Imaginem os alunos a ler 20 estrofes dos Lusíadas, e a ter que responder a diversas perguntas sobre aquilo que acabaram de ler, sem qualquer explicação ou orientação.
Não dará bom resultado, por certo.
Quando acabam de vir do Auto da Barca do Inferno, que é muito mais cativante, torna-se ainda mais difícil mostrar interesse nesta obra.
Eu já não me lembro muito bem do que falei na altura, quando era eu a aluna. Mas sei que, ontem, a olhar para aquelas estrofes que a minha filha tinha que ler, não percebi nada!
Tive que ler várias vezes, para conseguir retirar de lá umas "pingas", apesar de muito espremer.
Claro que, depois de ver a análise daquele excerto, tudo começa a fazer mais sentido.
Para mim, Lusíadas tem que ser dado em aula. Tem que ser uma obra analisada e explicada em conjunto por alunos e professores. Não se pode esperar que os alunos cheguem ali e percebam o que está lá escrito, implícito, o que é para reter e perceber, quando nem sequer a linguagem percebem.
Penso que, para a maioria dos estudantes, os Lusíadas continuam a ser o pesadelo da escola, na disciplina de português, e nos exames finais!
Deixo-vos aqui esta opinião sobre a inclusão do estudo desta obra nas escolas: https://www.publico.pt/2015/02/22/sociedade/opiniao/o-ensino-de-os-lusiadas-1686615
Eu gostei muito dos Lusíadas mas foi dado em aula ;)
ResponderEliminarEu não consigo gostar!
ResponderEliminarPrefiro muito mais o Auto da Barca do Inferno, com a sua sátira, com a sua crítica mas, ao mesmo tempo, com a vertente cómica.
Eu felizmente quando dei os Lusíadas, tive azar com a professora. Aliás a turma toda teve, o meu pai teve que se meter ao barulho...
ResponderEliminarAdorei O Auto da Barca do Inferno e Frei Luís de Sousa.
O Auto da Barca do Inferno é um espetáculo!
ResponderEliminarEu devo ter dado Lusíadas com a mesma professora que a Inês tem este ano. O problema é que ela tem estado de baixa, e a professora substituta não é tão boa. Aliás, na reunião de pais, alguns manifestaram preocupação porque esta nova não os irá conseguir preparar tão bem para o exame como a outra.
Boa noite.
ResponderEliminarA meu ver, "Os Lusiadas" devem continuar a ser obra de estudo obrigatório, nas nossas escolas, para sempre. "Os Lusiadas" o que têm é de ser "confecccionados" ie trabalhados e apresentados de forma mais apetecivel para os nossos jovens. Talvez uma edição adaptada à Escola e ao público em geral, deixando a versão "vernácula" (original/actual) para estudos superiores. É preciso apresentar "Os Lusiadas" "ao pessoal"... com um aspecto mais soft e deixarmo-nos de "literatices" bacocas que só "espantam a caça"... e em nada contribuem para os nossos habitos de leitura. Por um Portugal melhor.
Cumprts. fl
Tens toda a razão! Os Lusíadas têm de ser explicados, pelos professores, e nem todos estão preparados para os ensinarem. Tive a sorte de ter um professor, que andava, na altura, a fazer um dicionário de Os Lusíadas. Como homenagem, escrevo o seu nome,
ResponderEliminarManuel dos Santos Alves.
Estou…
ResponderEliminarO teu post bem ao encontro de um comentário no meu post de ontem sobre matemática. Parece que Português quer tomar o lugar da temida Matemática.
De que adianta ler, seja o que for, sem debate, sem aprender, sem descodificar?
O que referes, não me parece pedagogia. É certo que os alunos devem ser autónomos, mas não é assim.
Bom dia Marta! Os Lusíadas é uma obra fascinante do nosso maior poeta. Creio que existe um livro do Professor José Hermano Saraiva em que ele explica o significado do poema, estrofe a estrofe. Não deve ser fácil encontrar este livro... talvez nos velhos alfarrabistas de Lisboa.
ResponderEliminarOs Lusíadas são um marco da nossa história, quer queiramos, quer não. Mas, pessoalmente, não gosto.
ResponderEliminarA parte que a minha filha tinha que ler era o Concílio dos Deuses. Eu li aquilo tudo, e consegui apanhar algumas coisas básicas, mas sem perceber o contexto, não faziam sentido. Só depois, ao pesquisar na net a análise, é que comecei a juntar as peças.
Penso que existem alguns livros que são próprios para a escola, com resumos, mas eles estão a dar mesmo só pelo manual.
Esse é um erro que os professores insistem recorrentemente. Já o falecido Professor José Hermano Saraiva dizia isso com frequência nos programas dele. Não se pode gostar de uma coisa se não nos for devidamente explicada...
ResponderEliminarObrigada pelo comentário, Francisco!
ResponderEliminarÉ como refere, os Lusíadas são uma obra que deve ser apresentada de uma outra forma aos alunos, diferente daquela imagem do "bicho papão" que ainda hoje tem.
Se bem explicada e inserida no devido contexto, é mais fácil de se gostar, de se perceber.
O que vale é que, hoje em dia, já podemos ir pesquisar muita coisa à internet.
ResponderEliminarA minha filha leu as estrofes em voz alta. Nem ela percebeu nada, e muito menos eu, que só queria que aquilo acabasse depressa!
A seguir fui eu ler. Li, reli, olhei para as perguntas, tentei perceber e fiz uns apontamentos.
Só quando fui pesquisar na net percebi que, embora algumas coisas básicas tivessem certas, havia muito mais para dizer.
Uma coisa é pedir aos alunos que leiam, e tentem perceber, porque irão falar disso na aula seguinte. Outra é pedir que leiam e respondam às questões.
ResponderEliminarHá professores, e professores...
Há pouco, ao levar a minha mãe à cabeleireira, pensava exatamente neste teu post e no que dissemos. Assim se explica que enquanto uns professores sofram desgaste psicológico pq investem qs s/ tempo na procura das melhores estratégias e outros... Enfim, nada que nunca tenha visto. Mas são estes os que melhor se safam na avaliação de desempenho, na vida... É triste e irritante. Eu penso q mesmo como TPC a ser debatido na aula, a estratégia pode desmotivar muitos. No 7. ano já lia obras do 12.o Como sabes sou da área científica. Quando cheguei ao 9.o e li pela 1.a x alguns textos do livros assustei-me. Não entendia aquele português, não sabia lê-lo (sempre fui o leitor da turma). O q aconteceria caso não tivesse tido um bom orientador? Só tenho uma resposta, insucesso.
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