segunda-feira, 11 de junho de 2018

Amor à Primeira Visualização

Foto de Marta - O meu canto.


 


Antigamente falava-se de “amor à primeira vista”.


Aquele momento em que, sem estarmos à espera, nos deparávamos com alguém do sexo oposto e, como por magia, ficávamos hipnotizados, sem conseguir deixar de olhar.


Algo dentro de nós nos fazia bater mais depressa o coração, sentir borboletas na barriga, e um nervoso miudinho capaz de nos deixar sem fala, muito atrapalhados.


Nesse momento, independentemente do que viesse, mais tarde, a acontecer, acreditávamos que era “amor à primeira vista”, e que essa pessoa era “a tal”.


Muitas relações começavam assim. Algumas, terminavam pouco depois. Outras perduravam, mostrando que era, de facto, amor o que sentiam um pelo outro.


 


 


Hoje, falamos de “amor à primeira visualização”.


Se os jovens de hoje em dia já nasceram na era das redes sociais, e é por aí que passa a maior parte da sua interação, seja com amigos, família ou até mesmo desconhecidos que pedem amizade ou a quem pedem amizade, os adultos, cada vez mais ocupados pelo trabalho e pelas diversas tarefas que são obrigados a desempenhar no seu dia-a-dia, veem nessas mesmas redes uma forma rápida e sem grande esforço de estabelecer contactos e, quem sabe, futuros relacionamentos.


Para os mais jovens, as saídas, os convívios e os encontros ainda são uma realidade. Já para os mais velhos, a disposição e paciência para voltar a passar por essas fases, ao fim de tantos anos, já não é a mesma. As redes sociais são uma forma de encurtar muitas das etapas que envolvem o surgimento de sentimentos de amizade, paixão, e amor.


 


 


Mas, afinal, como é que tudo isso acontece? É simples.


Estando registados numa qualquer rede social, acabamos por nos deparar com amigos de amigos, e conhecidos destes, ou por simplesmente pesquisar perfis.


E assim vão descobrindo aquela mulher fenomenal, aquele homem musculado, aquele rapaz giro, aquela miúda simpática. Até se depararem com “aquela pessoa”. É o amor à primeira visualização.


A partir daí, vão conversando e conhecendo melhor a pessoa que está do outro lado, até que decidem iniciar uma relação virtual ou passar a um relacionamento real. Ou bloquear definitivamente da sua rede, sem mais justificações. E passar ao próximo clique!


 


 


Texto escrito para a rubrica Cá Por Casa" da Inominável n.º 14


 

5 comentários:

  1. É mesmo isso, as redes sociais são tipo um ponto de encontros e desencontros. Tem coisas positivas, mas ao mesmo tempo assustadoras.
    Mas enfim, temos de saber conviver com estes modernismos, se assim, lhe podemos chamar...

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  2. É sempre um risco. Umas vezes vale a pena e compensa corrê-lo. Outras, nem por isso. Mas fora das redes sociais também acontece o mesmo.

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  3. Qualquer dia as pessoas têm apenas relações totalmente virtuais, sem qualquer contacto pessoal.

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  4. Gostei muito deste teu artigo. Esclarecedor, incidente p.b. e muito atual. Parabéns

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