Ontem foi dia de reunião e, infelizmente, o tema que dominou não foi nada bom.
Depois das informações da praxe e entrega das pautas de avaliação, o professor perguntou se algum dos pais tinha algo a dizer, que dissesse respeito à turma em geral.
Uma mãe, aproveitou essa ocasião para "largar a bomba" e informar todos os presentes que o seu filho está a ser vítima de bullying por parte dos rapazes da turma, por causa de um problema que ele tem, e que chegou a um ponto em que já está farto, e nem sequer quer continuar a ir à escola. Sai da escola cheio de nervos e dores de cabeça, e chora, mas tem aguentado tudo porque "tem medo de ser rejeitado pelos colegas" e, por isso, prefere deixar eles fazerem o que bem entendem só para que não o excluam.
Uma situação complicada que acho bem a mãe ter denunciado, mas não sei se terá escolhido o melhor momento, local e ocasião para o fazer.
Em primeiro lugar, porque o deveria ter feito primeiro junto do director de turma, logo que teve conhecimento da situação. Como muitos pais referiram, este tipo de situações tem que ser resolvido o quanto antes, e os pais devem agir de imediato, não deixando arrastar a situação.
Ah e tal, quis esperar pela reunião para estarem todos os pais presentes, não tinha o contacto de nenhum dos pais, não tinha o contacto do representante dos encarregados de educação. Mas nada disso justifica que a terrível situação que o filho vive seja adiada. Claro que se põe a questão de a criança não falar por medo de piorar a situação, por medo de represálias, por receio de não ser aceite. Mas será que calar ou fugir resolvem a situação?
Em segundo lugar, porque acusou os rapazes da turma, com os respectivos pais presentes, mas sem nomear nomes, pelo que só deixou os pais em alerta e sem saber se o seu filho é um dos envolvidos ou não. Acho que era desnecessário. Se ela sabe quem são, e pelos vistos, sabe, porque ficou de enviar um email com os nomes para o director de turma quando chegasse a casa, o lógico seria pedir ao director de turma para chamar os pais desses alunos, e resolver a questão com eles, e eles com os filhos. Mesmo que a turma tomasse depois conhecimento, poderia expôr os factos, sem mencionar nomes, e frisar que o assunto estava a ser resolvido com os respectivos pais.
Ainda assim, foi bom ela ter denunciado esta situação, porque ficámos a saber que não é um caso único, apesar de esses outros, aparentemente, terem sido resolvidos com sucesso.
Para além do choque da denúncia, o que mais me irritou foi um pai que se sentou ao meu lado e que, à semelhança da última reunião, passou o tempo todo no telemóvel ou lá o que era, mostrando uma enorme falta de respeito pelo que ali se estava a falar. E, no final, ainda me pediu emprestada uma caneta para assinar a pauta porque não tinha nenhuma.
Outra coisa que me irritou foi a passividade do professor perante a denúncia. Parece-me que é mesmo a sua maneira de ser, mas ficou ali calado a ouvir a mãe, depois vários pais começaram a falar e a debater o assunto, e o professor pouco intervinha. É certo que o professor disse que ia tratar do assunto, agora que ficou a saber, mas esperava vê-lo de imediato a dizer à mãe, e a todos nós, exactamente o que ia ser feito e de que forma iam ajudar o filho, até mesmo para futuros casos com outras crianças.
Em vez disso, pediu à mãe se podia ficar para o fim, para falarem sobre isso, e falou apenas um pouco sobre o bullying em geral. Ou seja, falou de forma básica do que era importante, mas queria tê-lo visto mais activo.
E, depois de umas quantas tentativas falhadas de prosseguir com a reunião para outros assuntos, porque não se impunha e alguns pais intervinham novamente para voltar ao tema anterior, lá deu por finda a reunião, pedindo apenas aos pais dos alunos com planos de intervenção para permanecerem na sala.
Situação terrível para acriança e para os pais. Claro que para os restantes pais não foi agradável ouvir e muito menos ficarem na duvida se os seus filhos estão implicados.
ResponderEliminarVivi uma situação de bullying com a minha filha, andava ela no 8 ano. Logo que soube fui falar com a directora de turma e disse-lhe se ela não conseguisse resolver a situação eu própria iria à escola falar com os envolvidos. Felizmente não foi necessário, porque digo-te que iria lá e ameaçaria os putos e caso continuasse falaria com os pais.
O bullying é realmente um tema muito sensível e complexo... por vezes algumas escolas, infelizmente, ainda não se apresentam devidamente capazes de tratar do assunto... e cabe a todos os outros educadores procurarem proteger e ajudar as crianças vítimas ou agressoras.... é um tema que deve ser discutido e refletido para melhorar futuras intervenções....
ResponderEliminarO director de turma do ano passado, que também pertencia a uma comissão escolar criada também para esses casos, falou várias vezes sobre o assunto, alertou os pais para agirem, as crianças para denunciarem. Até existe uma caixa de correio onde o aluno pode depositar a sua queixa. Existem psicólogos na escola que podem apoiar a criança e ajudá-la a ultrapassar o trauma causado pelo bullying. Mas é verdade que muitas vezes os professores e a própria escola desvalorizam estas situações. As próprias vítimas muitas vezes não percebem que está a ser exercido um determinado tipo de violência sobre eles e da gravidade da situação, e por isso tardam em contar a um adulto.
ResponderEliminarCabe aos pais, assim que tomarem conhecimento, agir em conformidade e dar início a todo um processo, pelo bem do seu filho.
Ora aí está um bom exemplo de medidas escolares que mais escolas poderiam adoptar...
ResponderEliminarBem verdade, os pais são, por norma, os primeiros a perceberem estas situações e, portanto, devem manter-se sempre alerta!