sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Quantos mais jovens terão que morrer...


 


...para se pôr um ponto final nas praxes estúpidas e sem sentido que todos os anos se repetem?


Sim, todos os anos, por esta altura, se fala das praxes. E todos os anos, se ouvem vozes que defendem as praxes, vozes que defendem que certos comportamentos não podem ser considerados praxe, e vozes contra qualquer tipo de comportamento que provoque danos, sejam eles praxe ou não mas, curiosamente (coincidência ou não), sempre envolvendo caloiros e veteranos das universidades.


Ah e tal, são uma forma saudável de integrar os caloiros na vida universitária. Sim, algumas podem até ser. Todas aquelas que contribuam para a formação cívica dos caloiros, para a sua real integração no ambiente de uma universidade, para um espírito de equipa, entreajuda e solidariedade.


Mas não me parece que humilhar, subjugar, mandar, agredir, ameaçar ou maltratar, se enquadrem nessa categoria.


Não me parece que obrigar estudantes a enterrarem-se na areia e beber álcool sem parar, se enquadre num tipo de praxe útil para alguém, que não mentes perversas e sem qualquer carácter.


A tragédia do Meco resultou na morte de vários jovens, sem que se tenha apurado qualquer culpado. A culpa morreu, literalmente, na praia.


Melhor sorte teve a jovem de Faro, que foi levada para o hospital em coma alcoólico. Mas podia ter corrido muito mal.


E não me venham dizer que ninguém foi para lá obrigado, e que só participa quem quer. O problema não está em quem participa, de livre vontade ou não. O problema está em quem teve a ideia de praticar tais actos!


Até quando isto vai continuar a acontecer?


Até quando vão permitir que isto aconteça?


Quantos mais acidentes resultantes das praxes serão necessários?


Quantos mais jovens terão que morrer?


 



imagem www.dn.pt


 


 

3 comentários:

  1. Ai não podia concordar mais contigo! Estou fartíssima de ler notícias horríveis sobre acidentes e mesmo mortes provenientes dos tais rituais das praxes, e não ver ninguém a fazer nada em relação a isso! Pelo contrário, é raríssimo encontrar alguém contra as praxes. Pelo menos no meu caso, tenho 21 anos e nunca fui praxada porque nunca concordei com 90% dos seus métodos, e digo já que na minha faixa etária grande parte dos jovens são a favor! E é isso que eu continuo sem perceber! Tenho 3 hipóteses em relação a isto: ou a) Nunca foram praxados e não sabem como é b) Não lêem as notícias c) Já foram praxados e como correu tudo bem no caso deles, pensam que é assim em todo o lado. Mas NÃO É! É esse o problema. Acho que falta a muita gente aquela capacidade de se colocar no lugar dos outros, de ver o problema como um todo, e que apesar de em alguns casos as praxes serem 'decentes' na maioria dos casos não só é degradante e humilhante para o jovem, como põe em risco a sua própria vida! Eu como já reparaste tenho uma opinião MUITO forte em relação a isto, e fico feliz por não ser a única. Porque se toda a gente se juntasse e fizesse algo, podia ser que conseguissem pôr fim a estes rituais humilhantes, e concentrarem-se em "formas de integração" mais saudáveis para os estudantes.

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  2. Lamentável.
    Sou anti praxe. Falei disso ontem no meu blog.
    Não entendo o perigo a que se submetem estes jovens de hoje em dia.

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