gosto.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Verdades escondidas


 


Quando se esgotam as várias respostas de intervenção às crianças em risco, surge a institucionalização.


Por norma, só se internam menores, quando não existem outras possibilidades de intervenção.


Alguns dos objectivos destas estruturas são promover cuidados essenciais ao bem-estar físico e emocional das crianças e/ou jovens, estabilidade emocional, auto-confiança e segurança.


São enviadas para estas estruturas, por acordo com os pais ou responsáveis pelos menores, ou por intervenção judicial, para que sejam retiradas da situação de risco.


E a verdade é que grande parte destas instituições desempenham um papel fundamental na intervenção com estes menores. 


No entanto, em alguns casos, como todos nós sabemos, o que acontece é que estamos a transferir uma criança/ jovem de uma situação de risco, para uma outra muito mais grave, originada dentro da própria instituição que o deveria proteger!


É algo que se tenta esconder, que se tenta manter dentro de portas, abafar mas, por vezes, chegam ao conhecimento público casos de maus tratos físicos ou abusos sexuais. São crianças/ jovens que acabam por estar permanentemente em risco.


E, nesses casos, quem as poderá socorrer?... 


 


 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Maldito bicho


Todos nós sabemos o que é, todos nós o tememos, todos nós o queremos bem longe da nossa porta.


É certo que ele faz-nos questão de lembrar que veio para ficar, que cada vez tem mais força e ataca mais pessoas. 


Num dia é um actor ou actriz conhecida, no outro alguém que é da nossa terra, vizinhos, familiares de amigos, até mesmo aqui, no mundo dos blogs, ele está presente.


Conhecemos a dor, conhecemos a luta, mas não sabemos como é lidar diariamente com ela. Ficamos sensibilizados, chocados, sem saber como seria se um dia nos calhasse a nós.


Falo, como já devem ter percebido, do cancro. Foi esse que, depois de ter andado pelas redondezas, resolveu agora aproximar-se mais e atingir a minha tia.


Ninguém merece passar por isso, e a minha tia, sem dúvida, não merecia! Não somos do mesmo sangue, é minha tia por afinidade. Mas isso é um mero promenor. Desde pequena que convivo com ela. Os natais, eram sempre passados com ela. E quantas vezes brinquei com as minhas primas lá em casa. Sempre foi uma mulher simples, alegre, brincalhona, trabalhadora, lutadora. Sempre esteve lá pronta a ajudar. Quase todos os dias a víamos quando tinha o café ao pé da nossa casa. Quando deixou, era frequente vê-la em casa dos meus pais, ao fim de semana, a jogar às cartas com o meu tio e com eles!


No momento de escolher alguém para minha madrinha de baptismo, foi a ela que escolhi. Não pelo dinheiro que tem, mas porque era aquela que, para mim, fazia mais sentido.


Agora, sem ninguém estar à espera, acontece-lhe isto. E não é que eu deseje mal a alguém, não desejo. Mas há tanta gente ruim neste mundo que ainda cá fica, enquanto que pessoas como a minha tia partem.


Os médicos não foram muito animadores - não vale a pena operar. Hoje vai saber a que tratamento se irá submeter. Fica a dúvida permanente - valerá a pena o sofrimento que o mesmo vai provocar, ou será em vão, servindo apenas para adiar o destino que se adivinha?


Há que ter fé, esperança, e acreditar que ela, contra todas as contrariedades e prognósticos, vai vencer esta batalha.


Ontem fui visitá-la - é sempre um momento complicado. Vê-la de repente numa cama, quase sem se poder mexer, com o desânimo estampado no rosto, apesar de disfarçar. Nem sabemos bem o que havemos de dizer, se não tocar no assunto, ou se falar abertamente. Não foi fácil, principalmente quando as lágrimas lhe começaram a cair.


É frustrante para ela, que sempre foi activa, precisar agora de ajuda para coisas tão simples como caminhar ou tomar um banho. 


A minha filhota, tão querida, acabou por animar um bocadinho quando se virou para a tia e disse "já sabes que para a próxima tens que pedir ajuda ao teu marido"!


Quanto a mim, fiquei para trás um bocadinho para ficarmos as duas sozinhas e lhe dar uma força, e fazê-la perceber, embora ela saiba, que se a família sofre por ela é porque a ama, e ela não tem que se preocupar com isso, mas sim em lutar e ficar boa, para ainda cá estar muitos mais anos entre nós, como sempre a conhecemos!

domingo, 11 de novembro de 2012

Dia de São Martinho...


 


...é dia de comer castanhas e provar o vinho!


Mas como não aprecio castanhas, e muito menos vinho, e andava de desejos de beber uma caneca de café quentinho, decidi comprar pastéis de nata para todos e fazer café em casa.


O que eu não estava à espera, era dos efeitos secundários do dito cujo!


Há anos que não bebia café, e fiz uma caneca bem grande, sem açúcar (nunca ponho açúcar). Passado um bocado, tive uma tontura e daí em diante, até me deitar, parecia que tinha andado a beber :) Sentia tudo a andar tudo à roda, muito zonza, a fazer um esforço para passar a ferro e arrumar tudo o que ainda faltava.


Já para não falar que estou deitada, e nem eu nem o meu marido temos sono, e amanhã é dia de acordar cedo!


Tão depressa não volto a beber café!


Mas que me soube bem, lá isso soube!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Sobre o curso...


 


Em primeiro lugar devo dizer que os destinatários a quem o mesmo se destina são, essencialmente, psicólogos, professores, assistentes sociais e outros profissionais que estejam ligados à área em questão. O que significa que eu não me enquadro em nenhum deles.


De qualquer forma, mesmo não exercendo nem pretendendo enveredar por nenhuma dessas especialidades, enquanto cidadã que faz parte desta sociedade em que vivemos, igualmente com deveres perante o conhecimento de situações de risco, estou a considerá-lo interessante e útil.


Sendo um curso totalmente feito pela internet, através de uma plataforma de e-learning, podemos estudar quando, onde e quanto tempo nos apetecer. Como é gratuito, não há formador disponível. Tem as suas vantagens, mas também tem desvantagens. Por exemplo, se houver alguma dúvida, não podemos esclarecê-la com quem de direito.


Por outro lado, penso que as sessões do curso não seguem a ordem que, para mim, faria mais sentido - a primeira, sobre o que é o risco, está correcta. Logo em seguida, penso que deveria abordar os factores, comportamentos e grupos de risco. Em terceiro e quarto lugar, as estratégias de prevenção e intervenção. Na quinta posição, a função e o papel dos profissionais na prevenção das situações de risco. Por fim, o acolhimento institucional e a legislação.


Outro aspecto que deveria ser adicionado e que, na minha opinião, seria muito mais produtivo, seria o responsável pelo curso propôr-nos desafios, em que tivéssemos que aplicar os conhecimentos adquiridos em cada sessão, ou no conjunto, ou seja, utilizar na prática aquilo que estudámos.


Cada sessão tem um fórum, com uma afirmação ou vídeo para comentar, o que é bom, embora poucos participantes expressem as suas opiniões.


Já no fim do curso, seria bom que nos pedissem um trabalho sobre o tema.


Mas o tempo também é curto e não dá para grandes invenções. Neste momento, faltam-me 3 sessões. Depois, é dar uma revisão a tudo e fazer o exame final, cuja nota obtida será a única a constar do certificado. 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Bem me quer, mal me quer...


 


Assim anda o tempo nestes últimos dias!


Ora chove, ora faz sol, ora volta a chover, ora volta a fazer sol. 


Hoje, a julgar pelo sol a sobressair no céu azul, é dia de bem me quer!


E eu agradeço, que já basta o frio que por aqui se faz sentir :)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Leituras estranhas


 


Sentada na sala de espera do Centro de Súde, enquanto aguardava a minha vez, entretive-me a ler uma revista que tinham deixado em cima de uma das cadeiras.


Detive-me numa reportagem sobre a crise, o mundo dos sem abrigo e instituições de apoio aos mesmos. Muito interessante e, parece-me, bastante real - a verdade nua e crua da vida destas pessoas.


Já uma outra utente, também à espera de ser chamada, pegou no jornal da região. No entanto, não lhe interessavam minimamente as notícias sobre o nosso concelho. A única secção em que estava interessada, era a que anunciava os falecidos, observando cada foto para saber se havia entre elas alguém conhecido. Segundo percebi, parece que é habitual. Sempre que pega num jornal, é directamente àquela secção que se dirige. Depois, larga-o. 


Enfim, gostos não se discutem, mas que são leituras estranhas, lá isso são!


 


 


 


 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Que nervos!


 


Não é que o raio da gata ontem tirou a noite para me chatear, para me testar, para me esgotar a paciência!


Já não me bastava ter passado por isso com a minha filha (que felizmente anda mais calma), tinha agora que vir a D. Tica também.


Cheguei a casa, varri a areia que tinha espalhado do caixote, voltou a espalhá-la. Varri novamente, espalhou novamente. Em seguida, lembra-se de brincar com a ração. Ponho-a de volta no prato, ela tira tudo do prato. Ponho outra vez, tira outra vez.


Com a brincadeira, entorna a água. Encho-lhe a caixa com água, derruba-a. Volto a enchê-la, torna a entorná-la.


Para completar, resolveu fazer do sofá da entrada a sua nova casa de banho. E, justamente quando eu estava a pôr as capas acabadinhas de enxugar na almofada, faz-me chichi no sofá. O que me obrigou a ter que lavá-lo e secar com o secador do cabelo, para não criar bolor.


Além da valente palmada que levou (que depois até me fez pena), estive quase para a pôr na rua, tal foi o estado em que me deixou.


Não sei se é ciúmes, necessidade de atenção, ou qualquer outra coisa. Mas eu é que não estou para andar chateada e ter ainda mais trabalho.


A sorte dela é eu gostar tanto daquela pequenina traquina, que ainda me dou ao trabalho de tentar perceber o que a leva a ter este comportamento rebelde, que nunca vi na gata que tive durante 17 anos. 

Entre o dever e a intromissão...


Um vizinho ouve, na casa em frente, uma mulher ralhar com uma criança. A criança está a fazer uma enorme birra, começa a gritar com a mulher e esta, enervada, ralha mais alto. E é apenas isso que o vizinho ouve. Não sabe o que se passa dentro daquela casa. Mas não acha normal e pretende ligar para a polícia...


Não se tratava de uma criança em risco, pelo contrário, era muito bem tratada. Simplesmente naquele dia decidiu desafiar a avó, e a avó gritou com ela. Felizmente, o vizinho acabou por não chamar ninguém, senão teria sido uma situação embaraçosa.


 


Agora, imaginemos que um outro qualquer vizinho ouve uma cena semelhante. Pode, ao contrário do anterior, pensar que se trata de uma situação normal entre avó e neta, ou mãe e filha, e não dar muita importância ao caso. Afinal, não tem que se intrometer num assunto que não lhe diz respeito. No entanto, ao agir dessa forma, poderá estar a ignorar uma situação de maus tratos que, se não for ele, mais ninguém poderá denunciar...


 


Um pai vê a filha com duas nódoas negras na perna. Sem mais, insinua à ex-mulher que a filha anda a aparecer toda negra e que só pode ser em casa desta que ela fica assim. Na verdade, como a filha poderia confirmar, tratou-se de uma queda na escola...


 


Por outro lado, um outro pai, perante uma situação destas, poderia, naturalmente, pensar que as crianças não param quietas e é normal que caiam e fiquem com marcas. E, contudo, poderia estar perante um caso de violência...


 


Então, como devemos agir todos nós, enquanto cidadãos, perante situações como estas? Quando saber se estamos perante algo normal ou maus tratos? Como saber se devemos agir porque temos esse dever, ou se não devemos fazer nada, porque nos estamos a intrometer na vida alheia? Onde termina a intromissão, e começa o dever?...


 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O risco




"É a criança que não lhe dão boas condições de uma vida digna: moradia, alimentação, convívio familiar saudável, escola. Ou seja, boas condições que a família e o próprio Estado devem lhe assegurar..."


 


Esta será uma definição de criança em risco. Risco que pode ser detectado e investigado com vista a intervenção para resolução atempada da situação.


No entanto, o risco pode ir muito além desta falta de condições para uma vida digna.


Infelizmente, há riscos que, pela sua súbita e rápida duração, podem não ser possíveis de detectar a tempo de agir.


Um pai ou uma mãe que se esquecem de um filho no carro durante uma manhã, uma tarde, uma hora ou até uns segundos, está a colocar a criança em risco.


Por outro lado, um juiz que entrega uma criança a uma mãe que se sabe, à partida, não reunir as melhores condições de uma vida digna para o seu filho, retirando-o de uma família onde essas condições existiam, pode estar a colocar uma criança em risco.


Se é verdade que, no momento de pensar em ter filhos, nem sempre os pais reflectem sobre esse passo, sobre as condições que têm ou não, nem tão pouco medem as consequências que esse acto terá, no futuro, na vida dos filhos, também é verdade que nem sempre o Estado, com toda a legislação e intervenção, assegura essas condições.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pão por Deus versus Halloween

Será que a tradição ainda é o que era? Ou estaremos perante mais uma "americanização"?


Segundo o Bispo Auxiliar de Lisboa, grande parte da responsabilidade pela celebração "errada" desta festa é dos professores, tanto nas escolas, como nos jardins-de-infância, ao incentivarem a celebração do famoso Halloween que, diz ele, nada tem a ver com a nossa tradição e cultura.


 


  


 


Em Portugal, no dia 1 de Novembro, Dia de Todos-os-Santos, as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos grupos para pedir o Pão-por-Deus. Antigamente, as crianças recitavam versos e recebiam como oferenda: pão, broas, bolos, romãs, nozes, tremoços, amêndoas ou castanhas, que colocavam dentro dos seus sacos de pano, de retalhos ou de borlas.


Neste dia, as manhãs eram para as crianças e, à tarde, as pessoas abriam as suas casas para receber familiares e vizinhos, e confraternizar. Normalmente, eram as crianças mais pobres que participavam neste "peditório".


 


Hoje, os meninos batem de porta em porta, e recebem rebuçados, pastilhas, chupa-chupas, chocolates, broas, frutos secos e, por vezes, uma moedinha. Fazem-no, porque é tradição, mas não sabem explicar o que realmente se comemora.




De uma forma geral, é uma festa em honra de todos os santos e mártires, também conhecido pelo dia em que se repartia o pão pelos mais pobres.


 



 


Já o Halloween, celebra-se à noite, véspera do dia de todos os santos, por considerarem que era a noite sagrada.


 


As origens de um e de outro são, basicamente, semelhantes.


O que acontece é que, com o tempo, foram sendo adicionados elementos estranhos a esta comemoração, como os disfarces, e a alusão a bruxas, vampiros, fantasmas e outros.


 


E, de facto, este ano, vimos muitas crianças mascaradas a pedir o Pão-por-deus!


 


Se estamos a adoptar uma tradição e cultura americanizada? Talvez... Mas não será apenas nesta celebração!


 


 


 


 

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!