segunda-feira, 8 de junho de 2015

Até que ponto são os castigos eficazes na educação?


 


No outro dia, em conversa com uma amiga sobre os filhos e os castigos, dizia eu a respeito da minha filha:


"Por enquanto, está proibida de ir ao computador. mas, se não atinar, fica sem ver a Violetta.".


E perguntou-me ela: "Mas isso não a vai revoltar e ter o efeito inverso? Sabendo que já não tem nada a perder, não vai ficar sem vontade de se esforçar?".


Ao que eu lhe respondi: "Então, o que é suposto eu fazer? Nada? Deixar andar?".


Não me parece o melhor caminho. É nesta altura que temos que agir, para que as crianças e jovens percebam que não podem fazer tudo o que querem, e que cada acção tem a respectiva consequência, tanto para o bem como para o mal.


 


 


 


Educação não se dá à base das bofetadas, embore confesse que muitas vezes tiram-nos de tal maneira do sério que nos dá vontade de lhes dar uma. Também não se transmite com gritos porque, às tantas, estamos nós a gritar, eles a gritarem mais alto, nós a tentar fazer-nos ouvir, e acaba por ninguém se ouvir. Embora seja verdade que, por vezes, perdemos a estribeiras.


Assim sendo, resta-nos conversar com eles, explicar-lhes o motivo pelo qual estão a ser castigados, e de que forma podem, futuramente, evitar isso.


Claro que temos que tentar adequar o castigo à acção, sem exageros nem benevolências. E, acima de tudo, cumpri-lo. 


 



 


Até que ponto a táctita dos castigos deixa de ser eficaz? Não faço ideia! Nem sei se pode, realmente, ter um efeito inverso ao pretendido. Somos pais. Não somos donos da verdade, nem temos um manual de instruções para seguir.


Privá-los de algo que gostam pode ser uma boa opção. Podem até mostrar que não os afecta nem lhes faz diferença mas, na verdade, na maior parte das vezes, custa-lhes. E muito.


Claro que pode resultar nuns casos, e não resultar noutros. Mas há que, pelo menos, tentar! 

8 comentários:

  1. Na opinião de uma adolescente, desta adolescente pelo menos, os castigos podem revoltar-nos.
    Por exemplo, eu estou constantemente a ser castigada por algo de que eu não tenho culpa de não ser boa, por causa da matemática.
    Eu tenho notas impecáveis, mas quando vamos falar de matemática as coisas mudam de figura, a única disciplina que para mim é uma perdição.
    Por muito que me esforce nunca consigo alcançar o que pertendo, nem o que o meu pai pertende.
    Ora, sempre que lhe digo a nota fico de castigo! Tiro sempre Suficiente, e por isso ele castiga-me.
    Mas houve um dia em que me revoltei porque aquilo que ele estava a fazer não era justo, ele estava a exigir-me aquilo que eu não consigo, quando ele ainda era bem pior que eu!
    Por isso, é que sempre que ele me castiga agora, já nem tem efeito porque já estou habituada.
    Revoltei-me por causa disso, e acho que qualquer adolescente que está constantemente a ser castigado pensa como eu.
    Agora no caso da Inês, as coisas podem ser bem diferentes, pode ser que resulte porque creio que ela não está sempre a ser castigada.
    O mais importante no castigo dela é que ela perceba o porquê do mesmo e percebe que foi justo e merecido.

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  2. Obrigada pela opinião, Bella. Como disse, enquanto mãe, vou fazendo o que posso mas não sei tudo. E as pessoas que nos rodeiam opinam muito, mas só quem está na situação é que sabe.
    Pegando, por exemplo, no teu caso, merecias ficar de castigo se a tua nota fosse o resultado de falta de interesse, falta de estudo, cabeça na lua. Sendo uma dificuldade na disciplina em que, apesar de te esforçares, não consegues tirar melhor nota, não seria merecido.
    Acredito que alguém que esteja sempre a ser castigado se revolte, ainda mais se não considerar justo o castigo. É por isso que é importante conversar, explicar, e também valorizar os aspectos positivos, as conquistas e as vitórias conseguidas. É suposto o "castigo" ser a excepção, e não a regra.

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  3. Tem toda a razão, o meu caso é muito complicado, mas tudo o que disse é verdade! Infelizmente o meu pai não é assim e não pensa da mesma maneira :(

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  4. Olá,
    As pessoas mais velhas, educadas pelo trabalho e sempre a ouvir que estudar é que leva ao sucesso na vida, na esperança de dar o melhor aos filhos muitas vezes caiem em erros.
    Pelo que a Bella descreve parece ser esse o erro. Concordo com a Marta, se os resultados se devessem a falta de interesse e não obtivesse sucesso em mais nenhuma área, o seu pai teria de intervir, mais teria a obrigação de intervir. Parece não é o caso. O que me leva a pensar que a comunicação não é coisa fácil aí por casa.
    Vou atrever-me a sugerir uma coisa:
    Se o seu pai, educado da forma antiga, não aceita a sua opinião, nem a ouve, afinal é “só uma adolescente” que não sabe nada ainda da vida, tente que alguém em pé de igualdade com ele lhe explique que não está a agir de uma forma produtiva consigo. Não sei, se tem algum familiar a quem possa recorrer e a quem o seu pai dê ouvidos. Também tem o recurso de falar com a professora, explicar-lhe que se esforça e até consegue “suficiente” mas a sua “praia” é outra área. Conte-lhe que em casa não consegue falar com os seus pais acerca do assunto, peça-lhe para falar com o seu pai e explicar-lhe que cada um nasce com o seu talento e que não há ninguém no mundo que seja bom a tudo. Até os génios se destacam apenas numa área de conhecimento. Temos grandes matemáticos, a que não se lhe conhece mais nenhum talento, assim como músicos, ou até carpinteiros criadores de verdadeiras obras de arte, …
    E tentar, pode resolver! Tem de ter tacto, porque as pessoas mais velhas ainda acreditam nesta premissa: “A idade é posto”, quer dizer que os mais velhos sabem tudo e os mais novos estão errados. Claro que isto é um disparate mas eles não sabem, e se ofendermos então é que não ouvem ninguém. Paciência, tacto e não desistir pode ser uma receita não só para acabar com os castigos injustos mas também para resolver a maior parte dos problemas da vida.

    Muita sorte!
    Esta mensagem é passível de ser ignorada, afinal meti-me onde ninguém me chamou!

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  5. Educar é definitivamente a coisa mais difícil que me foi proposta pela vida. Um dos grandes problemas é que os resultados não são imediatos, e só nos apercebemos se estamos a fazer bem ou mal com o decorrer do tempo. A vantagem é que podemos ir ajustando, porque até isso ensina os nossos filhos (que na vida nos temos de ir adaptando às circunstâncias).
    Não concordo com a educação à bofetada. Vivi ao lado de uma casa, por volta do início da noite (hora em que o pai chegava), começavam gritos, berros e choros de uma forma desesperada. Ia brincar com as meninas da casa durante a tarde, e tudo era descontraído, aproximava-se o início da noite, começava a ficar o ambiente pesado, o medo instalava-se, eu era obrigada a sair para não criar problemas. Hoje, esses miúdos não são melhores pessoas por isso, alguns são excelentes clientes do psiquiatra. Não fui educada dessa forma. A verdade é que sabíamos do que se passava na casa ao lado e ninguém fazia nada. Podia dizer “outros tempos”, mas estaria a mentir, porque isso ainda ocorre e vezes demais: olhar para o lado e fazer de conta que ninguém ouve ou vê.
    Mas sou a favor dos castigos, em caso de necessidade de traçar um limite na conduta dos petizes, parecem-me bastantes eficazes. Até para dar castigos existe uma arte: ensinar a criança que se ultrapassa os limites do razoável vai haver consequências. Além disso os castigos na fase da infância ensinam a lidar com a frustração e isso vai ser essencial para não existirem “revoltas” quando chegar a temida adolescência. O problema muitas vezes é o caso da Bella, onde o castigo não é bem aplicado. E o constante recurso a ele.
    Cá em casa existe um sistema de pontos. Boas acções (e não se incluem nestas coisas o que é suposto o petiz fazer, como vestir-se) dão pontos extra, más acções retiram. Dependendo do número de pontos nas datas especiais, ele pode ter direito a um prémio ou não (que pode ser aquele brinquedo, ou aquela visita que anda a pedir há muito tempo). Para ter direito tem de ter 50 pontos (10 p/ano de vida). Isto resulta para as coisas simples do dia a dia, como eu pedir para arrumar os brinquedos e ele ignorar. Qual é o problema? Uma altura o meu marido cansado do trabalho e da falta de tempo constante, tirava pontos por tudo e por nada. Demorou a chegar à mesa: tirava um ponto, nem perguntava porquê. O que aconteceu? O pequeno deixou de dar importância, afinal não conseguia estar à altura, para quê esforçar-se. Falei com o meu companheiro. É preciso saber que os miúdos não são perfeitos e nunca vão ser. Nós não o somos, correcto? Saber dosear o que é aceitável do que não é, é essencial. Ter consciência que ser mãe/pai é repetir vezes sem conta a mesma coisa.
    Nos casos mais graves, como: ele no outro dia reclamou com a mãe do amiguinho, porque ela o veio buscar e ele queria continuar a brincar, é preciso algo que marque a situação. Depois de explicado o que fez mal e como é que se devia ter comportado, ficou o fim-de-semana todo sem Tv. Aceitou. Brincou o fim-de-semana todo com os legos, comigo, com o pai, no parque. Parecia que tinha esquecido, mas na segunda perguntou: “Mãe, já posso ver os bonecos?”. E o amiguinho já cá voltou e na hora que a mãe o veio buscar ele já não repetiu a gracinha. Apesar da aparente indiferença com o castigo a verdade é que ele percebeu a mensagem. Deve ser um recurso de excepção e não regra. A palmada além de ser uma educação pela humilhação, não fornece nenhuma ferramenta social importante a não ser a de ensinar a resolver os problemas pelo recurso à violência. A palmada na minha forma de ver, é um recurso da ignorância que antigamente até podia fazer algum sentido, hoje em dia os paizinhos (na maioria) já têm alguma bagagem cultural não precisam de descer tão baixo, podem recorrer à inteligência na hora de educar. Gritar, não é um bom exemplo, mas confesso que recorro a eles. O meu filho já me policia: “Mãe tenho os ouvidos a funcionar”. Sei que é errado, e tento contrariar. Tenho uma longa tradição familiar porque a família paterna era numerosa, todos gritavam para

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  6. Tudo o que escreves-te é verdade e bem dito. A verdade é que depois na pratica, consoante a acção que nos deparamos em relação aos nossos filhos, nem sempre reagimos em conformidade com a teoria correta, mas sim em sintonia com a acção que nos é apresentada e isso não quer dizer que a nossa acção esteja errada. Tentamos educar o melhor que pudemos os nossos, para que eles um dia consigam de modo igual educar os deles.

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  7. E meteste-te muito bem! Pode ser que a tua sugestão ajude, de alguma forma, a Bella.

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  8. Obrigada, Aerdna!
    Estou plenamente de acordo com o teu comentário.

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