terça-feira, 5 de março de 2013

Se me amas...

...não chores!


 



 


Um pedido nobre, mas muito dificil de satisfazer...


 


Que me lembre, a última vez que fui a um funeral de um familiar próximo, foi há 24 anos atrás, por morte do meu avô.


Na altura, tinha 10 anos, percebi o essencial mas, como a afinidade não era muita, foi um acontecimento que me passou um pouco "ao lado".


Daí em diante, devo ter ido a mais um ou dois, mas nada que me tenha afectado, ou porque apenas conhecia vagamente, ou porque nem sequer conhecia e fui simplesmente como acompanhante.


Depois, há aquelas pessoas que até conhecemos, algumas familiares de amigos nossos, e cujo conhecimento da sua morte nos chocam um pouco na hora, mas logo passa.


 


De repente, vejo-me confrontada com a partida da minha tia, madrinha de batismo e de casamento. Aquela pessoa com quem foi passada a maior parte dos meus natais e páscoas na infância, aquela pessoa que via quase todos os fins de semana em casa dos meus pais, aquela pessoa que chegou a andar com a minha filha pequenina ao colo enquanto servia os clientes no café, e que estava sempre a brincar com ela quando a via...Apesar de ser apenas tia por afinidade, tinha com ela uma relação muito mais forte do que com as minhas tias de sangue.


 


De repente, chego à casa mortuária e a primeira coisa que vejo é uma foto da minha tia, dos tempos em que nem suspeitava o que lhe iria acontecer.


Vejo a minha prima mais nova à porta, agarrar-se à minha mãe, a chorar a morte da sua...Ainda cheia de forças, acabada de chegar, tento confortá-la, pedindo-lhe que recorde a mulher forte que a sua mãe sempre foi, e que guarde essa imagem dela. Falo, entretanto, com a minha prima mais velha (aparentemente mais forte), e com o meu tio.


Aí, as forças começaram-me a faltar. O meu tio não estava, naquele momento, desesperado. Estava perdido...


A gota de água foi ter olhado para a urna, e ver a minha tia ali deitada...tão magrinha, tão envelhecida...e a minha prima agarrada à mãe...


Tive que me afastar para não desabar. Tanta coisa me veio à cabeça naquele momento. A última vez que vi a minha tia viva, a adivinhar já o que a família iria sofrer quando partisse. Pus-me no lugar daquelas filhas, imaginando-me na situação pela qual elas passaram. Pensei no meu tio, seu companheiro de todas as horas, há tantos anos, agora sem rumo. Depois de tantos anos de trabalho, depois de tudo o que construiram e conquistaram, quando podiam agora descansar e aproveitar, acontece isto.


E o meu tio, apesar de ter feito tudo o que podia (infelizmente não havia muito a fazer), ainda assim, acha que podia ter feito mais...Não podia...


 


Por tudo isto, mesmo sabendo que a minha tia iria querer que seguissemos com a nossa vida, que não sofressemos e não chorássemos, foi-nos impossível cumprir esse desejo. Porque quem ama, também chora...


 


 


 


 


 


 

3 comentários:

  1. Obrigada Dulce! A vida é mesmo assim - uns partem, outros ficam. E o cancro parece querer levar-nos a todos. Na semana passada foi uma senhora que conheço para o hospital, e faleceram a minha tia e mais outro senhor que já estava doente há mais de um ano.
    Já me passou mais o choque (felizmente não sou a que mais precisa de apoio), mas espero não me encontrar numa situação semelhante nos próximos 20 anos! Eheheh
    Beijinhos

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  2. Não somos nada nesta vida, para morrermos basta estarmos vivos! Sabes que estarei sempre aqui para tudo que precisares! Um Beijo com todo o meu amor!

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