Logo no início do ano lectivo, fomos informados de que a professora de matemática da turma tinha estado, durante o verão, de baixa, e que até ao fim do mês de setembro estaria de férias.
Ninguém está doente por gosto. Até aí, compreendo.
Todos têm direito às suas férias. Também compreendo.
Cabe a quem de direito encontrar soluções para colmatar essa ausência, até porque a escola se gaba de ter um plano de intervenção para combate ao insucesso à disciplina de matemática. Não foi encontrada nenhuma solução. O Ministério da Educação não enviou nenhum professor de substituição. E assim, enquanto outros avançavam na matéria, esta turma esteve mais de duas semanas sem aulas.
Quando a professora se apresentou na escola, para compensar, todos os alunos foram "obrigados" a ir à aula de apoio ao estudo, que deixou temporariamente de ser apoio ao estudo para passar a ser uma aula normal. Complicou um pouco o horário em termos de almoço, mas achei bem.
Agora, no início do 2º período, as aulas de apoio ao estudo voltaram a ser apenas isso, e só para quem está indicado para as frequentar.
Mas, para todos os alunos e em regime de obrigatoriedade, sob pena de falta injustificada, mais uma vez para compensar a ausência da professora do período anterior, a direcção da escola decidiu acrescentar uma aula extra de matemática. Não considero muito justo, mas se é para o bem deles, que seja. Essa hora extra foi colocada no último tempo de 4ª feira. Mais uma contrariedade mas, infelizmente, ao longo da vida, temos que enfrentar muitas, por isso é melhor que se habituem desde cedo.
No entanto, há coisas que não fazem sentido, e esta é uma delas. E, ontem, todos os encarregados de educação "cairam" em cima do director de turma, que compreende mas nada pode fazer, porque são ordens superiores que apenas cabe a ele transmitir.
Ora, esta turma tem uma tarde livre por semana. Mesmo assim, se colocassem a aula de compensação numa hora dessa tarde, ninguém ficaria igualmente satisfeito, porque lhes estariam a tirar a tarde, e a fazê-los ir à escola de propósito. De qualquer forma, à quinta feira, entram às 11h. E têm menos aulas nesse dia, por isso, seria uma boa opção. E à sexta-feira, também poderiam entrar mais cedo, ou sairem mais tarde, porque é outro dia com poucas aulas.
Mas não! A única opção que encontraram e, repito mais uma vez, por a professora ter estado a gozar as suas férias em período de aulas, foi sobrecarregar um dos dias mais complicados e preenchidos da turma! Entram no primeiro horário da manhã, têm apenas uma hora de almoço, e saiem no último tempo da tarde - 10 aulas nesse dia! E, adivinhem: a aula de compensação de matemática, depois de terem duas aulas dessa disciplina de manhã, é a última do dia!
Cabe na cabeça de alguém que uma criança, depois de um dia inteiro de aulas, em que acordou cedo e a essa hora já está mais que cansada da correria do dia, se consiga concentrar numa aula de matemática? Cabe na cabeça de alguém que dessa forma se combata o insucesso escolar à disciplina?
Parece que sim! Mas não para nós, pais e encarregados de educação, que consideramos essa medida totalmente contraproducente. E mais, não faz sentido quando a professora ainda esta semana, no horário normal, faltou!
Por que raio é que, por "culpa" dos professores, têm que pagar os alunos?
O assunto não tem piada mas essa imagem está o máximo.
ResponderEliminarCompreendo o texto e a indignação. Nao tenho filhos, mas tenho um irmão mais novo que se debate com problemas parecidos. Mas se formos a analisar bem este tipo de situações, a culpa não está na professora que está de baixa (está no seu total direito). O problema está em quem gere a escola. E infelizmente, o problema reside aí na maioria das vezes. A professora lavou as mãos do assunto, porque legalmente está fora de cena. Quem tem de se encarregar do resto é quem está a gerir o estabelecimento ou o agrupamento. Concordo que, seja a quem for que se atribua a culpa, quem paga sao os alunos... Mas ha muitos professores que, usufruindo do pouco a que ainda têm direito, pagam também arrecadando com consequências que não lhes deveria ser atribuídas pela má gestão da escola em que estão colocados. Parabéns pelo blogue :)
ResponderEliminarEnquanto estive no ensino básico e secundário sempre me disseram que se o motivo do professor faltar for baixa médica, deve ser colocado um professor de substituição e caso esse professor novo não exista, o professor da disciplina não pode obrigar ninguém a ir a aulas de reposição ou esses apoios.
ResponderEliminarQuando vim para a universidade a lenga-lenga foi a mesma: se é baixa médica, não podem haver aulas de reposição, mas sim um professor substituto. À falta desse, não existe aula nenhuma a mais.
Sempre achei absurda a carga horária exigida por uma escola e essa questão das 10 disciplinas num dia, é o cúmulo! Se têm matemática de manhã, mais umas 7/8 aulas diferentes pelo meio, como é que existe cabeça para aturar matemática à última hora? A essa hora todos têm fome, todos querem ir para casa e não há quem suporte aturar um professor.
O ensino está uma tristeza, essa é a verdade, mas também a sorte dos alunos são os encarregados de educação que ainda conseguem mexer uns cordelinhos.
E assim, por e com comportamentos destes, se arruina quem se esforça e trabalha pelo bem dos miúdos... É muito triste, de facto...
ResponderEliminarE se todos os pais fizessem um abaixo-assinado ou um ofício assinado por todos, expondo esta situação e sugerindo as alternativas, enviado à direção do agrupamento?
A escola tem de resolver a situação, ou seja, quem está na direção deve olhar pela carga horária destes alunos e arranjar modo de os aliviar nesses dias mais cheios.
ResponderEliminarPor vezes, essas horas que especificou não cabem no horário do professor, neste caso, a própria professora da turma e aí ela não pode fazer nada.
Se for outro professor a dar o apoio, então pode ser que consigam o que os pais querem, para bem das crianças.
O DT pode apresentar a proposta dos pais, na direção.
Quando reli o meu comentário vi que estava estranho. O assunto é interessante, quando disse que não tinha piada era no sentido de ser um assunto grave para os alunos mas que por outro lado a imagem era cómica.
ResponderEliminarPois, o director de turma disse-nos que se foi esse o horário proposto, é porque a direcção já analisou todas as hipóteses, e não encontrou outra. Mas não acredito que vá resultar.
ResponderEliminarA representante dos encarregados de educação vai apresentar as nossas queixas à direcção. Vamos ver no que dá.
Obrigada pela visita e pelo comentário!
Sim, se fosse eu (e se me pudesse dar a esse luxo sem parecer mal ao patrão e correr o risco de ficar sem trabalho), fazia o mesmo. A directora da escola pediu ao Ministério um professor, mas não enviaram ninguém. No primeiro período, resolveram com a utilização da aula de apoio como compensação para todos. Neste período, tomaram esta decisão que, embora com um objectivo nobre de ajudar as nossas crianças, na prática não irá resultar.
ResponderEliminarObrigada pela visita e pelo comentário!
É mesmo isso! Nós, adultos, quando nos "obrigam" a trabalhar mais tempo acabamos por estar mais a preencher o horário do que a ter mais rendimento. Com os alunos acontece o mesmo. A essa hora já estão saturados, ainda mais depois de já levarem com duas horas de matemática de manhã. E isto, partindo do princípio que a professora não irá faltar mais, porque nesse caso, ou preenchem a hora com um professor de substituição que não vai dar matéria, ou vêm para casa.
ResponderEliminarObrigada pela visita e pelo comentário!
Para já, nos impressos que devolvemos assinados, em como tomámos conhecimento, todos escrevemos que não concordamos com o horário proposto.
ResponderEliminarPor outro lado, a representante dos encarregados de educação vai falar em nosso nome com a direcção da escola.
Vamos ver o que se resolve.
Obrigada pela visita e pelo comentário!
Eu percebi! Também achei piada!
ResponderEliminarÉ verdade. O próprio director de turma, professor de educação física, no meio de tanta papelada a entregar aos encarregados de educação na reunião, também disse que hoje em dia perde mais tempo com burocracias do que a dar aulas.
ResponderEliminarHaveria muito a mudar no ensino em Portugal.
Obrigada pela visita e pelo comentário!
Eu quando andava na escola achava um máximo as tardes livres, e manhãs livres.
ResponderEliminarMas agora que sou mãe não sei se acho tanta piada a isso, porque de facto se reorganizarem os horários conseguia-se ter os dias equilibrados o suficiente, não havia dias com poucas aulas e dias de malucos... E nos dias livres o que fazem os pais de filhos ditos pequenos?! Não me refiro ao secundário, mas as crianças do 5 e 6 ano.