Durante cerca de ano e meio ocupei um lugar que veio a ser meu, por mero acaso.
No início, nem sequer estava disponível. Depois, o meu nome foi sugerido e passei a ocupar um dos lugares que estavam livres.
Mês após mês, as ideias foram surgindo, a motivação era grande e adorei fazer parte daquele projecto que me proporcionava uma das coisas que mais gosto de fazer - escrever.
Ao longo desse tempo, houve problemas, dissabores, e colegas a sairem pouco a pouco, dando lugar a outros que foram chegando, cheios de entusiasmo.
Durante esse tempo, passámos da total bandalheira, para uma quase ditadura. Ninguém nega como foram importantes algumas das medidas e como foram necessárias algumas decisões, em prol de um bem maior.
Mas o que começou por ser um projecto conjunto, passou a ser um projecto de duas ou três pessoas, que passaram a mandar e desmandar e ter a única palavra possível, recusando qualquer sugestão, opinião ou ideia que fosse contra as suas próprias.
Deixámos de ser todos colegas, para quase termos que obedecer a um déspota que não sabe falar com os outros de outra forma que não seja arrogante, e sempre com uma critica pronta a atirar.
Muitos se insurgiram contra isso, muitos abandonaram o barco, muitos desafiaram e foram corridos. Entre azedas trocas de palavras, expulsões, implicâncias e parvoíces, porque gostava do que fazia, fui ignorando no que a mim me tocava, e continuando o meu trabalho.
Mesmo quando a vontade já não era a mesma, continuei. E novas ideias foram surgindo. Mas, se umas, pouco a pouco, foram cortadas, outras nem sequer tiveram luz verde.
E foi assim que dei por mim a estar envolvida em algo que já não me motiva, que não me deixa ser criativa, que já não me inspira. Todos nós, ao longo da nossa vida, chegamos a um ponto em que percebemos que é preciso partir, e dar o nosso lugar a outros.
Agora, depois de ver várias colegas a fazê-lo, chegou a minha vez de saltar deste barco. Prefiro nadar sozinha para onde bem me apetecer, do que continuar num barco cujo rumo não quero seguir.
Chegou o meu momento de partir, com muita pena minha, porque esperava chegar tão longe quanto este projecto pudesse chegar, e estar lá para celebrar o seu sucesso.
Mas a vida é mesmo assim! Tudo tem um começo, e tudo tem um fim. E eu coloco aqui o meu ponto final...
Quando algo não nos motiva, devemos encontrar novos caminhos, é mesmo assim!
ResponderEliminarBeijinhos
Sim, e fica mais fácil quando não dependemos disso para nada. Beijinhos!
ResponderEliminarÉ mesmo assim, porque teimar numa coisa que já não tem pernas para andar!
ResponderEliminarPois eu entendo. Há mementos em que sabemos que chegou a hora de ir...para outro lugar
ResponderEliminarÉ mesmo.
ResponderEliminarPorque se ficasse, não ia sair do mesmo sítio. Iam aos poucos cortando os braços, as pernas, até não ficar nada.
Ter pernas até tem, mas as minhas queriam-nas cortar!
ResponderEliminarQuando não estamos bem, temos que mudar para melhor. Acredito que mais perdem os tais ditadores do que a tua própria pessoa. Pois tu tens o que provavelmente essas tais pessoas não têm. Tens humildade, coisa que lhes faz falta para aceitarem opiniões, és inteligente, trabalhadora, e tens força de vontade. Tens tudo aquilo que é preciso para alcançar o sucesso em novos projetos, se calhar até muito mais aliciantes, e que gostes muito mais. Era no entanto importante saber o nome do projeto, para não haver mais pessoas a serem enganadas ou deixarem-se iludir.
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