Um jovem igual a tantos outros, fruto do amor entre duas pessoas, numa família que poderia ser perfeita, viu-se envolvido num ambiente de risco, com um pai alcoólico e violento, e com um grande sentimento de culpa a pesar-lhe nas costas.
Como é que isso foi possível? Tudo corria bem até que o pai começou a queixar-se que a mãe dava mais atenção ao filho do que a ele, e de como tudo tinha mudado, depois de ele ter nascido.
Começou a beber, e a ser agressivo para a mãe de Joey, desculpando-se em seguida com a pressão do trabalho. Mas logo dizendo que, se não fosse o filho precisar sempre de alguma coisa, já se tinha despedido.
Ora, Joey foi crescendo com a ideia de que, se ele desaparecesse, tudo se resolveria. Foi por isso que, aos 9 anos, fugiu de casa. Esta foi a primeira chamada de atenção para o facto de que Joey não estava bem.
A segunda, foi quando começou a beber! Apesar de não gostar do sabor, fazia-o parar de chorar, esquecer tudo e adormecer rapidamente. Passou a utilizá-lo como anestésico, sempre que os pais discutiam.
Após o divórcio dos pais, que representou uma culpa acrescida, Joey sentia vergonha de se ter tornado igual ao pai. Mas também sentia que não conseguia tornar-se igual ao padrasto.
Quando a mãe e o padrasto o levaram às consultas de psicologia, já ele tinha pensado em suicídio. Embora no início Joey não quisesse ir, acabou por gostar da psicóloga. Mas esta nunca conseguiu chegar até ele, e isso frustrava-a, porque estava a ver o que, possivelmente, iria acontecer se ninguém agisse.
Aconselhou a mãe a não mudar o filho de escola. A mãe não quis saber e fê-lo. Aconselhou a mãe a interná-lo numa clínica, onde poderia ter outro tipo de tratamento. A mãe não quis ouvir. Pelo contrário, achou que o filho já não precisava de mais consultas, porque já não bebia, nem tão pouco de qualquer contacto com ela. Nunca soube que o filho queria, realmente, conversar com a psicóloga e ir para a clínica.
A juntar-se a isto, veio a gota de água. O desapontamento com o pai, que não o foi buscar como prometido, no dia da Acção de Graças. Mais uma vez, pensou que era culpa sua. E não queria mais isso.
A ponte era a solução! Tudo o que Joey queria era paz. Morrer era a forma de a obter. Joey tinha apenas 14 anos.
Por vezes os pais agem como se só eles soubessem o que é melhor para os seus filhos, e não querem ver o que está à sua frente, não compreendem ou ignoram os sinais, fazem orelhas moucas ao que quem pode ajudar tem a dizer. E depois, é tarde demais para encarar a verdade.
"Não acreditei em si. Não compreendi. Eu não sabia", foram alguns dos pensamentos que vieram à mente do padrasto de Joey, quando a psicóloga chegou ao hospital onde, mais tarde, Joey viria a falecer, após o suicídio.
Já a mãe, essa culpou a psicóloga, que deveria ter feito alguma coisa para o evitar, para o fazer feliz. Que deveria ter feito mais do que apenas conversar, semana após semana. Que deveria ter curado o seu filho.
No entanto, esta fúria mais não era do que uma forma de transferir para terceiros, aquilo que ela própria nunca quis ver. E não há pior cego que aquele que não quer ver...
Tão verdadeiro este post.
ResponderEliminarQuantas vezes os nossos filhos fazem asneira e nós fechamos os olhos? Quantas vezes vimos que não andam bem e achamos que é só uma fase?
A minha nunca me deu grandes preocupações, mas ultimamente não a sinto feliz. Tenho a sensação que aquele namoro não a está afazer feliz. Ela conversa muito comigo, mas ainda assim acho que não me conta a verdade toda.
Coração de mãe sofre.
A grande realidade é que nós somos os grandes responsáveis pelas nossas vidas e por resolver os nossos dilemas. Mas é triste,muito triste essa e tantas outras histórias de vida.
ResponderEliminarFelizmente, esta história é apenas ficção, retirada do livro da Nora Roberts "Sem Medo do Destino". Mas, quando li, não pude deixar de pensar que esta história retrata muitas outras bem reais, com as quais nos deparamos no dia a dia, por vezes mais perto de nós do que pensamos.
ResponderEliminarÉ verdade. Muitas vezes passamos a mão na cabeça e desculpamos comportamentos, achando que estamos a proteger. Mas nem sempre é assim.
ResponderEliminarPor vezes, mesmo que não mostrem, os filhos querem precisamente o contrário. Mas não o compreendemos.
É bom quando os filhos sabem que podem contar com os pais. Quando sabem que têm neles um apoio. Mesmo que não queiram conversar, sabem que o podem fazer.
Pior é quando isso não acontece.