quarta-feira, 24 de abril de 2019

Como a falta de (in)formação se reflecte na inclusão

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A todos os níveis.


 


 


"Um dia, um professor de substituição foi dar uma aula de educação física. 


Na turma que lhe calhou, havia um aluno com necessidades educativas especiais. Sem formação específica e não sabendo bem como agir numa situação que nunca lhe tinha surgido, optou por não o incluir nas actividades que propôs aos restantes alunos, nem encontrar actividades alternativas para o aluno em questão."


 


 


Neste caso, como deveria ter agido?


Tratado o aluno de igual forma e colocá-lo a fazer o mesmo que os outros, encontrar exercícios específicos para a sua condição, ou adaptar as actividades, de forma a que todos, à sua maneira, conseguissem levá-las a cabo com relativo sucesso?


 


Na turma da minha filha existem alunos com necessidades educativas especiais, que apenas frequentam, em conjunto com os restantes alunos, duas ou três disciplinas. As restantes, são leccionadas em separado.


Será isto inclusão?


Igualar em algumas coisas, diferenciar noutras?


 


 


Estes são apenas exemplos de situações em escola, mas que podem facilmente saltar para a vida adulta, para um contexto laboral ou social.


 


 


Cada vez mais se pretende dar a todos as mesmas oportunidades, independentemente de quem está do outro lado e, por isso, a inclusão acaba por ser quase obrigatória, ainda que nem sempre se saiba como colocá-la, da melhor forma, em prática, perdendo a sua eficácia, com consequências negativas, que não estavam previstas, e que se poderiam evitar.


 


A verdade é que a verdadeira inclusão, em todos os seus sentidos e formas, ainda é uma utopia na maioria dos casos.


Aquilo a que assistimos, muitas vezes, é a uma mera tolerância.


Seja por falta de formação e informação, tanto de profissionais e alunos nas escolas, como enquanto seres humanos e cidadãos, no nosso dia a dia, e em diferentes contextos.


Por vezes, com algumas tonalidades de racismo, xenofobismo, discriminação, rejeição, repugnância, mascarados de cinismo, fingimento, aparências, e falsas boas acções e intenções.  


Outras vezes, as intenções até são, de facto, positivas, mas faltam ferramentas para as colocar em prática.


 


Penso que, acima de tudo, é preciso definir o verdadeiro significado de inclusão, e de que forma ele se reflecte sempre em igualdade, ou no respeito, aceitação e adaptação à diferença, de todos os envolvidos. 


 


 

9 comentários:

  1. Tens toda a razão!!! "Inclusão" e "tolerância" são coisas distintas (que, muitos, tendem a confundir...)!

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  2. Ainda estamos muito longe de conseguir lidar com estas questões que tão bem abordas. O que se passa é que normalmente somos tolerantes, muito longe de ser inclusos. Beijinhos

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  3. Não é fácil resolver estes tipo de situações, mas também o professor devia ter arranjado actividades que dessem oportunidade a que todos participassem nelas.
    Embora haja equipas multidisciplinares que trabalham com estas crianças e adolescentes, ainda há muito a fazer no que à inclusão diz respeito.

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  4. Nem mais, uma grande verdade. Esse exemplo aconteceu-me a mim, em educação física ficava num banco a ver os meus colegas a fazer actividades.
    A palavra é bonita mas não passa disso, de uma palavra. A inclusão não existe, é triste mas é a verdade.
    Parabéns pelo post..

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  5. Obrigada
    Também tenho essa ideia. Mas só quem passa por isso o poderá comprovar na prática.
    Embora as coisas estejam ligeiramente melhores, talvez ainda não se possa considerar que exista uma real inclusão.

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  6. E não sei se será pior uma sociedade que não aceita de todo, e o mostra directamente, ou uma sociedade que finge aceitar, vai tolerando mas, se for preciso, pelas costas, está a querer lixar os outros.

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  7. É verdade.
    Por exemplo, aqui em Portugal, vamos tolerando as várias etnias mas, volta e meia, ouvimos que deviam ir para a terra deles, que andam cá a roubar o que é nosso.
    No caso das deficiências, criam-se espaços, medidas e afins para ficar bem na fotografia e mostrar que somos inclusos mas, na prática, as coisas acabam por não funcionar, e a discriminação é constante.
    Beijinhos e bom feriado!

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  8. Acho que, ainda, pior que a não aceitação, é o cinismo e a hipocrisia!

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  9. Só os especialistas o poderão dizer mas, fica a dúvida se o mais correcto é tentar inserir a diferença e tentar torná-la igual à norma, que nem sempre é possível, criar opções diversas para o normal e para o diferente, o que não deixa de ser, de certa forma, discriminatório, ou adaptar o normal à diferença, sem que isso pareça mal a quem é diferente.

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