A sério que, por vezes, gostava de ser uma daquelas mães que não se chateia nem se aborrece com a questão do estudo dos filhos para os testes, nem com nada que se relacione com a vida escolar. Acompanhar sim, mas com a devida distância, porque isso é responsabilidade dos filhos, e não nossa.
Mas, feliz ou infelizmente, não consigo ser assim. Foi por isso que, em pleno sábado, em vez de aproveitar com o meu marido para sair, namorar e desanuviar de uma semana de trabalho, já que a minha filha estava com o pai, fiquei em casa a ler a matéria que iria sair no teste de hoje, e a passar exercícios para ela fazer no domingo. E foi por isso que ontem, em pleno domingo com o marido em casa (o que é raro por causa da rotatividade das folgas), e com a minha filha, em vez de aproveitarmos o sol e calor, e irmos até à praia, ficámos em casa, para ela estudar e fazer os exercícios, tirar dúvidas e preparar-se.
Até aqui, tudo bem. Não me importo de fazê-lo se souber que valeu a pena. E até penso que não sou muito exigente, porque a deixei fazer várias pausas: leu a matéria de manhã, foi almoçar com os avós, leu novamente a matéria, foi ao PC, fez os exercícios, parou para vermos um filme. Sempre que lhe perguntava se já tinha estudado e se sabia a matéria, dizia que sim.
Mas, quando lhe vou fazer as perguntas, mostra o contrário. Pior; mostra que se está pouco ralando para o estudo, para a nota que vai ter. Cada resposta, para sair completa, tem que ser puxada a saca rolhas. E no meio de tudo isto enervo-me, porque me parece que não faz o mínimo esforço e não se aplica naquilo que é a única coisa que tem que fazer enquanto estudante. O que me enerva é, de facto, a atitude! E os disparates que lhe saem pela boca fora.
Porque ela até podia não saber, mas mostrar uma outra atitude, de quem ainda não sabe mas vai continuar até saber. Nesse aspecto não sai a mim, que só descansava quando tivesse quase tudo na ponta da língua! Mas ela não. Não sabe, e está pouco interessada em vir a saber.
E não me venham dizer que nem todas as crianças têm a mesma facilidade em memorizar porque se for alguma coisa da conveniência dela (músicas da Violetta, por exemplo), decora tudo num instante!
Confesso que, por vezes, me dá vontade de deixá-la por sua conta, sem stress, e ver o resultado que daí vai sair. Mas depois, enervava-me mais eu pela nota miserável que ela viesse a ter, do que ela própria, e ainda me iria sentir responsável por não a ter ajudado.
Ontem, levou mesmo um valente raspanete, para ver se começa a dar valor à vida que tem, à ajuda que tem e ao esforço que os outros fazem por ela para que ela tenha boas notas e venha para casa tão feliz como na sexta-feira passada, com o Muito Bom que teve a Inglês.
Foi para a cama sentida e eu, triste, por ter terminado a noite e o fim de semana a chatear-me com ela. Mas o que é certo é que hoje de manhã, assim que se despachou, e sem ninguém lhe dizer nada, pegou no caderno para estudar.
Não sei se lhe adiantou de muito. Diz que lhe correu "mais ou menos", o que não é muito bom sinal. Nunca mais acabam as aulas!
Eu sei que a minha opinião não é das mais limpas no cartório, pois afinal eu e a Inês só temos dois anos de diferença, mas eu vou falar disto tentando ser o mais imparcial possível e argumentando como posso.
ResponderEliminarSe acha que deve deixar a Inês estudar sozinha faça-o, e para não correr o risco de ela tirar má nota faça-lhe uma ficha com algumas perguntas.
Na verdade, eu creio que ela tem sorte, os meus pais nunca se preocuparam em estudar comigo e fazer-me perguntas, eu sempre estudei sozinha.
Os resultados foram positivos, tiro boas notas no geral, posso ter uma vez em que o teste não me corra tão bem e a nota não seja a esperada, mas tenho bons resultados.
Eu não sei quais as capacidades da Inês, mas talvez ela consiga, se o resultado não for o esperado não tem de se sentir culpada, se correr bem o mérito é dela e se correr mal a responsabilidade é dela.
Espero ter ajudado de certos forma.
Parabéns por seres Mãe, parabéns por seres forte, Parabéns por seres Mulher! Obrigada por me deixares fazer parte da tua vida e da tua filha!
ResponderEliminarObrigada! E esperemos que assim continue :)
ResponderEliminarÉ complicado! Talvez porque eu sei que ela tem capacidades para mais. E depois, lá está, a atitude. Porque uma coisa é saber que a criança se esforçou mas só conseguiu ter uma determinada nota. Outra, é saber que só teve essa nota porque não quis saber.
ResponderEliminarQuando eu andava a estudar, eu própria estudava sozinha, fazia perguntas a mim mesma e tentava responder. Se não sabia algumas, tornava a repetir até entrar na cabeça. Há pessoas que têm facilidade em memorizar, mas eu não sou uma delas!
ResponderEliminarA Inês tem uma maneira de ser diferente. Nesse aspecto, penso que a Inês tem sorte porque eu puxo por ela. Na verdade, deixo-a estudar sozinha. O que faço é escrever num caderno algumas perguntas sobre a matéria que vai sair no teste, para ela responder depois de ter estudado. E, nessa altura, corrigimos as erradas e vemos as respostas às que ficaram em branco. Depois, já com tudo corrigido, ela estuda por aí e, mais tarde, faço as perguntas oralmente, para ver se ela já sabe responder.
Se acho que devo deixá-la estudar sozinha? Não quero arriscar! Este ano já vieram cá parar vários suficientes, coisa a que eu não estava habituada porque ela sempre foi aluna de 4 e 5. Não quero vir a ter uma surpresa pior!
O problema é que acabo por ficar, de certa forma, sobrecarregada porque o pai dela não a ajuda, e o único dia do fim de semana em que estou com ela, e os poucos momentos livres durante a semana, são para estudar.
E é também um defeito meu, que sofro mais com os testes e os resultados que ela!
Obrigada pelo comentário e pelas dicas, Bella!
Parabéns pela sua dedicação, e tem razão, a Inês tem muita sorte.
ResponderEliminarNa minha opinião o segundo ciclo não é difícil, mas o terceiro são outras histórias!
Posso dizer-lhe que o que me fez ser a aluna que sou foi, o "choque da realidade".
Com isto quero dizer que eu na primária não queria saber, portanto de vez em quando não recebia nota esperada.
Uma vez cheguei a casa com uma negativa e o meu pai berrou comigo, mas disse também uma coisa que nunca vou esquecer que foi:
"Queres divertir-te agora, tudo bem pode ser muito fixe, mas quando cresceres não te vais poder ter essa diversão toda porque vais estar mais preocupada com a carteira."
Eu dei-me conta de tudo, e como na altura era final do ano, quando entrei para o ciclo tudo mudou de figura.
Eu passei a ser uma aluna de 4 e 5, coisa que se mantém até hoje.
Com isto quero dizer que se a Inês continuar com o desinteresse que descreveu acima a média que tem agora pode baixar drásticamente.
Por outro lado, eu entendo o lado dela, quando eu andei no quinto e sexto ano estava constantemente sob pressão e um professor faltava e eu tinha aula na mesma.
Agora mudei de ciclo, e já não há aulas quando o professor falta, o que estou a tentar dizer é que é bastante complicado!
No entanto não justifica lá muito.
Por fim quero dar-lhe de novo os parabéns pela mãe que mostra ser.
Obrigada Bella! E pelo menos em dois testes, já valeu a pena! Tirou as suas melhores notas deste ano a Português e Matemática!
ResponderEliminarA vida de estudante não é fácil. Eu, a partir do 7º/8º ano, comecei a perder o interesse pela matéria e estudar era mesmo uma obrigação. Pior, era decorar tudo para os testes, despejar e a seguir esquecer!
Agora, a matéria é ainda mais complicada. E mais horas na escola. No meu tempo, quando não tinha uma aula podia sair, ir a casa e voltar para a seguinte. Agora, não podem sair da escola, mesmo que não haja aula de substituição. Que normalmente há.
Mas compensa quando vocês vêm para casa felizes por terem tirado boas notas!