
Embora, na actualidade, estejamos a assistir ao quadro inverso, em que os filhos, por questões financeiras ou outras, ficam até cada vez mais tarde em casa dos pais ou, não estando lá, acabam por regressar para junto dos progenitores, o normal é que, a determinado momento, os filhos queiram dar uso às suas asas, e voem para as suas próprias casas, seja pelo casamento, ou porque querem viver sozinhos, ou dividir casa com os amigos.
Quando isso acontece, como fica a vida dos pais enquanto casal?
Como é que os pais encaram essa saída, e de que forma a mesma se reflecte na sua vida enquanto casal, agora que, de certa forma, deixaram de ter a responsabilidade de criar, educar e sustentar os filhos, de estar sempre ali para eles de forma mais presente, de se dedicar de forma tão intensa a eles?
Existem casais que aproveitam para renovar a sua vida a dois, para retomar velhas rotinas há muito esquecidas, para reacender a chama que já há muito ardia muito ténue, para viver da melhor forma esta espécie de nova liberdade, com muito mais tempo e disponibilidade.
Dá-se quase que uma redescoberta do amor, e da vida em conjunto.
Por outro lado, existem casais que, simplesmente, já não sabem viver a dois.
Que estão, de tal forma, habituados a ter os filhos consigo, a a todo o trabalho, tempo e envolvência que lhe dedicam que, na falta deles, não sabem o que fazer, como agir, como estar apenas na presença do companheiro que, agora, lhes parece uma pessoa estranha.
E, por isso, acabam por se afastar do companheiro, refugiar-se em tudo os que os mantenha ocupados, sejam tarefas domésticas ou actividades com amigos, desporto, hobbies, ou apenas ver televisão, ler um livro.
Qualquer coisa serve de desculpa, para não ter que ficar na situação incómoda de estar com o outro a sós, de retomar um romance quando já nem sabem o que isso é, ou como o fazer.
E há os que não suportam mesmo o "fosso" que se gerou com a saída de casa dos filhos, e acabam por se separar.
Por incrível que pareça, muitas vezes, os filhos são a "cola" que mantém os pais unidos.
E, ao saírem de casa, quebra-se o que unia os membros do casal, ditando o fim das relações.
Eu vivi em casa dos meus pais até aos 26 anos... mas tenho um irmão com 52 que ainda vive com a minha mãe.
ResponderEliminarNoutro dia falava disso com uma auxiliar da escola dos pequenos e o mais velho ouviu e disse-me "mãe eu vou viver sempre com vocês em vossa casa posso?" sorri-lhe e disse-lhe que nunca iria colocar fora de casa.
Não sei bem mas acho que ele anda a ter sentimentos de perda desde que o meu pai faleceu!
Não escreveria melhor Marta, concordo com todos os pontos!
ResponderEliminarDe facto, há muita "cola".
ResponderEliminarÉ cada vez mais tarde que isso acontece. Desculpem lá estar, de seguida, a falar como o tempo da outra senhora, mas eram casarões que os homens iam trabalhar e as senhoras ficavam em casa a fazer a lida da casa. Voltamos ao antigamente mas por outras razões.
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