quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A minha primeira "não autorização"

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Está desvendado o mistério acerca da viagem da turma - será a Salamanca e Paris.


Pelo menos, de acordo com o papel que uma outra professora lhes entregou, já que a directora de turma, que foi quem começou por organizar tudo, não sabia de nada!


 


E logo por aqui se vê a organização. Primeiro, a directora de turma envia um recado na caderneta, a falar do mealheiro de turma para realização de uma actividade ou passeio, sem especificar onde nem quando. É suposto os pais assinarem a dar ou não dar autorização para algo que nem sabem bem o que é.


Entretanto, devido ao comportamento da turma, ficou em standby.


Uns dias depois, a minha filha diz que sempre vai haver, e mostra-me a folha com o roteiro da viagem, entregue pela professora de português. Mais tarde, na aula com a directora de turma, esta diz não saber nada sobre o assunto!


 


Mas, adiante. Seria uma viagem de 7 dias, com início em Salamanca, partindo depois para Paris, onde ficariam os restantes dias.


 


A viagem, ao contrário do que poderíamos pensar, não seria feita de avião, mas sim de autocarro. Duas noites, inclusive, seriam passadas em viagem. Iriam apenas 2 motoristas. Não é que faça grande diferença na decisão tomada, mas a verdade é que, se a vontade de a autorizar já não era muita, esta questão só veio aumentar os meus receios.


Já fiz uma viagem de autocarro de Mafra até Sevilha, e sei bem o quanto custam horas e horas de viagem num autocarro. Uma pessoa já não tem posição para estar sentado, quanto mais deitado, e a paisagem não ajuda muito!


 


Quanto à visita, propriamente dita, seria a diversos museus, monumentos, Torre Eiffel, travessias de barco, espectáculos e, o melhor de tudo, à EuroDisney!


 


 


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Sempre autorizei a minha filha a ir aos passeios escolares, de ida e volta no mesmo dia. O receio há sempre, e o perigo também, mas sabia que ao final do dia estava de volta.


Esta será a primeira vez que não vou dar autorização para uma visita de estudo ou viagem, como lhe queiram chamar. E acreditem que me custa muito não deixá-la ir. Não é daquelas decisões que se tome de ânimo leve, até porque sei bem que seria uma oportunidade única, e uma coisa diferente. Por muito que, por nossa conta, queiramos levá-la a esses mesmos lugares, não seria a mesma coisa. Mas o receio fala mais alto. E não consigo satisfazer-lhe este desejo, por mais que ela queira.


Por outro lado, embora seja eu o encarregado de educação, nestas coisas não sou só eu a mandar, e o pai dela também não lhe dá autorização para a viagem. O meu marido também está de acordo com esta decisão.


 


Sim, se formos temer tudo, o melhor é não sair de casa. Sim, há muitos acidentes de autocarro, mas também poderia haver de avião, ou até mesmo um acidente de carro a caminho da escola ou outro qualquer, afinal o perigo está em qualquer lado. Sim, poderia acontecer-lhe alguma coisa lá, mas também pode acontecer cá, à porta de casa se for preciso. Sim, os professores não vão estar lá com mil e uma atenções a cada uma das crianças, mas nem nós, por vezes, como pais o estamos, e acontecem coisas mesmo nas nossas barbas. sei disso tudo.


 


 


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Mas é a minha filha. E eu, simplesmente, não consigo neste momento, e sendo ela tão nova, depositar já a responsabilidade pela sua segurança e vida nas mãos de terceiros. E não, não me sinto mais aliviada e com a sensação de assunto arrumado e posto para trás das costas por ter tomado esta decisão. Acho que vou andar a remoer nisto até tudo passar. Mas foi a decisão que, como mãe, achei mais acertada.

8 comentários:

  1. Fizeste muito bem. Onde já se viu tantas horas dentro de um autocarro?! Isso para mim não são férias.

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  2. Não podemos ter medo mas ao mesmo tempo temos que seguir o nosso coração. A mim parece-me uma viagem estranha. Se era para Paris, o melhor era irem diretamente. Porquê Salamanca antes. E com o estado atual não se pode dizer que seja um destino muito seguro.

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  3. A decisão dos pais é sempre a mais ajustada...
    Tem muito tempo pela frente para visitas de estudo!

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  4. Sim.
    Mais vale custar agora não lhe satisfazer a vontade, do que custar mais tarde se algo corresse mal.

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  5. Pois.
    Tenho a ideia que nos outros anos os alunos têm ido de avião. Era muito mais rápido e, talvez, mais segura a viagem.
    Claro que para eles até iria ser divertido passar a noite em claro, na brincadeira!

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  6. No primeiro dia iam sair daqui às 06h e iam visitar qualquer coisa em Salamanca, que já não me lembro. Depois nessa noite iam de viagem para Paris. Na noite de regresso, também passariam no autocarro. Hotel mesmo só na noite do 2º ao 6º dia.

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  7. Nem sei o que faria perante essas circunstâncias, mas acho que fizeste bem em seguir o teu instinto.

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  8. é dura a decisão. em ambos os sentidos. pois não deixá-la ir deixa-te descansada, não fosse "ela" cobrar-te isso :/

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