... quando já nada se espera dela?
Quando nascemos, não nos explicam o que viemos fazer a este mundo. É uma descoberta que vamos fazendo, à medida que crescemos e nos tornamos adultos.
Há coisas às quais não podemos fugir, e outras, que são objectivos que nós próprios definimos, e que vivemos para tentar alcançar e aproveitar.
Sejam os estudos, o trabalho, a família, os filhos, há sempre algo que nos faz querer estar por cá e viver o tempo que nos é permitido.
Mas... E quando já não se espera nada da vida?
Quando as pessoas chegam a uma idade em que se vêem sozinhas?
Em que os seus filhos já estão criados e, muitos, nem querem saber deles, que apenas representam um "fardo" nas suas vidas?
Em que os netos já não precisam dos avós que, muitas vezes, só vêem esporadicamente?
Em que já não têm o companheiro(a) de uma vida com quem dividir as alegrias e tristezas?
Em que os amigos são poucos ou nenhuns?
Quando as pessoas deixam de se sentir úteis, e sentem que só cá estão à espera que chegue o momento de, também elas, partirem?
Quando percebem que já não existem quaisquer objectivos que queiram levar a cabo e concretizar?
Quando compreendem que, se partirem, ninguém vai sentir a sua falta?
Quando a tristeza se apodera delas de tal forma, que não conseguem ver para além dela?
A que (a quem) se agarram estas pessoas?
Onde vão buscar forças, coragem, determinação?
O que as faz continuar a caminhada?
Como se trata o problema da solidão?
É possível encontrar esperança?
Um motivo para viver?
Uma razão para ficar?
Reflexão inspirada em muitos casos reais com que me tenho deparado, e neste vídeo, com o qual foi impossível não me comover, pela mensagem que transmite, além de ser uma música linda:
Pensava tanto nisso quando ia visitar a minha avó ao lar, saber que ela estava ali até o dia ... outros, nem a família lá ia, triste, muito triste :'(
ResponderEliminarTenho um tio que, pelas escolhas que fez ao longo de toda a vida, vive agora sozinho e desprezado pelas filhas.
ResponderEliminarMais perto de mim, apenas um outro tio que perdeu a mulher, mas têm as filhas e netos para o apoiarem, bem como o meu pai (irmão).
E os meus pais, enquanto eu puder, vão contar sempre comigo!
Oh, Marta, gostei muito do teu texto, uma boa reflexão!!!
ResponderEliminarAcredito que nós temos que criar o nosso sentido, aquilo que gostamos, estamos preparados, nos faz feliz, e ajuda os demais!!!
Tenho receio das doenças degenerativas, especialmente as mentais, onde já não possa controlar o que me rodeia. Este é o meu maior desespero.
Enquanto tiver autonomia mental, física e psíquica, então terei sempre um objectivo, um sentido na vida.
Tenho como exemplo os meus pais, com 89 e 90 anos, fazem as suas actividades diárias de forma autónoma, ajudam os filhos e têm sempre muitos projectos!!!
Beijinhos e Feliz Dia!
Penso que o maior problema é quando as pessoas pensam que já ninguém precisa delas e já não estão cá a fazer nada. Se, aliado a estes pensamentos negativos, não houver uma rede de suporte e apoio, ficam ainda mais susceptíveis, vulneráveis, isoladas. E já não acontece apenas aos mais idosos.
ResponderEliminarA família é um pilar fundamental. Mas a vontade, a "gana" de viver, também ajuda muito.
Ainda no outro dia o meu marido encontrou um senhor no autocarro, de 84 anos. Vinha passear sozinho, porque a mulher não quer sair, e ele precisa disso.
Conheci outro senhor que, também na casa dos 80's, ia ao ginásio todas as manhãs.
Aqui na zona até existe uma "universidade sénior", para quem queira estudar agora que está reformado e manter-se ocupado.
É complicado chegarmos a uma altura da vida e ver que estamos sós!
ResponderEliminarÉ nessa altura que temos de apreciar a nossa própria companhia e nos mimarmos.
Sei que não é fácil mas desistir da vida isso é que nunca!
Realmente não sabemos o que leva as pessoas a estaram sozinhas.
ResponderEliminarNo lar onde estava a minha avó, a maioria das pessoas tinha visitas ao fim de semana e até todos os dias, como era o caso da minha avó.
É complicado perder objectivos e sipourte de apoio. Mas desde que se tenha as capacidades físicas e mentais, há sempre uma alternativa... O pior é quando existem problemas de saúde...
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