
Já tinha ouvido falar do filme Bird Box, mas não prestei grande atenção.
Volta e meia, recebo sugestões da Netflix e, provavelmente, este filme, por lá designado “Às Cegas”, estava entre elas, mas não dei importância, nem associei como sendo o mesmo.
No fim-de-semana, o meu marido pôs o filme. E eu, que andava a arrumar roupa e fui apanhando partes do início, acabei sentada no sofá a vê-lo!
A história
O filme conta a história de Malorie (Sandra Bullock), num cenário apocalíptico, onde quem quer manter a integridade mental tem que estar fechado em casa, com as janelas e portas tapadas, e de manter os olhos vendados, sempre que sai à rua.
Tudo devido a uns seres misteriosos, as “criaturas” que provocam reações perigosas, levando quem as vê a cometer loucuras, normalmente, suicídio.
Malorie está grávida. Quando regressa de carro com a irmã, depois de uma ida ao obstetra para uma ecografia, percebe que o caos está a atingir aquele local. No meio do pânico geral das pessoas nas ruas e do próprio acidente provocado pela irmã, que já foi contagiada, Malorie acaba por se barricar numa casa com outros sobreviventes.
Cinco anos mais tarde, e numa tentativa de salvação e de dar uma vida melhor aos filhos, os três terão que embarcar numa missão praticamente impossível, da qual não se sabe se algum deles sobreviverá, ou conseguirá chegar ao destino.
Houve três questões que o filme me levantou.
A primeira é a que dá o mote ao nome do filme, e a toda a história – conseguirá o ser humano fazer toda a sua vida “às cegas”? O quão difícil é resistir à tentação de tirar a venda, sobretudo quando estamos numa situação de perigo, e de pura sobrevivência que, ao mesmo tempo, depende de termos, precisamente, uma venda que não nos deixa ver nada, para o bem e para o mal?
Lembrei-me de imediato de outro filme “Um Lugar Silencioso”, que ainda não vi (mas está na lista à espera de tempo), em que a sobrevivência daquelas pessoas depende do silêncio. O que será pior: não poder emitir um único som que seja, ou não poder ver?
Mais complicado ainda é, quando envolve crianças, seres curiosos e mais frágeis por natureza, cheios de sonhos, expectativas, energia. Como dizer a uma criança que, sob circunstância alguma, deve tirar a venda dos olhos, e esperar que ela compreenda, aceite e obedeça?
A segunda, com a confiança e o instinto de sobrevivência no meio do caos, a forma como agimos de formas diferentes, consoante o lado em que estamos.
Por um lado, estando do lado do perigo, e nos queremos salvar, o que mais desejamos, em relação àqueles que nos podem ajudar, é que confiem em nós, que abram uma excepção, que nos deixem entrar.
Mas, quando estamos do lado de dentro, vamos querer abrir a porta a outros? Vamos arriscar salvar outras pessoas, pondo-nos em perigo? Até que ponto, caso deixemos mesmo entrar, será essa pessoa confiável?
Como saber se nos estão a dizer a verdade, ou a fingir?
A terceira questão prende-se com a maternidade, a sobrevivência, e a escolha entre um filho de sangue, e um “filho adoptado” por força das circunstâncias.
A um determinado momento, é colocado o dilema de alguém ter que tirar a venda, para que seja possível atravessar os rápidos de forma mais segura, sem acidentes. Uma das crianças terá que o fazer. O “Rapaz”, como é chamado pela mãe, é o seu filho biológico. A “Miúda”, filha de uma das sobreviventes iniciais, é apenas uma miúda que ela protegeu e cuidou durante 5 anos, juntamente com o filho, após a morte da mãe dela.
Parece uma escolha óbvia sobre qual deles será o infeliz contemplado. Tão óbvia, dada a questão do sangue, e a forma dura como, por vezes, a mãe fala para ela, que a “Miúda” se antecipa, e se oferece para tirar a venda, sacrificando a vida.
Terá Malorie coragem para aceitar esta oferta, condenando à morte uma criança que não é sua, para se salvar a si e ao próprio filho?
E, se conseguirem mesmo chegar ao local que lhes foi indicado, o que será que os espera?
Curiosidades:
O filme é baseado no livro Bird Box, escrito por Josh Malerman, lançado em 2015. A obra do romancista teve grande sucesso e ganhou diversos prémios antes de se tornar filme. E porquê Bird Box? Porque os pássaros têm um papel especial nesta história!
Os actores tiveram que passar a maior parte do tempo das gravações com os olhos vendados, para que as suas prestações parecessem o mais reais possível.
Agora, em jeito de adivinha, e sabendo do que se trata a história, qual seria, para vocês, o local mais indicado, ou mais óbvio, para recomeçar uma nova vida e se protegerem destas "criaturas"?
Bom, eu já vi o filme, não vou responder à pergunta ;)
ResponderEliminarQuanto à tua terceira questão, acho que a escolha não era assim muito óbvia. Ela tem a miúda a seu cargo ao mesmo tempo que tem o rapaz, os laços de sangue serão assim tão mais fortes do que os de criação? Para mim, não são e no filme acho que também não. Para além disso, ela é bastante dura com os dois, parece que por não se conseguir apegar (tanto que nem lhes dá nomes e os trata por "boy" e girl") mas no fundo acho que é para os proteger. Ambas as crianças se oferecem para o sacrifício e ela nega aos dois, ou melhor, adia a decisão.
Sinceramente, não sei!
ResponderEliminarSó tenho uma filha de sangue, mas não sei que escolha faria, naquela situação. Acho que só mesmo estando lá a viver aquilo.
Eu fiquei com a ideia, e mais tarde o rapaz confirmou, de que a "Miúda" tinha medo dela, ao contrário do "Rapaz", e acabou por se mentalizar que a mãe não gostava dela.
E gostaste do filme?
Sem dúvida que só vivendo é que se sabe o que realmente se sente, mas não dou grande importância aos laços de sangue. Acho que não é a genética que te faz amar incondicionalmente a tua filha ;)
ResponderEliminarNão acho que ela fizesse grande distinção entre os dois, era muito dura para ambos, pareceu-me.
Gostei, acho que a Bullock está extraordinária. Não é "o filme da minha vida" mas gostei, bastante mais do que de “Um Lugar Silencioso”, mas acho porque estava com expetativas muito elevadas para esse :)
Acho que ainda não vi um filme com a Sandra Bullock em que ela não estivesse fantástica!
ResponderEliminarAndo há tempos para ver Um Lugar Silencioso, mas é difícil juntarmo-nos os 3 para o ver.