
Um dia depois das eleições legislativas, e mais do que vencedores ou vencidos, venho apenas colocar algumas questões acerca das votações, e do quanto os cidadãos portugueses votam, ou não, de forma consciente e informada:
O que significa eleições legislativas?
Não querendo categorizar os portugueses de pessoas pouco cultas ou pouco instruídas, quantos cidadãos, daqueles que ontem foram votar, sabiam exactamente para o que estavam a votar?
O que farão os deputados agora eleitos, e o seu peso na Assembleia da República?
Os ideais e propostas de cada partido
Quantos cidadãos foram ontem votar, sabendo exactamente em que consistiam os ideais, propostas e promessas de cada um dos partidos?
O votar apenas pelo dever
Quantos cidadãos foram ontem votar, apenas pelo mero dever de votar, como quem vai à missa todos os domingos, porque é o hábito, por ser um direito que lhes assiste e, como tal, fazem questão de o exercer?
O voto por simpatia
Quantos cidadãos foram ontem votar neste ou naquele partido, apenas porque simpatizam com a pessoa que o representa, sem ligar minimamente à sua política ou ideologia?
O voto do costume
Quantos cidadãos, apesar da cada vez maior diversidade de partidos, votaram ontem nos mesmos partidos de sempre, naqueles que passam a vida a criticar mas que, no fim, acabam sempre por ser os grandes votados?
O voto do contra
Quantos cidadãos foram ontem votar num determinado partido, só porque já estão fartos das promessas dos mesmos de sempre e, assim, escolhem um dos novos, à sorte, só para contrariar?
O voto descrente
Quantos cidadãos votaram ontem, em branco, ou num qualquer partido sabendo que, qualquer que seja o resultado, na prática, nada de novo e melhor virá?
O voto confiante
Quantos cidadãos votaram num determinado partido, porque realmente acreditam naquilo que este prometeu, e que o mesmo pode fazer a diferença?
Ontem, fomos até ao local de voto, já ao final do dia.
Ao contrário do que imaginei, ainda havia muita gente a votar àquela hora.
Na porta de cada sala de voto, estava a lista dos partidos. Não fazia ideia de que eram tantos. E, confesso, muitos nem sequer conhecia, como o R.I.R., o CHEGA, o Nós, Cidadãos, o Livre, o Partido da Terra e outros. Aliás, acho que, em termos de ideologias, o partido do qual sei mais algumas coisas é o PAN.
Algumas pessoas, foram lá mesmo pelo voto. Outras, vestiram os seus melhores fatos domingueiros, como quem vai para uma festa, e lá compareceram, porque assim manda a tradição.
Pelo caminho, ou no átrio da escola, foram encontrando amigos, família, conhecidos, e lá ficaram, a pôr a conversa em dia.
Depois, vai cada um à sua vida.
À noite, o encontro seria na festa da vila, para beber umas cervejitas, comer umas bifanas e dar ao pé. Lá se comentaria o galo da Cristas, a vitória do PS, a conquista do PAN e a abstenção de quase 50%.
Hoje, será mais um dia igual a todos os outros, de trabalho, de estudos, de neura típica de 2ª, de regresso à rotina.
Amanhã, provavelmente, já ninguém se lembrará das legislativas.
Imagem: http://www.rtp.pt/noticias/eleicoes/legislativas/2019/
o voto é o exercício da democracia. mesmo com motivações diferentes, é importante votar e os votos valem todos o mesmo: 1 por pessoa.
ResponderEliminarPerguntas relevantes que poderiam levar os quase 50% a votar.
ResponderEliminarFiquei sem palavras quando li.
Eu ainda pensei que a afluência tivesse sido grande até porque, pela primeira vez, fui votar ao final da tarde, estive fora de Braga, regressei com a intenção de chegar a horas às urnas e apercebi-me que ainda havia pessoas a chegar outra a sair, gozaram o domingo como melhor pudessem e fizeram como eu.
Afinal, enganei-me.
Esta pessoas são as que mais vão cobrar do governo pelas promessas que fizeram mas que poderão não cumprir.
Também tive o cuidado de contar o número de partidos, pois alguns não conhecia.
Incrível!
O que me questiono é se quem vai votar, vota porque realmente acredita e se revê no partido que vota, e respectivo programa e promessas eleitorais, ou se está a votar por outros motivos.
ResponderEliminarVotar sim, mas de forma consciente, independentemente da sua escolha. Por vezes, é mais consciente um voto em branco, do que um voto num partido só porque aquela pessoa até é simpática, ou apenas porque já se sabe que os outros nunca chegarão a lado nenhum e, por isso, mais vale votar nos mais conhecidos, por exemplo.
Para mim a percentagem da abstenção revela que o povo português está muito inconsciente. Isto é a minha opinião. Tiveram muita escolha ou escolha a mais? Os meus pais não tiveram estas oportunidades para escolher. Fui votar sim, acordei cedo e meti-me num transporte público para exercer o meu direito de voto apesar de ter uma escola perto de casa. Puseram-me a votar longe de casa porque é por ordem alfabético, sou o "m". Tanto gostaria de ter ficado na cama... Deram me a escolher e aproveito esta altura para ser "ouvida" e "escutada". Mas enfim, esta é a minha opinião.
ResponderEliminarainda ontem numa reportagem um velhote dizia que votou num candidato por "Em primeiro lugar, ser do benfica". depois lá justificou que se revia na opinião dele contra os ciganos.
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ResponderEliminarTambém vi!
É um bom exemplo do que aqui disse.
Por acaso achei curioso que, nessa região, a maior parte dos votos para o candidato que é contra os ciganos, veio dos próprios ciganos.
Quando se ouvem coisas como "votei em x porque é do Benfica", confirma-se que o povo português interessa-se muito pouco pelo país, pela política, pelo seu destino, pelo seu governo.
ResponderEliminarE estes votos podem não resultar da melhor forma.
Por aqui, ao final da tarde, havia ainda muitas pessoas, mas sem fila, talvez por estar distribuído por várias salas.
ResponderEliminarPenso que o grande problema é haver tantos partidos, mas quase nenhum que e possa afirmar com certeza - é este que eu quero, é neste que acredito.