segunda-feira, 18 de abril de 2016

E se fosse consigo?


 


Acabei de assistir à estreia do novo programa da Conceição Lino "E se fosse consigo?".


Relativamente à situação apresentada do casal de namorados, em que o pai profere todo o tipo de comentários racistas, é curioso como praticamente toda a gente assiste, incomodada e indignada, àquela cena, mas poucos se intrometem ou prestam solidariedade ao casal.


Quando questionados, depois, afirmam-se chocados, tristes, completamente contra a atitude daquele pai.


A verdade é que nós, de uma forma geral, preferimos não "meter o bedelho onde não somos chamados", nem nos metermos em questões que não nos dizem, directamente, respeito.  


 


 



 


Mais chocada fiquei com a "experiência", se lhe podemos chamar assim, que fizeram com as crianças e duas simples bonecas. Que achem uma boneca mais bonita que a outra, tudo bem. São preferências, gostos pessoais, não se pode considerar racismo gostar mais de louras que morenas, brancas que negras (embora possa estar incutido algum preconceito).


As coisas mudam quando afirmam, por exemplo, que a boneca negra é má. Podem ser respostas inocentes, saídas no momento e sem pensar, mas podem ser exactamente aquilo que pensam. Ou foram ensinadas a pensar. Mas, e quando a Conceição pergunta à menina com quem ela é mais parecida, e se acha que também ela é má...


Algumas pessoas colocam em questão esta experiência ou inquérito às crianças, nomeadamente, se os pais tiveram prévio conhecimento das perguntas que seriam colocadas aos filhos, se foi devidamente preparado e acompanhado por psicólogos, e põem em causa a forma como as respostas poderão ser "manipuladas" ou induzir à mensagem que o programa pretende passar.


Mas será que, tendo os pais conhecimento das perguntas, não poderiam também eles levar os filhos a dar respostas diferentes? Não serão as respostas dadas de forma espontânea, as que mais se aproximam da verdade? 


 


Imagens voxpoptv.com e http://sic.sapo.pt/maissic

14 comentários:

  1. Já tinha visto o vídeo das crianças... elas dizem aquilo porque assim o foram ensinadas. Muitas ficam reticentes. É pena! País preconceituosos criam filhos preconceituosos.

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  2. Os miúdos são sinceros, dizem o que pensam. Acredito que o que tenham dito tenha sido o que realmente sentem.

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  3. São crianças, e já pensam desta forma. E no entanto, têm colegas de diferentes raças com quem convivem diariamente.
    Mas não sei o que será pior: um branco considerar um preto alguém inferior, ou um preto considerar-se, ele próprio, e à sua raça, inferior.

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  4. Também me pareceu que sim. Se não tivesse sido sincero, talvez tivessem ido para a resposta considerada mais correcta, para mostrar que não faziam diferenciação.

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  5. Muitas ficam reticentes quando são colocadas na pele da boneca sobre a qual deram aquelas respostas.

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  6. Acho a segunda pior, nada pior do que sentirmos que não somos suficientemente bons. Eu estava a pensar escrever sobre isto porque fiquei realmente incomodada. Não acho normal que os miúdos se sintam assim.

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  7. São crianças... elas não percebem bem o que estão a fazer. Mas lá esta, é o reflexo dos país.

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  8. Não vi o programa, mas deve ter sido interessante a avaliar pelos comentários. Gostei da sua perspectiva Marta

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  9. Eu, pessoalmente, gosto deste tipo de programas sobre questões sociais da actualidade. Mas há algo em que deveriam pensar, na forma como abordam o tema, nomeadamente, as simulações de determinadas situações. A primeira vez, as pessoas pensam que é uma cena real, e mesmo assim não interferem. Ao ficarem depois a saber que tudo não passou de uma encenação para ver como reagiam, poderá acontecer que, em situações futuras e, essas sim, reais, as pessoas nem sequer dêem importância, por achar que pode ser mais uma "armadilha" para um programa de TV.
    Depois, há sempre aquela questão que se coloca de quão tendencioso o programa pretende ser e, querendo gerar polémica, até que ponto mostram apenas aquilo que serve esse propósito, até que ponto se ficam pelas meias-verdades.
    Sendo um programa de racismo, haveria muito mais a debater, que não apenas o exercido pelos brancos sobre os negros.

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  10. Não posso comentar o programa, pois não o vi. Este é um tema demasiado delicado devido à sua natureza. Vou ver o programa nas gravações!

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  11. A mim parece-me que as crianças estão a ser conduzidas para darem a resposta que eles querem ouvir... Eles não perguntam se há bonecas feias, perguntam qual é a boneca feia, ou seja, estão logo a afirmar que existe uma boneca feia! A mesma coisa com as "más". Dizem que há uma, e perguntam às crianças qual delas é que é a má... As crianças não baseiam a resposta em racismo, elas não são racistas. A maioria respondeu assim porque é o que lhe é "dado" pela sociedade, ou seja, muitos dos bonecos que vêm na televisão e que representam "o mau da história", estão vestidos com roupas escuras, ao passo que os "bons da fita" têm roupas clarinhas, e são muitas vezes louros, olhos azuis, etc.. Penso que se perguntassem às crianças se existia uma boneca má, as respostas teriam sido outras...

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  12. Obrigada pelo seu comentário, Mário!
    E concordo consigo quando diz que, logo à partida, a pergunta é tendenciosa porque indica às crianças que uma das bonecas é feia, e má, independentemente da cor que escolham.
    Seria bom ver esse estudo feito com as perguntas colocadas de outra forma.

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  13. O tipo de perguntas feitas ás crianças revela parte de profissionalismo e agressividade. A maldade não está nas crianças desta idade mas na educação que vem de berço.

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