
Vi ontem a primeira semifinal do Festival da Canção, que passou no domingo na RTP.
Não gostei. Já tinha ouvido algumas críticas acerca desta gala, mas quis ver pessoalmente, e foi uma total desilusão.
Se é verdade que, há muitos anos atrás, o país parava para assistir a este evento (eu sou desse tempo), à semelhança do que acontecia com a eleição da Miss Portugal, actualmente as pessoas nem se cansam a ver que músicas nos vão representar, porque nunca passam de "mais do mesmo", e nunca nos levarão a lado nenhum.
O Festival da Canção 2017 prometia ser inovador, diferente, uma "lufada de ar fresco" com estilos diferentes, jovens talentos com vozes fenomenais, alguns dos melhores compositores, um outro sistema de voto, e por aí fora.
Não o considerei inovador. Vi, sim, um espaço e iluminação a fazer lembrar os festivais de antigamente, para não falar da quantidade de memórias que foram buscar desses tempos, dois apresentadores que pareciam não estar minimamente à vontade no seu papel, com discursos forçados, e com a Sónia constantemente a cortar a palavra aos jurados, sempre que se prolongavam no discurso, e o Malato a falar tão devagar que mais parecia ter-se esquecido do guião, ou estar ali em convalescença. Só por aí, já se tornou uma gala enfadonha.
Mas o que estávamos ali a eleger era a música ideal para nos representar e, nesse sentido, o que mais contava seria as músicas apresentadas. Esse mérito cabia a compositores e intérpretes. E, também aí, na minha opinião e de uma forma geral, falharam.
Falharam os compostitores, quando aceitaram este convite como uma forma de promover as suas canções e o seu trabalho. Falharam ao compôr músicas que, segundo os próprios afirmam, não foram pensadas com o objectivo de ir ao Festival Eurovisão da Canção.
Falharam ao não aproveitar o potencial máximo das vozes dos intérpretes que escolheram, e ao criar músicas que em nada se adequavam às mesmas.
Falharam ao compôr o mesmo género de músicas que já estamos fartos de ver o ouvir neste tipo de concurso, e que sabemos que chegam lá fora, e são imediatamente eliminadas.
Queriam mostrar-nos um Festival da Canção inovador, e falharam totalmente.
Quem conseguiu acompanhar o mesmo sem mudar de canal, sem adormecer, sem se arrepender do tempo perdido, está de parabéns!
O que eu achei das músicas?

Gosto da voz da Márcia, e a música, ouvindo várias vezes (várias mesmo), até entra no ouvido e consegue ser bonita. Para o Festival não era, de todo, uma boa canção. Nada de novo.
Quando ouvi as Golden Slumbers, pensei: "esta dupla terá sucesso se cantar este género de músicas em inglês". Aqui sim, um género diferente, que gostei, mas que talvez não convença lá fora. Ainda assim, fiquei fã.

O que dizer do Fernando Daniel - pessoalmente, acho a música horrível, e não me entra, de todo, no ouvido. No entanto, tendo em conta o género de música que costuma ser mais votada lá fora, pareceu-me uma boa candidata.
A Deolinda foi outra excelente voz, desperdiçada na música que lhe calhou. Tal como o tema de estreia da Deolinda, também este não soa bem, e é rapidamente esquecido.
A canção que o Rui Drumond levou é bonita, poderia facilmente passar nas rádios e fazer sucesso em Portugal, e ele tem uma grande voz mas, para nos representar lá fora não era a mais adequada.
Finalmente, tivemos algo inovador nesta gala que estava a seguir o mesmo rumo, canção após canção - Lisa Garden! Inovou por ter trazido ritmo e inovou por se apresentar a cantar em inglês. Pessoalmente, não achei a música nada por aí além, e até mesmo em termos de interacção com os bailarinos, a Lisa poderia ter-se mexido mais (talvez o vestido não o permitisse). Mas já vi músicas piores serem bem pontuadas na Eurovisão, e seria uma aposta diferente!
"Amar Pelos Dois" chegou-nos pela mão dos manos Sobral. Confesso que não conhecia o Salvador, e fiquei surpreendida com a forma como ele interpretou o tema. Adorei! Estou curiosa para ouvir as suas músicas. No entanto, não me pareceu também uma boa arma para levarmos a Kiev.
Por último, os Viva La Diva. Gostei da música, embora não saiba se a Kika, sozinha, não estaria melhor. A mistura das vozes não me convenceu totalmente. É uma canção forte, que pode vir a ser escolhida na final.
Pontos negativos:
Em quase todas as músicas, tive dificuldade para decifrar a letra das mesmas e, em muitas partes, parecia que estavam a cantar em inglês.
A falta de isenção de certos jurados que, segundo consta, andavam a promover os seus favoritos, nas redes sociais, durante o decorrer da gala.
Pontos positivos:
As Patrícias, que deram um toque diferente às músicas para as quais fizeram back vocals.
Imagens RTP - Festival da Canção, TVMais, NiT
Olás Marta! Curioso que partilho exatamente da mesma opinião. Houve músicas que não percebia o que estavam a dizer, nem em que língua o estavam a fazer!
ResponderEliminarFaz falta uma música de festival, muitas eram bonitas, mas não para o propósito em questão...
Também , não gostei!
ResponderEliminarAinda, falei nisso ontem no blog.
Havia, grandes cantores, boas letras, mas falhou na composição das músicas, as melodias eram muito sem sal.
Espero, que a próxima fase, seja melhor, se não vamos levar 0 pontos.lol
Não vi, apenas ouvi 3 musicas num blog. Não gostei de nenhuma.
ResponderEliminarLá vai o tempo em que era um acontecimento que ninguém perdia.
O facto de não se perceber tem a ver com o som que estava péssimo. Tal como em algumas músicas em que ouvimos demasiado o instrumental por exemplo. Sempre bem a RTP
ResponderEliminarO não se ouvir, a razão era simples: cantores que estão habituados a ter o computador a fazer a ligação da voz com a música.
ResponderEliminarNo caso da Márcia e da Deolinda notou-se muito bem que se sentiram perdidas ao ouvirem a voz aos phones. No caso do par de raparigas, elas ter-se-ão esquecido que precisavam de colocar a voz, em vez de estarem a falar "uma para a outra".
No caso do Francisco, ele soube colocar a voz sem medo. O mesmo fez o Rui, com uma música que mais parecia introdução daqueles coros de igreja. A rapariga que cantou em Inglês, pareceu assustar-se com algo que se passou no público ou na mesa dos jurados, durante a parte dos bailarinos. A voz dela fraquejou a partir daí. O Salvador tem voz para músicas de bar... para o festival teria de mudar muita coisa naquela actuação, começando pelo ritmo da voz.
O trio, foram os que conseguiram ter um desempenho ao estilo de festival. Talvez, como no caso do Fernando, precisassem de mais alguém em palco, como um instrumento ou um par de bailarinos. Estranhamente, o júri não ligou nenhuma a essa parte. Pelo menos em casa, deram-lhe a vitória com toda a justeza.
Acho que o principal problema é que os compositores acharam que isto é um programa ao estilo "domingo à tarde", porque bastava ver os cantores e compositores que conseguiram pontos na Eurovisão, que é preciso mais alguma coisa. Se os Homens da Luta ficaram a 1 ponto de passarem à final europeia, porque é que músicas feitas por compositores de renome e cantores com excelentes vozes, ficam nos 2 últimos lugares das meias-finais? Porque falta a presença de palco que chame a atenção. E basta um cantor ter uma viola ou representar com coro ou bailarinos, que se consegue essa atenção. Nesta semi final, os que usaram isso... foram eliminados. Depois acham estranho termos 0 pontos numa semi final...
Concordo muito com a tua opinião.
ResponderEliminarAlgumas musicas até eram bonitas, mas não adequadas. Faltou alegria, cor, dança, nos interpretes porque no estúdio até estava bonito o cenário.
Eu a torcer para que a Lisa Garden se mexesse mais, mas aquele vestido não dava e nem ficava bem com os sapatos, mas foi , na minha leiga opinião a melhor, e sendo interpretada em inglês tinha logo outra sonoridade.
Pode ser que as próximas melhorem um pouco...
Parabéns pelo merecido destaque!
Confesso que sabia que o Fernando Daniel ia concorrer mas não sabia que já tinha dado na tv, nem vi.
ResponderEliminarAcho que, normalmente, o nosso forte costuma ser as letras e não o ritmo. O que faz com que nunca fiquemos numa boa posição mas se nem as letras se percebiam, então ainda estamos pior este ano.