Na noite em que partiste, sonhei que te pegava ao colo, que estavas bem, e que repetia ao teu dono que tinha sido tudo um sonho, que estavas ali, que era real. E, no sonho, dava para perceber que era a minha imaginação a pregar-me uma partida...
Esta noite não sonhei contigo. Simplesmente, dormi, esgotada, depois do primeiro dia de sofrimento sem ti. O teu dono chegou e chorámos juntos. Ele viu-te, em sonhos. Eu, apenas uma imagem de ti, a dormir como uma bolinha de pelo. Não consegui mais ficar na cama. Estava-se a formar um grande aperto no meu peito, e tive que me levantar, sair do quarto e deixar o teu dono descansar.
Vim aqui para o quarto da tua mana Inês, e doeu muito estar aqui sentada nesta cadeira e não estares ao meu colo durante horas, agarradinha a mim, como sempre fazias. Ao mesmo tempo que ia passando os exercícios para ela, ia olhando para as tuas fotografias.
Obriguei-me a comer qualquer coisa. O pão de leite foi sendo comido com lágrimas salgadas à mistura, e estava difícil passar pela garganta, tal era o nó que me apertava a mesma.
A casa está mais fria sem ti, sentimo-nos frios aqui em casa. Eras tu que a aquecias, que lhe davas vida, que a alegravas.
Continuam a chegar palavras de solidariedade para connosco. Sabias que o nosso amigo Mimo, da Mula, também partiu da mesma forma inesperada que tu? Talvez até o tenhas já encontrado por aí.
Não tive ainda coragem de tirar as tuas tacinhas do sítio onde sempre estão. A tua comida continua intacta. A taça da água no mesmo sítio do costume - onde tu costumavas ir "snifar" água da torneira!
O teu dono acordou. Estivemos a conversar e percebemos que habitam no nosso pensamento sentimentos confusos e contraditórios.
Sinto imensa falta de abraçar um gato, de estar com um gato ao colo, de ter contacto com um gato. Mas queria que fosses tu. Só que tu já não estás cá. E é muito cedo. Trazer outro animal cá para casa era estar a substituir-te, ainda mal partiste. Era estar a trair a tua memória. Não quero isso. És tu que eu quero.
E não seria justo para o animal que viesse, esperar que ele agisse como tu, que já estavas connosco há quase 4 anos. As comparações seriam inevitáveis, a decepção podia vir a acontecer. Mas está aqui um vazio tão grande, e há tantos gatinhos a precisar de amor...É complicado, contraditório, estamos a pensar de cabeça quente e perdida, e sem saber para onde nos virarmos.
Fui à cozinha, e dei por mim a remexer a tua caixa, para ver se ainda haveria areia suja para tirar. Não havia. Levámos os teus últimos cocós para o lixo.
Fomos almoçar fora, e tentámos mudar de assunto mas, inadvertidamente, voltávamos sempre a ti e, às tantas, em pleno restaurante, quase me desmanchei. E não aguentei ao ver a tua foto no telemóvel do dono.
Nas compras, evitámos passar ao pé dos corredores dos animais, mas foi difícil não pensar que já não irias estar à nossa espera, quando chegássemos.
Depois de o teu dono ir trabalhar, ganhei coragem, e fui dedicar-me às tarefas domésticas que tinham ficado por fazer. Peguei na tua mantinha, dobrei-a e guardei-a no nosso roupeiro, onde tu gostavas de te esconder! Ainda tem o teu cheirinho. Isso deu-me um novo alento. Guardei-a ali para te sentir mais perto de nós, para te sentires perto de nós.
O problema é que continuo a alternar entre esses momentos mais esperançosos, e a angústia de não te ter mais aqui.
Vem aí mais uma noite. Só te peço que me dês algum sinal de que estás bem, que continues aqui comigo, que não me deixes...
Eu acredito que aos poucos, a dor vá diminuindo. Pensa que ela foi feliz, que ela não sofreu, que ela está bem...
ResponderEliminarQuando um gato meu morreu à minha frente (a espumar, envenenado por alguém), há muitos anos atrás , chorei tanto e disse que nunca mais me afeiçoaria a um, mas fiz mal, estive muitos anos sem um animal, e uma casa sem um animal é muito vazia. Vais ver que daqui por uns tempos vai aparecer um animal a precisar de ti e aí não vais conseguir resistir...
Beijinhos e muita força
Nós também sentimos a casa muito vazia. E por um lado queríamos ter aqui outra gatinha, para alegrar. Mas não é a Tica. E se eu estiver à espera que seja como a Tica, que faça as mesmas coisas que ela. Eu sei que não posso, e é injusto para o gato. E para a Tica...
ResponderEliminarEstivemos a ver na associação Rafeiros SOS e descobri lá uma gatinha de 6 meses que me chamou a atenção - é muito patusca, tem um ar fofo, e em termos físicos é completamente diferente da Tica. Tem ar de Becas. Gostei dela, mas por outro lado não sei se a quero trazer já aqui para casa. Ainda é tão cedo...
Sim acho q se escolheres um gato q seja completamente diferente fisicamente da Tica é bom, porque assim, talvez não haja tanto a tendencia para comparaçoes, para esperares q seja de comportamento igual.
ResponderEliminarÉ o q eu acho também.
Ai Anabela, por aqui passam-se os pensamentos mais absurdos. Por vezes apetecia-me ter uma gata exactamente igual à Tica, como se fosse o prolongamento da vida dela. Mas isto é estúpido e íamos sofrer ainda mais. O melhor mesmo é ser diferente, e esta cativou-me, mas depois acho que preferia que fosse bebé, para se habituar desde nova cá em casa. Depois, já acho que é melhor não, para ser diferente da Tica. Dou por mim a discriminar os gatos quando os vejo - não, este não porque tem agora 3 anos (idade com que morreu a Tica), aquela não, porque é parecida com a Tica, outra não, porque nasceu em Fevereiro, nenhuma, porque não são a Tica...
ResponderEliminar