
No outro dia, conversava com o meu marido sobre o sentimento de superioridade de boa parte dos licenciados, que se acham mais que os outros só porque andaram numa universidade a estudar não sei quantos anos, e têm agora o título de Dr.
Mas, o que lhes dá esse direito de acharem que, por esse motivo, são mais que os outros? O que são eles a mais que eu, ou que o "zé da esquina"?
Todos precisamos uns dos outros, todos temos a nossa missão, e todos contribuímos com aquilo que melhor sabemos.
E até os "doutores" precisam do homem do lixo, da empregada do supermercado, do eletricista, do canalizador, e por aí fora. Porque sem estas pessoas, e muitas outras, de nada lhes serviria ser "doutor".
O pior, é que esta mania da superioridade está a alastra-se até mesmo àqueles que ainda nem o curso terminaram, ou nem sequer começaram! E a muitos funcionários que, não sendo licenciados, mas tendo cargos administrativos, acham que são mais importantes que o porteiro, a cozinheira, a mulher da limpeza ou o segurança da empresa.
Se querem tirar uma licenciatura, mestrado ou doutoramento, façam-no porque é algo que realmente gostam, e porque sentem que será útil para essas pessoas e para a sociedade. Não pelo simples facto de isso equivaler a um título, e por acharem que isso significa ter direito a tratamento especial.
A sociedade precisa menos de "doutores" e afins que se gabem daquilo que estudaram, daquilo que ganham, dos títulos que adquiriram, e mais de profissionalismo, atitude, ou seja, menos conversa e mais acção.
Porque o melhor profissional, seja em que área for, não é aquele que apenas fala e se gaba, esperando o reconhecimento de todos à sua volta, é aquele que age de imediato, sem esperar nada em troca!
E a questao da humildade! Devia ser um criterio base em tudo. No entanto, e sem querer contrapor o teu texto que acho muito justo, no meu primeiro emprego e enquanto recem-licenciada passei pelo processo inverso e do despeito pelo meu posto vindo de quem nao tinha nem as minhas competencias nem a minha responsabilidade. O mais engracado e que se me maldiziam o titulo nunca corrigiam ninguem que lhes desse o mesmo titulo por engano.
ResponderEliminarObrigado pelo texto!
Margarida
Olá Margarida!
ResponderEliminarSim, também há quem olhe de lado e sinta, sem que o outro tenha feito nada para tal, o sentimento de inferioridade. E resolva ultrapassar ou lidar com isso com base no despeito e desvalorização do trabalho dessa pessoa.
A propósito da troca de títulos, havia uma notária que, sempre que me via, me dizia "Olá Dra., como está?", e eu respondia "Estou bem, obrigada! Mas não sou dra., sou só administrativa." Isto repetiu-se tantas vezes que, às tantas desisti de corrigir!
Mas nunca senti necessidade de tirar um curso superior, ou me senti inferior por não o ter, quando comparado com familiares que o fizeram, ou colegas minhas de liceu.
Uhg. Isso é uma coisa que abunda em Portugal e é uma maniazinha bastante irritante!
ResponderEliminarMesmo!
ResponderEliminarMarta, subscrevo cada palavra tua.
ResponderEliminarBeijinho