quarta-feira, 13 de maio de 2015

Porque continuo em desacordo ortográfico?


Já há uns anos escrevi sobre este assunto AQUI.


Desde então, a minha opinião não mudou. 


E a questão que se coloca não é, como muitos defensores querem fazer crer, a objecção à evolução natural da língua portuguesa; a dificuldade em aceitarmos que a língua está em permanente mudança, e que é isso é benéfico. Que, se assim não fosse, ainda escreveríamos determinadas palavras como há décadas atrás, e que agora já nos esquecemos e consideramos erradas.  


E não me venham dizer que não é a primeira vez que assinamos um acordo ortográfico, que introduziu alterações à forma como escrevemos, e nunca houve tanto alarido como agora. 


A questão é que este acordo não trás uma evolução na língua original portuguesa, mas sim uma adaptação. Uma adaptação a uma única norma, para todos os países de língua portuguesa que, até agora, se guiavam por duas normas distintas.


Só que, em vez de serem os restantes países a adoptarem a forma de escrita do português de Portugal, e assim reduzir as diferenças, foi Portugal a adoptar a forma escrita dos outros países, mais precisamente, do Brasil! 


Como se isso já não fosse suficiente mau, a juntar a todos os estrangeirismos que, aos poucos, vamos vendo serem adicionados ao nosso dicionário, este acordo ortográfico é ainda mais questionável na medida em que continuam a prevalecer, para alguns vocábulos, as duas normas. Quando as divergências não são resolvidas na totalidade. Quando, em palavras em tudo semelhantes, umas mudam e outras não. Quando as alterações podem alterar todo o sentido de uma palavra e de uma frase.


E não me venham dizer que há muitas pessoas a criticar o novo acordo, mas que nem com o antigo sabem escrever porque, se é verdade que isso acontece, agora, ainda acontecerá mais. 


Porque quem já está habituado ao acordo antigo, quase tem que aprender a escrever novamente e, na dúvida, pode achar que todas as palavras a que estava habituado já não se escrevem sabe, e acabar por pecar de tanto querer escrever como manda a nova regra.  


Por isso, sim, continuo em desacordo ortográfico!


 

7 comentários:

  1. Marta, a minha posição é um bocadinho diferente da tua, mas logo postarei sobre isso.
    A questão de sermos nós adaptar a forma escrita dos restantes países (sendo que há uma partilha dessas formas, os brasileiros também se queixam de lhes quererem impôr a "nossa" escrita...), tem unicamente a ver com a questão do número de falantes... no Brasil são muito mais do que nós. Também já fomos a maior potência económica do mundo e agora temos que nos reduzir à nossa insignificância...
    Beijinhos

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  2. Pois, discordo totalmente!
    Até podemos ser uma minoria, mas a língua portuguesa é isso mesmo, portuguesa. Que seja escrita de outras formas consoante os países vão pegando nela, é com eles. Agora tornar essa forma de escrita a regra, em vez da excepção, não aceito. Se alguém tem que se adaptar, é quem faz questão de utilizar a nossa língua.
    Fico à espera do post É sempre bom ouvir e partilhar opiniões, ainda que diferentes das nossas! Beijinhos

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  3. Marta, não é verdade que começaremos a escrever todos da mesma forma: «ótimo» em Portugal, «ôtimo» no Brasil; «de facto» em Portugal, «de fato» no Brasil»; «fato» em Portugal, «terno» no Brasil. E tantos outros casos.

    Trata-se de uniformização, sim, mas muito ligada à forma como as palavras são ditas: dizemos e escrevemos «voo», porque não dizer e escrever «veem»? Já escrevíamos «comboio», então porque não escrever «jiboia» sem acento, já que se diz da mesma forma?

    Há alguns casos criticáveis, sem dúvida, mas não o documento no seu todo. Documento esse cuja leitura recomendo para esclarecer outras tantas dúvidas: http://www.portaldalinguaportuguesa.org/acordo.php?acordo&version=1990

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  4. Mas se as palavras são ditas de forma diferente em cada país, que sentido faz? Que tirem alguns "c" e "p" que não se pronunciam, ou alguns acentos e hifens que não façam falta, ainda compreendo. Mas muitas das alterações introduzidas são verdadeiros "assassinatos" das palavras! Como o pára, que passa a para, por exemplo. E excepções que não se explicam como o manter do hifen em "cor-de-rosa" e cair no "cor de laranja".
    Que haja acordo sim, mas uniforme, pensado com pés e cabeça, e não este que até agora só tem gerado desacordo.

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  5. Olá Marta, eu também não concordo com o AO a 100 por cento, e acho que há coisas que têm de ser melhoradas e esclarecidas, mas de um modo geral acho que muitas alterações fazem sentido. O que me desagrada é ver pessoas a criticar simplesmente recorrendo a exemplos que não existem e sem nunca terem lido o AO, mas já percebi, por alguns exemplos que deste, que o leste.

    Encontrei o teu blogue quando ontem procurava uma imagem para o meu, para um tópico sobre o mesmo assunto, que publiquei hoje: http://vespaaabrandar.blogspot.pt/2015/05/da-obrigatoriedade-do-novo-acordo.html

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  6. :) Não posso dizer que o tenha lido, pelo menos não na totalidade, mas tenho uma filha na escola que teve que adoptar o novo acordo ortográfico, por isso fui obrigada a actualizar-me. E até nos programas informáticos já acusa erro se não estiver escrito conforme o novo acordo.
    Mas, sem isso, fico muitas vezes na dúvida em relação a como se escrevem agora determinadas palavras!
    E, por minha vontade, continuo a escrever à moda antiga! A não ser que me exijam para um determinado texto, única ocasião em que, mesmo a contragosto, abro uma excepção!
    Vou espreitar o teu blog

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