quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Quando a possessividade e o despotismo dos pais estragam a vida dos filhos

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Quando vejo, actualmente, situações destas, vem-me sempre à memória o caso de uma antiga vizinha minha, e da sua filha, alguns anos mais velha que eu.


Estava eu na pré adolescência, quando esta rapariga começou a namorar.


Antes, andava sempre com a mãe para todo o lado, tal como hoje a minha filha anda comigo e, até aí, nada de mais.


Como dizia, ela começou a namorar e o rapaz foi aparentemente bem aceite pela futura sogra. 


Aparentemente porque, se pela frente, era toda sorrisos e amabilidade, pelas costas, envenenava a filha contra ele, provocava intrigas, arranjava forma de se chatearem até que, um dia, conseguiu o seu propósito, e a relação acabou.


Tinha a filha para si, novamente. E esta situação repetiu-se até a rapariga se tornar uma mulher de quase 40 anos, solteira e sem qualquer namorado, porque a mãe se encarregava de estragar qualquer relação que ela tivesse.


Felizmente, a filha teve coragem de, a determinada latura da sua vida, se impôr. Hoje, tem um companheiro, e dá-se bem com a mãe mas houve alguns anos em que a relação entre mãe e filha ficou tremida ou mesmo cortada.


Dá a ideia de que a mãe queria a filha só para ela, o tempo todo ao seu lado, sem a deixar viver a sua própria vida.


 


Existem pais que conseguem, de tal forma, fazer uso do autoritarismo que exercem, e da manipulação que fazem com os filhos, que os sufocam, não os deixando ter vida, amigos, relações amorosas.


São pessoas que pensam apenas em si próprias e naquilo que lhes faz falta, sem se importarem com o que os filhos querem e precisam. Na verdade, os filhos não têm direito a qualquer opinião ou escolha.


E se há os que se vão deixando manipular, os que vão aceitando, os que se vão sujeitando porque não têm outra hipótese, também há os que, mal possam, fogem destas relações destrutivas, deixando aqueles que, nem por um momento, pensaram na sua felicidade.


 


Não percebo como é que estes pais não vêem isso, que quanto mais prendem e sufocam os filhos, mais depressa se arriscam a perdê-los.


Não percebo como é que existem pais para quem a única vontade, os únicos desejos, os únicos interesses, os únicos amigos, as únicas actividades e os únicos passeios que contam, são unica e exclusivamente aqueles que os pais querem e gostam. Não pensam nem um único momento nos filhos?!


 


E depois, no meio de todo este autoritarismo, egoísmo e possessão, acabam por, muitas vezes, negligenciar e deixar por sua conta esses filhos, se eles não fizerem a sua vontade. 


Acabam por não se preocupar com o mais importante. Acabam por ser pais frios, desligados.


Acabam por criar filhos desestruturados, problemáticos, infelizes, tímidos, vulneráveis, estragando-lhes, a longo prazo, a vida, se eles não se conseguirem impôr e dar a volta.


 


 


 


 

14 comentários:

  1. Gerir a educação com peso e medida é extremamente difícil para as famílias!!!!!

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  2. Sim, educar é mesmo das tarefas mais difíceis que temos nesta vida.
    Há que não ser demasiado permissivo, mas ao mesmo tempo ser flexível.
    Deixar os nossos filhos ganhar asas, e apoiá-los em cada voo, ao invés de as cortar.
    Perceber que, em cada etapa das suas vidas, têm necessidades diferentes e precisam de construir a sua própria história. Que sentem vontade de criar laços com outras pessoas que não apenas os pais e família.

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  3. Infelizmente conheço dois casos assim, num dos casos os filhos já são adultos e acabaram por se afastar ambos da mãe que quando percebeu que não iria conseguir controla-los começou com ameaças e manipulações.
    O outro ainda é uma criança, mas o pai é tão possessivo e ciumento que oprime a criança, privando-a de ter uma relação saudável com outras pessoas, infelizmente creio que isso está a fazer com que a criança seja infeliz.

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  4. Infelizmente conheço um caso bem de perto!
    Graças a Deus os meus pais nunca foram assim ;:)

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  5. A tua vizinha esperou anos demais, para dar um chega para lá á mãe e não me venham dizer mãe é mãe!

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  6. Também me faz confusão. É puro egoísmo. É não querer saber minimamente se os filhos estão felizes ou não, desde que eles, pais, estejam. Porque as vontades dos filhos são invisíveis para eles... pessoas assim nem deviam ser pais. Pais são aqueles que colocam os filhos em primeiro lugar e os respeitam, ainda que isso possa deixar as suas próprias vontades para trás!

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  7. Também acho!
    Já eu tinha casado e tido a minha filha, ainda ela estava a morar com a mãe.
    Mas ainda foi a tempo.
    O irmão vai pelo mesmo caminho.

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  8. Eu como mãe, se algumas vezes levo a minha filha a fazer a minha vontade em coisas que eu gosto, ainda que não lhe digam nada, também abdico de muitas vezes da minha vontade, para a deixar fazer algo que a deixa mais feliz.
    Conheço um caso de uns pais, cujo filho não tem praticamente amigos nenhuns, e teve problemas na escola, levando-o a faltar, até terem a assistente social à porta. É alguém que precisa muito que puxem por ele, que o façam sorrir com brincadeiras, que precisa de amizades, de fazer coisas de adolescentes, para ter mais ânimo e vontade de dar o melhor nos outros campos. Mas não dá, porque os pais só querem saber da sua vontade, e não das necessidades do filho.

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  9. Os meus também não!
    E eu tento não ser com a minha filha.
    Há regras, há respeito, mas há cedência, há o pôr a minha filha e a sua felicidade acima de tudo.

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  10. É impossível uma criança não crescer infeliz nesse ambiente.
    Querer ter amigos e os pais não deixarem e acharem que eles lhe bastam. Querer namorar e os pais acharem sempre defeitos, ou fazerem por estragar a relação. Querer sair e os pais proibirem, ou só deixarem se eles também forem, e quando lhes apetecer a eles.
    O problema é que uma criança infeliz pode tornar-se um adolescente infeliz e oprimido, e um adulto que pode vir a ter graves problemas na sua vida.

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  11. Infelizmente é uma criança próxima e não sabes o que me custa, é muito mau não darem autonomia ao filho e não saberem dar-lhe espaço.
    O mais certo é afastar-se dos pais assim que possa, acontece tantas vezes isso.

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  12. Sendo próximo de nós, é ainda mais frustrante porque queremos ajudar, queremos fazer alguma coisa, mas não podemos intrometer-nos, porque eles é que são os pais, e a última palavra é deles.
    Sim, acredito que estes filhos, mal possam, se afastem dos pais.

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  13. A mulher é intragável e muito manipuladora, para os filhos cederem?

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  14. De há uns anos para cá tem ficado pior, e praticamente já nem a vejo, porque foi morar para outro lado. Mas naquela altura, era uma simpatia de pessoa, bem disposta e toda "prá frente", pelo que era ainda mais estranho o comportamento dela com a filha.

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