terça-feira, 21 de novembro de 2017

Como é que uma mãe se prepara...

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...para uma possível retenção escolar de um filho?


 


Quando os nossos filhos vão para a escola, e começam a tirar boas notas, ficamos felizes da vida, achando que está tudo encaminhado, e vai sempre correr tudo bem.


Nessa altura, só nos preocupa o facto de uma ou outra nota baixar um pouco em relação ao habitual, mas temos esperança que tenha sido uma vez sem exemplo.


 


Quando a responsabilidade começa a ser maior, e o número de disciplinas também, aumenta o receio de que as coisas possam mudar. Mas, quando chega o primeiro teste com nota negativa, é sempre um choque! Porque não estamos habituadas a isso, estamos acostumadas às boas notas, e apanha-nos totalmente desprevenidas.


 


Passado o choque inicial, o impacto provocado pelos próximos testes negativos causa menos estragos. Até porque vão alternando com positivas, e os professores são generosos e até dão boas notas no final.


 


Entrei neste ano lectivo da minha filha, com a noção de que seria um ano difícil, e que ela poderia não estar preparada para algumas disciplinas, nomeadamente, História. Iniciámos, cientes de que a possibilidade de vir a ter negativa a esta disciplina poderia ser real. 


A verdade, por muito que nos custe, e apesar de ser este o "trabalho" deles, é que as crianças não têm obrigação de ser boas a tudo. Há disciplinas para as quais terão mais aptidão que outras, e isso não é caso para desespero. E uma negativa não impede a passagem de ano.


Claro que também entrámos com o espírito - vamos lá dar tudo o que temos, e conseguir o melhor possível. Assim, depois de umas notas bem melhores que no ano anterior, nos primeiros testes, surge a primeira negativa - a História, como já esperávamos. Não custou tanto, porque já era algo para o qual estava preparada.


E, aí, surge a segunda negativa, a Físico-Química. Mais uma bofetada, mas vamos lá encher-mo-nos de positivismo, para contrariar e dar a volta a estes resultados.


 


Até que chega a avaliação intercalar e...três negativas - aquela a que ela tem-se safado sempre, e que eu não condeno, porque também para mim era sempre o meu calcanhar de Aquiles - Educação Física.


De um momento para o outro, percebemos que um filho está em risco de retenção. Claro que ainda estamos no primeiro período, que ainda foram só os primeiros testes e tudo pode mudar, e que os professores não iriam, provavelmente, reter um aluno assim, sem ponderar onde poderiam puxar uns cordelinhos.


Mas eu não gosto do incerto.


 


Tentámos perceber em qual destas disciplinas haveria mais hipóteses de recuperar. A História, dificilmente. Educação Física, tendo em conta o professor deste ano, idem. Se até aos rapazes que sempre tiveram boas notas, foi parco na avaliação. Resta-nos a Físico-Química. E tentar não baixar nas restantes, o que também já começa a ser complicado de gerir.


Os próprios professores já avisaram que eles podem contar com cada vez mais dificuldades, e que os testes não serão mais fáceis, pelo contrário. 


 


Os segundos testes já estão aí, e já houve baixas, embora dentro da positiva, que me deixaram em alerta máximo.


É estranho, porque a minha filha não é daquelas crianças que segue o modelo da estabilidade, dentro do que é pedido. Ora tira grandes notas, ora tira notas fraquíssimas. É capaz de tirar 80/90 a determinadas disciplinas, e 20/30 a outras! Anda sempre em picos, em altos e baixos, o que só prova, mais uma vez, que não é uma questão de dificuldade geral, é falta de aptidão, motivação ou interesse, por algumas das disciplinas que lhe são impostas.


 


Sim, é só o primeiro período. Mas dou por mim, consciente ou inconscientemente, a preparar-me para uma possível retenção escolar. E de que forma é que isso me afecta? De que forma é que encaro essa possibilidade?


E, mais importante, em que é que isso a afectará?


 


Vai perder os colegas que seguirem em frente, e começar de novo no que respeita a integração numa nova turma.


Vai perder um ano de estudos, mas há tanta gente que os perde em determinadas fases da vida - seja em anos sabáticos, a fazer disciplinas que ficaram para trás, à procura de emprego. 


Vai ouvir tudo de novo, e talvez consiga perceber melhor e adquirir os conhecimentos que faltaram no ano anterior. É para isso que serve, afinal, a retenção, e não para andar lá mais um ano a passear, como muitos fazem.


 


Se isto significa que estou resignada? Nem por isso. Nem quero, porque senão daqui a pouco dou por mim a achar normal duas ou três retenções!


Continuo a insistir com ela para que dê o máximo que consiga, para que safar-se, nem que seja com duas negativas mas, de preferência, sem elas.


Mas que já vi essa hipótese mais remota, não posso negar...


 

12 comentários:

  1. É tão difícil!
    E nós, pais, sofremos horrores com a nossa impotência.
    Beijo grande, Marina

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  2. Olá Marta. Desde o 5.º ano que venho a sentir que o meu filho irá repetir o ano. Já está no 9.º ano e o 8.º passou devido à assembleia escolar conceder-lhe a passagem. disse à DT daquele ano que se me perguntassem eu diria que: "-Não, o meu filho fica retido." E até dias atrás ele tinha-me dito que ia reprovar. Agora, neste momento, vejo que o meu filho está "minado de negativas" e depois é a exigência e depois é a cara de má e depois...Agora pergunto se com os acontecimentos a trás temos, EE's e profes, algum direito à criança para exigir? Para forçar o andamento que foi negado pelo escola?...Eu falo por mim.

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  3. Acho que nenhum pai se encontra preparado para essa realidade.
    Já pensaste em dar-lhe acompanhamento especial nessas disciplinas, explicações ou uma forma mais divertida de estudar podem ajudar.

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  4. Se eu vejo que a minha filha se esforça, e até sabe, mas chega aos testes e a coisa descamba, o teste era difícil, e não havia forma de ter outro resultado, não me chateio com ela. Custa-me, e ando a remoer para mim aquilo, mas não a posso culpar. Se os professores não sabem/ podem minimamente dar a volta de forma a motivar, ou se ela simplesmente não tem jeito para determinados desportos, ou não percebe nada de fórmulas, não a posso culpar.
    Apenas a posso responsabilizar se ela nem sequer se preocupar ou fizer um esforço.

    Se é preferível ficar retida? Por um lado, ao passar por "favor", pode sentir ainda mais dificuldades no ano seguinte. Ou não.
    Mas cada vez mais me revolta o ensino dos novos tempos, e se ela puder passar e livrar-se o quanto antes dos estudos, para poder depois, quem sabe, dedicar-se a algo que realmente goste, melhor.

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  5. Talvez se eu já tivesse passado pelo mesmo, me custasse menos. Acabo por sentir mais as coisas que ela própria, talvez pela impotência de não a poder ajudar mais, sem que isso implique deixar de fazer tudo o resto que me compete, e mesmo assim há matérias sobre as quais ainda estou pior que ela.
    Mas não é o fim do mundo, nem implicará um futuro mais negro por isso. E cada vez me convenço mais que há coisas muito mais importantes que se devem valorizar.

    Beijinhos

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  6. A História, isto já vem vindo desde o 5º ano, umas notas altas, outras negativas, no geral tinha 3 e, para nosso espanto, até um 4! História é daquelas disciplinas que ou se gosta, ou se detesta. Que ou decora, ou se percebe. E ela, nem uma coisa nem outra. Já experimentámos como se fosse letra de uma música, como se fosse ela a contar uma história, e não resultou. Explicações saem caras, e não há garantias de sucesso. Existem colegas dela, em explicações, que tiravam negativa na mesma.

    A Físico-Química, o meu marido diz que a pode ajudar, porque gosta da matéria e era bom nisso. Na prática, raramente há tempo para, juntos, verem a matéria. Mas é onde estamos a apostar tudo.

    Educação Física não vale a pena. Ela não é muito fã de desporto. Gosta de dança, e de nada mais.

    Infelizmente, para estas disciplinas não há apoio escolar. Somos convocados a ir à escola tomar conhecimento do Plano de Promoção do Sucesso Escolar, como aconteceu o ano passado, mas não existem medidas! As prioridades são o Português e a Matemática.

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  7. Educação Física é a eterna questão, deveria ter duas componentes para dar oportunidade a todos os tipos de alunos.
    O que acontece com alunos inaptos para as aulas? Que seja incluída no plano escolar acho bem que seja avaliada só pela capacidade física é uma parvoíce.
    História é aquela disciplina complicada, acho que é mesmo de decorar, são ,muitos factos de dados.
    Espero que consigam motiva-la a gostar de físico-química.
    De qualquer forma o sucesso escolar não determina toda a nossa vida, apesar de importante não precisamos de ser alunos brilhantes para brilhar ;)

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  8. É sempre complicado, mas os primeiros testes costumam ser os mais baixos! Especialmente se o professor for diferente, há a adaptação ao novo modelo de testes e de correção (cada professor tem a sua maneira). O melhor é analisarem o teste e ver em que é que ela talvez possa melhorar.
    Como vi em comentários anteriores, as explicações são sempre uma boa solução, apesar de serem, claro, mais caras. Se a história não resulta, talvez consigam com Física e Química. Sou aluna do curso de Ciências e Tecnologias e já tenho explicações de FQ há muito tempo. Muitas das vezes é a minha salvação, a atenção mais personalizada, as fichas complementares, por vezes até testes de anos passados...
    O básico também serve para eles perceberem quais são as disciplinas que mais gostam, para no 10º ano conseguirem fazer uma escolha consciente.
    Beijinhos!

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  9. Curiosamente, no caso da minha filha, os primeiros testes costumam ser aqueles em que ela tira melhores notas. Depois, vai baixando, com alguns picos pelo meio!
    Por acaso estava a falar disso no outro dia com o meu marido: para ir para Humanidades, tem que levar com a História, para ir para Ciências, com Físico-Química, e Matemáticas, e Artes não é o seu forte. Vai ser difícil escolher a melhor área.
    Vamos ver como correm os próximos testes, e como ficam as notas no primeiro período.
    Beijinhos!

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  10. Também existem os cursos profissionais. Mesmo que ela queira ir para a universidade mais tarde pode, acho que só tem de fazer os exames.
    Boa sorte para ela no resto dos testes :)

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  11. Os primeiros testes devem ser motivo de atenção para os pais, porque se as negativas surgem é necessário refletir sobre o assunto e de seguida agir na procura de melhores resultados: mudar métodos de estudo, procurar explicações, aumentar o tempo de estudo... Para que não passem as avaliações e a retenção seja a última hipótese...

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  12. Vamos ver como corre esta segunda fase de testes. Este fim-de-semana vamo-nos dedicar a História. Embora as probabilidades de uma boa nota sejam baixas, não custa tentar.
    E depois do balanço final deste primeiro período, teremos que ver como actuaremos daí em diante.

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