A propósito do programa Masterchef Júnior, li na capa de uma revista que a família do concorrente Gonçalo está revoltada com o programa.
Não admira! Depois de terem passado aquelas imagens das atitudes do filho para milhões de pessoas verem, é normal que não tenham gostado até porque, neste momento, estão todas as armas apontadas para o miúdo, as críticas não se fizeram esperar, e ele está a ficar conhecido pelas piores razões.
A primeira coisa que me veio à mente, quando li estas palavras, foi "não deveria antes estar revoltada com as atitudes do próprio filho?".
Mas a questão, se bem aprofundada, vai muito além de uma atitude egoísta e baixa de um miúdo.
A verdade é que a televisão "vende-nos" aquilo que ela própria quer, e lhes convém, independentemente de tudo o resto.
Li no blog no Manuel Luís Goucha que, para se gravar um episódio, são precisas cerca de 12 horas, distribuídas pelo fim de semana. Depois, existe alguém que faz uma selecção, edição de imagens e compacta o que acha mais relevante, para transmitir numa hora e meia de programa.
Ora, no primeiro programa, propositadamente ou não, deram destaque ao Pedro Jorge, que desde logo conquistou o carinho da maioria dos telespectadores que assistiram à estreia. E, mesmo sem saber se chegará à final, tornaram-no uma pequena estrela.
Já no segundo programa, mais uma vez, não sei se propositadamente ou não, resolveram dar a conhecer o(s) vilão(ões), a competição desleal entre concorrentes, e centrar todos os holofotes no Gonçalo mostrando, continuamente, cenas onde o mesmo não agiu da melhor forma com os colegas, e mostrou uma faceta que não abona nada a seu favor.
Agora pergunto eu: Porquê? Para quê? Qual era o objectivo? Pôr toda a gente a criticá-lo, a persegui-lo, a discriminá-lo, a insultá-lo? Quem sabe até, a ameaçá-lo?
É que se, ao menos, essa exibição tivesse vindo acompanhada de uma conversa dos chef's com o rapaz sobre a sua atitude, de uma penalização pelo seu comportamento a título de exemplo de que não vale tudo numa competição que se quer saudável...Mas não. Ou, pelo menos, não passaram essa ideia.
Então, não teria sido preferível evitar que essas imagens chegassem até nós? E resolver a questão fora do grande ecrã?
Terão os responsáveis pelo programa alguma noção das consequências que a exibição destas imagens pode trazer à vida da criança em causa e da sua família?
É certo que as crianças, quando aceitam participar neste tipo de programas, sabem que se estão a expôr, para o bem e para o mal, e aceitam todos os termos do contrato. E os pais, se concordaram com a participação, também estão cientes do que ela implica.
Também é certo que a primeira pessoa a evitar que isto acontecesse deveria ser o próprio concorrente, sabendo que estava a ser filmado e que as imagens poderiam chegar a mais gente.
Mas, haveria mesmo necessidade de fazê-lo desta forma? Ou foi pura estratégia para prender os telespectadores ao programa, primeiro através da imagem do engraçadinho e bom rapaz que a todos faz rir, e agora através da imagem do vilão sem escrúpulos?
Não será, esta forma de agir, uma forma de discriminação e bullying? Não haverá um certo tendenciosismo nestes programas de televisão?
Programas e trabalhos na TV realizados por crianças são sempre controversos... deve ser bem refletido e ponderado se as crianças devem ou não participar, eu tenho muitas reticências sobre estes assuntos....
ResponderEliminarTambém eu.
ResponderEliminarPenso que as crianças devem estar psicologicamente preparadas, não dar tanta importância ao facto de ganhar ou perder, mas sim à experiência em si, e ao que poderão aprender com ela, em conviver com outras crianças e, quem sabe, divertir-se e ganhar novos amigos.
Depois, deveria caber a quem faz os programas seleccionar aquilo que vão mostrar e em que medida isso afectará ou não a criança.
Embora tenha sido algo completamente diferente, dei por mim a autorizar a minha filha a fazer um book para uma agência de modelos. Disse-lhe desde o início que não esperasse nada. Que aproveitasse, que se divertisse, mas sem stress. Já valia pela experiência e recordação. Como já esperávamos, nunca a chamaram para nada. E ela nem se importou.
Claro que isto é mais difícil quando as crianças querem muito, quando se trata de um sonho que querem cumprir (o que não era o caso da minha filha).
Mas a vida não se resume nem se decide num programa de tv.
Foi mal do programa e dos pais. Para começar, se lhes dessem educação ele nem teria feito aquelas figuras e depois a produção exagerou no conteúdo passado.
ResponderEliminarInfelizmente são as fofocas, as intrigas, o diz que disse, as provocações que vencem no panorama televisivo.. Até quando estamos a falar de crianças, infelizmente!
ResponderEliminarO que importa é ter audiências, e dar que falar até à semana seguinte. E isso têm conseguido.
ResponderEliminarVamos ver quem será a próxima vítima, seja pelo lado positivo ou pelo negativo.
A culpa é mesmo dos 3 - do miúdo, dos pais e do próprio programa.
ResponderEliminarAgora é esperar que as coisas acalmem. Ao que parece, os colegas que no episódio anterior já estavam fartos do Gonçalo, vão no próximo programa amenizar a coisa e desvalorizar. E logo arranjarão outra criança para evidenciar.
Podemos falar em bulyng televisivo!
ResponderEliminarO que a tvi fez foi isso mesmo, no entanto as pessoas já deveriam saber que o que prevalece neste tipo de programas são as audiências e nesse aspecto os canais não olham a meios!
Sou espectador assíduo do MasterChef e não gostei dessa faceta do miúdo! Dá a entender que um dia calcará o que se meter à frente só para atingir os fins. Precisa de ajuda enquanto a personalidade ainda é moldável! Mas sabes quem são os culpados destas coisas, são os pais que conhecendo o feitio dos próprios filhos, deixam-nos participar num quase reality show! Depois aguentem-se à bronca!
Concordo, claramente.... Muitas vezes, a pressão colocada nas crianças vem da família, que projetam nos pequenos objetivos pessoais e próprios, desenvolvendo uma enorme responsabilidade, para a qual mentes em crescimento não são capazes de lidar....
ResponderEliminarAs reações na rede foram exageradas, como têm sido todas as polémicas que incendeiam a internet. O puto é mal educado, mas não passa de uma criança a fazer batota num jogo, é normal.
ResponderEliminarPara mim a solução é simples, os pais não deviam permitir que as crianças participassem neste tipo de programas/concursos de talento. Os concorrentes são sempre tratados conforme as audiências ditam, são vistos como adereços para o programa e as vidas são enxovalhadas até mais não. Quando se trata de adultos, o problema é deles, quando se trata de crianças, os pais tinham obrigação de os proteger destas situações.
E neste último programa continuou.
ResponderEliminarEu confesso que nunca me irritou tanto alguém num programa ou concurso televisivo, como este miúdo. O que é mau, tendo em conta que é apenas um miúdo.