Não é fácil mudar qualquer um dos maus hábitos que o ser humano vai adquirindo ao longo da sua vida. Com os hábitos alimentares não é diferente. A vontade de mudar já é muito importante, mas é só o primeiro passo.
E não pode ser, de todo, uma vontade súbita, irreflectida e de curta duração. Desde que passou na televisão a reportagem "Somos o que comemos", que me deparo com várias pessoas nos supermercados a ler rótulos de variados produtos, a evitar comprar isto e aquilo porque só agora (a sério?!) descobriram que faz mal.
Mas, daqui a uns tempos, a reportagem esquece-se, a sabedoria adquirida apaga-se da memória e todos voltam à rotina habitual.
Muitas pessoas iniciam dietas milagrosas (nem por isso), muitas vezes mais prejudiciais do que benéficas, para logo desistirem.
Outras, cumprem um plano alimentar à risca e conseguem perder o peso em excesso que tinham. Durante o acompanhamento pelo nutricionista, gabam aos quatro ventos como é saborosa a nova alimentação, o quão bem se adaptaram e o quão bem se sentem. Mas, deixados por sua conta e risco, voltam à alimentação de outrora. Voltam a ganhar peso, voltam a ter maus hábitos e a não querer saber da sua saúde.
A questão é: o que leva as pessoas a não conseguirem uma mudança bem sucedida?
Em primeiro lugar, nem sempre têm a força de vontade necessária para levar avante a sua resolução. E ficam ainda com menos se as pessoas que as rodeiam não colaboram.
Em segundo lugar, a falta de tempo contribui para que muitas pessoas optem por algo mais rápido, mais prático e, nem sempre, saudável.
E, depois, há todo o meio onde a pessoa se move. Vejamos, por exemplo, crianças a quem os pais tentam educar para uma alimentação saudável.
Se for preciso, e apesar de já haver regulamentação no sentido da promoção de alimentos saudáveis e restrição dos nocivos nas escolas, compram chocolates, ou vão nos intervalos à pastelaria mais próxima comprar bolos, ou à hamburgueria da esquina.
Outras vezes, vão para casa dos avós que lhes compram umas bolachitas bem ao seu gosto, ou um bolinho. Se têm a sorte de lá almoçar, há sempre uma sobremesa à espera.
A minha filha é uma delas! Dias em que está com o pai, são dias para se "estragar". Dias em que está com os avós, são quase todos para comer uma coisa ou outra que não deve.
Eu bem tento que ela se alimente bem. Mas, assim, torna-se complicado!
Falaste tão bem agora...(não é que seja raro)
ResponderEliminarÉ que as pessoas confundem comer de forma saudável com levar a cabo uma dieta. Confundem vida saudável com um par semanas a evitar o alimento x ou y.
Para mudar esses hábitos, dizes tu e muito bem é preciso que as pessoas ao redor colaborem, porque senão só é possível com uma enorme força de vontade (coisa rara).
ResponderEliminarMas quando falamos de colaboração dos outros, eu acho que esses outros têm de ser mais que os familiares e amigos. Eu acho que só se vai ver resultados se for um esforço social. Explico:
As escolas e muito bem, já começaram um caminho com a implementação de ementas nutricionalmente mais equilibradas. A imprensa tem feito algum esforço de informar, mas na realidade a informação chega de forma tão desorganizada que muitas vezes confunde mais do que esclarece.
O primeiro esforço a seguir às escolas devia ser, a meu ver, nos centros de saúde. Com a implementação do enfermeiro de família ou de um nutricionista que acompanhe a família nas várias fazes. No primeiro ano de vida existe um real acompanhamento e tem bons resultados.
Depois que esclareçam o que significa “dieta”: não é o acto de restringir a alimentação para perder peso, e sim a forma como nós comemos. Existe uma grande confusão na cabeça das pessoas em relação a esta palavrinha.
A juntar a isto, os nossos políticos adoram impor normas, então imponham leis que protejam as horas de descanso das pessoas para que exista tempo de se alimentarem durante as jornadas de trabalho. À pressa marcha qualquer coisa (os maus resultados são virão mais tarde, mas é o contribuinte e a economia que paga).
É preciso que as escolas da mesma forma que proíbem o tabaco (e muito bem, apesar de muitas vezes fecharem os olhos) proíbam a entrada de alimentos altamente calóricos, ou que pelo menos mandem recados aos pais a dizer que aquele tipo de lanche não é adequado e dando exemplos mais saudáveis (falamos de uma epidemia então é necessário medidas mais enérgicas).
É preciso normas para a disposição de alimentos nos supermercados.
Folhetos com as alternativas ao bollycao (sandes de queijo), ao refrigerante (àgua), ao Ice-tea (chà feito em casa), às Oreo (um iogurte com 3 bolachas Maria). Eu não sei, só estou a dar palpites, mas fica a ideia.
Devemos proibir todos os doces? Não. Mas reservá-los, para os almoços de fim-de-semana, ocasiões especiais, dias especiais, ou só porque apetece e já não comíamos há duas semanas. Eu tenho educado o pequeno assim, e não tem corrido muito mal.
Tenho o exemplo de um conhecido que vive na Alemanha, que foi chamado à escola por causa da obesidade da filha. Não só chamaram a atenção como encaminharam o processo para ser acompanhado pelo médico e se não existissem resultados o processo era encaminhado para o assistente social. O que acabou por acontecer porque ele queria que a pequena emagrecesse aplicando uma dieta e não mudando os hábitos alimentares da família. Nenhum miúdo obtém resultados quando o obrigam a beber água, enquanto os outros estão a Coca-cola. A pequena chorava e eles davam só um ?bocadinho?.
Por isto acredito que terá de ser um esforço social, entre todos. Não serão sò as pessoas a mudar e sim também a organização das estruturas.
Boa semana!
Eu que o diga! A minha mãe não colabora comigo!
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