Isto das prioridades tem muito que se lhe diga.
É que anda por aí muita gente armada em esperta, e a querer fazer os outros de parvos, para ver se passa à frente das pessoas, com a desculpa da prioridade.
Em primeiro lugar, importa referir que atendimento prioritário e preferencial são distintos. E que o primeiro prevalece sobre o segundo. O atendimento prioritário destina-se a idosos, doentes, grávidas, pessoas com deficiência, e pesoas acompanhadas por crianças de colo. O preferencial é somente destinado a advogados e solicitadores, no exercício da sua profissão.
Estava eu no início da gravidez, ainda sem barriga, quando me vi confrontada com a possibilidade de exercer o direito de prioridade. Mas fiquei constrangida porque, sem barriga, poderiam achar que estava a mentir.
Uns meses mais tarde, enquanto aguardava a minha vez de ser atendida num outro serviço público, dessa vez já com uma barriguita mais pronunciada, a funcionária chamou-me. Logo atrás de mim, veio um solicitador a querer exercer o direito de preferência. Mas não teve sorte, até porque eu teria sempre prioridade sobre ele, estando grávida!
Mas parece que o que está na moda é utilizar as crianças como desculpa para exercerem um direito que não têm!
No outro dia, chegou um casal com um bebé ao colo e pediu para exercer a prioridade. A funcionária explicou que estando presentes os dois (pai e mãe) não podia fazê-lo. A situação resolveu-se depressa: o pai foi embora, e a mãe ficou com o bebé para, assim, usufruir do seu direito!
Outras duas senhoras (mãe e filha, suponho), tentaram a mesma táctica: a funcionária voltou a explicar que só poderia passar à frente com recurso à prioridade se estivesse apenas uma presente com a criança. Depois de duas recusas, uma em cada secção, tiveram uma réstia de bom senso e foram embora.
Ora, havendo duas pessoas, não poderia uma delas ficar com o bebé enquanto a outra tratava dos assuntos? Que pessoas são estas que, havendo possibilidade, preferem levar os seus filhos para este tipo de ambiente, sempre a abarrotar de pessoas, barulho, confusão, só para poderem servir-se da prioridade e resolverem a sua vida mais depressa?
Mas também acontece o contrário! Já vi muitos filhos levarem o pai ou a mãe, idosos, com o mesmo objectivo!
E há quem leve crianças que até nem são suas! Muitas vezes sem os pais saberem, como foi o caso de uma senhora, que levou uma das crianças de quem tomava conta. Outras, com o consentimento destes - pais que fazem disso um negócio e alugam crianças para quem queira utilizá-las, por umas horas, com vista a beneficiar da prioridade!
E o que é certo é que, se alguns batem com o nariz na porta, outros há que conseguem enganar toda a gente, e se vão safando. É assim mesmo - o ser humano naquilo que de melhor sabe fazer!
Este é sempre um assunto polémico e que dá pano para mangas. Pessoalmente, o que me tira mesmo do sério é ver alguém estacionar nos lugares destinados a deficientes, grávidas, mães com bebés de colo, sem cumprir nenhum desses "requisitos".
ResponderEliminarNo atendimento já vi de tudo. Já me fiz valer da minha prioridade enquanto grávida, e já bradei aos céus por cenas a que assisti. Falta sensibilidade a uns, e um palmo de testa a outros...
Vá lá, pior do que isso é oferecerem-te o lugar do autocarro por pensarem que estás grávida quando não estás!
ResponderEliminarMarta, fico perplexa com estas histórias!
ResponderEliminarQuando uma pessoa pensa que já viu muito.. a sério?? Alugam-se crianças?? Isso é a sério??
Isto é um tema muito particular para mim e não consegui deixar de comentar!
1º- Porque sempre respeitei (e respeito) não só o direito à prioridade, face a uma situação especifica, como as comuns regras cívicas e de bom senso que TODOS devíamos ter a sensibilidade para compreender e aceitar, no que toca ao atendimento público.
2º - Quando estive grávida (ao contrário do que pensava) muitas vezes (e já estava eu com um barrigão...) me tentavam passar a frente em filas prioritárias ou fingiam que não viam como estava.
Qual era o problema destas pessoas?
Deviam ser muitos. Mas naquele momento, o principal, é que não tinham noção de que eu faço questão, de nunca me calar em situações destas! E nunca deixei um momento desses passar.
É muito, mas mesmo MUITO triste assistir na primeira fila à ignorância, arrogância e estupidez alheia quando falamos em "filas prioritárias"!
Isso nunca me aconteceu! Mas já acontecer ver algumas mulheres com barriga e pensar se não estariam grávidas. Aliás, nessa altura em que eu estava grávida, havia não grávidas com mais barriga que eu!
ResponderEliminarPor muito que não queiramos, as prioridades são para ser respeitadas. Mas sem trafulhices, claro! É chato estar muito tempo à espera e ver chegar pessoas com prioridade depois de nós e serem atendidas primeiro. Mas é assim mesmo.
ResponderEliminarAinda no outro dia estava numa caixa de supermercado que era prioritária (na altura não reparei), e tive que esperar que a cliente atrás de mim passasse à frente, porque tinha um bebé. Se fosse ao contrário, também iria fazer o mesmo.
Mas parece que para aquelas grandes filas da Segurança Social, andavam mesmo pessoas a alugar os filhos para quem quisesse usá-los durante umas horas para assim exercer o direito de prioridade.
Há situações destas que me irritam tanto. Essa dos solicitadores e advogados não sabia mas quererem passar à frente de uma mulher grávida que falta de respeito. E essa história do pai que se foi embora só para passarem à frente que vergonha.
ResponderEliminarRealmente há pessoas que na minha opinião, fazem figuras ridículas, só para não terem que esperar mais um pouco. Há cada personagem, que se não existisse teria que ser inventada. Essa situação que tu fazes menção no teu texto, na minha opinião é uma situação no mínimo ridícula sem pés nem cabeça e caricata.
ResponderEliminarTambém já assisti a esse tipo de situações na Segurança Social.
ResponderEliminarAté num aloja em que trabalhei na altura do Natal, aquilo estava sempre cheio e muitas vezes na caixa prioritária, que era onde eu estava, muitas senhoras acompanhadas pelas mães e com crianças sem ser de colo solicitavam o atendimento prioritário, quando eu explicava que a criança já não era de colo, que estava acompanhada, e por isso não era considerado um atendimento prioritário era o fim do mundo.
Muitas vezes chamei o meu supervisor, pois essas senhoras não queriam ir para a fila.
Aparentemente a dúvida no caso de crianças de colo a que o texto faz menção acontece em razão de uma interpretação errada da lei. A prioridade no atendimento, nesse caso, é para a criança e não para os pais. É a criança que precisa ser preservada e que não deve permanecer na fila. Nesse caso, pouco importa se está com o pai, com a mãe ou com após. Note-se que isso em nada tem a ver com ter alguém pra segurar a criança ou não. Tanto que a lei fala em "pessoas acompanhadas de criança de colo" e não em pai ou mãe. Restando claro que, em havendo uma criança do colo presente, a prioridade no atendimento deve ser observada. Independentemente de com quem ou quantas pessoas esteja. Visto que isso em nada interfere no direito que a ela, criança, deve ser assegurado.
ResponderEliminarObrigada pelo seu esclarecimento, Fernando.
ResponderEliminarDe facto, os próprios funcionários públicos olham para a prioridade como sendo dos pais, e não das crianças, e olham sempre com má cara, achando que os pais levam as crianças de propósito para ter prioridade, quando as podiam deixar em casa, aos cuidados de outra pessoa, até mesmo daquela que vai a acompanhar.
Eu, que ando constantemente nestes serviços, já vi várias vezes a prioridade ser recusada, com base no argumento de que está mais do que uma pessoa, e uma delas pode ficar com a criança, enquanto a outra espera.
Ola, na data de hoje famos eu e minha esposa com nosso bebe de 4 meses e ao estabelecer no box de atendimento como preferencia fomos recusado, dizendo que nao nos atenderia pelo motivo que havia os pais da crianca e nao uma unica pessoa a ser atendida. Ficamos muito contrariado, pois achamos que o direito é da crianca em ter acesso rapido e nao ficar exposto em local por longo periodo e em condicoes de difuculdade adulta. Mas vamos orientado a ficar na fila de adulto e aguarda ate nossa chamada pois eramos dois com uma crianca.. Revoltante...
ResponderEliminarBom dia,
ResponderEliminarDe facto a informação relatada está errada, não precisa de o acompanhante ir-se embora, pois o objectivo da lei é encurtar o tempo de espera naquela situação, e isso não ocorre com o cônjuge ou acompanhante levar dali para fora a criança. Portanto a lei é clara, a pessoa que está acompanhada da criança de colo, até 2 anos (e não 24 meses, o que significa que os 2 anos são válidos até ao dia anterior a fazer 3), tem prioridade, acompanhada ou não.
Obviamente que há abusos, troca de crianças, etc, esses casos devem ser denunciados, porque aí está-se a transmitir a prioridade a terceiros para claro uso abusivo da lei, e medo generalista de alguém se insurgir e confrontar, mas sim, deve ser feito, e até devem ser chamadas autoridades. Não é para todos, mas é a única forma de combater os abusos.
Cumps.
O que falta é consciência social e as pessoas entenderem que a lei serve para nos proteger não é para tirar advantagem para o nosso proveito próprio.
ResponderEliminarExemplo : 3 pessoas na farmácia, uma chega com um bebé o funcionário passa a à frente, ela podia ter recusado e esperado a vez dela, existem pessoas doentes exaustas e só porque não gritam não quer dizer que devam perder os direitos delas porque outros tomam vantagem de tudo o que os favorece.
E também há grávidas que mal se vê barriga, mas que respeito, acompanhadas ou a acompanhar o pai e a mãe, visto que eles é que trazem compras, e a passarem a frente de todos na fila do supermercado. Logo que chegaram a saída, a grávida foi para um lado e os pais com as compras para outro
ResponderEliminarEu tenho uma duvida:
ResponderEliminarEu e meu marido fomos a conservatoria pegar cada um o seu cartao do cidadao. Estavamos com a nossa bebe de colo, 6 meses. Uma pessoa na fila disse que ou meu marido ou eu teria prioridade!! Nao os dois! Ora!! Entao a criança ia ficar la na conservatória na mesma?? Estávamos juntos e os dois tinha q ser atendido. Nesse caso, como resolve? A lei nao diz nada sobre isso! Fiquei chocada com a falta de bom senso da senhora da fila que ainda complementou a frase: “a criança nao tem pressa, pra que pegar prioridade “???!
Há funcionários que utilizam esse argumento para não dar a prioridade. Já ouvi muitas vezes, a casais com crianças que pretendiam exercer prioridade, dizerem: só podemos dar se estiver só um com o bebé/ criança. Se estão os dois, um deles pode ficar com a criança, enquanto o outro trata do assunto. E o que é que as pessoas fazem? Vai um para a sala de espera, e fica o outro com a criança a exercer prioridade porque assim, só com a criança, já tem direito.
ResponderEliminarA propósito dessa situação, comentava comigo outro funcionário "mas onde é que isso está escrito? a prioridade refere-se a pessoas com crianças de colo, não diz se sozinhas ou acompanhadas."
Portanto, depende muito do entendimento dos serviços, e de quem está a atender. Na Conservatória do Registo Civil aqui da zona, teriam prioridade, sem dúvida.
Mas há que haver um pouco de bom senso também. Qualquer um dos adultos poderia levantar o cartão de ambos, sem necessidade de levar a bebé.