quinta-feira, 25 de abril de 2019

O ensino profissional é para os maus alunos?

Resultado de imagem para ensino profissional e ensino regular


 


No dia em que a minha filha foi à consulta dos 15 anos, a médica perguntou-lhe que área queria ela seguir no ensino secundário, ao que ela lhe respondeu que, provavelmente, seguiria uma área na Escola Secundária mas que, o que gostava mesmo, era de frequentar a Escola Técnica e Prática.


A médica torceu o nariz e sugeriu-lhe que seria melhor para ela frequentar a Escola Secundária, do que a outra.


 


 


A verdade é que ainda existe aquela noção (na maioria das vezes errada) de que só os alunos que têm piores notas, que não gostam de estudar ou têm mais dificuldades de aprendizagem, é que acabam por se inscrever em cursos técnicos e profissionais, enquanto os melhores alunos se mantêm no ensino regular.


 


De acordo com o director de uma Escola Profissional, "O ensino profissional é para todos e é a melhor via de ensino para preparar os alunos para o mercado de trabalho, independentemente de estes seguirem o ensino superior ou não. Quem sai do ensino profissional arranja mais facilmente emprego. Isto acontece devido ao cuidado que as escolas têm em fomentar a aquisição das “soft-skills” (competências subjectivas), tão valorizadas pelo mercado de trabalho."


 


Eu concordo, e apenas não apoio a minha filha nessa escolha porque, na escola aqui da vila, infelizmente, o ambiente não é o melhor e, de facto, aqueles alunos parecem mesmo andar ali apenas a passar o tempo, enquanto vão fumando, bebendo uns copos e sabe-se lá mais o quê. Não é que na outra também não aconteça, mas não é tão evidente.


 


Se não fosse esse o caso, e tendo a escola uma oferta que fosse ao encontro daquilo que a minha filha pretende, não hesitaria em inscrevê-la, ao invés de a mandar para o ensino regular, onde pouco irá aprender que, realmente, a prepare para o mundo do trabalho. E duvido até, a nível de conhecimentos.


 


Certa vez, quando ainda era o meu pai que ia buscar a minha filha ao Jardim de Infância, ele interpelou uns estudantes do secundário, para lhes perguntar algo que, à partida, saberiam. No entanto, nenhum deles soube responder.


 


Por aí se vê que ensino regular nem sempre é sinónimo de mais conhecimento e, certamente, de melhores notas ou mais inteligência.


É apenas aquele que a maioria escolhe por falta de ofertas de qualidade, porque acreditam que é a melhor forma de aceder ao ensino superior, para aqueles que querem prosseguir os estudos, porque é o normal, aquilo a que estão habituados há gerações, e nem sempre existe apoio para quem queira "quebrar" as regras e optar pela diferença.


 


 


 


 


 

14 comentários:

  1. Tens toda a razão, Marta!!!
    Infelizmente, ainda, há muita "discriminação" em relação ao ensino profissional... que, a meu ver, desde que a "qualidade" e oferta fossem adequadas às necessidades (mercado de trabalho e interesses dos alunos), seria, sem dúvida, a melhor opção... porque o "exemplo" do saber fazer... é fundamental!

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  2. Só vejo o ensino secundário para quem quer prosseguir os estudos para o ensino superior!!! O ensino técnico/profissional é muito bom, com uma enorme componente prática e prepara os alunos para o mercado de trabalho!

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  3. O ensino profissional tem coisas boas e menos boas, aliás como qualquer curso . Conheço alunos de cursos profissionais excelentes. Que concluíram a faculdade e estão bem integrados na vida ativa, outros não tiveram sucesso mto por culpa própria. Na zona onde vivo ha cursos com.sucesso porque a escola mantém excelentes parcerias com as empresas da zona. Outras, não sei se por enercia, pouco se mexem e claro reflete.se na imagem de alguns dos cursos.

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  4. Eu sou a favor do ensino profissional.
    Na verdade, há alunos que vão para as universidades porque os pais querem, porque é mais bonito, e depois os anos que levam a acabar o curso e, por vezes, mudando mais que uma vez de área.
    Pergunto, Marta:
    numa cidade ou vila mais perto e com transportes acessíveis, não há uma escola que seja possível a filha frequentar?
    Beijinho

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  5. Infelizmente ainda se tem essa ideia e muitas vezes fazem-se turmas de ensino profissional de pessoas que não têm a mínima noção do que andam ali a fazer mas eu acho que o caminho do ensino do futuro é o ensino profissional.

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  6. Eu considero que o ensino deveria direccionar-se para uma vertente profissional ou, pelo menos mais especificada e direccionada para aquilo que os estudantes pretendem, em fases mais precoces do que actualmente se faz.
    Fico com a ideia de que se desperdiçam anos de estudo em vão, e que de nada servem para o futuro dos jovens estudantes.

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  7. E não é só no respeitante ao ensino secundário.
    Também se verifica essa discriminação entre cursos técnicos, ou cursos técnicos superiores e licenciaturas.

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  8. A propósito de um filme que estava a ver com o meu marido ontem, dizia-me ele que uma prima tinha feito uma licenciatura em dança.
    Com as escolas prestigiadas que temos actualmente, e conservatórios de dança, que formam bailarinos até, mais tarde, com carreira internacional, fará sentido uma licenciatura? Parece-me que apenas será uma eventual mais valia para quem queira seguir a via do ensino, e não tanto da prática.

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  9. É verdade! Lamentavelmente, até há discriminação entre as licenciaturas obtidas nos Politécnicos e as licenciaturas obtidas nas Universidades...

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  10. Há aquela ideia de que os cursos profissionais são para os mecânicos, electricistas, canalizadores, e outros do género.
    Mesmo quando a oferta é mais vasta do que isso, e já se vêem cursos de marketing, informática e outros mais actuais, acabam por nem sempre ser bem aceites pelas empresas que pretendem contratar.

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  11. À partida, ela seguirá o curso de humanidades, no ensino regular. É o menos difícil, dentro da oferta. O receio dela aqui é o de deixar disciplinas para trás, e nunca conseguir acabar o 12º ano, sobretudo depois do trauma destes últimos dois anos, em que o professor lhe tem dado negativa a educação física, e é algo que ela tem obrigatoriamente, e não gosta, nem tem jeito.
    Na escola profissional, poderia optar pelo de marketing, comunicação e publicidade, mas não sei se não teria também educação física como disciplina obrigatória e, confesso, apesar de ter confiança na minha filha, não me agrada o ambiente de baldas que por lá anda, e receio que a pudesse influenciar negativamente.

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  12. Acho que esta imagem está a mudar. Desde que a escola tenha boas parcerias com o tecido empresarial envolvente muitas vezes este empresas contratam os alunos que nelas estagiaram. Conheço casos de sucesso, ainda estgiavam e ja tinham convites para la continuarem .Acho que a imagem destes cursos mudou. Saem alunos bem mais preparados para a vida ativa que os do ensino dito regular.

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  13. Eu discordo totalmente, e considero que se investigar e fosse professora ou tivesse funções em que contactava com a escola, alunos etc, teria uma visão diferente...
    Eu acho que as 2 vias de ensino são importantes, o ensino profissional para quem pretende a entrada no mercado de trabalho logo com 18 anos, e o ensino regular para quem pretende prosseguir estudos no ensino superior.
    E acho uma ofensa referir num comentário que no ensino regular os alunos acabam por não aprender grande coisa... aprendem sim! e os exames é prova disso! e já agora pode me explicar porquê que a taxa de retenção no regular é maior que no profissional? Eu explico porque no regular não chega estudar, tem que se saber estudar, os testes puxam pela capacidade de raciocínio e aplicação dos conteúdos em várias situações. Se se acabasse com o ensino regular, então não podia haver ensino superior, o ensino profissional não prepara para a faculdade ponto, isto já foi dito por especialistas da área, portanto não há muito a discutir.

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