sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Do aumento do salário mínimo nacional

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O Governo aprovou ontem a subida do salário mínimo nacional para 635 euros, a partir de 1 de janeiro de 2020.


A subida do salário mínimo vai abranger 720 mil trabalhadores e dará, aos mesmos, mais 31,15 euros líquidos, por mês.


Parece, apesar de pequena, uma boa conquista. Mas não o é.


Esse mesmo aumento acabará por se ver nulo, ou quase, com todos os outros aumentos, em tudo aquilo que consumimos: água, luz, gás, alimentação e por aí fora. 


 


É certo que, a esse salário de 635 euros, ainda teremos que retirar os descontos para a segurança social mas, como depois acresce o subsídio de refeição, vamos admitir que esses mais de 700 mil trabalhadores ficarão, a partir de Janeiro de 2020, com um ordenado líquido de 700 euros.


 


 


Pergunta hoje o Sapo: Acha que conseguia viver com este valor?


Há uns anos atrás, seria um bom ordenado! Hoje em dia? Nem por isso. Ora vejamos:


 


Para uma pessoa só


Renda de casa - uma média de 350/400 euros, dependendo do local 


Água - uma média de 25 euros


Luz - uma média de 25 euros


Gás - uma média de 25 euros


Alimentação/ casa - uma média de 200 euros


Só nestas despesas, já lá vão cerca de 625/ 675 euros. E sobra muito pouco para qualquer despesa extra em saúde, vestuário, condomínios (se for o caso), telemóvel, televisão/net, desporto e outras que possam surgir.


É possível, mas não há grande margem de manobra, ou para poupanças.


E ainda temos o transporte - a maioria das pessoas precisa de se deslocar diariamente para o trabalho, seja em transportes públicos ou em carro próprio, pelo que ainda há mais essa despesa.


E fica esgotado ou mesmo negativo o saldo.


 


 


Agora, imaginemos um casal, com filhos, a viver com 2 salários mínimos.


Provavelmente, a renda da casa será maior, tendo em conta que precisam de mais espaço - uma média de 400/ 500 euros


Água - uma média de 50 euros


Luz - uma média de 50 euros


Gás - uma média de 40 euros


Alimentação/ casa - uma média de 400 euros


Transporte - vai depender muito do local, do número de viagens, de quem precisa do mesmo e se é feito em viatura própria ou transporte público


Despesas extras e despesas escolares, para os filhos.


Continua a não sobrar muito, seja para poupar, seja para alguma eventualidade que surja.


 


 


Ou seja, não é impossível viver com este valor. Resta saber é em que condições, com direito a quê, e o que terá de abdicar para o conseguir.


E isto, só por si, já indica que deveria ser mais elevado, para que todos pudessem satisfazer as necessidades mínimas, sem andarem sempre a fazer contas à vida.


Imagem: www.dnoticias.pt


 


 


 


 


 


 


 


 

10 comentários:

  1. É e será se, continuar assim. Mas eles jugam se tão bonzinhos que, até enchem o peito de ar e afirmam ou informam esta mensagem como se fossem uns "tarzans" gloriosos. Enfim.

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  2. Tudo o que venha é bem vindo, e melhor que nada, mas nem sempre é suficiente.
    Para o governo, é como se nos tivessem a oferecer um Bolo-Rei acabadinho de sair da pastelaria, com frutas da melhor qualidade.
    A nós, sabe-nos ao resto do bolo que sobrou das festas natalícias, e que parece mal deitar fora!

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  3. Eu diria "Não é impossível sobreviver com este valor.", já que viver, para mim, é mais do que esticar o dinheiro até ao fim do mês e cobrir o essencial.
    Um casal a receber o SMN (serão cerca de 1000€ líquidos) a viver em Lisboa ou nos arredores, pagando 500€ de renda por um T1, 70/80€ de passe social, Água+Luz+Gás+Telefones, alimentação não consegue ter uma despesa extra. Não pode, na maioria dos casos, ter acesso a espectáculos culturais, um jantar ou um lanche com amigos, praticar um desporto que envolva inscrição no que quer que seja. Sobreviverá limitado nas suas escolhas. Isto não é um Salário Mínimo justo...

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  4. Sim, hoje em dia, no que respeita a salário x despesas, é mesmo tentar sobreviver, com o mínimo e básico dos básicos, sem ficar com pagamentos em atraso, dívidas, processos de cobrança, insolvências, e retroceder em tudo aquilo que, até agora, foi alcançado.

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  5. Uma análise perfeita do que pode ser viver com o salário mínimo em Portugal... muito difícil

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  6. Na minha opinião, rende mais ter o subsídio de reinserção social, porque depois vão buscar os bens necessários às instituições, têm casa quase de borla, se a não têm mesmo de borla, e ainda se dão ao luxo de pôr no lixo os bens alimentares que não lhes interessa.
    E não trabalham, como é obvio.
    Os nossos impostos são para isto.
    Quem trabalha recebe menos.
    E com a agravante de que as rendas estão inflaccionadas, ter casa é um luxo.
    Triste situação de quem trabalha.
    Estamos numa sociedade injusta , de chicos-espertos, de corruptos.
    Entristece-me isto.

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  7. O salário mínimo nacional é terceiro mundista. Fazemos das tripas coração para iludir a pobreza.

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  8. Esse salário não dá mesmo para nada porque ele aumenta mas as despesas aumentam também!
    Uma família com filhos em que os dois ganhem o salário mínimo não há quem aguente!

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  9. É de dar graças que o ordenado mínimo nacional continue a crescer aumentado as condições de vida de muitas pessoas, mesmo ainda sendo diminuto comparado com a média da Europa. É pena que os salários intermédios e de pessoas qualificadas continuem abaixo da dignidade merecida. Enfim, ainda existe muito trabalho para fazer em Portugal nesta área.

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  10. Só me mete nojo. Tentem eles sobreviver com estes valores... e depois digam-nos se é justo!!

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