quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Copiar e cabular - sim ou não?

Resultado de imagem para cábulas na faculdade


 


Quando eu andava no ciclo, tive uma professora de história que devia ter algum trauma com cábulas e, em dias de teste, a sala ficava de pernas para o ar: ela afastava as mesas umas das outras, colocava os alunos com melhores notas a cantos isolados, verificava o material que tivéssemos na mesa, e circulava pela sala o tempo todo, a observar e tentar descobrir os infractores!


 


Na Faculdade, um dos professores do meu marido vai mais longe, e pede para eles terem na mesa apenas a caneta, ficando tudo o resto (mochilas/ estojos) a um canto da sala. Também lhes pede para tirarem relógios e afins. E faz rondas pela sala. Dizem os que já conhecem bem o professor que "com ele, não há hipótese para cábulas". Os resultados não se fazem esperar. Baixos.


Por outro lado, também informaram os que agora chegaram que, com um outro professor, "pode-se copiar e cabular à vontade, desde que não se dê muito nas vistas, ele não diz nada". E assim foi! Alguns mais discretos, outros mais "à descarada"! Se resultou? Claro que sim! Alunos que tiveram receio no primeiro teste, mas se arriscaram no segundo subiram a nota. Alguns, inclusive, passaram de uma negativa fraca para um nota acima de 16!


 


 


Resultado de imagem para cábulas na faculdade


 


De acordo com alguns estudos, 70% dos alunos copia ou faz cábulas nos testes. Apenas, cerca de 2% é apanhado. Poder-se-á dizer que "o crime compensa"?


Sim, tendo em conta que a maioria não é apanhada nem sofre qualquer tipo de penalização, compensa. Mesmo que esteja à vista de todos que aquela nota não foi alcançada graças ao estudo, não sendo apanhados no momento, não há como provar que fizeram algo de errado. Mas, muitas vezes, o professor vê, e não diz ou faz absolutamente nada, ao género "não me tramem, que eu também não vos tramo".


 


 


Agora, o que leva os alunos a optarem por estes métodos de desenrasque?


Muitas vezes, o puro comodismo, a falta de vontade de estudar e a pouca preocupação com aquilo que ali estão a fazer.


Outras, o simples facto de ser impossível memorizar tanta matéria junta em tão curto espaço de tempo, quando os professores estiveram anos para o fazer.


Alguns alunos consideram que o que interessa é passar na disciplina, e concluir o curso. Depois, o resto vai-se vendo e aprendendo com a experiência, ou consultando os livros, com tempo e calma.


O facto de os professores nada dizerem ou fazerem para impedir os alunos de copiarem/ cabularem, também incentiva a que os mesmos recorram a estes métodos.


 


É justo para quem não o faz?


Não. Não é justo.


Embora qualquer um possa fazer (só não faz quem não quer), há alunos que, simplesmente, não têm jeito para isso, não conseguem disfarçar sabendo que estão a fazer algo que não é correcto, ficam nervosos e dão nas vistas, correndo o risco de ver o teste anulado.


E há alunos que defendem que, ou se sai dali a saber, ou não se está apto para exercer, e nesse caso não vale a pena.


Por conta dessa atitude, ficam retidos em determinadas cadeiras, enquanto que os seus colegas se safam, e seguem em frente.


 


Se é correcto fazê-lo?


Não, não é.


Mas não o faríamos todos, se soubessemos de antemão que não seríamos apanhados e que, com isso, pouparíamos tempo, dinheiro e preocupações? Talvez não...Mas isso já é um problema nosso.


Seja por falta de vontade dos alunos em empenhar-se, ou porque o ensino actual assim obriga, a verdade é que vivemos na era do "salve-se quem puder e como puder". E, enquanto não se colocar um travão, e se for permitindo ou alimentando estas práticas, elas continuarão a ser usadas, para o bem de uns, e injustiça de outros.


Se, por um lado, condeno quem recorre a estes métodos, por outro, penso que deveriam todos fazê-lo. Afinal, se quem está lá dentro permanece cego e pouco se preocupa, porque havemos nós de o fazer?


 


Pessoalmente, penso que nunca seria capaz.


 


E por aí, qual é a vossa opinião? 


 


 


 


 


 


 


 

8 comentários:

  1. Cabular sim, porque ao fazer as cábulas, estamos a interiorizar e resumir a matéria, nem sendo necessário utilizar as mesmas no decorrer dos testes. Copiar. não!
    Beijinhos

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  2. O problema é que as utilizam nos testes. E nem é preciso escrever nem memorizar: é através de telemóveis, tablets, auriculares, relógios e outras técnicas mais avançadas!
    Já lá vai o tempo em que resumíamos a matéria em apontamentos com letra minúscula :)

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  3. Nunca tive espírito de batoteira mais por medo de ser apanhada do que por ética lol (os garotos e a ética ainda não têm grande relação).
    Na minha opinião o que está mal é a forma como é feita a avaliação.
    O conhecimento que deve ser avaliado não se consegue apresentar copiando, mas sim criando e respondendo a situações concretas 🙂

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  4. Eu também já estou naquela de mandar a ética à fava!
    À custa disso, ficam alguns com cadeiras para trás, a ter que pagar para ir a exame ou repetir a cadeira, e os outros já se safaram.
    Cheguei a dizer ao meu marido - preocupa-te em passar. Os conhecimentos tens tempo de ir assimilando mais tarde, sem pressão!

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  5. Evidentemente que não...É um péssimo valor que se transmite aos miúdos. Não é porque todos o fazem, que nós também vamos fazer. Saber pensar por si é muito importante.

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  6. É assim. Na minha primeira licenciatura, de História, fartei-me de copiar. Eu e muita gente. As folhas de rascunho eram folhas em branco que não levavam carimbos nem assinatura. Por isso era fácil esconder as nossas folhas com a matéria levada de casa e trocar pelas folhas em branco. Acho que os profs faziam de propósito. Se não levássemos uns tópicos quase ninguém passava.
    Na minha segunda licenciatura, na área da saúde, recusei-me por uma questão ética a fazer tal coisa. Se na primeira era impossível meter tanta coisa na cabeça e não importava se a matéria estava lá ou não porque na prática usa-se a investigação recorrendo a livros, na segunda já implicava a saúde das pessoas.

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  7. e há conhecimentos transmitidos cuja utilidade é duvidosa ;)

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  8. Vim aqui parar a pesquisar assuntos relacionados com cábulas porque estou numa revolta interior muito grande. Nunca cabulei e, por isso, não também nunca me preocupei muito com o tema até começar a reparar que quem o fazia se saia muito bem.
    Tive um teste de contabilidade a semana passada, estudei mas estava doente e correu-me bastante mal, tive 3 valores... É triste mas o que me dói mais nem é a minha nota, é o facto de na pauta existirem 13,14 e 15's que são frutos de cábulas (POR CERTO), de gente cuja preparação era muito inferior à minha. Isto enfurece-me de uma maneira gigantesca, de agora em diante irei cabular sempre que puder!!!

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