
Antigamente, era habitual irmos para a escola sozinhos, muitas vezes a pé, fizesse chuva ou sol. Não havia pai nem mãe para nos levar ou buscar.
Se recuarmos ainda mais, ao tempo dos nossos pais, era normal ainda antes de irem para a escola, fazer algum recado, ir buscar o leite ou o pão, ou algo do género.
Actualmente, e eu sou um bom exemplo disso, desde que a minha filha entrou para o Jardim de Infância que, sempre que posso, vou levá-la e buscá-la, seja a pé ou de carro. E, quando nem eu nem o meu marido podíamos, ia o avô.
Quando ela foi para o ciclo, teve mais liberdade, mas continuo a fazê-lo, se os horários derem para isso.
A primeira vez que quis ir visitar a antiga professora à escola primária, deixei, mas com indicações para ter muito cuidado com as passadeiras, os carros, e para ligar à saída e à chegada.
Ainda hoje, não deixo a minha filha andar muito na rua sozinha.
E é por isso que olho para alguns miúdos pequenos, muito mais novos que a minha filha, a irem sozinhos para a escola, com uma mistura de admiração mas, ao mesmo tempo, receio pelo que lhes possa acontecer, e alguma pena, por não terem ninguém que os acompanhe.
Há uns tempos, quando ia com a minha filha, precisamente para deixá-la na escola e seguir para o trabalho, vi um rapaz pequenino, com uma mochila que tinha quase o mesmo tamanho que ele às costas. Ia sozinho. Mal conseguia andar. Achei graça ao miúdo. Ele, propositadamente ou não, acabou por ir ao nosso lado, e estive quase para lhe perguntar se queria ajuda, se queria que lhe levasse a mochila. Mas depois, achei melhor estar quieta, não fosse o miúdo assustar-se, afinal, eu era uma estranha.
Hoje, estava a ir para o trabalho, e o miúdo ia à minha frente. O meu pai também ia mais à frente, e o miúdo perguntou-lhe se vinha algum carro, para poder passar. Depois, agradeceu. Não é para todos. A maior parte, até mais velhos, não diria nada.
De repente, o miúdo vira-se para trás e vê-me. Faz uma festa, a rir e a dizer olá, como se já nos conhecessemos há muito tempo e eu fiquei naquela "é comigo?!".
Disse-lhe olá, e ele esperou por mim, para ir para cima comigo. Anda na primária, no 2º ano. Diz que está habituado a ir sozinho, e que a mãe não pode, porque está a tomar conta da irmã mais nova. Conversámos um bocadinho, enquanto caminhávamos.
Quando páro para colocar comida aos gatos, ele fica ali comigo mas depois, preocupado,pergunta-me as horas e diz que tem que ir andando, para não chegar atrasado. E lá foi ele, a correr, porque o caminho até à escola ainda é longo. Se tivesse mais tempo, tinha ido com ele até meio do caminho.
Sim, o miúdo é pequeno, mas teve que aprender a desenrascar-se sozinho. Estará mais preparado que muitos mais velhos. Mas, ainda assim, sinto que ele não se importava de ter companhia, e que se sentiria mais seguro se alguém estivesse com ele.
Simpatizei mesmo com o miúdo, apesar de não ter jeitinho nenhum com crianças. Espero reencontrá-lo um dia destes novamente.
No nosso tempo tudo era tão diferente, recordo-me que ia buscar o pão de manhã para tomar o pequeno almoço e depois lá seguia a pé cerca de 1 km até ao colégio.
ResponderEliminarHoje é impensável deixar pelo menos o de 8 anos fazer isso, mas estou a pensar em começar a pedir-lhe que vá ao pão sozinho pelo menos para começar a desenrascar-se!
Lembro-me de quando fui para a escola sozinha ou, melhor a consequência de ir. Os miúdos têm que, agora, crescer rapidamente. A estratégia desse miúdo foi igual à minha quando transmiti ao meu filho as "mãnhas" da vida. Também vejo um miúdo a ir para a escola sozinho com ainda muito cabelo e baixinho. Vê-se que está no 5.º ano. Bjs Marta.
ResponderEliminarNo nosso tempo tudo era mais fácil! Não era?
ResponderEliminarIa e vinha da escola sozinho e quando chovia, o meu padrasto ia buscar-me, mas debaixo de Invernos rigorosos onde nenhum guarda-chuva resistia! Velhos tempos...
Hoje compreendo que não seja assim, o mundo tornou-se de repente mais perigoso e já não podemos confiar em ninguém! Contudo também sei, não podemos colocar os miúdos numa redoma de vidro, pois senão, nem ganham defesas para encarar a vida.
Beijinho
Tenho uma mistura de sentimentos, por um lado acho que as crianças não devem ser super-protegidas, por outro fico preocupada, triste, quando vejo crianças assim sozinhas.
ResponderEliminarÀs vezes na rua se vejo uma criança sozinha começo logo a olhar em redor para ver onde anda a companhia deles.
Pois, acaba por não haver um meio termo. Se há pais que ainda levam os filhos que já andam no secundário ao portão da escola, depois há outros que, com filhos tão pequenos, já os deixam andar na rua sozinhos, de qualquer maneira.
ResponderEliminarEu prefiro os dias de hoje, confesso.
ResponderEliminarNo meu tempo, à excepção de alguns dias em que o meu pai me ia buscar à primária de bicicleta, o percurso era feito a pé, sozinha, fizesse chuva ou sol, e à saída, por um caminho de lama, mal iluminado.
Hoje, sempre que posso, tento proteger ao máximo a minha filha, embora ela tenha que se desenrascar quando eu não estou, ou os horários não coincidem.
No que respeita ao perigo de que algo pior aconteça, acho que está pior agora. Antigamente andávamos na rua à vontade. Hoje, talvez por ter uma filha, sou muito receosa.
Este rapaz de que falei, estava a falar comigo, a contar coisas que, se fosse alguém mal intencionado, poderia aproveitar para lhe fazer mal. Alguém podia levá-lo, e os pais não fariam a mínima ideia.
Com a idade da minha filha também já ia e vinha sozinha. Mais tarde, com amigas.
ResponderEliminarMas faz-me confusão,no meio de tanta protecção que vemos hoje em dia, haver este contraste. O caminho de casa do miúdo, que suponho seja ali da minha zona, é de cerca de 20 minutos até à escola, com o trânsito habitual das escolas que ficam antes, terminal de autocarros,passando pela secundária, com passadeiras onde já foram atropeladas outras crianças. Acho muito para um miúdo tão pequeno. Mas pronto, já vai ensinado para mais tarde.
É como eu!
ResponderEliminarNão havia carro. Tinha que ir a pé. Os dias de chuva eram os piores.
Quando a minha filha iniciou a vida escolar, ou eu ou o meu pai íamos sempre levar e buscá-la, a pé ou no autocarro da vila.
Só quando foi para o ciclo é que ganhou mais liberdade, mas sempre controlada da forma que podemos.
Por isso, dizem alguns especialistas, que as crianças estão pouco desenvolvidas em termos de autonomia....
ResponderEliminarUi, isto da autonomia tem muito que se lhe diga, até nos adultos.
ResponderEliminarA meu ver, o ideal é deixá-los desenvolver a autonomia, e ver até onde chegam mas, no caso das crianças, como que dando corda, sem eles se aperceberem, até vermos que estão em perigo e, nessa altura, sabemos que estão seguros pela corda, e os podemos puxar.
Mais do que uma criança com pouca autonomia, faz confusão ver adultos com ainda menos!
Outros tempos, os nossos!
ResponderEliminarMas hoje, os perigos são muitos.
Quando lia o que a Marta escreveu sobre o que miúdo contou da mãe, tive o mesmo pensamento...
Qualquer pessoa,com má intenção, devagar, conseguia saber tudo da criança.
Uma coisa que digo a jovens e adultos, é que não devemos contar pormenores da nossa vida e família a pessoas que conhecemos mal.
A Sofia tem 19 anos, está no Porto a estudar, nem imagina quanta preocupação passa por esta cabeça. Quando lhe dou conselhos,ela diz sempre para não me preocupar.
Mas a verdade é que nós vivemos mesmo, havendo os perigos de sempre, hoje, somos mais vulneráveis.
Beijinhos
Hoje, se viramos costas por um momento, podemos ver os nossos filhos desaparecer. Ainda no outro dia li sobre uma mãe que estava com a filha num centro comercial e que, após uns instantes de distracção, perdeu a filha de vista. Essa, já estava a ser levada por criminosos, para o parque de estacionamento. Felizmente, os gritos da criança alertaram outras pessoas, e eles acabaram por a deixar e fugir.
ResponderEliminarAcho que é o meu maior receio na vida - que algo de mal aconteça à minha filha.
Quando vejo crianças sozinhas, aproximo-me e pergunto onde estão os pais,
ResponderEliminarHá uns anos, vi dois irmãos sozinhos no espaço do centro comercial em frente à entrada do Continente.
A minha primeira impressão foi que os miúdos distraíram-se e saíram da beira da mãe.
Tive receio de me aproximar delas e que alguém pensasse mal de mim, os meus olhos apenas os seguiram.
Um minuto depois, vejo a mãe aos gritos a chamar pelas crianças.
Foi na direcção do supermercado, para onde as crianças seguiram.
Não consegui ir atrás dela, outras pessoas o fizeram.
A partir de então, sempre que vejo crianças sozinhas, pergunto onde estão os pais.
Já aconteceu e os pais estarem mais atrás e virem na minha direcção, e eu dizer-lhes que ficara preocupada que não soubessem dos pais.
O que me preocupa na Sofia é exactamente o que a Marta escreveu sobre a sua filha: que lhe aconteça algo de mal.
Deus as acompanhe.