
Tiquinha, faz hoje uma semana que nos deixaste.
Ainda me custa aceitar que não vais mais brindar-nos com as tuas turrinhas, beijinhos, companhia e brincadeiras.
Mas já me vou sentindo um pouco melhor. A fonte já vai deitando menos água, e menos vezes por dia.
Por vezes, sabe-me bem estar aqui em casa, na casa que partilhámos enquanto cá estiveste, e sinto-me bem. Como se soubesse que também estás ali comigo, como se sentisse a tua presença. Mas claro que ainda dói, quando penso que não te posso ver, nem tocar.
Ontem, enchi-me de coragem e fui estender roupa no quintal. Lembrei-me de quando ias ao meu colo lá fora, e eu tinha que estender e apanhar a roupa só com uma mão, porque a outra era para te agarrar!
Apareceu a Boneca. Dei-lhe o resto da comida que tinha ficado intacta na tua taça. Ela ainda petiscou, mas depois assustou-se e foi embora.
Temos falado muito de ti, e das tuas manias, dos saltos que davas para a parede, como se estivesses a fazer parkour, da forma como te escondias e esperavas que eu passasse para te atirares às minhas pernas, de quando me desafiavas para brincar à apanhada!
E parecemos uns maluquinhos, a falar para as fotografias como se estivesses mesmo ali, em vez de um pedaço de papel.
Continuo a vir cá a casa de manhã, depois de deixar a Inês na escola, e ao almoço. Há hábitos que demoram o seu tempo a perder-se.
Mas sinto falta de me despertares, como costumavas fazer, sempre que eu ficava uns minutos na ronha, em vez de me levantar quando o outro despertador tocava!
Este fim de semana, vamos visitar uma associação de amiguinhos felinos. Vamos ver como nos sentimos na presença de outros felinos. Mas cada vez sinto menos falta de ter aqui uma gatinha por perto. Quem eu queria eras tu. Como não podes estar, ficam as tuas recordações.
A não ser que me pregues uma partida e me faças, involuntariamente, deixar cativar por alguma bichana.
Deixa-te encantar por outro sim. Não penses que estás a substituir a Tica, até porque isso era impossível, pensa que há aí em casa muito amor para dar a um patudo e há muitos a precisar desse amor. Não é um corte com o passado, é uma continuação do amor, mais um membro para a família que terá, PARA SEMPRE, a Tica.
ResponderEliminarMais um abracinho apertado
Cairam-me ainda lágrimas a ler este texto, mas a dor que senti no peito e o aperto no coração foi muito maior ao lembrar-me da minha Tiquinha e a falta que nos faz. Que saudades tenho dela. Muito obrigada por este teu texto Marta! Adorei!
ResponderEliminarVais ver que ainda te vais surpreender. A gatinha é que te vai escolher, pois li, em algum lugar, que são eles que escolhem os donos e não o contrário...
ResponderEliminarboa sorte