quinta-feira, 14 de novembro de 2019

O único reality show em Portugal que conseguiu ser genuíno

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Ou, pelo menos, tentou sê-lo.


Falo, como não poderia deixar de ser, da primeira edição do Big Brother!


 


Era o primeiro em Portugal.


A produção não sabia se o formato funcionaria por cá, e a estação não fazia ideia da aceitação e audiências que poderia ter.


Os concorrentes não sabiam muito bem ao que iam, nem como seria estarem fechados tanto tempo numa casa.


E o resultado foi o que se viu: um sucesso, com concorrentes que marcaram, quer pela positiva, quer pela negativa, e dos quais ainda hoje nos lembramos.


De certa forma, também eles não tinham filtros. Pareciam mais genuínos. Com as emoções à flor da pele. A sentir cada momento, stress, diversão, pressão, saudade, inimizades, num único espaço.


 


Desde então, se repararmos, todos os seus sucessores, através desta primeira experiência, cujos concorrentes acabaram por servir de cobaia, começaram a parecer, cada vez mais, um produto pré fabricado.


Um produto que foi sendo limado aqui e ali, para ver como poderia aumentar as audiências, causar polémica, ser falado.


Um produto que vem com guiões, para personagens específicos que, quanto mais problemáticos, chocantes ou alucinados, melhor, para que encaixem na perfeição.


 


Hoje, olhamos para os actuais reality shows, e começamos a acreditar que aquelas pessoas que ali surgem, na sua vida privada, não serão as mesmas que nos entram pelo ecrã. Que, aquelas que nos chegam estão, simplesmente, a desempenhar um papel que lhes foi atribuído naquela história. 


 


A diferença dos reality shows, para uma qualquer telenovela ou série é que, enquanto os atores, mesmo desempenhando o papel de vilões, vêem as personagens diferenciadas da pessoa que são, e continuam a ter o carinho do público, os concorrentes, são vistos como um só, e ficam, muitas vezes, com a imagem denegrida, e sujeitos a todo o tipo de comentários indesejados.


Enquanto os atores são vistos como pessoas que estão ali a trabalhar, na profissão que escolheram, os concorrentes são vistos como "os parasitas", que não querem trabalhar e se sujeitam a tudo, para ganhar dinheiro e fama.


Ao género "não importa se falam bem ou mal, desde que falem".


 


E não me venham falar de experiências sociais, porque a única coisa que ali estar a ser testada é, até que ponto, vale toda a exposição, polémica, atrito, conflito, pressão, para garantir boas audiências.


E até que ponto os concorrentes se deixam "vender", sofrendo muitas vezes nas mãos das produtoras desses formatos, nomeadamente, com chantagens, obrigações, diria até, alguma violência psicológica, para aparecerem na televisão.


 


Experimentem, um dia destes, voltar às origens.


Deixar os concorrentes serem eles próprios, e agirem de acordo com a sua personalidade.


Perceber até que ponto querem participar em algo, que só lhes garantirá um salário equivalente ao que receberiam, se estivessem a trabalhar.


Deixar por conta da prestação destes, e do público, o nível das audiências.


Poderia até nem resultar. Mas, para quem está deste lado, seria muito mais credível e interessante. 


 


 

6 comentários:

  1. Concordo plenamente contigo!!! Ja ninguem participa que seja um rotal desconhecido.... É ja semore um amigo do amigo do tal... O quem quer casar com o agricultor é que sekpre tem posto uns desconhecidos... De resto um falhanço....

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  2. Eu já nem falo em ser desconhecido ou não, mas de serem autênticos nas suas atitudes e comportamentos.
    Hoje em dia, parece que a produção lhes diz: têm que fazer isto, ser aquilo, fazer de parvos, discutir, agir de uma determinada forma, e por aí fora.

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  3. Mas que grande verdade!
    Era ainda adolescente quando estreou o primeiro Big Brother e lembro-me de ver aquilo e adorar. Depois desse, todas as vezes que iniciava algum tinha a curiosidade de ver. Só vias os primeiros dias porque recordo-me de, como não podia deixar de ser, comparar com o primeiro e achar aquilo um teatro. Dali para a frente só tem vindo a piorar.
    A Marta disse tudo e como tal não preciso acrescentar nada. Estou 100% de acordo.

    Um beijinho, V

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  4. Em relação aos concorrentes, quem vai a seguir já sabe como agir, o que as pessoas cá foram pensam, que imagem devem ou querem passar (a não ser que sejam pagos para fazer algum outro papel).
    Relativamente a quem produz, e às próprias estações, começaram a procurar concorrentes polémicos, que tenham segredos escabrosos, que estejam dispostos a fazer o que eles querem a troco de dinheiro, fazendo parecer que é tudo espontâneo e inesperado.

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  5. Big Brother julgo só ter visto o primeiro e o segundo. Para dizer a verdade, não sei quantos foram. Casa dos Segredos ainda acompanhei mais do que uma edição também, mas... é como dizes. Começou tudo a descambar. É tudo falso, fingido, planeado, estudado. Eles conhecem-se todos cá de fora e são escolhidos a dedo. São instruídos. Não tem nada de verdadeiro... Deixei de acompanhar essas porcarias há muito por isso mesmo. Além de não suportar a Teresa Guilherme...

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  6. Lembro-me do primeiro BB e era tão diferente dos novos reality shows que agora andam por aí. (Casa dos Segredos, Big Brother VIP e mais recentemente o Casados à Primeira Vista).

    Mas também vejamos uma coisa...quando o primeiro BB estreou em 2001, havia pouca informação, nas revistas cor-de-rosa, e não havia Facebook nem Twitter para comentar a participação dos concorrentes (acho que o único meio era enviar SMS para os mesmos passarem no rodapé).
    Hoje com tanta tecnologia, tanta rede social, é tudo muito falado, é tudo muito teatro nos concorrentes, até mesmo as revistas cor-de-rosa estão piores do que eram há 20 anos atrás, falam de tudo, esmiúçam a vida dos concorrentes dos reality-shows, baseados em fontes anónimas sem nexo. Não atiro a culpa aos realities, mas sim a quem "faz" os realities...a imprensa e as redes sociais.

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