quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

"Mais vale um asno que me carregue do que um cavalo que me derrube"

Uma+das+criações+mais+perfeitas+de+Gil+Vicente..


 


Não conhecia este provérbio!


Vi-o no fim de semana, a propósito de um trabalho que a minha filha tinha que fazer, sobre A Farsa de Inês Pereira.


 


Segundo consta, Gil Vicente era acusado de plagiar obras do teatro chinês de João Miguel. Então, pediu aos que o acusavam, que lhe dessem um tema para que ele pudesse escrever uma peça.


E surgiu assim, desse ditado popular, “A Farsa de Inês Pereira” apresentada, pela primeira vez, para o rei D. João III, em 1523, no Convento de Tomar.


Esta farsa é considerada a peça mais divertida e humanista de Gil Vicente, pelo facto da protagonista trair o marido e não receber nenhuma punição ou censura por isso, diferentemente de outras personagens por si criadas.


 


A verdade é que, hoje em dia, quase todos procuram "cavalos/ éguas". Ninguém quer saber dos "asnos". Mas depois, tal como aconteceu com Inês Pereira, nem sempre aquilo que é idealizado corresponde à realidade, e podem acontecer surpresas que seriam dispensáveis.


É nessa altura que as pessoas se viram para os "asnos", que antes desprezaram, e começam a vê-los de outra forma. Não é o ideal mas, entre um e outro, acabam por preferir o segundo. Por vezes, transformam-se, essas pessoas, nos cavalos que não queriam ao seu lado, quando ao lado dos "asnos".


E um meio-termo, não se arranja por aí?!

6 comentários:

  1. Estudei Gil Vicente, logo conheço ( mas estava esquecida até agora) este provérbio.
    E é uma grande realidade, nos tempos que correm, Marta.

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  2. Melhor procurar o meio-termo.
    Nunca lido muito bem com "do mal o melhor"!!!

    Resto de um Dia Feliz

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  3. Eu recordava-me mais do Auto da Barca do Inferno. A Farsa de Inês Pereira devo ter dado, mas não me lembro de nada. E achei piada ao provérbio, e à forma como ele encaixa tão bem na actualidade.

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  4. Também me parece :)
    Há sempre uma tendência a abusar dos "asnos", pela sua ingenuidade e simplicidade. Não deveríamos precisar nem de quem nos carregue, nem de quem nos derrubem, mas sim de quem caminhe ao nosso lado e não nos deixe cair, e vice-versa.

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  5. "uma tendência a abusar dos asnos", pela sua ingenuidade e simplicidade."
    Tristemente, são os mais gozados

    "mas sim de quem caminhe ao nosso lado e não nos deixe cair, e vice-versa."

    O egoísmo dos outros não permite que isto aconteça

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